essa tal de ansiedade.

Ela está sempre lá, em algum canto do nosso estômago. Nas unhas roídas, nas mensagens afobadas da madrugada. Ela acomete até mesmo os mais tranquilos; invade vidas, destrói relacionamentos, faz com que a gente coloque os pés pelas mãos em tentativas desenfreadas de contê-la. Tudo em vão. Ninguém sabe o que fazer, afinal, com essa tal de ansiedade – mesmo quando nos tornamos mestres em sufocá-la.

Hora mais cedo, hora mais tarde, ela vem e explode. É a espinha na ponta do nariz, é o morango com chocolate fora da dieta, é pau, é pedra, é o fim do caminho – ou o meio, quem sabe? Pode ser nosso cigarro, nosso álcool, nossa falta de sono ou excesso de trabalho.

Todo mundo teme por aquilo que desconhece, anseia pelo bom – ou ruim – que está para chegar. Não tem jeito. A coisa fica ainda pior quando – quase sempre –  se sofre pelo o que não sabe.

A ansiedade nunca vai embora. Ela pode ser contornada, ignorada, ela pode ser canalizada para o bem – quando nos torna mais produtivos,  ativos, mais atentos, mas ela sempre fica lá, porque, de certa forma, ela nos MOTIVA.

E faz com que pensemos com muito mais fé em todas as coisas.

Continue Reading

quando descobrimos que querer não é poder.

Estudos comprovam que 96,5% das publicações textuais realizadas em blogs com o mesmo perfil do meu  te  incentivam a sonhar bem alto –  e sempre, sempre, sempre, colocar o máximo de amor em tudo o que se faz. Acho que a maior mentira – covarde – que te contam sobre a vida é que você pode tudo desde que comece já. Desde que tenha força, fé e foco. Desde que faça com o coração.

Reflita bem, respire fundo e raciocine. Pode ser que até seja esse o caminho. Pode ser que algumas pessoas precisem mesmo dessa dose de fé em si mesmas para começar e ir adiante, mas, nem sempre funciona assim.

É bom ter em mente, bem lá no íntimo, que não é só coração, fé e foco que fazem que as coisas funcionem – ao menos não da maneira que a gente espera que elas sejam.

Me chamem de realista incrédula. Me chamem de agouradora do sonho alheio. Mas olha, é só um ponto de vista diferente dos demais. É só pra fazer pensar.

Acho, aliás, que essa inverdade é uma das coisas que mais gera adultos depressivos e infelizes; esse sentimento de que estamos próximos e distantes, ao mesmo tempo, de todas as nossas maiores realizações (e que nosso sucesso e satisfação depende única e exclusivamente de nós). Que maravilhoso se assim fosse. Quantos negócios não dariam certo? Quantos não seriam os livros publicados? Quantas famílias felizes e plenamente satisfeitas não se formariam?

E os muitos acasos que nos acometem? E os diferentes universos que nos cercam e formam nossas realidades particulares? E a nossa sorte, estrela, e Deus, eu pergunto? Nada disso conta?

Eu mesma respondo que conta sim. Conta bastante. E faz parte do pacote todo. Não se sinta um perdedor(ora) se ainda não chegou lá. Se, mesmo working very hard, não deu certo ainda. Uma hora, dá.

Você pode muitas coisas, geralmente muito mais do que você imagina, inclusive. Deve e precisa batalhar por outras tantas, sempre, mas não é só trabalho duro e zero mi mi mi que faz com que você seja famosa, rica, linda, magra ou qualquer coisa que você desejar ser. Não sei afirmar exatamente o que é.

O trabalho duro vai te garantir sucesso e satisfação de alguma maneira, mas não exatamente da forma como você acredita que as coisas serão. A visualização de uma vida que não é a que se tem pode deixar qualquer ser humano batalhador e super dedicado se sentindo o mais fracassado dos mortais, mesmo estando longe disso.

Não chegar onde se almeja não significa que você falhou. Significa que talvez você esteja vendo de forma distorcida onde quer chegar. Ou que ainda não fez as coisas certas. Estou sendo clara na argumentação?

A felicidade e a satisfação pessoal podem vir de muitas forma pra gente – tantas, que às vezes temos de tudo, muito, e continuamos correndo atrás do que o outro tem e a gente também “merece” ter. Do que o outro é e a gente “precisa ser também”, porque, né, pessoal? Somos humanos. Comparar o nosso sucesso com o dos outros é natural. Uma pena que não vivamos as vida alheias, nem suas partes boas, nem suas partes ruins. Pensando melhor, ainda bem.

Acredito que a comparação, em pequenas doses, faz parte de um desenvolvimento psicológico e pessoal saudável. Nos estimula, norteia, nos dá ídolos para admirar. Mas é preciso parar com essa crença de que podemos tudo, tudo mesmo. Tudo é muita coisa. E se não chegarmos nunca aos nossos ideias, como fica? Sinal de que foi tudo culpa nossa? Que não batalhamos o suficiente? Que não temos talento, força ou garra? Como lidar, então, com essa decepção que nos acomete diante da possibilidade de sim, PODE-SE TER O MUNDO, basta querer? Vim aqui, então, para dizer o que ninguém acha bonito, ou poético: não, às vezes a gente não pode. Às vezes não dá. Às vezes vem a doença, o cansaço, os filhos, a grana que se precisa ganhar com a rotina – e os nossos super sonhos não se encaixam nesse balanço.

Temos que dar asas à imaginação e não basear toda uma vida de micro satisfações pessoais e realizações nela.

Desculpa chutar assim, sem nem me apresentar, seu castelinho de areia. A gente não pode ser a nova Gisele Bundchen, já existe uma nesse mundo. Não dá pra treinar duro e mentalizar positivo pra alcançar o Neymar – talvez ele mesmo quisesse é ser o Pelé, nunca saberemos. E mesmo que você malhe e vire uma obcecada da batata doce, treinando por 24 horas na academia, desculpa. Você nasceu com o corpinho mignon. Não vai ser Panicat, nem garota do Faustão. E não há mal nenhum nisso.

Encontre mais felicidade onde já se tem.

Que o que vier a mais, nesse cenário, é lucro.

Continue Reading

para além dos 25.

Achei que estaria bem sucedida aos 25. Achei também que estaria bem casada, com certeza de mim, com certeza do outro, com certeza do que eu queria daqui em diante, de lá em diante, que veria adiante.

Achei que teria controle sobre muitas coisas. Que aos 25 seria capaz de não cometer mais erros tolos, de não me apaixonar por falsas verdades, que já não haveria mais tempo para as cartas de amor, para os poemas que nos fazem suspirar, para declarações impulsivas, para porres homéricos. Achei que seria madura, firme, 100% correta.

Pensei que as coisas seriam cada vez mais fáceis quando a grande verdade sobre a vida adulta é que quanto mais os anos passam, menos a gente sabe sobre o que já foi. Menos a gente consegue absorver os aprendizados, as escolhas. É muito difícil mudar quando a gente quer, a todo custo, que alguma coisa seja diferente.

Daí, fiz 26. E não conclui plano nenhum.

Não tirei carta de motorista. Não casei e nem sei se vou casar. Não tenho certeza de hoje, que dirá, de amanhã, de depois ou da semana que vem. Me tornei muito mais insegura que antes, ao contrário do que pregam sempre sobre maturidade, não tenho mais facilidade para emagrecer, não tenho mais tempo para perder e conforme passam os dias, mais difíceis ficam os encontros e, mais estreito também, o destino.

Entretanto, você descobre um senso de urgência em ser feliz, em ser inteiro. Não se importa com as cagadas, com os tais porres, não se importa mais com o que quer que seja preciso desde que te traga plenitude. Que te traga esperança para ser mais do que foram esses primeiros 25.

Nesse 1/4 de vida – para quem pretende viver até os 100 – percebe-se que tudo passa rápido. Os sonhos, o tempo, os planos. E que é preciso fazer já. Esquecer as meias palavras, as danças, os ensaios e se jogar no que vier.

Para que se consiga buscar o que se procura é preciso saber por onde caminhar. E enquanto não se decide o caminho, sejamos vítimas da sorte.

Ela é supreendente.

Ao menos, foi pra mim.

Continue Reading

o lado bom da vida.

Todo mundo, o tempo todo, me manda largar tudo. Largar tudo e seguir os sonhos, viver a vida como ela deve ser, buscar a felicidade. Essas mesmas pessoas citam casos de sucesso, gente que vive com pouco e vive bem, gente que faz o que ama, que uma hora encheu o saco dessa vida média de acordar, trabalhar e dormir e resolveu ousar, pedir demissão, dar um tapa na cara do chefe, mudar de país, etc, etc, etc.

As pessoas também insistem em dizer que tenho potencial. Que sou excelente naquilo que faço, que não posso engolir tantos sapos, me submeter a tantas coisas, que não devo perder tanto tempo dentro de um escritório, gastando minha criatividade com coisas e pessoas que não dão à minima pra isso, criticam e, pior ainda: acham que é fácil. Acham que a criatividade vem do nada, pro nada e só serve para tornar as coisas mais atraentes, bonitas, vendáveis. E é isso. Pagam muito bem engenheiros para que sejam construídos prédios, mas pagam muito mal profissionais que constroem ideias. Porque é impossível mensurar o sucesso de coisas abstratas, não é? Pelo jeito é. Mas essa é uma discussão para outro post.

Todas essas pessoas que me mandam raspar as pernas e cair na vida estão (bem) empregadas. Todas continuam em seus cargos cheios de rotina, encarando a vida, pagando as prestações das casas Bahia e morando de aluguel. Nenhuma delas saiu de onde estava sem uma nova proposta de trabalho e nenhuma faz puramente o que gosta – desconfio, aliás, que ninguém faça.

Porque trabalhar implica também em ser um pouco miserável, em acordar cedo, dormir tarde, em se esforçar, aprender, crescer. Não se reconhece a plena felicidade sem ter vivido o lado ruim da coisa, e, cara, se trabalho fosse 100% bom (e precisamos de pelo menos algum dinheiro pra viver), chamaria lazer.

Entendo o que todas essas pessoas, amigos, amigas, vizinhos e familiares, querem dizer. Entendo que seria muito bom mesmo fazer algo que valha verdadeiramente a pena, que acrescenta na alma e que, de quebra, encha o bolso. Só não vejo motivos para jogar tudo o que eu tenho na vida até agora pro alto para ser feliz. Até porque, desculpem-me os idealistas, felicidade também é poder comprar uma passagem pra Berlim e conhecer coisas incríveis, comer em um bom restaurante, presentear quem a gente ama com algo bacana e, pessoal, isso tem custos. A vida, até mesmo a mais simples, tem seus custos.

O meu “tudo” no momento não me manda de volta nem pra São Vicente. Não me deixa um lugar pra morar nem os boletos em dia, se é que vocês me entendem.

Sinto muito por quem acredita na minha imensa capacidade em ser mais que uma mera funcionária. Isso é o que temos por ora.

Eu não estou, ainda, TÃO profundamente infeliz com isso, só um pouquinho. Mas certamente em busca de dias melhores.

Pra sempre.

Continue Reading

um quarto do todo.

Passamos quase um quarto das nossas vidas nos preparando para viver. Para o dia em que vamos escolher uma profissão, uma família, e, enquanto isso, recebendo, de todas as frentes, ensinamentos sobre biologia, matemática, química, física e relações interpessoais; sobre aquilo que devemos fazer e que não devemos fazer aos nossos amigos, inimigos, familiares, etc, etc.

Passamos um bocado de tempo preocupados com os nossos planos para o futuro e depois reclamando sobre a não concretização desses mesmos planos, sempre tentando satisfazer alguém. A professora, o cliente, o chefe. E daí vêm infinitos questionamentos: será que estamos absorvendo algum conhecimento dessa experiência? Será que seremos reconhecidos? Será que é dessa forma que devemos mesmo fazer isso ou aquilo? E poucas respostas. Quase nenhuma resposta, na verdade.

Se há uma coisa nessa vida que temos certeza é de não ter certeza de nada. Se vamos conseguir pagar as contas mês que vem. Se estamos fazendo as coisas por paixão ou obrigação. Se estaremos felizes com as nossas escolhas, com as nossas vontades, e se teremos esses mesmos desejos e escolhas ano que vem ou daqui há 10 anos. Quem nós seremos, afinal, daqui há 10 anos, não é? Ninguém sabe.

Mas mesmo sem sabermos direito aquilo que queremos, onde estaremos ou como vamos sobreviver até semana que vem, continuamos insistindo. Mesmo sem fazer absolutamente nada diferente, o mundo anda, afinal, pra frente. Levados ou não pelo acaso, pela nossa gana em conquistar sabe-se-lá o quê – ou simplesmente porque precisamos – estamos lá. Repensando, replanejando, refazendo a vida que nunca foi feita de fato, que nunca se concretiza, que nunca é plena.

E talvez um dia a gente entenda que há motivos, afinal, para termos sempre essa sensação de não conclusão em relação ao todo.

Pra que não percamos, afinal, o fio da razão.

Continue Reading

muito louco.

Imagina que louco seria ter um caso com a própria mulher. Combinar encontros às escondidas, não leva-la nos almoços de família e ter um tempo livre, durante a semana mesmo, para uma cervejinha com os amigos sem a menor preocupação em ter que voltar pra casa.

Imagina que louco seria se você adorasse ir para o trabalho. Se todos os dias acordasse disposto, sem gripe, sem cansaço e cheio de vontade de encarar aquele cliente insuportável ou aquela planilha infinita e bem metódica que você está adiando há meses para fazer.

Imagina como não seria louco poder viajar quando quisesse, sem dar a menor satisfação. Ou ter o amor correspondido por aquela pessoa que você pensa estar apaixonada, ou ser dono de um cartão de crédito sem limite (e sem fatura pra pagar). Seria mesmo muito louco.

Imagina que louco seria se o bacon emagrecesse. Se os doces da padoca, cheios de creme, fizessem bem pros dentes. Seria incrível, muito, muito louco mesmo. Teriam que proibir a gente do que, afinal? De comer alface? Louquissimo.

Seria loucura ter uma vida fácil, simples, cheia de certezas. Estaríamos todos tão felizes e sem razão para prosseguir que, certamente, enlouqueceríamos. Ainda que uma ou outra dessas coisas se torne realidade, ainda que nossos desejos mais urgentes se realizassem, encontraríamos, em outras esferas, insatisfação. No cabelo que cai, no dia que amanhece.

E em todas as coisas simples que PRECISAMOS complicar.

Louco mesmo seria, não querer mudar absolutamente nada, nem um pouquinho.

Seria incrível.

Continue Reading

preces.

Estou em busca da tal estrela. Aquela que uns e outros dizem que brilha vez ou outra e faz coisas incríveis, sabe?

Pois bem. Queria que a estrela brilhasse e realizasse pelo menos um dos meus sonhos, não dos meus desejos. Os sonhos são aquelas coisas que a gente coloca na gaveta do inatingível, do inimaginável e acha que nem com muita batalha, insistência e esforço eles irão se realizar.

Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando.

É aquela parte da nossa vida que não depende só da gente, que precisa de uma forcinha, de um sopro divino. Da tal sorte, do momento certo,  de um padrinho, ou sabe-se lá o que.

Estou pedindo encarecidamente para que essas tais coisas impossíveis aconteçam. Pelo menos uma vez. Porque todo mundo merece seu dia de princesa, seu Luciano Huck da vida, uma herança de um parente rico, uma bolsa de estudos, uma viagem, ou, simplesmente, uma atençãozinha para aquilo que faz.

Que finalmente a mesa vire. Que um anjo mande lá de cima um sinal para quem pode mudar a minha vida e que essa pessoa o faça, sem delongas. Sem pestanejar. Mesmo sem me conhecer ainda. Mesmo sem saber que eu tenho um potencial enorme. Por que, né? A gente precisa acreditar que pode tudo para, quem sabe, conseguir um pouquinho.

E espero que esse pouquinho faça muito por mim.

E que a minha prece mude, também, um pouquinho da vida de vocês.

Continue Reading

linda, solteira…E mãe.

Todo ser humano do sexo feminino que possui uma vida sexual minimamente ativa já pensou, pelo menos por alguns segundos, que pudesse estar grávida. Mesmo com a evolução da medicina e toda a informação desse mundo, não há contraceptivo que controle nossa neurose – visto todos os 736456 mil casos de amigas que deram uma vaciladinha aqui, outra ali e aquelas que juram de pé junto terem sido vítimas pura e simplesmente das armações do destino.

De suspeitas e ansiedades todas nós sobrevivemos, ok, a vida continua. Mas e quando, lá no auge dos nossos 20 e poucos anos (ou antes) descobrimos que SIM, seremos mamães nos próximos 9 meses? Sem marido, casa, emprego ou o mínimo de juízo?

Muitas foram aquelas que passaram por essa situação. E embora digam que filho é uma benção divina (e certamente, é) é inevitável não encararmos um turbilhão de sensações entre medo, alegria, ansiedade e um tremendo descontrole sobre essa nova situação. E não só de pensar em cada parte da nossa vida que vai virar, literalmente, de cabeça para baixo, mas também sobre aquilo que os outros irão pensar. Nossos pais, avós, primos, colegas de trabalho, de faculdade e mais um sem número de pessoas que de nada tem a ver com  a nossa vida, nosso corpo, conta bancária ou estado civil.

E como nesse post eu não poderia deixar de falar sobre o tal do status social relacionado a gerar um mini ser dentro de si, como fazer quando não queremos casar? Quando não amamos tanto assim, não estamos preparadas para assumir um compromisso e coisa e tal? Ou quando tentamos ficar com o outro pela pressão das partes envolvidas e por achar que nenhum homem no mundo vai se interessar por uma mulher que já tenha filho? São tantas as neuroses, emoções e devaneios que no meio de tantas coisas aparentemente terríveis a única certeza que temos é que nossa vida será bizarramente diferente; e que está apenas começando.

Tenho para mim que uma mulher só é completa quando satisfaz pelo menos 3 desejos da sua lista pessoal. Ter sucesso no trabalho, escrever um livro e ter um filho – esses são os principais itens da minha. Mas a satisfação do tópico “maternidade”, especificamente, é aquele que, para maior parte das mulheres, exclui os demais.

Escutem bem, dear ladies: ser mãe não nos faz menos capazes de conquistar um homem. Não nos impede de ter uma carreira bem sucedida. Não nos deixa incapazes, impotentes ou menores que qualquer moça solteira por aí. As coisas mudam, claro. Mas é preciso se adaptar a elas, absorver cada novo pedaço de realidade para voltar aos eixos e tomar um rumo (definitivo ou não). Sem planos a gente não consegue nem pegar metrô.

Esse é só o primeiro texto de muitos outros que ainda escreverei sobre esse tema, para as atuais mamães, futuras mamães e aquelas que assim como eu, ainda não estão tão próximas de se tornarem mães. E espero que seja também uma quebra de paradigmas entre o que se deseja e o que se tem, entre sonho e realidade.

Não se pode ter todas as coisas do mundo. Mas certamente ter um filho não é o fim de todas elas.

 

Continue Reading

o machismo nosso de cada dia.

Nós mulheres reclamamos dos salários reduzidos em relação ao dos homens. Nos orgulhamos por sermos multifuncionais e, ainda assim felizes, por sermos capazes de cuidar da família, da carreira e ter a proeza de encontrar tempo para nós mesma num dia de apenas 24hs. Isso tudo é ótimo, é excelente, mas parem e reparem: somos muito machistas. Muito mesmo. Justificamos tantas coisas injustificáveis que chega a ser assustador.

Não é problema deles o sexo ser ruim, nós é que talvez não gostemos tanto disso. Eles batem em uma mulher porque se descontrolam, não porque tem a ver com algum tipo de problema grave que não saibam lidar. Achamos normalíssimo sermos traídas, porque homem, afinal, quer uma mulher boa de cama e só.  De vez em quando até gostamos dos comentários desrespeitadores sobre a nossa roupa, nossos peitos ou nossa bunda. Não fomos treinadas para combater insultos e para não nos submetermos às agressões físicas sutis que se multiplicam nos transportes públicos, nos shows de rock, ou em qualquer lugar que tenha uma pequena multidão que justifique uma “apalpadinha”.

Não sabemos dizer não. Não aprendemos que mulher também pode (e deve) ter prazer e que isso depende das duas partes do time, e não só de uma. Não sabemos admitir que gostamos disso ou abominamos aquilo; sem saber o que nos faz feliz ( e sem saber o que gostamos ou o que queremos, desistimos de cobrar). Achamos feio quem gosta de sexo e fala abertamente sobre isso, achamos vulgar, baixo e há quem tenha vergonha até do próprio ginecologista. Questionamos de onde vem tanta violência e preconceito e, em casa, criamos nossos filhos como pequenos reis, desvalorizando o trabalho que fazemos e deixando que eles acreditem, desde muito cedo, que cuidar da casa é coisa de mulherzinha.

Julgamos demais. A mulher solteira, a divorciada, a gorda, a sapatão. Sem perceber que talvez elas estejam certas e que com bem menos hipocrisia tenham melhorado consideravelmente nossas vidas por fazer barulho, por nadar contra a maré, por tentar se libertar dessa raiz patriarcal tão forte, mas tão forte, que chega a distorcer o que é o feminismo.

A feminista moderna pode se apaixonar, pode depilar as pernas, gostar de rosa e olha só: pode até querer agradar o marido. Aliás, quem disse que pra ser alguém consciente sobre seu corpo, seus direitos e tudo o mais que lhe valoriza e lhe representa precisamos deixar de ser MULHERES, femininas, diferentes?

Está mesmo tudo errado no mundo. E talvez a culpa seja só nossa. E do modo como acreditamos que tudo, em absoluto, é imutável.

Continue Reading

ansiedade.

Nasci de um mês. Tenho essa louca mania de querer as coisas para ontem e sofro mais com isso do que com a minha conta bancária, vocês não tem uma idéia. Se alguém nesse mundo vai ter pressão alta de tanta ansiedade, essa pessoa sou eu. Sofro no começo, no meio e no fim, assim que acaba, de saudades.  E sei que muita gente é assim, que é um mal da sociedade moderna e tem a ver com o tal do hedonismo, mas olha, pessoal, num é fácil.

Esperar é uma virtude que faz as pessoas serem melhores, que reflitam e entendam sobre cada uma das etapas do processo. Tudo na vida vem em partes e quando você não as compreende acaba deixando pra trás algum aprendizado que será útil lá pra frente. Eu sou tão afobada que o primeiro parcelamento de compra que fiz na vida foi na semana passada e só porque não conseguia comprar um celular à vista. Tenho urgência pra que funcione, pra que se resolva, pra que cresça, pra que vá e para que volte. Não sei aguardar e apreciar o tempo livre, me irrito na fila, me irrito no trânsito, me irrito por achar que toda a hora livre precisa ser ocupada com alguma coisa útil e é dessa forma também que sempre, desde criancinha, acabo morrendo de tanta ocupação.

É preciso dar um tempo para o tempo. Saber que não são os desejos que fazem as coisas irem para o caminho certo e, principalmente, que aquilo que objetivamos não pode se tornar uma obsessão. Não dá pra desistir antes mesmo de darem a largada, por preguiça de correr, por impaciência. Eu sou dessas.

Mas estou tentando, desesperadamente, me corrigir.

Continue Reading