Conselho da felicidade.

Ninguém se importa com a roupa que você usa, com as coisas que você come ou com quantas vezes você vai ou não à academia.

E, se alguém se importa, é porque você permite que essas coisas gritem maia alto do que aquilo que você é.

Seja.

Sempre.

Ainda que incomode.
Ainda que cause estranheza.
Ainda que as outras pessoas não entendam.
Quanto mais de você tiver na sua vida, mais rápido as pessoas passarão a se acostumar com a sua verdade. E mais rápido você vai se acostumar a ser quem é. Perdemos mais tempo nos desgastando pra caber onde não nos encaixamos que amando quem somos.
Ser fiel a si mesmo é uma transgressão.
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Anos e amigos que passam.

Eu era popular na escola. Eu sempre estava rodeada de pessoas, gostava de saber sobre suas histórias e, dificilmente, me sentia deslocada em um ambiente social – qualquer que fosse. Eu não sei se hoje sou exatamente assim, acho que as coisas, de uns 15 anos pra cá, mudaram um bocado. Acontece que a vida, quando possui uma rotina, obriga que criemos laços. Estar no mesmo ambiente, compartilhando dos mesmos desafios e encarando praticamente as mesmas dúvidas e anseios faz com que as amizades surjam naturalmente, por diferença ou semelhança, como uma grande rede de apoio na qual reconhecemos que é possível viver sem ninguém – mas que é muito mais chato, doloroso e solitário, afinal.

A vida adulta é complexa, é cinza, é híbrida. As rotinas se dividem em mais núcleos dos quais podemos controlar, nossas cargas emocionais e nossas histórias já não estão fixas em uma única unidade, como a escola, por exemplo. Temos o trabalho, temos a academia, as reuniões de condomínio. Temos a família (ou as famílias, quando nos casamos ou namoramos) e ainda podemos ter ao nosso lado todas aquelas pessoas que, em algum momento, tiveram sentido na nossa vida, que aqui eu vou chamar de “referências sólidas”. E, essas referências, ao meu ver, sempre foram as mais importantes, porém, as mais difíceis de manter sempre próximas. De manter vivas. De manter, de fato, amigas para o resto da vida.

A amizade é algo que não pede, ela exige presença. Exige que nos esforcemos e que esse esforço seja recíproco. Que insistamos em compartilhar nossa rotina, por mais simples que ela seja, que comemoremos as vitórias e choremos as derrotas. Assim como todos os relacionamentos, a amizade vive nas sutilezas. No universo silencioso da confiança e no ruidoso ato de viajar 10 minutos ou 10 dias para estar junto, de compreender e acolher mesmo que não se entenda, de aconselhar e se opor mesmo que não seja recomendado, mas, principalmente, de saber a hora certa de fazer cada uma dessas coisas. De saber que existem maneiras e palavras, de reconhecer limites. A vida adulta, ao contrário da vida adolescente, tem vários deles. E a gente não tem mais a visão total de como o outro anda por dentro, qual é a dinâmica da sua antiga ou nova família, do drama do outro, das dores do outro. A gente começa a ter problemas de adulto, que adolescente também tem, mas pai e mãe às vezes disfarçam, fingem que não está lá ou ignoram, simplesmente. É síndrome do pânico pra cá, depressão pra lá, uma endometriose, talvez, uma doença daquelas que ninguém gosta de mencionar, algo de errado na cabeça da gente que só os muito chegados, muito próximos, só quem quer mesmo saber, sabe.

É possível viver de aparência na vida adolescente, mas na vida adulta amizades que são vapor não se sustentam. Amigo de bar e balada não vingam. Fazem companhia, são úteis quando estamos nos sentindo sós, mas no domingo a noite se esvaem na mesma velocidade que surgiram. Amizade precisa ser, tem que ser e é obrigatório que seja bem mais profunda que isso. Íntima. Complexa. E é muito difícil ter solidez em qualquer coisa quando envelhecemos, porque adulto responsável não tem tempo pra porra nenhuma. Não dá pra ir em todos os happy hours, aniversários, chás de bebê, velórios, não dá pra estar em todos os acontecimentos importantes de quem um dia consideramos importante e, sejamos francos – às vezes nem queremos isso. Às vezes amamos muito alguém, por um número incontável de fatores, mas não queremos mais estar com aquelas pessoas que um dia nos foram tão fundamentais. Sei lá. Às vezes, porque, simplesmente, não as reconhecemos mais. Não concordamos com o que pensam sobre política, religião, sobre gays, negros, gordas, pobres, putas, não queremos lidar com suas opiniões tão distintas, dolorosas e imutáveis sobre essas delicadezas transformadoras que se impõe dia a dia e precisam ser faladas. Temos dificuldade em ser contrariados, questionados ou achamos que tamanhas diferenças não serão conciliáveis e, assim sendo, não valem o desgaste. Melhor ficar com a boa parte que sempre tivemos que nos decepcionar com o que essas pessoas se tornaram – incluindo aí o que eu mesma me tornei. E, delas, extrair o que há de melhor.

Não, não me entendam mal. Amigos não precisam sempre concordar com tudo. Amigos não precisam sempre estar presentes, dispostos, não precisam fazer muito esforço para se manterem vivos. Mas há uma solidão pouco falada na vida adulta, uma ausência de vínculos não amorosos de profundidade que se agravam com o passar dos anos, que me preocupam, na verdade, como a solidão sempre me preocupou.

Cultive amigos. Não desista deles. E esteja aberto para ter a transparência e a vulnerabilidade inerentes às melhores e mais vitalícias relações. Elas edificam, transformam, confortam, se fazem necessárias.  E mais que isso: valem a pena.

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sonhos, expectativas e realidade.

Eu acho que sonhar é algo inerente à vida humana, mas sou cética. Não acho que quem acredita sempre alcança, como fala a música do Legião Urbana, acho que precisamos estar sempre conectados com a realidade para conseguir traçar planos objetivos que nos façam atingir nossos sonhos, porque, em caso contrário, a fantasia nos consome. Acabamos por não viver o hoje porque estamos sempre presos no amanhã e nos conceitos que criamos sobre como gostaríamos que fosse nossa vida, nos afastando, obviamente, da vida real em si.

Conheço uma mulher que almeja coisas que não possui na esperança de ter outras que a supram. Ela não consegue enxergar, na realidade dela as coisas reais de fato e se aprisionou na ideia de que é uma dona de casa infeliz, sem diversão, escrava de um casamento que não correspondeu aos seus sonhos da juventude. Essa mulher ainda se vê com 25 anos, buscando todos esses sonhos e ainda não conseguiu perceber que o tempo passou,que  ela fez algumas escolhas erradas aqui e ali e que a vida não é mole assim, como a gente pensa. Pra ninguém.

Não é que ela seja vítima do mundo, infeliz e mal sucedida, com ela a coisa fluiu como fluiu pra todo mundo, mas ela estava tão preocupada em ser quem não era e parecer mil coisas para os outros que esqueceu-se de que, para concretizar as coisas, é preciso escolher um caminho e persistir ele e não esperar que tudo se resolva como na novela das 21h00. Hoje essa mulher não se posiciona e não enxerga suas próprias conquistas, amadureceu fisicamente, mas não emocionalmente. Tem crises de ciúme adolescente, surtos emocionais de carência e toma atitudes estúpidas, que afastam as pessoas, numa busca desenfreada de atenção. Ela não é má pessoa, apenas sofre com uma construção de vida da qual não consegue se libertar e nem enxergar a realidade como ela é.

Infelizmente, e eu sei que demoramos a aceitar esse fato,  não podemos ter tudo sempre. Sonhos que não são práticos beiram à loucura e não nos direcionam a lugar algum. A gente precisa construir nossas aspirações a partir do solo que a gente tem e não querer voltar no tempo, ou desejar a vida do outro, ou uma realidade completamente distante da nossa. Eu acho que nunca é tarde para mudarmos de rumo, darmos a volta e fazermos outro caminho, mas esse conceito de que a vida é unicamente uma construção nossa precisa ser quebrado.

Existe sorte sim, acaso sim, e gente que cavou oportunidades de um jeito inesperado, nem tudo é só aquilo que desejamos, buscamos desenvolver e evoluir linearmente. Filho não segura casamento, ensino superior não garante emprego, bom emprego não garante felicidade e ter dinheiro ajuda, mas não é tudo. Precisamos saber lidar com os nossos fracassos, buscar um recomeço e, acima de tudo, sermos palpáveis e gentis com os nossos sonhos.

Pior que gente não realizada é gente que segue a filosofia Xuxa de que “tudo pode ser, basta acreditar.” Tudo pode ser. Basta planejar muito, trabalhar duro e sofrer bastante. Faz parte.

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Amores bons e correspondidos dão medo.

Pra caramba.

Muito mais medo que amores complicados, truncados, cheios de traição e desconfiança, os amores tranquilos são assim, uma coisa assustadora. Tenho alguns amigos, muitos na verdade, que não sabem o que fazer quando algum romance dá certo. Tem medo das declarações, das demonstrações de carinho. De serem apresentados para os pais.

Não sabem lidar com o sentimento que se instaurou e, em alguns casos, fogem dele. Tem pessoas que simplesmente não sabem ser bem tratadas, cortejadas, elogiadas. Que correm ao primeiro sinal de afeição. Que ficam criando conjecturas mentais sobre quando isso, afinal, que está bom demais para ser verdade, vai afundar. Quando é que vai começar a dar ruim? Quando ele/ela vai aparecer com outra e tal? Ninguém é plenamente feliz no amor, o tempo todo. Isso não existe.

Os desiludidos ou os que nunca deram chance para as intempéries da vida, sempre terão certos problemas para amar.

Tem gente que nunca esteve bem no amor mesmo, acha esquisitíssimo quando está. E talvez, pelo pavor do compromisso, dos laços duradouros, nunca esteja, não sei. Amar é para os fortes. Afinal, algo que nunca se torna alguma coisa não dói quando vai embora. Não dói se um dia não está mais lá. Nunca foi mesmo, afinal. Então tudo bem.

O afastamento é o mecanismo de defesa dos amedrontados. O não assumir, o lance de ser aberto. Assim também ninguém fica magoado se vacilar, ninguém vai ser cobrado por nada, né? É. Só que não é. Envolver-se dói. No trabalho, na família, nos negócios e na vida a dois. Ainda se for só dois beijinhos e tchau, fica alguma coisa, vai alguma coisa, muda alguma coisa em menor ou maior grau, mas sempre, sempre muda. Só não se afeta quem já morreu, daí não dá mesmo pra tentar ser feliz embaixo da terra.
Nem sempre a vida é boa com a gente, é sabido. Mas enquanto ela der essa chance, se abra para o que vier. Se a felicidade passar, que seja marcante enquanto ficar. Com medo mesmo.
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Relacionamentos bons também tem brigas.

Odeio brigar com as pessoas. Por qualquer motivo que seja.

Odeio criar caso, discordar e odeio tanto, mas tanto isso, que evito emitir opiniões polêmicas mesmo quando elas dizem respeito a mim mesma – sobre o que eu sinto, sobre como eu sou ou sobre como determinada situação me faz sentir. Eu sei, é um erro. Precisamos sempre ser honestos acima de qualquer coisa e nunca – NUNQUINHA – passar por cima dos nossos próprios sentimentos. A vida, os amigos e grande parte dos e-mails que eu recebo aqui no Consultório Sentimental me ensinaram isso. Mas, ao mesmo tempo, sofro de uma submissão quase que inconsciente da qual preciso estar constantemente alerta para combater. Por mais que o outro seja importante, nada nesse mundinho é mais importante que eu mesma. E eu vou explicar porque vocês também deveriam pensar assim.

Eu sou uma pessoa que está sempre disposta. Mesmo. E se não estou, finjo bem estar. Ainda que eu reclame, ainda que eu faça cara feia, ainda que eu esteja doente, cansada, contrariada eu sempre – E DIGO SEMPRE MESMO – tento fazer a outra pessoa que está comigo feliz. Levo a sério o lance da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, do mi casa, su casa. Mi divida, su divida, mi rolê, su rolê, e, assim, sempre segui nos muitos relacionamentos que tive nessa vida. Faz parte de mim, não consigo ser de outro jeito.

Não existe nada mais desagradável do que estar com uma pessoa que não topa absolutamente nada, que é antipática, anti social, corta vibes e coisa e tal, mas eu notei que 97% das pessoas que habitam a face da Terra são assim – e que o egoísmo é tão importante para o sucesso de um bom relacionamento quanto o altruísmo. Pois é, chocante, não?

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, a canção estava certa. E ninguém consegue. Sabe, eu trabalho 7 dias por semana, quase que 12 horas por dia. Eu sou bem workaholic, tenho um senso de urgência, de solução, de responsabilidade que me dá prazer e me consome na mesma medida. Minha relação com o trabalho é altamente controversa, mas isso é assunto para outro post, enfim, vamos nos focar aqui.

Eu gosto de viver, gosto de gente, mas, às vezes, tudo o que eu queria era não ter que lidar com pessoas no final de semana, eu só queria ficar em casa, curtindo um edredon, vendo Netflix e comendo pizza. Não queria ir no job, na reunião com os ~ broders ~, não queria curtir balada, barzinho, nada disso. Eu só queria ter a obrigação de fazer as coisas por mim, única e exclusivamente por mim. E isso, ao mesmo tempo que parece óbvio, é inviável para uma pessoa que é altamente sociável e gosta de agradar aos outros como eu. Portanto, vejam bem essa contradição que habita em mim e esse problema: quem faz tudo por todo mundo sempre é cobrado por isso.

Eu PRECISO estar em Santos, com os amigos do trabalho, com a minha família, com a família do meu namorado, no rolê da academia e em qualquer outro evento social que surja pelo caminho. Sempre. E em todo o tempo livre que eu tiver. E em todos os finais de semana. Porque fui eu quem instaurei esse limite sem limite para as pessoas, eu mesma coloquei na cabeça que não tinha o direito de ficar ~ de boas ~ e sofro horrores com isso.

Ando cansadíssima, meio doente, e eu já disse que esse ano seria o meu ano, do qual eu faria coisas por mim – pela minha saúde, pela minha felicidade, mas na prática, até as coisas que arranjei para o meu próprio prazer e satisfação viraram obrigação. Sabe, é muito difícil agradar esse mundo de gente que eu tento agradar e ainda agradar a mim mesma – pra não dizer que é impossível.

Então, amiguinhos, por que estou escrevendo tudo isso? Porque apesar desse cenário psicológico descrito acima, eu tenho um namoro muito incrível. E pessoas muito maravilhosas e compreensíveis ao meu redor que, por mais louca que eu seja, sempre estarão lá por mim, tentando entender o que eu sinto. Em bons relacionamentos – de todo o tipo – também existem brigas. E faz parte. Se você, assim como eu, se culpa por todo o mal do mundo e acha que tudo está perdido porque deu uma gritadinha com o namorado, fica calma aí. As pessoas que estiverem dispostas vão entender seus surtos. Podem não gostar, podem discordar, podem não entender porque diabos você se sente assim, tão reprimida com um cenário que você mesmo se enfiou, mas enfim… Vão entender.

E tudo vai ficar bem no final das contas, tá? Eu prometo.

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Amor e Orgulho*

O orgulho e o amor próprio são coisas diferentes. E igualmente destrutivas quando ou ausentes ou em excesso em qualquer relacionamento.
Ama a si mesmo aquele que mesmo gostando verdadeiramente do outro, opta por não continuar um relacionamento nocivo. Aliás, ama tanto, que prefere guardar apenas a parte boa do que foi vivido, sem ocasionar ainda mais mágoas que àquelas que o coração foi capaz de absorver.

Tem paixão por si aquele que abre mão de ser violentado moralmente, intelectualmente ou, até mesmo, fisicamente. Tem autoestima aquele que não se deixa levar pelas revistas, pelos padrões e que possui personalidade forte o suficiente para separar crítica de ofensa, bom de ruim, e mais que isso: tem força para recomeçar. Isso não é, de longe, ser orgulhoso; é ser sensato. Orgulho é não admitir erros, não aceitar elogios. É ter aquela necessidade de estar sempre sob o controle de tudo, de não ceder aos pequenos e breves prazeres da vida por se julgar superior a isso. É não ligar, não explicar, não pedir, não sentir.

É orgulhoso aquele que não dá o primeiro passo, que não pede desculpas, não sabe o significado de uma nova chance. E o orgulhoso não se afeta com situações grandes, preocupantes, é tudo bem pequenininho, bem simples, coisa de birra mesmo.

O orgulhoso prefere ter razão que ser feliz.

Briga e dorme sem querer reatar, mesmo sabendo que aquilo dentro do peito vai corroer, vai minar o que há de bom. E, às vezes, até se dá conta disso, mas não sabe como se livrar. O orgulho é feio. É o disfarce da alma cansada, que já apanhou demais por aí e que agora não quer mais saber: vai se proteger de todas as formas para não correr o risco de ser feliz.
Viver dói, pessoal.
E é melhor que seja sem arrependimentos por nossas próprias atitudes.
*texto originalmente publicado no Blog Lumagga
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Quando eu estou sem criatividade, escuto É o Tchan…

…e outras porcarias também.

Aliás, me conta aí, porque você tem vergonha de admitir que ADORA Zeca Pagodinho? Qual o problema de ir a um show do MC Guimé? Porque todo mundo tem que ser cult, inovador, hipster, lançador de tendências e gostar de coisa triste? Porque só rock internacional é bacana e música da favela é um lixo? Porque falar de bunda na música da Rihanna é legal, mas na música do Catra num pode? Façam-me o favor.

Que porra é essa de só comer o que ninguém come, vestir o que ninguém veste e ser ~diferentão~? Acima do bem e do mal pra quem é comunzão?

Que mania cretina de querer ser mais do que é, gente. Chega disso. Ninguém precisa usar Adidas Originals não, tá? Ninguém precisa gastar 3 salários numa mochila da Vans. Assim como não precisa ser magra, lisa, alta, gorda ou baixa. Ninguém taí colocando uma arma na sua cabeça e determinando o que é melhor ou pior na gastronomia, na música ou na moda (ou até está, mas de um jeito mais manipulador e invisível, e esse é assunto para outro post).

De qualquer maneira, tenha em mente que nada é tão seu quanto as coisas que você acredita, compra, veste, que aquilo que você é. Então faça o que quiser, goste do que quiser, vá onde você se sente à vontade.

Caguei pro glamour, pra sua opinião, pras regras da boa músicaZZZzzZzZzZzZZzZ…

E pode reparar: cada amante de música “ruim” que se assume leva pelo menos dois roqueiros outros consigo. Ou aprende que a tolerância e a flexibilidade quando falamos daquilo que é bom pra alguém (ou para nós mesmos) é a melhor coisa que existe no mundo.

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desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

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Look do dia – e aceitação em tempos de vida perfeita

Daí que eu comecei a fazer um Instagram com meus looks do dia. Primeiro, porque sempre comentavam que o modo como eu me vestia refletia muito a minha personalidade – e que talvez eu devesse explorar isso de alguma forma – e segundo, porque descobri que olhar a si mesmo nas imagens é um super exercício diário de auto aceitação (e de ajuste daquilo que fica REALMENTE bom em você, em termos de moda mesmo).

Eu, que nunca tive vergonha na cara ou preocupação com a minha imagem online, que postava foto bêbada, suada ou de biquini comendo pastel de feira, me vi ali analisando se estava gorda ou magra, se meu cabelo tinha ou não frizz e extremamente incomodada com a minha cara de sono, sem maquiagem, quando resolvia fotografar de manhã. Não é à toa que as pessoas vivem dizendo que o universo das redes sociais é um mundo à parte, de fantasias e superficialidades, mas sentir isso na pele faz você ir para uma outra esfera: a pessoal. Aquela na qual você, sem recursos ou super efeitos, se vê obrigada a se gostar como é.

Depois de uma semana registrando aqui e ali meu look pelas ruas, pude entender porque as pessoas realmente VIVEM disso: dá um trabalhão. E ninguém que pega ônibus, tem hora pra chegar e mil coisas pra fazer durante o dia, na firma, consegue  estar o tempo todo arrumadinha, sem pizza no sovaco ou gordura no rosto em meio a um calorão de 125 graus célsius. Ninguém.

Eu, que sempre gostei da minhas roupas,  cores e estilos, me vi censurando uma ou outra peça pra ficar melhor na foto. Deixei de lado o sapato surradinho para dar lugar a um mais desconfortável (porque era bonito) e passei a notar as poses, olhares e toda a espontaneidade das fotos que eu tanto curtia – e que de espontâneas não tinham nada. Sorrisos forjados, maquiagens detalhadas, cenários pré moldados… Que vida real é essa que se vende tão naturalmente e que eu, você e o mundo inteiro sabemos que não é assim que funciona? Porque somos tão narcisistas e, ao mesmo tempo, envergonhados? De que importa, afinal, a opinião do outro sobre o que vestimos, somos, mostramos?

E decidi que meus looks do dia continuarão naturais. No meio da rua, em frente ao supermercado, no hall do prédio. Não vou pensar nas roupas que repeti ou no quão velha está aquela bolsa. Seguirei tranquila. Porque eu sou aquelas roupas, elas me identificam, me representam, são a extensão de outras mil coisas que eu quero comunicar – e isso é realmente grande.

O grande barato é tentar tirar dessa experiência que é fingir ser famosa o melhor pra mim.
Nada melhor que olhar para si para ir adiante. Vale tentar.

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com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

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