com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

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a menina(o) do trabalho.

Escrever um texto sobre isso, a essa altura do campeonato, sendo eu a autora de cada uma dessas linhas, é a maior ironia do mundo: daquelas que se fazem necessárias.

Nunca achei que fosse admitir, assim, pra burguês ver, mas sabe, nós mulheres temos uma certa insegurança em relação às meninas(os) do seu trabalho. E não posso nem me defender sobre esse tópico, caro amigo, não posso nem dizer que não- tem-na-da-a-ver, que é apenas uma insegurança feminina desmedida. E sabe por que?  Porque eu já fui a menina do trabalho. E estou até hoje com o carinha do trabalho também.

E por já ter vivido os dois lados da coisa, já ter estado com o tal cara do trabalho (comprometido na época) e ter me tornado sua namorada atual (não estou me orgulhando, estou apenas colocando os fatos), fica dificílimo dizer que as mulheres precisam ser fortes, seguras e independentes. Fica complicado dizer que não podemos ter ciúme ou que temos essa necessidade de “encontrar pelo em ovo” porque, né? Às vezes estamos completamente erradas, mas, às vezes… Não.

Passamos a maior parte das nossas vidas no ambiente corporativo. É com as pessoas que trabalhamos todos os dias, de sol a sol, que dividimos (até mesmo que involuntariamente), nossos dramas mais profundos. Falamos mais sobre a nossa vida pessoal e sexual no almoço de meia hora e na mesa do bar de sexta que na sala de terapia. Provavelmente pelo fato de que rir de si e do outro seja um dos remédios mais maravilhosos para qualquer vida média.

Seja do dinheiro que acabou (ou que nunca veio), do gato doente, do cliente maluco ou da cólera que abateu a família, abrimos nossos corações. E, eventualmente, podemos encontrar alguém que queira ocupar aquele vazio latente que todo mundo tem em algum lugar – e que, no meu caso, permanece no estômago. HE HE.

Pode parecer completamente sem noção esse lance de se apaixonar pelo cara do trabalho, é até errado em alguns cenários mais quadradinhos, pode gerar demissões, mal estar, pode acabar com muitas carreiras e tirar o foco daquilo que, afinal, somos pagos para executar das 9h00 às 18h00, mas não sejamos hipócritas.

Se a vida é a arte do encontro, estamos também sujeitos a nos encontrar  pelas firmas e mais firmas desse Brasil.

E, olha, pode ser maravilhoso. Vou te dizer.

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sobre a internet e suas chatices.

Olha só, eu amo a internet. Passo horas lendo e produzindo conteúdo para os meus clientes, passo horas tentando entender melhor o que se passa na cabeça dos usuários – e como prever seus possíveis engajamentos e gostos – e  poderia ficar HORAS discutindo acerca do quanto a internet é maravilhosa (e dinâmica), se qualquer pessoa me questionasse sobre isso num ponto de ônibus, na fila do pão ou em um brainstorming na firma. Mas, olha só que coisa louca: estou profundamente de saco cheio da internet (e das pessoas que se acham profundamente conhecedoras sobre ela).

NÃO EXISTE, ao meu ver, profissional nenhum que saiba tudo. De nada, aliás. Se você se diz um mestre em ciências digitais, já está completamente fadado ao fracasso – visto que não se pode conhecer profundamente aquilo que é, e não é,  o tempo todo – ficou esquisito? Algo que muda tão rápido que não pode ser definido, ou analisado em sua totalidade, sei lá, absorvido por completo. O que hoje é hype, amanhã é brega (aliás, hype já se tornou uma palavra brega). O que era tendência semana passada, já passou, cansou, saturou. Já não se faz mais assim, já não é mais essa a fórmula para o sucesso. Aliás, o sucesso, gente, é extremamente relativo quando falamos de internet,de gente, quando falamos dos 8 bilhões de universos (para não dizer trilhões) que existem aqui dentro  da WWW – e a gente tem consciência de no MÁXIMO 10.

Acho ótima essa coisa de todo mundo ter acesso a tudo. Mas acho lástimável todo mundo achar que conhece de tudo. Porque não dá. Se fosse assim, dava pra ser meio médico, meio cientista político e chefe de cozinha nas horas vagas. Né? Num tem como não.

Veja bem, manjo NADA de métricas. Sei o básico. Sei aquilo que é preciso  para fazer uma estratégia simples, para analisar se o que eu faço está fazendo sentido para o público. Sou capaz de dar um retorno em relação ao investimento do cliente de forma superficial. E só. E tá tudo certo. Esse não é meu foco de vida, embora todo e qualquer  conhecimento não ocupe espaço, e sei que preciso profundamente dos caras que são mestres nesse setor. Isso não faz de mim uma profissional menor. Nem de ninguém melhor.

Ser comunicador é saber estar e fazer parte de um time, é ter um cara FERA em programação, outro em design, outro em análise profunda de dados, outro que saiba indexar sua marca maravilhosamente bem no Google, é COMPLEXO PRA DANAR. É humanamente impossível  tratar de Ciências Humanas em sua completude, por mais que todo o comunicador que se preze seja um profundo curioso em relação à tudo.

Nesse contexto, de forma bem resumida e nada teórica, ser blogueiro anda chato pra cacete.  É muito MI MI MI sobre as coisas. Muita gente ruim ganhando uma grana preta por um trabalho medíocre  – ou por um trabalho copiado, pior ainda. Muita empresa grande e confiável investindo nisso. Dá tristeza, dá pena, dá ranso de um setor que tem tudo pra ser magnífico, mas que acaba mal utilizado.

E é isso gente. Por isso não tenho blogado tanto como sempre, tanto como gostaria, tanto como deveria, talvez.

Enquanto eu observo a zueira que se tornou a internet – no sentido não bacana da coisa – continuo pensando em jeitos diferentes de reinventar quase tudo; e fazer as coisas de um modo mais original e interessante pra ver se a coisa engata, se as pessoas se inspiram, se a maré muda.

Por hora, melhor o silêncio. E os posts de desabafo que nos ajudam a recomeçar.

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honestidade extrapolada.

Querida,

Gostaria de dizer que sinto muito a sua falta e sei que muitas outras pessoas – que te conheceram verdadeiramente – também sentem. Entretanto, precisava te falar algumas coisas que, tenho certeza, ninguém jamais terá coragem de dizer.  Sabemos que você é geniosa, cheia de orgulho e difícil de lidar. Sabemos que você é frágil mesmo se fazendo de forte. E sim, você vai berrar. Você vai retrucar. Você vai se vitimizar ainda mais e se sentir a mais injustiçada dos seres humanos viventes, mas gostaria que você tivesse a certeza, a mais plena de todas, que só dizemos certas coisas na cara de quem a gente ama de verdade. Porque quem não tem a menor importância a gente quer mais é que se f**a no lodo e fique por lá. Triste, mas real. Cruel, mas completamente válido. E é bem nesse clima que quero que você encare essa carta: de peito aberto e olhos e ouvidos bem atentos. Porque preciso que você comece a pensar diferente.

Felicidade não pode ser mensurada em feitos. Você não encontrará a alegria verdadeira em um salário no final do mês, você não encontrará o puro contentamento no reconhecimento profissional e, não, você não encontrará a tal felicidade nem em uma super viagem internacional cheia de compras bacanas e boas fotos pro Instagram. Felicidade é algo que está dentro de você, que depende única e exclusivamente da forma como você encara as coisas (boas e más) que se apresentam – e não da forma que elas, de fato, são (ou que você enxerga que elas sejam). Não é o mundo que conspira contra você, você não é tão importante assim para culpá-lo por tudo o que acontece de errado. É você quem traz, quem faz, quem acontece, quem permite, quem aceita e quem desfaz todas as coisas que te acometem – ou opta por deixá-las do jeitinho que se apresentam. Todas mesmo. Mesmo quando falamos de fatalidades.

Acontece com você, com o seu chefe, com a dona do mini mercado na esquina, com o caixa da padoca e até com o Abílio Diniz e com o Brad Pitt – todo mundo tem dias de merda até mesmo em vidas que não parecem de merda como você diz que a sua é.

Outra coisa importante é que quanto mais nos sentimos bem, desejamos e fazemos o bem e pensamos positivamente, mais coisas boas a gente atrai, como num ciclo. É cafona, é clichê, é auto ajuda barata, mas é verdade, pode reparar. E o contrário também se aplica. Ninguém gosta de saborear as amarguras alheias, ninguém gosta de tomar patada o tempo todo ou de ser mais um vilão que o destino colocou na vida pra ~ maltratar~ – quando você só reclama e maldiz é isso que quem está ao seu redor enxerga: uma grande nuvem cinza de coisa ruim prestes a chover na cabeça de quem quiser opinar.

A vida não dá errado porque você é gorda, feia, chata ou incompetente e você não é nada disso. Seus problemas familiares não precisam necessariamente ter a ver com seus relacionamentos mal sucedidos do passado (ou futuro), nem com a sua carreira indo por água abaixo; você precisa, urgentemente, trabalhar isso em você e parar de acreditar que tem sorte para o azar. As coisas não acontecem em um combo de merda pra que você chegue no fundo do poço, apenas levante-se, se limpe com um lencinho umedecido e saia de lá. Pegue uma escada, escale as paredes, peça pra te jogarem uma corda, mas sacuda a poeira do buraco e lute. Porque é pra isso que a gente acorda todos os dias; pra mais uma chance.

Destino não existe. A gente é quem faz das coisas ruins e boas pontes para outras situações, que também podem ser boas ou ruins, não sei, mas permita-se o acaso. Isso basta para se ter esperança.

Deixe que as pessoas se aproximem. Deixe que te ajudem. Aceite elogios, aceite que, é sim, boa em muitas coisas, acredite nisso e haja em coerência dessa fé em si mesma. Se você já começar a lutar derrotada, vai perder mais um braço. E as pernas. E a cabeça. Até ficar sem nada além do coração – cheio de dor e sozinho porque você mesma quis que assim fosse.

Desculpe-me se as palavras foram duras, mas foram honestas. E por favor, bola pra frente.

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Uma grande não novidade.

Venho por meio desse texto contar a todas as mulheres desse Brasil uma novidade incrível: tem homem no mercado SIM. Gordo e magro. Alto e baixo. Rico, coxinha, alternativo e hippie. Que gosta de ruiva, de loira, de negra e que não liga pra celulite. Que vai achar ótimo você trabalhar e pagar suas contas ou que vai querer pagar tudo pra você porque é um pãtcham pro-ve-dor e bi bi bi. Pois é. Tem homem pra cara*** no mundo. De esquerda e de direita. Do sertanejo, do rock e do surf. Homem que ama moda? Tem também. E aqueles que não ligam de usar xadrez com bermuda florida? Aos montes.

Tem homem e mulher pra todo o lado, de todo o tipo, e óh – SOLTEIROS. Não é incrível? Aquele ex da sua prima que num tinha nada a ver com ela, mas que entendia tudo sobre vinhos? Olha lá, rapaz! Um partidão. O cara do inglês que sempre faz uma piada gostosa de rir, sabe? Vale o investimento. E o seu vizinho sério? Que deve trabalhar no banco e que você encontra todos os dias no 669A com destino à Av. Paulista? Tá aí, na pista, pra ga-me.

Encontrar alguém é fácil. Dificil é CONQUISTAR alguém, não vamos confundir as estações. As pessoas acham que só basta se mostrar interessada pelo outro, quando mais importante que sair à caça do homem ideal é se mostrar INTERESSANTE. Até porque ser linda e atraente por 24 horas é fácil. Um relacionamento de verdade é muito diferente e mais complexo que isso. E isso, claro, partindo do princípio que você quer ter alguém nessa vidinha de meu Deus. Se não, pode parar de ler esse post que num tem nada a ver com a sua realidade. E estamos conversados.

Mostre-se. Quem você é? Do que você gosta? Sem medos. Se você nunca arriscar, nunca vai atrair o tipo de gente que procura e sempre continuará com as mesmas e velhas desculpas sobre o mundo – e tudo o que existe nele.

Páre de se justificar no machismo, feminismo ou nas exigências do trabalho na vida moderna que dificultam uma vida pessoal de qualidade. A sua vida é você quem faz. Há lá fora, se você estiver realmente afim de encontrar, gente incrível. Certinha pra você.

Inclusive do tipo que você nem imagina.

 

Post inspirado nesse texto incrível da Folha.

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brasileiridade.

Pense comigo, caro leitor, quantos CDs de música nacional você comprou atualmente?

Quem são os artistas tupiniquins que te fazem pagar um valor desonesto para ir a um show? E quantos desses estiveram no Loolapalooza, ou nas últimas edições do Rock in Rio, dos quais  você teve crises histéricas desejando assistir?

Pense também nos livros que anda lendo. Quantos autores brasileiros contemporâneos você conhece? Além de ler “Crônicas de Gelo e Fogo”, “50 Tons de Cinza”, “Os Diários de Carrie” ou “100 anos de Solidão”, quantas vezes você esbarrou, assim, numa Adriana Falcão? Num Luis Fernando Veríssimo?

Pense em tudo aquilo que você consome que foi feito para a TV. Quem escreve as séries que você ama? Não sabemos o nome nem dos roteiristas dos filmes internacionais mais renomados, que dirá dos nacionais. Não nos interessamos em saber de onde vem a criação das coisas, se tem origem sueca, indiana, ou se vem ali óh, da Zona Sul de São Paulo.

Quantos artistas gráficos, arquitetos, escultores, circenses, quantos profissionais de entretenimento você admira? Quais desses tem real identidade com o seu país? Aposto que quase nenhum.

Você aí, que acha o capitalismo uma merda, que acha os políticos ladrões e o transporte público uma vergonha, sabe o real valor que isso têm? Sabe que as militâncias não adiantam em nada se não falarem a linguagem das pessoas? Se representarem apenas uma classe e não uma nação?

Insistimos o tempo todo pela valorização da cultura, por salários melhores para os criativos. Reclamamos que o nosso povo não lê, não se interessa por cultura e que só consome funk e sertanejo sem qualidade, mas não é verdade. Consumimos cultura o tempo todo, popular, erudita, só não fazemos a menor ideia de onde ela vem, ou do porque só coisas bem ruins vingam. Ou da importância que essas coisas têm. E mais que isso: não vemos a propagação das ideias nacionais com 1/8 da ênfase que sabemos sobre jogos de computador, por exemplo. Sobre os lançamentos dos filmes da saga Senhor dos Anéis. Não há buzz nenhum no lançamento de “Tainá”, mas a gente quase tem convulsões para estar na primeira fila de “O Homem de Ferro”.

Pensei nisso, porque ontem, lendo uma matéria sobre blogs, percebi que tenho os dois talentos mais desvalorizados que alguém pode ter: o de desenhar e o de escrever. Todo mundo gosta quando lê algo bacana, ou acha agradável uma arte bem feita, mas ninguém da valor. Ninguém acha que por trás de um artista de rua, de palco, de boteco, de agência, há um real trabalho intelectual sendo feito, um referencial difícil de se construir, resgatar, elaborar e estruturar.

Um humorista não é só um cara engraçado ou irônico. Um escritor não é só um sujeito que sabe bem as regras de português.

Nos tornamos máquinas de produzir coisas complexas, o tempo inteiro com a cabeça a mil, e na pequena parte do nosso dia livre consumimos realidades completamente fora da nossa. Hollywood, Bollywood, que seja. Não é errado gostar de outras culturas, é errado não perceber quanta coisa rica existe por aqui e sempre se render  aos best sellers gringos, traduzidos, enlatados e a tudo mais que as grandes editoras nos colocam como sucesso. Depois você vem reclamar que “nosso povo” é inculto. É burro.

Nós somos o povo. E nós ouvimos mais Britney Spears na Joven Pan que Titãs.

Não sei quanto à vocês, mas enquanto Hogwarts existe claramente em várias partes de Londres, aqui, na terra do Carnaval, ela só pode ser construída na minha imaginação. E apesar de incrível, de trazer um enredo altamente envolvente, não tem nada a ver comigo. Se quisermos mesmo fazer aquilo que amamos, se quisermos mesmo ser valorizados por nossos pequenos dons, precisamos também valorizar as produções de quem está conosco nesse barco. De quem insiste em viver de arte no Brasil.

E incentivar nossos filhos a ler Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Maurício de Souza… E a apreciar o verão, os sabores, as estampas, as cores e tudo aquilo que só tem por aqui.

O Brasil é uma merda sim. Mas em grande parte, é porque a gente vive nele.

E acha que não tem a menor responsabilidade sobre isso.

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maluco beleza.

Para ler ouvindo: Maluco Beleza – Raul Seixas

Ser adulto, entre vitórias e coisas verdadeiramente boas, é também meio frustrante. Ao invés de conquistar o mundo e atingir todos aqueles objetivos que você tanto sonhou, da riqueza ao reconhecimento, somos obrigados a encarar a parte desconhecida da coisa toda: a falta de tempo. E de pessoas realmente confiáveis para contar.

Ser adulto é ver gente querida partir, o tempo todo – dessa para uma melhor, dessa para uma pior. É perceber que nem todos aqueles que você chama de amigo, de fato, o são. É saber que algumas boas e longas memórias, que tanto significaram para você, foram apenas momentos passageiros para os outros. E só. Que você não irá à metade dos casamentos, chás de bebê e eventos que te foram prometidos na juventude, e que as circunstâncias, muitas vezes, não te farão, SEQUER, se importar com isso. Saberá também reconhecer aqueles que realmente importam, que, via de regra, estarão ao seu lado se você mudar de país, de religião, de trabalho ou de sexo. Nada disso vai mudar aquilo que você representa,  muito pelo contrário. Os amigos de verdade querem estar presentes mesmo sabendo que você está fazendo uma cagada faraônica, algo incompreensível para todo o resto da sociedade. Amigo mesmo quer ter a oportunidade de estar ao seu lado quando você perceber que tudo o que parecia bom, não era tanto assim. Amigo mesmo, vai registrar seus erros pra rir da sua cara depois, quando tudo passar. Quando as coisas sérias se tornarem banais.

Ser adulto é ter uma real responsabilidade sobre a própria vida e uma total ausência de controle sobre o destino. É tapar o sol com a peneira, adiar o regime mais uma semana, deixar de comprar cabide pra comprar um anão de jardim. É ter dinheiro um dia só no mês e comer miojo durante o resto dos dias porque fez uma viagem e gastou demais, porque foi à uma festa e gastou demais, porque teve que pagar o aluguel, a água e, meu Deus, você precisa ganhar mais. Sempre mais.

Ser adulto é, principalmente, acreditar que tudo, tudo mesmo, pode mudar.

Ou ninguém chegaria vivo aos 35.

Faz todo o sentido do mundo querer ser criança pra sempre.

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homem macho.

Nem sarado, nem rico. O que elas querem mesmo é que seja macho. Que escolha o lugar pra jantar, que não reclame dos quilinhos a mais, nem da mão suja de gordura. Que não faça a barba, que ache lindo quando ela usa uma roupa mais provocante e que não tenha mais hidratantes que a namorada  na necessaire. Aliás, que não tenha necessaire. Que curta luta, futebol, armas, carros, qualquer uma dessas coisas de macho mesmo, e que tenha orgulho disso. Que não seja indeciso, que não deixe de se envolver por “medinho” de não dar certo e que pare de dar desculpas quando não quiser mais sair, ok? Chega dessa palhaçada. Se não quer ficar não fica, oras, a fila anda.

Que não se importe com o passado. Que não tenha ciuminho do cara do supermercado, nem do primo distante, nem do sujeito que trabalha na baia do lado. Que tome cerveja mesmo que ela esteja quente, mesmo no inverno, mesmo se for de uma marca ruim. Que não tenha frescura com roupa, com moda, com cabelo, que não tenha frescuras no geral, aliás,  puta coisa de viadinho. Aliás, que não seja “inho” nunca, em hipótese alguma. Que tenha um trabalhão, que te mande um presentão, que ande de busão também, porque não? Homem macho tem que saber enfrentar as adversidades da vida, tem que saber batalhar, tem que saber que tudo o que vem fácil vai fácil também.

E que dessa forma, honre seu gênero.

Tá difícil.

 

*Texto inspirado pelas conversas malucas de banheiro com a Mari D’Amore e com a Aninha! =]

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lisinha.

O assunto, na mesa do almoço, era depilação. E tem lugar mais apropriado pra falar sobre isso?

As mulheres, quando juntas em qualquer ambiente, tem um poder incrível de anular toda e qualquer influência externa, é incrível. Como se entrassem numa bolha e nada, nem ninguém ao redor, fosse capaz de ouvir qualquer intimidade ou exaltação proferida. Vale falar do marido, do amante, vale palavrão e até reclamar da mãe. O laser, a cera, os procedimentos mais doloridos, sórdidos e pessoais. As preferências de estilo, forma e cor, declaradas, escrachadas, colocadas todas em pratos limpos com a maior naturalidade do mundo – como se a timidez fosse algo que não existisse. Risadas altas, histéricas, casos de amor que não se importavam com esse ou aquele pelinho a mais, outros mais exóticos, que preferiam “penteados” geométricos, os fãs do estilo “recém nascido”, e muita naturalidade e jogo de cintura para falar de si sem se importar com nada (e nem ser julgada por isso).

Ser mulher é contraditório. É estar sempre arrumada e preocupada com o que os outros vão pensar sem nem ao certo saber quem são esses outros (ou se, de fato, se importam com o que acontece com a sua vida). É ser super encanada com o peso, com o biquíni e, ao mesmo tempo, ter um descaramento sobre aqueles temas que os homens morrem de vergonha de comentar: o exame de próstata, o amigo de infância viado, o filho que detesta futebol, o fato de gostar de música romântica e não assumir, etc, etc, etc.

Somos loucas, pouco santas, mas muito, muito felizes. Afinal, em meio a um mundo com tantas restrições, nada melhor que sair da linha em alguns momentos, não é mesmo? Acho que os homens deveriam tentar.

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Esse post é resultado de uma enquete na página do Facebook do Hiper sobre qual assunto os  leitores gostariam de ler mais por aqui. Comportamento Masculino X Comportamento Feminino foi campeão disparado!!! E você? Quer ler alguma coisa por aqui que eu ainda não escrevi? Mande um e-mail ou uma mensagem lá no Face! =D

Pode ter certeza que assim que possível, atenderei seu pedido!

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verdades femininas.

Uma das piores coisas de ser mulher é a obrigação de estar sempre impecável. Não que todos os dias seja necessário ter os cabelos escovados, as unhas feitas ou estar arrasando na maquiagem, mas temos a constante preocupação em estar apresentáveis e são raras aquelas que dizem o contrário.

Aos homens é perdoada a barriguinha de chopp e a marca de estria nos joelhos, provocada pelo crescimento exagerado na adolescência. Nós sofremos, vivemos de dieta, com medo dos cabelos brancos, com medo das marcas de expressão e, ainda que não façamos nada para mudar, em algum momento, essa preocupação vem à tona – o tempo é implacável.

E como se não bastasse temos uma infinidade de modelos de roupa para comprar, cores de esmalte para testar e produtos e mais produtos que prometem milagres, mas que temos a certeza de que não irão funcionar. Feliz é a mulher que tem apenas um shampoo e um condicionador no box, hoje em dia, ela é quase única.

Podemos colocar aí, além da corrida estética contra os anos que passam, o desejo de ter família, carreira ou ambos, em simultâneo, e, de preferência, antes dos 30. Não nos basta ter um amor ou um trabalho que nos traga alguma satisfação, precisamos ter uma casa, um carro, uma vida pronta para funcionar. E como é frustrante desejar algo que está além das nossas capacidades, que não depende única e exclusivamente dos nossos esforços pessoais, não é mesmo? É como concorrer à Mega Sena sem poder perder.

E ainda temos os hormônios e as desvantagens de estarmos em maior número que eles. Temos que concorrer umas com as outras ainda que juremos de pé junto que queremos nos tornar mais bonitas, evoluir e tentar ser pessoas melhores para nós mesmas. Sem hipocrisia, mulherada: sabemos que bem lá no raso todas nós temos uma inimiga ou uma pontinha de inveja de alguém, ainda que não declarada. E que apesar de não ser o mais nobre sentimento do mundo é ele que, inevitavelmente, nos move para frente, e nos faz pertencer a mesma espécie.

A vida não ficou até mais leve pensando assim?

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