murro em ponta de faca.

Qual é o seu limite?

Quantas noites você precisa ficar acordado, com gastrite, queda de cabelo e alergia pra entender que é  hora de parar? De desacelerar, de mudar o rumo para o qual as coisas estão indo? Qual é a linha tênue entre a desistência e o valor de si próprio? Quanto de caos é necessário para que você abra mão, deixe pra lá, abstraia?

Meus limites foram mudando gradativamente e muito tem a ver com a minha satisfação. Aliás, a satisfação é algo que move grande parte da minha vida – eu simplesmente não consigo, e também acho que não devo, me obrigar a coisas que não me fazem feliz. Porém, conforme vamos ficando adultos e percebemos a gravidade que é sermos donos do nosso destino (e das contas que não cansam de chegar pra pagar) mais toleramos as pequenas infelicidades cotidianas: o transporte lotado, a falta de educação daquele cliente, o cansaço que nunca cura. Acho que nos perdemos um pouco entre as obrigações, deixando completamente elástica nossa tolerância. Nos tornamos resilientes, fortes, polidos, mas infinitamente mais amargos. Vamos engolindo as críticas, as opiniões, vamos engolindo um pouquinho de nós mesmos, todos os dias. E nunca pára.

É preciso saber a diferença, a sutil diferença entre desistir e se valorizar. Entre a preguiça de continuar, de seguir em frente e aquele momento em que não há mais para onde nadar, não há mais o que ser feito para consertar essa ou aquela situação. Essa dica vale pra vida pessoal, para a briga de família, para o relacionamento abusivo ou para o mundo corporativo. Esteja atento aos seus sinais, pare de tantas cobranças.

Nem sempre o melhor caminho é seguindo em frente.

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O trabalho, o tesão, a faísca.

Terminei o colégio com a certeza de que havia encontrado minha vocação na vida.

Bem pouco tempo depois, percebi que essa coisa de vocação era muito maior do que apenas encontrar uma profissão — e que circulava por muito mais nuances da minha personalidade das quais eu poderia prever.

Desde aquela época eu já era apaixonada por artes, por letras, já ficava fascinada em entender os humanos, suas necessidades, complexidades, em como as obviedades do nosso cotidiano, que pareciam fruto do acaso, de nada eram ocasionais.

Quando conclui a graduação de Jornalismo, me sentia vazia de lógica. Os livros e referências só ampliaram em mim a necessidade de entender mais sobre as relações humanas e aquele sistema de escrita, de negócio, aquelas regras e estruturas, ensinadas e pregada sem fim, me pareciam entediantes, previsíveis e completamente insuficientes para expressar as tantas muitas coisas que eu queria — mas não sabia entender, ainda.

Tudo fez sentido, eu lembro bem, quando já na minha segunda graduação, em Desenho Industrial, vi uma palestra incrível sobre tendências, da Electrolux. Descobri, ali, que queria ser cool hunter, embora ainda não seja. E que havia nascido com aptidão pra isso, se é que isso de aptidão existe.

O meu negócio era prever o desejo dos outros, despertar esse desejo, planejar coisas para que as pessoas, assim como eu, se tornassem fascinadas por algo — fosse um objeto, uma banda, uma carreira, ou um novo eletrodoméstico — naquele caso.

A vocação é um negócio que transborda de você. Que faz com que cada parte do seu corpo trema com uma nova ideia, com um conceito que tenha relação com o que te interessa. É o que te inspira, te faz sair do lugar comum, pesquisar sem fim coisas que, aparentemente, não tem relação nenhuma e que, no fim das contas, tem tudo a ver.

É aquela banda estranha que só você gosta. A mania de fazer listas. O hábito de escrever cartas. As sutilezas sobre você que você mesmo desconhece (ou desconhecia). É o que não te deixa dormir de excitação. E te faz ter gastrite, morrer de nervoso, de paixão, de tesão.

Demorei algum tempo para encontrar esse tesão no que faço. Demorei, aliás, pra entender que o tesão tem que estar em mim e ser transferido para as demais coisas. Todas elas. E, aos poucos, na rotina, tento fazer com que outras pessoas, aqui e ali, sejam picadas pelo mesmo mosquitinho que eu. E que encontrem nas suas tabelas, imagens, estatísticas, naquilo que fazem mecanicamente, sem nem entender por que, sabe-se-lá, uma faísca. E que também se sintam incendiadas a ser muito mais que um dia imaginaram que poderiam ser.

Sabe, a vida é mesmo incrível quando a gente sabe o que quer. E somos capazes de absolutamente tudo.

Ao menos eu penso assim.

 

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a menina(o) do trabalho.

Escrever um texto sobre isso, a essa altura do campeonato, sendo eu a autora de cada uma dessas linhas, é a maior ironia do mundo: daquelas que se fazem necessárias.

Nunca achei que fosse admitir, assim, pra burguês ver, mas sabe, nós mulheres temos uma certa insegurança em relação às meninas(os) do seu trabalho. E não posso nem me defender sobre esse tópico, caro amigo, não posso nem dizer que não- tem-na-da-a-ver, que é apenas uma insegurança feminina desmedida. E sabe por que?  Porque eu já fui a menina do trabalho. E estou até hoje com o carinha do trabalho também.

E por já ter vivido os dois lados da coisa, já ter estado com o tal cara do trabalho (comprometido na época) e ter me tornado sua namorada atual (não estou me orgulhando, estou apenas colocando os fatos), fica dificílimo dizer que as mulheres precisam ser fortes, seguras e independentes. Fica complicado dizer que não podemos ter ciúme ou que temos essa necessidade de “encontrar pelo em ovo” porque, né? Às vezes estamos completamente erradas, mas, às vezes… Não.

Passamos a maior parte das nossas vidas no ambiente corporativo. É com as pessoas que trabalhamos todos os dias, de sol a sol, que dividimos (até mesmo que involuntariamente), nossos dramas mais profundos. Falamos mais sobre a nossa vida pessoal e sexual no almoço de meia hora e na mesa do bar de sexta que na sala de terapia. Provavelmente pelo fato de que rir de si e do outro seja um dos remédios mais maravilhosos para qualquer vida média.

Seja do dinheiro que acabou (ou que nunca veio), do gato doente, do cliente maluco ou da cólera que abateu a família, abrimos nossos corações. E, eventualmente, podemos encontrar alguém que queira ocupar aquele vazio latente que todo mundo tem em algum lugar – e que, no meu caso, permanece no estômago. HE HE.

Pode parecer completamente sem noção esse lance de se apaixonar pelo cara do trabalho, é até errado em alguns cenários mais quadradinhos, pode gerar demissões, mal estar, pode acabar com muitas carreiras e tirar o foco daquilo que, afinal, somos pagos para executar das 9h00 às 18h00, mas não sejamos hipócritas.

Se a vida é a arte do encontro, estamos também sujeitos a nos encontrar  pelas firmas e mais firmas desse Brasil.

E, olha, pode ser maravilhoso. Vou te dizer.

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sobre a internet e suas chatices.

Olha só, eu amo a internet. Passo horas lendo e produzindo conteúdo para os meus clientes, passo horas tentando entender melhor o que se passa na cabeça dos usuários – e como prever seus possíveis engajamentos e gostos – e  poderia ficar HORAS discutindo acerca do quanto a internet é maravilhosa (e dinâmica), se qualquer pessoa me questionasse sobre isso num ponto de ônibus, na fila do pão ou em um brainstorming na firma. Mas, olha só que coisa louca: estou profundamente de saco cheio da internet (e das pessoas que se acham profundamente conhecedoras sobre ela).

NÃO EXISTE, ao meu ver, profissional nenhum que saiba tudo. De nada, aliás. Se você se diz um mestre em ciências digitais, já está completamente fadado ao fracasso – visto que não se pode conhecer profundamente aquilo que é, e não é,  o tempo todo – ficou esquisito? Algo que muda tão rápido que não pode ser definido, ou analisado em sua totalidade, sei lá, absorvido por completo. O que hoje é hype, amanhã é brega (aliás, hype já se tornou uma palavra brega). O que era tendência semana passada, já passou, cansou, saturou. Já não se faz mais assim, já não é mais essa a fórmula para o sucesso. Aliás, o sucesso, gente, é extremamente relativo quando falamos de internet,de gente, quando falamos dos 8 bilhões de universos (para não dizer trilhões) que existem aqui dentro  da WWW – e a gente tem consciência de no MÁXIMO 10.

Acho ótima essa coisa de todo mundo ter acesso a tudo. Mas acho lástimável todo mundo achar que conhece de tudo. Porque não dá. Se fosse assim, dava pra ser meio médico, meio cientista político e chefe de cozinha nas horas vagas. Né? Num tem como não.

Veja bem, manjo NADA de métricas. Sei o básico. Sei aquilo que é preciso  para fazer uma estratégia simples, para analisar se o que eu faço está fazendo sentido para o público. Sou capaz de dar um retorno em relação ao investimento do cliente de forma superficial. E só. E tá tudo certo. Esse não é meu foco de vida, embora todo e qualquer  conhecimento não ocupe espaço, e sei que preciso profundamente dos caras que são mestres nesse setor. Isso não faz de mim uma profissional menor. Nem de ninguém melhor.

Ser comunicador é saber estar e fazer parte de um time, é ter um cara FERA em programação, outro em design, outro em análise profunda de dados, outro que saiba indexar sua marca maravilhosamente bem no Google, é COMPLEXO PRA DANAR. É humanamente impossível  tratar de Ciências Humanas em sua completude, por mais que todo o comunicador que se preze seja um profundo curioso em relação à tudo.

Nesse contexto, de forma bem resumida e nada teórica, ser blogueiro anda chato pra cacete.  É muito MI MI MI sobre as coisas. Muita gente ruim ganhando uma grana preta por um trabalho medíocre  – ou por um trabalho copiado, pior ainda. Muita empresa grande e confiável investindo nisso. Dá tristeza, dá pena, dá ranso de um setor que tem tudo pra ser magnífico, mas que acaba mal utilizado.

E é isso gente. Por isso não tenho blogado tanto como sempre, tanto como gostaria, tanto como deveria, talvez.

Enquanto eu observo a zueira que se tornou a internet – no sentido não bacana da coisa – continuo pensando em jeitos diferentes de reinventar quase tudo; e fazer as coisas de um modo mais original e interessante pra ver se a coisa engata, se as pessoas se inspiram, se a maré muda.

Por hora, melhor o silêncio. E os posts de desabafo que nos ajudam a recomeçar.

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O Pão Nosso de Cada Dia*

Ser adulto é muito chato. Mais chato que ligar pra call center de domingo, pior que picada de inseto embaixo do dedinho do pé. Essa coisa de ter responsabilidade e conta pra pagar era tão mais nobre na teoria, quando a roupa não acumulava na área de serviço e não tinha nenhuma louça suja na pia… Ou quando dormíamos de 12 à 14 horas e ainda tínhamos a indecência de reclamar de sono.

A cada geração sinto que os jovens estão menos preparados para ser adultos, talvez porque viver para o futuro é algo que aprendemos a lidar eu ambiente ideal, no conforto da casa dos nossos pais. Nessa época, nossa maior preocupação é passar no vestibular, conquistar o paquera ou comprar uma calça jeans. Ninguém disse que ia ser tão difícil e cansativo trabalhar e estudar, e nada foi falado sobre perder os finais de semana tentando resolver o resto da vida pessoal.

Aliás, que vida pessoal, não é mesmo? Recorde quantas festas você ia lá pelos seus 15 anos e compare com a sua realidade hoje. Quantos não foram os vestidos, penteados, sandálias e maquiagens que você investiu achando que aqueles eventos eram o que havia de mais importante na vida? Tenho certeza que você sente vergonha de pelo menos 20% dos modelitos da época.

Pra quem é adolescente tudo é muito mais intenso. Não ir à festa é como morrer, brigar com os pais é suficiente pra fugir de casa e todo o relacionamento, sem exceção, é pra casar. Quando a gente tem 13 anos acha que é capaz de tudo, de virar engraxate ou de vender queijadinha no sinal, sem ter a menor noção do quanto custam de fato as coisas – e não só monetariamente falando. Quantas horas de estudo, de dedicação e de sorte serão necessárias para conquistar aquilo que deseja, para ser independente, livre e como cada ação influencia no nosso destino. E quem diria que esse tal de destino existia mesmo, hein? Aos 13 você achava que tudo depende única e exclusivamente das suas ações. Hoje, já percebeu que nem tudo, nem sempre, depende única e exclusivamente do nosso querer.

Sinto falta desse tempo em que tudo era mais leve, mas acho que não queria voltar atrás. Quanto maior o desafio, maior também são as alegrias. Não é?

Que seja, por favor.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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um beijo.

Não que eu tenha que dar satisfação pra alguém (ou que tenha alguém por aqui querendo satisfação), mas passei da hora de atualizar isso aqui, né? Mil perdões. É o pré carnaval me matando, esse calor lá fora, esse excesso de atividades sociais dos quais eu vivo prometendo ir e tenho ido – à contragosto ou não – porque a gente precisa manter os poucos e bons amigos que nos restam.

E como vocês andam? Bem? Eu tô sem um pinguinho criatividade pra mim mesma. Tá foda. Andei distribuindo por aí ideias aos montes, ideias sem fim, tô assim, sequinha. Infrutífera. Ouvindo SPC e lavando louça pra ver se algum bom texto vem parar aqui no blog, mas não. Tá difícil.

E vocês também, nem pra me mandarem um e-mail dramático, um babado forte, nem pra me contarem aquelas histórias cabulosas de incesto, de primo que pegou a madrinha, etc, etc, etc. Ai num vale me cobrar um texto todo emotivo depois. Faca de dois ~ legumes ~, bebê.

Parece que 2014 veio para acabar com a minha capacidade literária, me deixando feliz, sem problemas, realizada e panz. Isso deveria ser bom, não é? E é. É ótimo.

Então é isso mesmo.

Um beijo, desculpas, outro. Espero falar com vocês em breve.

<3

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da vida real.

Nesses meus 3 anos de experiência em RP + Social Media, aprendi muito sobre pessoas. Sei que esse blog fala quase que integralmente de relacionamentos amorosos, de vez em quando sobre famílias, amizades e afins, mas não poderia deixar de escrever algumas linhas sobre o que eu ando vendo acontecer por esse mundão que é a internetê. E vendo assim, com os meus próprios olhos mesmo, sem conjecturas científicas, sem estudos longos, sem livros sobre sociologia, análises profundas ou coisa do tipo.

As pessoas precisam aprender a ser educadas. Em primeiro lugar. E em segundo, a entender que são os relacionamentos os responsáveis pelo sucesso (ou pelo fracasso) de uma determinada mídia. Não tem nada a ver com propaganda, sorteio, com ads no Facebook, no Google ou em qualquer outro lugar. Tem também, aliás. Mas é mais que isso.

Sem os seus leitores, as marcas e a  imprensa… Um blog é só mais um espaço online. E ponto final.

Não importa se o seu blog é pessoal ou não, de beleza, moda, culinária, fitness ou o raio que o parta. Você não é excelente comunicólogo porque é lindo. Porque tem bom gosto. Porque tem estrela, sorte ou santo forte. Você é bem sucedido porque é bom. Naquilo que faz e com os seres humanos que o cercam. E acho que principalmente por essa segunda parte.

Tenho nas mãos a chance de conhecer todas as pessoas que sempre admirei e cresci aprendendo e sonhando em como elas seriam no mundo real – e  uso isso em todas as situações que posso.

Não porque quero proteger ou beneficiar àqueles que acompanho, mas porque quando se é “rata de computador”, desde pequena, você se torna íntimo daqueles que lê, mesmo que não seja. Se torna parte daquilo. Sente uma identificação, cria um laço invisível do qual você quer que o seu cliente – seja ele de qual nicho for – faça parte. Você não vai chamar para o seu aniversário gente que não conhece, né? Por que chamaria para uma ação ou um evento profissionais que não confia?

Pois bem. Foi então que meus problemas começaram. Tive o desprazer, inúmeras vezes, de lidar com totais desconhecidos que eu achava conhecer bem. De ter na minha festinha de aniversário ou, saindo da metáfora, naquele evento PICA do cliente, gente que eu preferia ter só mantido no mundo virtual. Gente que não vale a pena. Gente que num tem bafo, nem dente podre, mas que por dentro tem alguma coisa errada.

É sério. Quanta decepção junta, cara. Que tristeza.

É  claro que o mundo não é só ruim. Aliás, o mundo é bão, Sebsatião! E nesse ínterim me surpreendi também. Conheci gente incrível e admirável que passei a seguir. A gostar. A torcer junto pelo sucesso. E tomei um tapa na cara.

Porque, afinal, às vezes somos mesmo fiéis a gente que simplesmente não merece. Gente que encarna um personagem, que não sabe lidar bem com a popularidade, que é fofa por comentário, mas xinga o taxista. Que sabe fingir muito bem que é bacana lá de longe, quando não tem que encarar belas críticas. Como em todos os relacionamentos reais, virtuais, como em todas as situações da vida adulta.

E fica aí o meu conselho: nem tudo o que reluz, é ouro.

E ainda tem assessorias valorizando demais bijuteria barata…

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o lado bom da vida.

Todo mundo, o tempo todo, me manda largar tudo. Largar tudo e seguir os sonhos, viver a vida como ela deve ser, buscar a felicidade. Essas mesmas pessoas citam casos de sucesso, gente que vive com pouco e vive bem, gente que faz o que ama, que uma hora encheu o saco dessa vida média de acordar, trabalhar e dormir e resolveu ousar, pedir demissão, dar um tapa na cara do chefe, mudar de país, etc, etc, etc.

As pessoas também insistem em dizer que tenho potencial. Que sou excelente naquilo que faço, que não posso engolir tantos sapos, me submeter a tantas coisas, que não devo perder tanto tempo dentro de um escritório, gastando minha criatividade com coisas e pessoas que não dão à minima pra isso, criticam e, pior ainda: acham que é fácil. Acham que a criatividade vem do nada, pro nada e só serve para tornar as coisas mais atraentes, bonitas, vendáveis. E é isso. Pagam muito bem engenheiros para que sejam construídos prédios, mas pagam muito mal profissionais que constroem ideias. Porque é impossível mensurar o sucesso de coisas abstratas, não é? Pelo jeito é. Mas essa é uma discussão para outro post.

Todas essas pessoas que me mandam raspar as pernas e cair na vida estão (bem) empregadas. Todas continuam em seus cargos cheios de rotina, encarando a vida, pagando as prestações das casas Bahia e morando de aluguel. Nenhuma delas saiu de onde estava sem uma nova proposta de trabalho e nenhuma faz puramente o que gosta – desconfio, aliás, que ninguém faça.

Porque trabalhar implica também em ser um pouco miserável, em acordar cedo, dormir tarde, em se esforçar, aprender, crescer. Não se reconhece a plena felicidade sem ter vivido o lado ruim da coisa, e, cara, se trabalho fosse 100% bom (e precisamos de pelo menos algum dinheiro pra viver), chamaria lazer.

Entendo o que todas essas pessoas, amigos, amigas, vizinhos e familiares, querem dizer. Entendo que seria muito bom mesmo fazer algo que valha verdadeiramente a pena, que acrescenta na alma e que, de quebra, encha o bolso. Só não vejo motivos para jogar tudo o que eu tenho na vida até agora pro alto para ser feliz. Até porque, desculpem-me os idealistas, felicidade também é poder comprar uma passagem pra Berlim e conhecer coisas incríveis, comer em um bom restaurante, presentear quem a gente ama com algo bacana e, pessoal, isso tem custos. A vida, até mesmo a mais simples, tem seus custos.

O meu “tudo” no momento não me manda de volta nem pra São Vicente. Não me deixa um lugar pra morar nem os boletos em dia, se é que vocês me entendem.

Sinto muito por quem acredita na minha imensa capacidade em ser mais que uma mera funcionária. Isso é o que temos por ora.

Eu não estou, ainda, TÃO profundamente infeliz com isso, só um pouquinho. Mas certamente em busca de dias melhores.

Pra sempre.

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da inveja

Eu sinto inveja, confesso. Não aquela coisa nociva, de querer destruir o outro e coisa e tal, mas aquele ruim no estômago, no coração, aquela sensação de “eu também poderia ter algo assim”, entendem? Eu sei, sou uma pessoa terrível. E duvido que você nunca tenha sentido algo assim.

Me sinto ridícula  toda a vez que invejo uma pessoa,  todas as vezes que desejo AQUELE emprego, AQUELES sonhos e sucessos, que, às vezes, parece que foram roubados de mim. Parece que alguém pegou a história da minha vida e viveu completa, no meu lugar, não sei direito o que dá, fico triste. Triste porque por mais que eu tente me orgulhar das conquistas alheias só consigo sentir pena de mim, só consigo pensar que fracassei, que a vida é injusta, que não adianta a gente querer tanto e lutar tanto se alguém que nem queria tanto assim acaba conquistando no nosso lugar.

Será que é só comigo que essas coisas acontecem?

O pior de ter inveja é ter consciência da infantilidade desse sentimento. [É saber que se a gente alimentar o bichinho é que nem raiva, cresce, evolui, domina e consome a gente. Inveja é algo que você tem que fingir que nunca sentiu. Que nem ciúme, que nem cobiça, que nem as outras coisas todas, naturais do ser humano. Dói se controlar, sejamos sinceros. Dói elogiar quando você sabe que o outro merece, mas ainda assim, bem lá no fundinho, alguma coisa ruim cutuca a gente e diz baixinho que talvez você merecesse mais. Faz parte.

Se tudo na vida fosse merecimento as coisas seriam justas, e não são. Se tudo na vida fosse sorte, as coisas (todas) seriam uma piada, e não são.

Quando a inveja bater, impetuosa, inevitável, respire fundo. E continue a nadar.

Há lugar para todo o propósito debaixo do sol.

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