o mundo ideal.

Sempre gostei de ter a opção de controlar as coisas na vida. Não conheço quem pense diferente.

Gostaria e, ao mesmo tempo, não gostaria que cada ação determinada provocasse sua reação correspondente. Que conhecer alguém e se apaixonar, significasse namorar, noivar e casar. Sem muitas dores e ressentimentos no meio. Sem muitas pessoas erradas, famílias chatas, conflitos e maiores aborrecimentos. Gostaria de ter a certeza de que, se me empenhar de verdade, estudar, estagiar e trabalhar, alcançarei o emprego dos sonhos. A vida dos sonhos. Queria que todo mundo pudesse ter sua casinha, a comida que mais gosta, um animal de estimação pra servir de consolo quando alguma coisa mínima saísse fora da linha. Mesmo que nesse meu mundo mágico nada saisse fora da linha.

Gostaria de poder estar sempre perto dos amigos quando eles se sentissem sozinhos, nem que fosse pra dar a mão. Nem que fosse pra dizer que às vezes, algumas ações geram reações não confortáveis, mas nunca ruins de fato. Queria que as inseguranças não consumissem, nem tirassem o sono, queria que não houvessem inseguranças quanto ao amanhã.

O mundo poderia ser todo certinhoo, ninguém deveria perder pai, mãe, vó nem vô. Ninguém. E todo mundo deveria ter esses entes queridos nem que fosse pra achar melhor ter nascido sozinho. Mesmo que nunca achassem coisa assim.

Dizem que nada na vida teria graça se soubéssemos desde o começo do filme o seu final. Que se tudo fosse corretinho, seria entediante. Só sentiríamos frio na barriga na montanha russa e olhe lá.

Mas num dá uma vontade, daquelas bem grandes, de mandar o mundo parar um pouquinho de ser tão independente e girar um pouco conforme os nossos desejos?

Eu adoraria.

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saber viver.

Os seres humanos são os reis das cagadas. Na dúvida vão lá e pulam do precipício. Pensam, escolhem, não dormem por dias e voltam com o namorado que não presta porque acham que é o certo a ser feito. Ficam com alguém que não gostam de verdade porque têm um “compromisso verdadeiro” com essa pessoa. Amam o duvidoso. Porque, afinal de contas, o certo se for mesmo o certo vai dar certo alguma hora. E antes se arrepender de ter feito do que de não ter feito.

Não sei quem foi que disse que quando se trata de sentimentos loucos é melhor não ter razão. Aliás, sei quem disse, foi Lulu Santos. A razão em excesso é amigona do medo, e às vezes atrapalha. Mas como todos os extremos, essa máxima que habita todas as tretas amorosas modernas é tão burra quanto tentar fincar prego na areia. Se não pensar fosse a melhor maneira de se viver por que seríamos os únicos seres vivos racionais?

O problema do excesso de razão é te deixar cético. O problema do excesso de emoção é te deixar cético. No primeiro caso você passa a ignorar que as pessoas são capazes de amar. E no segundo caso, você é incapaz de pensar que elas possam ter qualquer tipo de atitude ruim.

Sou da política que as pessoas podem SIM, mudar. Pau que nasce torto, ao contrário do que fala o poeta, pode se endireitar. Mas é difícil. É complicado. E até que isso aconteça, muitas águas rolam por debaixo da ponte. São mágoas, incertezas, desconfianças… Que não são fáceis de passar por cima e esquecer. E que, quase sempre, não devem ser esquecidas mesmo.

Ao invés de ficar dando murro em ponta de faca que tal começarmos a nos amar um pouquinho? E a parar de achar que merecemos o pouco amor que recebemos?

Pra ser feliz é preciso pensar.

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poderosa.

Nunca acreditei em mim.

Como muita gente, vez ou outra, eu acho, deve duvidar de si. Sempre me senti mediana, ruim em matemática, ruim em tudo. Nunca achei que escrever fosse dom. Achava que toda a pessoa, se treinasse um bocadinho, fosse capaz de passar para o papel corretamente, linha após linha, as ideias que tinha na cabeça.

Quando na escola elogiavam uma redação qualquer eu ficava feliz, mas não ligava muito. O que se extendeu até os dias de hoje. Inteligente pra mim é quem resolve todos aqueles problemas de Física e entende Química, coisas das quais eu nunca consegui entender.

Pensava em ser jornalista não porque considerava que essa era minha vocação, mas porque acreditava que não sabia fazer mais nada além disso.

Enquanto meus amigos discutiam suas aptidões e carreiras, decidiam se prestavam Engenharia ou Direito, eu já tinha lá, bem definido na minha cabeça, que queria ocupar um posto no Jornal Nacional ou que, no mínimo, ia escrever sobre as crises políticas internacionais na Folha de São Paulo.

A questão é que logo no inicio da faculdade percebi que esse mundo de coisas palpáveis nunca foi lá meu forte, eu sempre gostei mais foi de gente mesmo, sempre prestei mais atenção no lado emocional que racional de todas as coisas na minha e na vida alheia.

Foi daí que entre ser uma literata sem muito futuro e ser uma designer apaixonada eu optei pelas artes. E hoje, apesar de ter muita certeza que amo a profissão que escolhi, não tenho muita convicção se é pra isso mesmo que eu sirvo. Dá pra entender? A gente precisa encontrar nosso lugar no mundo para que as coisas funcionem direito.

Escrevi na contracapa de todas as minhas agendas até os meus 16 anos a seguinte frase: “Quem sabe o que quer e onde quer chegar encontra os caminhos e o jeito certo de caminhar.” Hoje, no bar, me lembraram dessa máxima de vida sem nem nunca terem tido acesso a quaisquer que fossem essas agendas, me lembraram que é preciso que eu acredite em mim e tenha um plano. Se eu mesma não acreditar que sou boa em algo, como vou me impor? Como vou convencer os outros de que sou capaz de ser muito além do que se vê por meio das coisas que eu escrevo, desenho e tudo o mais?

Não basta sonhar, é preciso ter um plano. E ultrapassar alguns obstáculos que a gente insiste em dizer que estão pela vida, mas que se prestarmos bastante atenção, estão dentro da gente.

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para o plano superior…

Deus,

Dizem que devemos conversar diretamente com o Senhor, sem muitas formalidades. Como escrevendo me expresso melhor que falando, resolvi encaminhar a cartinha de Natal do Papai Noel pra você, já que quem manda no pedaço é mesmo a sua pessoa.

Estou escrevendo já sem esperanças de ser atendida, porque há tempos ando me sentindo meio ignorada pelas forças superiores. Não estou reclamando, hein? Antes que você fique ofendido. Minha vida está ótima, sou muito feliz, aliás, obrigada por tudo. Mas, obviamente, se escrevo para te fazer pedidos é porque não estou, assim, tããããão satisfeita. Nunca estamos satisfeitões, aliás, e o Senhor sabe bem disso.

No ano de 2011 gostaria de ganhar de  presente um emprego para me sentir um pouco mais útil no mundo. E que com esse emprego eu consiga me sustentar em São Paulo e tirar a minha carta de motorista assim que puder. E já que é pra extrapolar no pedido, vou especificar um pouco mais: quero trabalhar com algo que eu realmente goste e que, de preferência, eu faça com amor.

Registro aqui que quero continuar sendo conselheira dos meus amigos, não me destitua desse cargo. Mas também gostaria de ter coisas boas pra contar em outras áreas além dos assuntos do coração.

No campo material, primeiro o Senhor pode mandar um notebook. Cansei de chorar pelos enfartes do meu. Depois, uma câmera digital semi-profissional não seria nada ruim (perceba que por aqui não trabalhamos com pedidos humildes). AHH! Um Iphone e uma tablet fariam da minha vida assim… PERFEITA! Mas não são exatamente necessários…

Por fim, vou agradecer pela vida de algumas pessoas, citando nomes mesmo (que eu lembrar, né?) e por mais tantas outras que o Senhor sabe que fizeram da minha vida muito muito especial no ano de 2010:

Fabi Mesquita, Carla Maia, Paula Miguel, Carolina Bertolucci, Carine Caitano, Ana Rebeca Sales, Diego e Felipe Zamana, Rosangela Soler, Maria Martha, Marta Vianna, Renata Guardia, Letícia Rodrigues, Daniel Negrão, Mariana Bailão, Nathália Melzer, Maurício Mascia, Tarsila Valério Torres, Laila Mancilha, Fernanda Beltran, Juliana Ferreira, Thaiza Simal, Thaís Hashimoto, Priscila Ferreira, Daniel Heilbrun…

E toda à família Tamashiro e seus agregados!

Acho que é só!

Com carinho,

Ericka Rocha.

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billionaire.

Para ler ouvindo:

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Converso muito sobre a vida com uma amiga muito especial. Inteligente, divertida e bem sucedida. Tem a graninha dela, o carrinho que está pago, uma carreira para seguir em frente e chamar de sua. Claro que tem lá seus perrengues amorosos, suas dores de cabeça de stress e mais um bocado de outras coisas que quando a gente vira sujeito homem adquire. Mas dizem que a vida não teria valor nenhum se só vivessemos de gratas memórias… E afinal de contas não temos nem a opção de provar o contrário!

O que essa minha amiga possui já está muito acima do que qualquer brasileiro no auge dos seus 23 anos poderia desejar, mas, para ela, não basta. Sinceramente, algum dia a vida que levarmos será a vida dos sonhos?

Creio e desejo que ela nunca seja, pra que as coisas tenham sentido.

Há uma enorme diferença entre ser ambicioso e ser obcecado. Há diferenças também entre obstinação e alucinação. Vou tentar explicar melhor.

Ao olharmos no espelho algo sempre incomoda: o cabelo, a barriguinha ou as olheiras que já criaram raíz. Nós andamos bem, falamos bem, não temos nenhuma doença grave que nos limite ou que nos impeça de ser melhores. No mundo há tratamentos de estética caríssimos que funcionam, existe academia, cremes… Mas não existe máquina de tirar câncer, por exemplo. Quando somos ambiciosos tentamos chegar naquilo que desejamos no tempo presente, mas nossos desejos mudam assim que os conquistamos. Sempre queremos evitar os cânceres, metaforicamente falando. Tornamos nossa ambição em algo positivo, que nos leva a evoluir. Pois bem,  a obceção nunca é boa. Com ela tentamos nos tornar insuperáveis. Queremos ser algo que uma parcela mínima da sociedade consegue ser e nos tornamos pessoas cegas. Nada está bom, nada é suficiente, nada é impossível. Sinto frustrar todos os sonhadores de plantão, mas algumas coisas, simplesmente, às vezes são impossíveis.

Gente obstinada corre atrás, se esforça, mas sabe que o que tem é maravilhoso. Sabe dar graças pelo o que conquistou e, se fracassar, hora ou outra vai perceber que aquilo talvez nem fosse assim, tão importante. Vai enxergar o lado cheio do copo, vai saber a hora de parar. Há quem não saiba. Há quem chegue à loucura. Há quem comece a alucinar uma vida que talvez nunca consiga ter e se torna vítima da própria criação. Isso é triste. E mais triste é notar que para a pessoa tais desejos são normais. É normal ter 5 carros, viajar pra Europa no final de semana. Tudo perfeitamente aceitável e tangível.

Às vezes reclamamos das coisas que não temos sem atentar para as que temos. Eu sou assim. E por muitas vezes fico olhando a vida de outras pessoas pensando que elas estão realizando sonhos que são meus, indo para lugares e conseguindo coisas que faziam parte dos meus planos. E agora, refletindo sobre isso, perecebo que talvez estas mesmas coisas não deixem essas pessoas felizes. Que esses sonhos sejam pequenos perto do que elas desejam.

E, talvez, seja eu a sortuda que tenha um mundo de coisas almejadas por aí e nem saiba.

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biscoito da sorte.

Conversando com um amigo sobre as  maravilhas do amor moderno (o que não vem ao caso…) e sobre a minha total falta de noção sobre o que eu vou ser quando crescer mesmo já sendo gente grande, ele me disse a seguinte frase: “A preocupação nunca venceu o destino.” Achei que apesar dele afirmar ter lido tal citação num biscoito da sorte chinês tamanha sabedoria valia uma análise.

Cá está ela.

Sou uma apavorada, é sério. Nasci de 5 meses. Num sei esperar nem o bolo assar, geralmente corto e me sirvo de um pedação quente e cru só pra me certificar MESMO que ele está horrível e que precisa assar mais. Tenho gastrite. Tenho compulsões esporádicas por compras inúteis (a do momento são os esmaltes…), destruo minhas orelhas durante a noite, de nervoso, (é, isso mesmo) e faço listas. Inúmeras. De coisas que quero comprar, fazer e ser. Listas eternas que ficam espalhadas aos montes, já comentei disso aqui com vocês. Não sei esperar absolutamente nada acontecer. Vou lá e faço. Barganho com Deus até tempo bom ou ruim. Atropelo o destino. Sou tão preocupada que me caem os cabelos, perco a fome e o sono. Eu farei terapia, pode deixar. Mas, sabe, apesar de todas as minhas loucuras sei que nada faz com que as coisas sejam diferentes do que elas devem ser.

Somos capazes apenas até certo ponto de fazer o melhor por nós mesmos. Ou às vezes o pior. A verdade é que não dá pra não acreditar em Deus. A gente sempre esbarra numa impotência ou outra que você pode chamar de azar, mas eu chamo de timming divino.Gente sem nada que de repente tem tudo. Gente com tudo que de repente fica sem nada. Gente burra que funciona, gente inteligente que nunca evolui. Todos os tipos de gente, de repente, num certo momento da vida… PUM. Algo ocorre.

Olha só, fiz uma faculdade, faço outra e num trabalho oficialmente desde 2008, sabe? Que encosto é esse, gente? QUE EXU. Não adianta eu ter crises psicóticas, sinceramente. E também num adianta eu ficar tentando prever acontecimentos como se a vida fosse uma coisa linearzinha, cheia das suas ações e reações. Seria muito bom se tivéssemos 100% de certeza de que o melhor para nós é o que fazemos. Simplesmente temos noções básicas de conduta, mas no final das contas, creio que existe algo maior que tudo isso, honestamente.

A vida é tão engraçada que fui bizarramente ajudada por um biscoito chinês alheio. E  juro que vou perguntar para o meu amigo se ele ainda tem anotada aquela sequência de números sem lógica que vem atrás da sorte do biscoito…. JURO que vou jogar na Sena.

Vai que, né?

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por dentro.

Gosto de ficar analisando minhas próprias condutas para ser uma pessoa melhor. Obviamente, sou terrível em muitos aspectos, mas acho inconcebível o fato das pessoas não serem capazes de auto-corrigir-se (está certa a grafia dessa palavra?) e melhorar, tentar ser seres vivos mais dignos e agradáveis para si ou para com os outros. Meu pai é assim, uma muralha. Não ri, não chora, não admite erros. Não pede perdão, nem desculpas, não demonstra carinho algum. Meu pai e mais uma série de outras pessoas que conheço.

Não nascemos exatamente do jeito que somos hoje, me refiro aqui ao momento presente. Seria um clichê da psicologia dizer que o que nos define é parte DNA e parte exeperiências, mas essa é a maior verdade sobre todas as coisas das quais escrevo aqui. Penso que se nosso DNA é imutável, deveríamos fazer com que as nossas experiências mostrem coisas. Quando nos enervamos com algo, procurarmos saber o por que verdadeiro de tal. Quando desgostamos, quando nos entristecemos… Enfim, o tal do auto-conhecimento.

Penso, também, que a maioria das pessoas ou busca o auto-conhecimento e se torna melhor ou se fecha na tal da imutabilidade, tornando-se intragável. O mundo é que está errado, não você. A sociedade é que é clichê, cheia de convenções, não você, você nunca. Ou melhor, você sempre.E  o mais engraçado é sofrer com essa mesma decisão de manter-se rígido em relação aos próprios conceitos.

Alguns chamam de egoísmo, outros de egocentrismo. Os mais ousados chamam de amor-próprio, que, pra mim, é um conceito bem distorcido já que beira o orgulho cego. Eu chamo de escrotisse. Eu odeio gente escrota.

Acho que se não for pra fazer as coisas por si, que seja por quem você realmente se importa. Se não for pra mudar porque deseja, que seja porque é preciso. Porque a vida seria mais leve assim; sem crises, cobranças, é gostoso fazermos alguém feliz mesmo que isso nos torne “a little bit miserables”. É como cutucar a casquinha da ferida que coça: dói, mas também nos dá um estranho prazer de arrancá-la de lá. Deixa marca, mas sara. E depois a gente nem lembra de onde veio aquela cicatriz que não nos deixou mais ser 100% igual ao que éramos antes, mas no final das contas, nem fez muita diferença.

O importante é que ela se instalou lá para aprendermos a não tropeçar pra não machucar tão feio.

Amar (num sentido amplo) é simples assim.

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