a síndrome dos bons tempos.

Temos  a tendência de achar que o tempo que passou é sempre melhor que o vivido agora, repara. Se não sempre, na maioria dos casos. Lembro dos meus 15 anos com tanta saudade que até dói. Mas daí, num lapso de memória, recordo daqueles simulados escolares insuportáveis, das festas que eu não podia ir porque era menor de idade, de que eu tinha hora pra dormir, acordar e chegar em casa e, o principal: que meus amigos não tinham carro (porque eu mesma continuo sem ter).

Daí penso que os 18 sim, esses eram de ouro. Foi quando entrei na faculdade, comecei a trabalhar, a ganhar meu próprio dinheiro… E a dormir bem menos às custas disso. Olha aí o ponto negativo. Foi também nessa época que percebi que nunca teremos o suficiente (e que isso nem sempre é rnegativo). Sempre vai faltar um tênis, uma viagem, um computador ou tempo para curtir tudo o que se conquistou.

Pensei nos 20, 21, 23 e cheguei a conclusão que nem aos 6 anos de idade a vida era tão fácil assim, nunca é. E se a gente lembra de tantos pontos positivos de épocas distintas é porque andou mesmo vivendo bem.

Melhor que lamentar é agradecer por tudo de positivo que se viveu. E que venham muitos anos pra continuar na saudade…

 

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da sorte e do azar.


Nunca gostei da palavra azar, até porque não acredito nela. Não é possível que a nossa vida seja guiada por um pré estabelecimento cósmico que vem em fases, por uma maré de coisas boas ou ruins. É muito irracional pensar que não temos controle sobre as nossas vidas, e olha que eu não sou a pessoa mais racional que vocês conhecem, você pode crer. Acredito em pré-determinação, acredito que algumas coisas realmente DEVEM acontecer e que junto a elas virão lições importantes sobre alguma coisa em nossas vidas, mas não acredito em pré-definições para coisas boas ou ruins. Somos maiores que isso.

As coisas boas que ocorrem não são sorte; são o resultado daquilo que buscamos, do que realizamos, são os efeitos do modo com o qual levamos nossas vidas. E quando coisas ruins acontecem para pessoas boas? Como explicar? Tudo culpa do tal do azar? Obviamente, não. As coisas ruins acontecem para todo mundo, o tempo todo, pra quem é do bem e quem é do mal. Elas existem, não dá pra ser feliz o tempo inteiro, não dá pra não ter doença, pobreza, amor mal resolvido, e problemas familiares, todo mundo tem. E sempre vai ter. A pior coisa do ser humano é ser dotado de razão. E da capacidade de tecer teorias para tudo aquilo que acontece por mais sem fundamento que elas sejam. Aliás, quem disse que todas as coisas devem ter fundamento?

O que muda, não é quanta sorte ou azar temos na vida, mas o quanto essas coisas tem a capacidade de nos afetar.

Há dias em que estamos fortes, que pode cair o mundo que a gente aguenta. Há dias, que não. Isso também de nada tem a ver com as forças sígniquicas ou cármicas, isso tem a ver com o nosso próprio humor. Ou você conhece alguém que consegue ser feliz o tempo inteiro? Nem rico, nem pobre, nem apaixonado, nem abandonado: ninguém tem uma vida perfeita.

Se é assim, que tal pararmos de lamentar por aquilo que ainda não deu pra alcançar? Uma hora, a gente chega lá.

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vergonha própria.

Só tem uma coisa pior que sentir vergonha alheia: ter vergonha de si mesmo e das coisas que viveu.

Se alguém disser que não tem vontade de sumir quando olha para algum ponto do passado, é mentira. Fomos mesmo ridículos, muitas vezes, ao longo dos anos. Sem contar as coisas desnecessárias que fizemos sem nenhum por que; as vezes que juramos amor eterno no calor do momento e depois estávamos arrependidos demais pra voltar a olhar na cara da pessoa; todas as vezes que excedemos o limite etílico e dissemos coisas que nãop deveríamos, os amigos verdadeiros que não duraram um verão; a roupa que tanto queríamos e nunca tivemos físico ou estilo suficiente pra usar e por aí vai. A vida é isso mesmo,  um enorme arrepender-se de diversos fatos: quem não se arrepende, não teve história, quem não teve história, não viveu.

Que sejaam as coisas pequenas,  bobas, não estou dizendo que aquilo que você tem vergonha sobre o seu próprio passado deva ser algo realmente tenebroso, às vezes os sentimentos só se apresentam dessa forma para você. Como as coisas eram daquele jeito, naquela época se hoje isso não faz o menor sentido? Pois é. E às vezes, no meu caminhar de volta do trabalho para casa, tenho vontade de sumir quando me vêm a mente algumas coisas das quais me envergonho demais de terem acontecido, mesmo que muitas delas, só digam respeito a mim. Mas agora, escrevendo esse texto, penso que se fosse de outro jeito não teria sido a minha vida.

E não importa, realmente, o que você pensa sobre ela.

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reciclagem.

Hoje me desfiz de algumas coisas que achei que já tiveram muito valor um dia.

Joguei fora cartas, presentes e documentos bestas de um passado que não dói mais. Me livrei de algumas roupas que já não cabiam e perfumes que já haviam perdido o cheiro há uns 4, 5 anos, mas que estavam lá, simbolicamente armazenados na prateleira. Apaguei do MSN nomes fantasmas e recordei que um dia eram tão intensos, tão amigos, tão meus e agora nada, nada mesmo. Não lembro da última vez que souberam de mim e vice-versa, não lembro se um dia tomamos um porre juntos, se conheci no trabalho ou pela rua. Só sei que um dia eles estiveram lá, fortes, fazendo sentido, fazendo barulho, até provocando uma dorzinha de cotovelo, às vezes.

Deletei algumas fotos também, que não queria recordar. Não porque eu me arrependa, e pensando melhor sobre isso, me arrependo mesmo de grande parte delas, mas joguei tudo fora porque não me reconheço mais naqueles acontecimentos. Parece que estava fora de mim quando aquelas coisas aconteceram, e não digo no sentido etílico da coisa, não era eu. Eu não sou mais daquele jeito, não uso mais aquelas roupas, deixei de gostar daquelas pessoas e parei de comer aquelas coisas.

Mudamos tanto com o passar dos dias e estamos tão longe de nós mesmos que deixamos de notar. De repente, quando paramos pra olhar pra trás, encontramos registros acumulados em caixas, potes, armários que guardamos com tanto carinho e sem nenhum por que que estranhamos. As coisas boas ficam armazenadas na mente, não precisam de suporte para que estejam vivas, não precisam de registros físicos. Um cheiro, uma música, um nome são o suficientes para despertar na gente o bom e o ruim do que se foi vivido.

E uma faxina no coração, daquelas bem feitas, sempre libera espaço pra coisa boa.

 

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Do jeito que o povo gosta – Semana de Moda Unisanta

Você que mora em Santos e vive reclamando que nessa nossa terrinha não acontece NADA de importante, que cidade quente mesmo é São Paulo e que as pessoas não se articulam para fazer eventos a cada dia mais legais… Anda MUITO por fora!

Entre os dias 20 e 23 de setembro de 2011, tendo como tema “Moda – Negócios com Criatividade” a Universidade Santa Cecília dará início a sua Semana de Moda, bem ao estilo do que vemos acontecer aos montes pelas universidades do Brasil, só que MELHOR: do ladinho de casa!

O evento contará com profissionais, empresários, estudantes e SIM!!! Está aberto à toda a comunidade, que poderá participar dos desfiles, palestras, workshops, mostras de arte… Só precisa se INSCREVER! Clique aqui!! As palestras contam com um limite de até 140 pessoas e também é necessário registrar interesse caso queira participar das oficinas.

Santos é a cidade do litoral paulista que mais está sofrendo transformações sociais e economicas. A cada dia surgem novos comércios, o poder aquisitivo da população tem aumentado consideravelmente e, com isso, a exigência por produtos de maior qualidade e preço competitivo. Com isso, os negócios precisam se tornar cada vez mais criativos, para encarar a disputa cada vez mais acirrada e atender a necessidade do exigente consumidor. Daí a necessidade de um evento voltado para a gestão de moda, recheado de novidades e dicas para quem se interessa pelo assunto.

Vai ter muita gente interessante, grandes nomes da blogosfera como as nossas queridíssimas do Juicy Santos, fazendo bonito e mostrando que blog também é coisa séria e influencia (e muito!!!) no comportamento das pessoas. Eu, a Amanda Serra e a Camila Marques, também estaremos por lá, assim como a Erica Minchin, a consultora de moda que além de ser uma simpatia é blogueira e caiçara.

A abertura, que contará com a presença da madrinha do evento, a renomada estilista Ana Salgueirosa, será  às 20h, no pátio do bloco E da universidade.

CORRÃO!!!! Santos não é tão pequena e inofensiva como você imagina!

MAIS INFORMAÇÕES:

http://www.unisanta.br/semanademoda/inscricoes.asp

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

http://www.unisanta.br/semanademoda/programacao.asp

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teoria de Kiko.

Não há nada que me irrite mais que ameaças; e pior, daquelas sem fundamento. A pessoa se acha tão importante e indispensável que recebe um tapa na cara e ainda revida: “você ainda vai se arrepender muito disso”. Pois bem, FO**-SE, que seja. Me permita o erro. Me permita o arrependimento. E caso eu me arrependa, azar o meu. Num é sua maldição que vai me fazer voltar atrás.

O Kiko, do Chaves, sempre dizia a célebre frase: “Cale-se, calese, cale-se, você me deixa louco!” Uma sabedoria. Às vezes aquilo que a gente mais precisa é esquecer de algumas coisas que se viveu. Que o outro se cale, o tempo passe, e a vida que se resolva. Fim.

Todo mundo, vez ou outra, comete um erro, faz bem. Quem disse que toda a atitude drástica é impensada? Um chega pra lá, às vezes se faz necessário, um grito exacerbado abre olhos, uma mensagem mal educada, por mais que quebre pernas por aí, põe os pingos nos “is”, organiza aquilo que estava insustentável. Saiba calar-se quando alguma coisa já deu o que tinha que dar. Tenha a dignidade de ser maior que uma decepeção, e, principalmente, não diga ao outro aquilo que ele irá ou não sentir – porque praga de urubu nunca pega em beija-flor.

É preciso ter decência tanto para chorar quanto para rir, é preciso saber engolir sapos às vezes, sem maldições, sem resmungos. Se o outro diz “me deixa”, deixe. Não há nada pior que chutar cachorro morto.

Os maiores arrependimentos que eu já tive na vida não foram avisados. Penso que se fossem, ainda assim, os teria cometido, e arrisco dizer que teria conseguido voltar atrás. Na vida, só a morte é impossível remediarmos, de resto, tudo se resolve.

E quer saber? Quando chegamos ao ponto de mandar algo ir embora é difícil querermos fazê-la voltar…

É triste, mas é isso.

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a parte ruim.

Todo mundo fala sobre a paixão e o amor. Sobre como gostar de alguém transforma a nossa vida, dá aquelas borboletas no estômago, faz tudo valer a pena e blá blá blá, mas ninguém ensina a desamar. Veja bem, ninguém consegue descrever em exatidão como é deixar de conviver com alguém que foi importante durante algum tempo, como esquecer do cheiro, dos gostos, jogar fora as fotos e deixar de recordar. Às vezes o amor nem está mais lá. Às vezes as coisas nem foram tão boas assim, mas a nossa memória seletiva é bandida. Costumo dizer que aos domingos, quando acaba o Fantástico, ninguém lembra que apanhava. Ninguém lembra das coisas que deixou de fazer por proibição, o quanto mudou porque achava que era correto, ninguém lembra do que fez doer.

Amar é, em sua essência,  um sentimento perdoador e fácil de sentir. Se  morreu é porque não foi devidamente cultivado. É porque não era pra ser.

Sentimentos não são mutáveis em instantâneo, você não põe no bolso e finge que nunca existiram. O desamor tem suas fases, todo mundo vive um pouquinho delas vez ou outra.Você primeiro tenta lutar contra os fatos, depois aceita que terminou e fica com raiva do outro. Daí percebe que num consegue ter raiva de alguém pelo simples fato dele não querer mais estar ao seu lado e começa a ficar angustiado, solitário, questionando onde foi que errou. Daí vem a fase de euforia, você começa a acreditar que ser solteiro é mesmo melhor, é mesmo mais simples, é mesmo uma delícia. E chegam os tais domingos. As tardes ociosas de sol. As noites chuvosas. As memórias: a nossa cabeça é REALMENTE traiçoeira.

Aí a gente precisa inventar mentiras, criar casos, encontrar motivos que justifiquem pro cerebelo o que o coração não consegue aceitar. Todo namoro, mesmo quando acaba de forma pacífica, tem que gerar climão. Se não existir um desconforto, não houve amor.

É por isso que mesmo indevidamente a gente briga, se aborrece, se estressa e prefere se fazer de indiferente; é tudo encenação.

Só o tempo remove as marcas e ainda assim, aquelas bem profundas, só saem com cirurgia plástica.

(e uma boa lavagem cerebral.)

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Quero ser feliz também

A felicidade não é uma coisa plena. Não dá pra esperar as dívidas serem sanadas, todo mundo estar bem de saúde e o amor verdadeiro chutar a porta da frente, chamando alto seu nome. Aliás, a felicidade num é uma coletânea de fatores positivos, é um desalinho de tudo, o balanço entre o que existe de ruim com tudo que existe de bom na vida da gente.

Felicidade num se espera, se convive. É um estado de espírito. Já é sabido que nessa vida há coisas que a gente não tem controle, porque ficarmos sofrendo por elas, afinal?

Eventualmente você vai ver alguém que ama muito morrer. Os carros batem, os empregos se perdem, as doenças chegam, você termina o namoro, o casamento, os filhos se rebelam… A infelicidade sim, essa caminha, impetuosa, por entre os dias e você,ocasionalmente, pode desviar dela. A questão é que a gente precisa ter problemas, muitos deles, aliás. Porque são eles que fazem a gente ter parâmetro: a gente precisa saber aquilo que dói pra reconhecer o que conforta.

Precisamos parar de reclamar e deixarmos de ser miseráveis, para isso existe, nos momentos de angústia,  o contentamento:  quando você aprende a estar feliz em toda e qualquer situação, deixar o drama, a autopiedade e o mal humor o mais distante possíveis; pra viver melhor.

É claro que a minha vida (nem a de ninguém) é perfeita. É claro que não somos felizes o tempo inteiro, mas a angústia, quando a gente deixa, consome. A inveja, o ciúme, o rancor também, pelo menos, pra mim. Não fico mais me angustiando com as coisas que eu gostaria de ser, os lugares que eu ainda não visitei ou as coisas que eu não tenho. Me concentro naquilo que eu posso ser e, desde então, encontrei a solução pro meu perfeccionismo desenfreado, pros meus sem número de expectativas que me deixavam ansiosa – e decepcionada – comigo mesma.

Sugiro a todos que se auto-exercitem. E deixem para maldizer a vida só em jogo de futebol.

(porque a mãe do juíz tá aí pra isso.)

 

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superemos.

Há coisas na vida em que não se tem como voltar atrás, mas é possível superar.

Atitudes, como eu canso e dizer aqui, deixam marcas no passado (e em todos os envolvidos nele.) Mesmo aqueles que pensam cem vezes antes de dar qualquer passo acabam, vez ou outra, magoando alguém que se importam. Fazer merda aduba vida, constrói o caráter e ensina coisas pra gente que conselho de mãe nenhum consegue passar, é fato. Mas também se torna um peso se vivermos em conflito com isso.

Não adianta já ter visto o amigo encrencado, a amiga chateada, saber que não se deve fazer algo com todas as forças… Um dia, numa dessas bobeiras totalmente humanas, a gente vai lá e faz. E faz feio. Depois vem, tenta consertar, mas quanto mais mexe, pior fica.

Algumas situações só tempo, a disposição alheia e o tamanho do amor, levam embora, não há como acelerar nem arrancar com a mão dores que estão latentes.

Perdoou? Esqueça. Se arrependeu e está com remorso? Supere.

De nada vale remoer as angústias. Quem não sabe deixar para trás os erros e as desavenças da vida morre seco, sozinho e angustiado.

O amor próprio é a medida.

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vai mais uma?

Você conhece uma pessoa. Gosta dela. Vocês conversam, trocam contatos, adicionam um ao outro no Facebook. Combinam de sair, se encontram. A coisa flui e vocês se beijam, tudo lindo, como deve ser.

Daí por diante as micro decisões se tornam um inferno.

Se você ligar no dia seguinte, vai parecer fácil. Se mandar mensagem, desesperada. Num dá pra não falar nada, mas também precisa tomar cuidado com o que vai falar. Se diz que foi bom, se entrega. Melhor deixar nas entrelinhas. Vai que ele pensa que você quer romance? Romance, num dá, é terrível. Afasta o tesão.

Chamar para uma nova saída é  suicídio sentimental. O ideal é que o outro faça isso antes, daí você espera. E o outro idem. Como você não diz nada porque está repeitando o espaço alheio, o tempo e o limite do outro, a individualidade do outro… Fica nisso. Ele lá, você cá.

Como encontrar-se novamente sem contato? Sendo parceira do acaso?

Se  a vida fosse só sorte, todo mundo ficaria para sempre avulso. Temos uma dificuldade enorme de nos re-pegarmos, exatamente isso. Nos tempos modernos não está difícil encontrar alguém: difícil é sair mais de uma vez com essa pessoa, reencontrar-se, insistir, conhecê-la direito. Fica tudo nas superficialidades, por que, né? Pode dar errado. Sempre pode. Nos tornamos eternos ficantes de uma noite só e reclamamos disso, mas a  culpa, meus caros, também é nossa. A mulherada, se toma iniciativa, é fácil. O homem, se não faz nada, é frouxo. Que tal juntarmos essas duas afirmações sexistas e fazermos um bem bolado, hein?

Importe-se menos com o que os outros vão pensar; sempre vai ter alguém na torcida contrária.

Pegue a porcaria do telefone que você anotou na noite passada, não dói. Entre em contato.

Tenho certeza que pelo menos um amigo você encontra, e, na pior das hipóteses, um remember não vai fazer mal.

Não é de todo ruim repetir figurinha. Aliás, vamos incentivar essa prática?

Isso acabaria com o mal humor de muita gente nesse mundo.

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