o valor nosso de cada dia.

Em mais um almoço inspirador com os meus queridos da agência, falávamos sobre valores. Os valores do mundo atual. Sobre aqueles detalhes que as pessoas se prendem quando vão conhecer alguém com fins românticos e tal e em como, sutilmente, demonstramos nosso caráter ao falar dessas tais pessoas para os outros. Mais que “ele tinha uma barba linda” ou “o sorriso dele era cativante”, ouvimos informações que passam despercebidas aos ouvidos mais destreinados, mas que indicam, de pronto, o que alguém espera de um relacionamento.

– Ai, amiga, ele é advogado. Trabalha com aqueles processos enormes, sabe? Comprou recentemente um Fox.

– Mas e ele é bom de papo? Como fluiu a coisa toda? Ele te levou onde?

– Fomos num barzinho lindo em Moema. Super cavalheiro, ele fez questão de pagar a conta.

– Ih, será que agora vai? Você acha que vale a pena investir nesse bofe? Acha que a coisa fica séria?

– Ai num sei, amiga, fiquei insegura. Ele me falou que não está muito contente nesse emprego, sabe como é, gente instável não dá.

Perceberam que todas as afirmações em relação ao ocorrido na noite passada, tiveram, discretamente, a ver com dinheiro? Que às vezes identificamos as pessoas por aquilo que elas tem e não por aquilo que elas são? O advogado que acabou de comprar o Fox e pagou a conta pode adorar viajar. Deve ter um real prazer em ler. Certamente detesta usar terno e gravata todos os dias. O advogado pode ser um piadista, um cara super bem humorado. Talvez tenha muitos amigos, talvez seja mais reservado. Quem sabe? A minha amiga nunca saberá se ele escuta rock ou samba, se prefere vinho ou cerveja. Nunca saberá também se ele tem irmãos, se os pais são separados ou o que esse sujeito gosta de assistir na TV aberta. Nunca saberá, sequer, se ele assiste TV aberta. Ela não sabe, também, se vai dar uma segunda chance para o tal advogado. Não sabe se vai valer a pena. É complicado mesmo gostar de alguém instável, mas emocionalmente falando. Porque financeiramente, meus caros, exceto se você nasceu filho de pai rico, tudo pode acontecer. Basta trabalhar, ter plano, ter cheiro, abraço e sonho que  o resto se ajeita, pode acreditar.

As pessoas não são substantivos. Não são FOX, advogado, conta pra pagar. E damos a elas essas adjetivações que não tem sentido nenhum na língua portuguesa, mas que no mundo real, no tete-à-tete, na hora do vamos ver, parecem contar.

Não que mulher só pense em dinheiro, não é isso. Aliás, tem muita mulher por aí que se apaixona, de verdade, por aquilo que o sujeito de fato é, coisa boa ou ruim. Mas num primeiro momento, homens e mulheres se atraem pela casca, por àquilo que o outro parece ser, ter, por aquilo que ele expõe. Se somos mais que Iphone e carro do ano, mais que roupas de marca e tatuagens descoladas, se somos mais que restaurantes caros e programas luxuosos, porque, então, buscamos encontrar alguém que socialmente nos eleve?

Onde é que foi parar a nossa essência?

Pois é.

Também comecei a me perguntar.

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my pussy é o poder.

A foto é daqui óh: http://www.dooda.com.br/curiosidades/entenda-a-marcha-das-vadias/

Vivemos em um mundo super moderno e descolado. Um mundo em que podemos usar vestidos curtos e justos pelas ruas e nos sentir ma-ra-vi-lho-sas. E nuas. E inseguras. E julgadas. E nesse mundo moderno, em que temos a liberdade de vestir e parecer aquilo que quisermos, raramente somos o que demonstramos. Temos encanações com o nosso corpo, problemas durante nossas relações sexuais e, mais que isso, uma vergonha enorme de conversar com quem quer que seja sobre esses problemas, seja por religião, seja por tradicionalismo, seja porque foi nos ensinado que sentir prazer, de qualquer tipo aliás, é coisa de vagabunda.

Nos foi dito, em algum momento da nossa existência, que mulher de verdade casa virgem e usa saia abaixo do joelho. Aí veio a moda, veio a mídia, as piadas sexistas, vieram os funks agressivos e cheios de trocadilhos e nos vimos obrigadas a demonstrar que também tínhamos poder, que, aliás, tínhamos o maior poder do mundo: o de gerar filhos. O de proporcionar prazer aos homens por meio dos nossos corpos, mesmo que não sintamos nada com isso, mesmo que depois de dez anos casadas, com filhos, não tenhamos uma gota sequer de satisfação em estarmos lá, nuas, e completamente sem consciência do que nos faz feliz. E se você é uma mulher que tem a sorte de ser super bem resolvida nesse setor, levante as mãos para o céu. Porque essa não é a realidade de 90% dos casais que escrevem para o Consultório e é esse tipo de reação à peitos, bundas e órgãos sexuais que deixa as pessoas problemáticas. Que deixa as pessoas doentes.

Dizem que é culpa do cristianismo, mas não é. Dizem que a culpa é do sistema, mas também não é. Dizem que tem a ver com criação e família, mas eu acho que tem a ver com toda uma sociedade. Com as coisas que já estão embutidas na nossa existência, no nosso modo de vida, na nossa cultura. Com brincar de Barbie ou de carrinho, com ter poder ou submeter-se inteiramente a ele.

Este texto não é sobre feminismo, sobre machismo e de nada tem a ver com a marcha das vadias (ilustrada acima) que tanto mexe com a cabeça dos mais conservadores. Tem a ver com igualdade entre os seres humanos, e não aquela física ou monetária, mas psicológica. Tem a ver com o fato de que um homem conhece a masturbação desde os 9 anos de  idade e de que a mulher, sequer, sabe direito o que é isso. Ri pelos cantos da boca com as piadas machistas enquanto está na escola, cresce, não se conhece e acaba traumatizada quando, lá pelos 18, se vê pressionada a saber sobre o assunto. Obrigada a gostar da coisa. A agir naturalmente quando é cantada na rua por todos os demais seres do sexo oposto. E a estar completamente preparada (psicologicamente e fisicamente) para uma relação intima a dois.

“O que meus pais vão pensar de mim se eu tomar pílula?”  X  “Qual cara vai me querer se eu não tiver nenhuma experiência?”

Desses dois questionamentos surgem as jovens grávidas. Ou as traumatizadas. Ou àquelas que não vão conversar com seus filhos sobre isso, que vão fingir ser felizes, que vão fingir ter prazer ou que, num surto de libertinagem, acabam por colocar os pés pelas mãos e a sair por aí, sem discernimento, sem segurança e sem pudores em busca de um prazer instantâneo e fugaz.

E triste.

Essa discussão é longa, polêmica, bastante controversa e está longe de ter fim. Não sou à favor da Marcha das Vadias, mas não porque não acredite no seu real sentido ou na sua origem  histórica; o brasileiro, simplesmente, não está preparado para entender isso. Para grande parte da sociedade, mostrar os seios com frases de efeito soa a rebeldia e a desrespeito. E não significa mais do que pouca vergonha. Ao invés de estimular uma discussão saudável sobre o tema, as vadias e vadios que apoiam a causa acabam por ridicularizá-la. E a reforçar a tal “fragilidade” feminina. Da mesma forma que sou contra à Parada Gay e à Marcha pra Jesus, por exemplo. É sério. Não é pela causa, é pelo buzz inverso que isso promove.

Com ou sem marcha, a questão é que não podemos ignorar o tema. Precisamos abrir nossa mente e falar sobre isso, como deve ser dito, sem tabus ou proibições. Com todo mundo vestido, argumentando, conscientizando, com as políticas públicas envolvidas. Já é um belo começo. De uma sociedade menos violenta, de pessoas mais felizes.

E de menos mulheres que se submetem àquilo que as fere fisicamente e emocionalmente.

Infelizmente, essas ainda marcham em silêncio.

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brasileiridade.

Pense comigo, caro leitor, quantos CDs de música nacional você comprou atualmente?

Quem são os artistas tupiniquins que te fazem pagar um valor desonesto para ir a um show? E quantos desses estiveram no Loolapalooza, ou nas últimas edições do Rock in Rio, dos quais  você teve crises histéricas desejando assistir?

Pense também nos livros que anda lendo. Quantos autores brasileiros contemporâneos você conhece? Além de ler “Crônicas de Gelo e Fogo”, “50 Tons de Cinza”, “Os Diários de Carrie” ou “100 anos de Solidão”, quantas vezes você esbarrou, assim, numa Adriana Falcão? Num Luis Fernando Veríssimo?

Pense em tudo aquilo que você consome que foi feito para a TV. Quem escreve as séries que você ama? Não sabemos o nome nem dos roteiristas dos filmes internacionais mais renomados, que dirá dos nacionais. Não nos interessamos em saber de onde vem a criação das coisas, se tem origem sueca, indiana, ou se vem ali óh, da Zona Sul de São Paulo.

Quantos artistas gráficos, arquitetos, escultores, circenses, quantos profissionais de entretenimento você admira? Quais desses tem real identidade com o seu país? Aposto que quase nenhum.

Você aí, que acha o capitalismo uma merda, que acha os políticos ladrões e o transporte público uma vergonha, sabe o real valor que isso têm? Sabe que as militâncias não adiantam em nada se não falarem a linguagem das pessoas? Se representarem apenas uma classe e não uma nação?

Insistimos o tempo todo pela valorização da cultura, por salários melhores para os criativos. Reclamamos que o nosso povo não lê, não se interessa por cultura e que só consome funk e sertanejo sem qualidade, mas não é verdade. Consumimos cultura o tempo todo, popular, erudita, só não fazemos a menor ideia de onde ela vem, ou do porque só coisas bem ruins vingam. Ou da importância que essas coisas têm. E mais que isso: não vemos a propagação das ideias nacionais com 1/8 da ênfase que sabemos sobre jogos de computador, por exemplo. Sobre os lançamentos dos filmes da saga Senhor dos Anéis. Não há buzz nenhum no lançamento de “Tainá”, mas a gente quase tem convulsões para estar na primeira fila de “O Homem de Ferro”.

Pensei nisso, porque ontem, lendo uma matéria sobre blogs, percebi que tenho os dois talentos mais desvalorizados que alguém pode ter: o de desenhar e o de escrever. Todo mundo gosta quando lê algo bacana, ou acha agradável uma arte bem feita, mas ninguém da valor. Ninguém acha que por trás de um artista de rua, de palco, de boteco, de agência, há um real trabalho intelectual sendo feito, um referencial difícil de se construir, resgatar, elaborar e estruturar.

Um humorista não é só um cara engraçado ou irônico. Um escritor não é só um sujeito que sabe bem as regras de português.

Nos tornamos máquinas de produzir coisas complexas, o tempo inteiro com a cabeça a mil, e na pequena parte do nosso dia livre consumimos realidades completamente fora da nossa. Hollywood, Bollywood, que seja. Não é errado gostar de outras culturas, é errado não perceber quanta coisa rica existe por aqui e sempre se render  aos best sellers gringos, traduzidos, enlatados e a tudo mais que as grandes editoras nos colocam como sucesso. Depois você vem reclamar que “nosso povo” é inculto. É burro.

Nós somos o povo. E nós ouvimos mais Britney Spears na Joven Pan que Titãs.

Não sei quanto à vocês, mas enquanto Hogwarts existe claramente em várias partes de Londres, aqui, na terra do Carnaval, ela só pode ser construída na minha imaginação. E apesar de incrível, de trazer um enredo altamente envolvente, não tem nada a ver comigo. Se quisermos mesmo fazer aquilo que amamos, se quisermos mesmo ser valorizados por nossos pequenos dons, precisamos também valorizar as produções de quem está conosco nesse barco. De quem insiste em viver de arte no Brasil.

E incentivar nossos filhos a ler Ana Maria Machado, Pedro Bandeira, Maurício de Souza… E a apreciar o verão, os sabores, as estampas, as cores e tudo aquilo que só tem por aqui.

O Brasil é uma merda sim. Mas em grande parte, é porque a gente vive nele.

E acha que não tem a menor responsabilidade sobre isso.

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por uma bunda mole.

Entro em tantos blogs de beleza, moda e beauté, que encanei que estava com a bunda molenga. Não muito molenga, mas um pouquinho sabe? Com uma celulitezinha na parte de baixo? Que você vê quando apoia o peso em uma perna só? Então.

Eu, que nem bunda tenho direito, me vi velha, me vi flácida, um pecado, um problema, uma coisa assim, inimaginável. Parei de comer doce e tomar refrigerante. Fui ver o preço de uma academia perto de casa, super empenhada em perder algumas horas de sono pela manhã e quase caí pra trás: não sabia que pra ter uma bunda dura era preciso investir mais de 1/4 do meu super suado salário de jornalista.

Pensei em começar a andar todos os dias no parque, mas de manhã, com esse frio paulistano, sozinha, dava uma pãtcha preguiça. Como minha motivação para a atividade física não era assim, tão proporcional a de endurecer os glúteos, logo, desisti.

Falavam tanto sobre reeducação alimentar e mudança de hábitos, que deixei de lado os hamburgueres, a cervejinha do final de semana e os amendoins. Como meu colesterol já é mesmo um côco, os primeiros 15 dias não foram tão sofridos. Só jantava salada. Parei de tomar o leite integral tipo A, que eu tanto amava, e substitui todos os pães por aqueles de grãos, integrais. O Toddy, o requeijão, o suco de uva, a farinha de trigo, o creme de leite, o salame e até o sabão em pó que eu comprava, passaram a ser light. Com ômega 3. E se estivesse escrito na embalagem que era 0% de gordura trans, então, já investia logo em 3 pacotes. Do absorvente à pasta dental.

Nunca precisei emagrecer, muito pelo contrário. Acho que precisava era engordar. Mas estava tão frustrada por não fazer nada em relação a mim mesma que entrei em fóruns e páginas sobre o tema, cismei que precisava começar, nem que fosse em casa, pelo menos uma ginástica localizada. Fazia agachamentos na frente do espelho e assistia, minuto a minuto, o “engeleamento das pernas” acontecer. Trashíssimo.

Passei para a fase de apelar para a estética. Comprei um creme de celulite que esquentava, outro que esfriava, outro que drenava, outro que endurecia e um outro pra estrias (vai que elas surgissem de um dia para o outro?) Foi fácil comer menos nesse mês, aliás, já que gastei tanto com cremes que fui obrigada a viver de atum enlatado fo-re-ver. E não morri. Assim como se tivesse comido pão com ovo todos os dias. Era por um bem maior.

Sabe, toda a minha motivação para ter a bunda dos sonhos fazia parte da porra do sistema, na verdade. Não vinha de mim. Eu nunca me alimentei mal, nunca tive uma vida sedentaríssima, nunca fui de tomar 30 litros de refrigerante, e olha, sinceramente, não ligo pra doce.  Somos tão intensamente bombardeados com a ideia de que emagrecer é importante, de que ter um corpo bacana é importante, que não dá pra fugir. Do dia pra noite, todo mundo no mundo resolveu ter uma vida saudável. Resolveu andar de bike, parar de fumar, comprar aquela calça listrada horrorosa e fingir que alface pode ser muito, muito gostosa – basta apenas mudarmos de hábitos. Isso não é de todo ruim, ou de todo falso. Alface pode mesmo ser uma delícia, com bacon e molho. Com pedaços de filet mignon. Ou como parte de um PF daqueles, com um bife à parmegianna caprichado no queijo e no molho ao sugo. E sim, alguns hábitos podem ser responsáveis por uma morte prematura e devemos, de fato, cuidar mais do nosso corpo.

A questão é que não é todo mundo que precisa emagrecer; as pessoas precisam é ser mais felizes.

E parar de fingir que a saúde é o principal motivo que move os seres humanos a perder peso, porque não é. O que nos motiva a mudar, sempre e em qualquer ocasião, é a vontade de sermos admirados, queridos, inseridos. A vontade de caber numa saia 36 quando quase 80% da população brasileira (que é linda, por sinal!) veste 42.

Reveja o que você faz. Reflita se as atitudes que guiam sobre sua vida vem mesmo de você, se fazem sentido no seu contexto, se serão elas as responsáveis em te fazer atingir aquela satisfação pessoal que você ainda não encontrou.

E como bacon. Pelo menos no Natal.

É ótimo.

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gordinhas e gostosas.

Dia desses, via Whatsapp, um amigo postou uma foto de uma moça de biquine que eu achei bem gostosa, de verdade. Não porque ela tivesse corpo de celebridade de novela, ou porque eu tenho uma inclinação a gostar de pessoas do mesmo sexo, nada disso. Porque costumo ser o mais honesta possível com os julgamentos em relação ao físico, mesmo que isso seja um pouco…Eerr… Incômodo às vezes. A mulherada, reativa, disparou sem filtros uma série de comentários negativos: “Que gorda! Toda mole! Como ela tem coragem de tirar essa foto de biquine? Ela não faz meu tipo físico, prefiro as malhadas…”

Foi então que percebi que nossa percepção sobre o que é bonito, feio, gordo ou magro é relativa. Principalmente a QUEM nós estamos analisando. Se aquela sua amiga linda, meio gordinha, que vive lutando contra a balança, quiser comprar um biquine lindíssimo para usar na praia e perguntar sua opinião, você não vai ser tão critica. Certamente dirá que ela está linda, mesmo com o sobrepeso, porque afinal, está mesmo. Que a estampa é divina e, no máximo, comentar que modelo x, ou y “valoriza mais as curvas”. Você não vai dizer que ela está toda mole, que usar biquine com esse corpo a  fará parecer ridícula e que, se fosse ela, sairia de casa de burca, até porque, você também não está tão em forma assim.

E ainda que esteja, se quiser ser realmente sincera, você o fará com jeitinho. Porque o nosso corpo é algo que nos incomoda tanto que somos capazes de fazer (e fazemos!) loucuras para ficar em paz com espelho.

Sabrina Satto e Ana Hickman, na minha opinião, são mulheres lindíssimas. Embora Sabrina, ao lado de Ana, seja mais “GORDA”, é um absurdo dizer que uma mulher como aquela está fora de forma. Assim como é um absurdo a mulher brasileira querer ter corpo de dançarina de ballet clássica, com 0% de gordura e altura de alemã. Temos coxas, peitos fartos, costas largas e um quadril de dar inveja a qualquer japonesa, indiana ou européia, é um trunfo nosso e só nosso. Foi na terra canarinha que surgiram as calças jeans que valorizam o bumbum, é aqui que gostamos de mulher farta, e que, se tiver uma perna do tamanho do mundo, certamente também terá uma barriguinha proeminente. Alias, sejamos sinceros? É muito mais bonita que aqueles quadradinhos de grelha de churrascaria.

A inimiga é sempre torta. Aquela sua tia chata, uma cafona. A super gostosa, uma piriguete. E por aí vai.

Os esteriótipos tornam nosso mundo confortável, vivível. Porque, afinal de contas, se todo mundo tivesse corpo de passista de escola de samba, nosso padrões estéticos seriam outro, não é?

Aliás, que bom seria começar a valorizar as gordinhas felizes. Nós também nos sentiríamos mais leves…

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maluco beleza.

Para ler ouvindo: Maluco Beleza – Raul Seixas

Ser adulto, entre vitórias e coisas verdadeiramente boas, é também meio frustrante. Ao invés de conquistar o mundo e atingir todos aqueles objetivos que você tanto sonhou, da riqueza ao reconhecimento, somos obrigados a encarar a parte desconhecida da coisa toda: a falta de tempo. E de pessoas realmente confiáveis para contar.

Ser adulto é ver gente querida partir, o tempo todo – dessa para uma melhor, dessa para uma pior. É perceber que nem todos aqueles que você chama de amigo, de fato, o são. É saber que algumas boas e longas memórias, que tanto significaram para você, foram apenas momentos passageiros para os outros. E só. Que você não irá à metade dos casamentos, chás de bebê e eventos que te foram prometidos na juventude, e que as circunstâncias, muitas vezes, não te farão, SEQUER, se importar com isso. Saberá também reconhecer aqueles que realmente importam, que, via de regra, estarão ao seu lado se você mudar de país, de religião, de trabalho ou de sexo. Nada disso vai mudar aquilo que você representa,  muito pelo contrário. Os amigos de verdade querem estar presentes mesmo sabendo que você está fazendo uma cagada faraônica, algo incompreensível para todo o resto da sociedade. Amigo mesmo quer ter a oportunidade de estar ao seu lado quando você perceber que tudo o que parecia bom, não era tanto assim. Amigo mesmo, vai registrar seus erros pra rir da sua cara depois, quando tudo passar. Quando as coisas sérias se tornarem banais.

Ser adulto é ter uma real responsabilidade sobre a própria vida e uma total ausência de controle sobre o destino. É tapar o sol com a peneira, adiar o regime mais uma semana, deixar de comprar cabide pra comprar um anão de jardim. É ter dinheiro um dia só no mês e comer miojo durante o resto dos dias porque fez uma viagem e gastou demais, porque foi à uma festa e gastou demais, porque teve que pagar o aluguel, a água e, meu Deus, você precisa ganhar mais. Sempre mais.

Ser adulto é, principalmente, acreditar que tudo, tudo mesmo, pode mudar.

Ou ninguém chegaria vivo aos 35.

Faz todo o sentido do mundo querer ser criança pra sempre.

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balzaquianas.

Quando você, mulher, faz uns 30 e poucos anos de idade a pressão se inicia: onde está o namorado que não vem te buscar? Quando você vai ficar noiva? E depois de casar, quando vem os filhos? Porque você está assim gorda se está amamentando? Não dê açúcar pra esse menino, pare de trabalhar para cuidar da família. Não fale palavrão, faça faculdade. Tenha modos, por que você não arranja um trabalho de verdade? E coisa e tal.

A vida de cada mulher, assim como a de todos os seres humanos, não é redondinha. Nem todas sonham em sem ser mães, nem todas acreditam em casamento. Há quem não se importe com as convenções sociais e queira apenas juntar com o namorado, cheio de tatuagens, e comprar 3 gatos. Ninguém precisa ter cachorro porque é bacana, casar de papel passado porque é bonito ou ficar com postura de mulherzinha frágil em pleno o século XXI. Aliás, acho isso completamente fora de moda.

A felicidade da sua tia, prima ou da sua melhor amiga, não é a sua. Que saco seria se todo mundo pensasse igual, quisesse exatamente a mesma coisa e fosse obrigado a ser aquilo que não tem vontade só pra burguês ver. Essa coisa de ficar tentando agradar os outros sempre acaba nos desagradando. Mais triste ainda é quem acha que tem a real obrigação de seguir tradições. E se não der pra ter filhos? E se nunca tiver dinheiro pra aquela festança monumental? Você vai continuar presa aos resultados de uma vida que não se apresentou da forma como cabia nos seus sonhos? Vai continuar tendo pena de si e raiva do mundo?

Não existe um único caminho para a felicidade.

E eu espero que você encontre muito mais do que planeja mudando sempre de ideia.

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5 atitudes proibidas para casais adultos

Nós ficamos velhos. As horas do relógio continuam passando,  os meses, as estações e, de repente, já é ano novo de novo, trazendo consigo mais 365 dias de oportunidades de mudança e crescimento para uma vida melhor. Nem sempre, porém, amadurecemos com a mesma velocidade que passam os dias. Mantemos as antigas condutas, os velhos hábitos e, eventualmente, pecamos na nossa vida pessoal. Queremos ser adultos e experientes o suficiente para manter relacionamentos saudáveis, mas acabamos falhando nas banalidades e não atingindo a tal da maturidade emocional que só alcança de fato quem se dispõe a ela.

É óbvio que esse post não é absoluto. Nenhuma palavra é, aliás. Mas tomei a liberdade de condenar fortemente algumas condutas caso você tenha mais de 20 anos de idade e queira se parecer emocionalmente como tal. Desculpe-me, aliás, a sinceridade, mas algumas ações, quando mostradas ao mundo, não tornam as pessoas apenas intoleráveis: são ridículas. É como ser vó e gostar de Justin Bieber. É como escovar os dentes com Tandy e só dormir agarrada no ursinho.

Resolvi  fazer uma lista (breve) de algumas atitudes que tenho visto constantemente nos relacionamentos modernos e que, de longe, simbolizam a (i)maturidade do casal e me matam de vergonha. Segue:

1. Dar comida na boca

Se você é uma pessoa dotada de habilidades motoras saudáveis não é compreensível (nem visualmente agradável) alimentar o seu namorado como se ele fosse um bebê no cadeirão. Deselegante.

2. Falar com voz de criança e utilizar inocentemente apelidos idiotas em público

Essa história de chamar seu amor de “bizuzungo”, “nenenzão”, “fofinho”  e coisa e tal, em público, é indigesta. Causa um desconforto em quem está ao seu redor e faz com que sua idade mental seja diminuída em pelo menos 15 anos. Não importa o tamanho da sua paixão; agir como retardado é uma das piores atitudes de um casal perante a família, os amigos e, principalmente, em ambientes corporativos. Fofura tem limites.

3. Não interagir

Não há nada mais cansativo que um casal que não conversa com as pessoas que estão ao seu redor. Que está sempre rindo em paralelo, se abraçando, jurando amor verdadeiro olhando no olho do outro, enfim, agindo como completos autistas. Não quero saber se você é tímido e só-se-sen-te-com-ple-to-per-to-de-la. Vivemos em sociedade e se você está em um ambiente onde mais pessoas se dispuseram a estar em sua companhia, interaja. É o mínimo da educação.

4. Usar roupas provocantes em ambientes familiares

Se você é um cara da malhação e só sai de casa de regata ou se sua namorada tem um tubinho preto incrível de glitter para usar nos eventos especiais, separe as estações: para cada situação, um traje de acordo. Quando estamos próximos de pessoas mais velhas, mesmo que SUUUUPER DESCOLADAS e modernas, não custa nada ser contido no visual, ok? Perfume forte, roupa curta, justa, decotada, muito brilho, salto alto e coisa e tal, são ótimos, também adoro, mas não para o aniversário de 95 anos da vó do seu namorado, ou para o batizado da sobrinha dela, ok? Moderação vai bem.

5. Marcar território

Fuçar gavetas, armários, jogar todas as fotos e cartas da ex-dele ou dela fora. Dar 3 almofadas e um mural de fotos só suas pra ele nunca, nem se desejar, consiguir esquecer de vocês dois. Além de inúteis, essas atitudes são apenas um exemplo do que os casais fazem para marcar território, cada qual em uma casa. Os ambientes do outro tornam-se uma extensão da história a dois, despersonalizados, com bilhetinho, ursinho, e com tanta imagem alheia que parece que entramos por engano num altar de santo, só que nada sagrado. De dar náusea. E de refletir sobre o que é mesmo importante para provar nosso amor por alguém.

Aceito críticas, dúvidas e sugestões, com prazer. Mas se você pensar nos momentos desagradáveis que viveu com aquele seu amigo que age exatamente dessa maneira, também vai se envergonhar.

E, talvez, concordar um pouquinho.

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mãe repelente.

Quando um homem é pai solteiro vive rodeado de possíveis pretendentes. Não sei se isso faz parte da vontade de algumas mulheres de ser mãe, ou se é alguma coisa inerente a sermos mais tolerantes, a entendermos que alguns relacionamentos na vida não são eternos (e que podem gerar seus frutos), que filhos não são um estorvo na vida, e sim, benção e que, no final das contas, o relacionamento se dá à dois, ainda que tenha seus percalços emocionais vez ou outra. Qual namoro não tem, não é mesmo?

Tenho esbarrado em muitas mães solteiras e sozinhas que não estão assim tão contentes com essa opção. Mulher com filho é repelente certo de paquera, meus nobres leitores, em pleno o século XXI. Já aceitaram os homossexuais, já aceitaram a pílula, já entenderam que as mulheres têm direitos sobre o próprio corpo, mas essa briga, antiga, sofrida, das mães solteiras, ainda continua.

É compreensível, na  nossa sociedade, o fato do homem ser o provedor e, a mulher, aquela que cuida dos filhos. Na cabeça de uma mulher, inclusive,  o fato de um sujeito se interessar por ela, mas desprezar o fato dela ter filhos é aceitável, é a ordem natural das coisas, como se ela fosse culpada pelo modo como a vida se encaminhou. Não sei se vocês se recordam das aulas de biologia, mas ainda não é permitido termos filhos sem um auxílio masculino, seria ótimo, aliás. Afinal, não são as crianças  o símbolo do envolvimento de uma mulher com um outro alguém? A prova viva de que ela não é mais virgem, casta, santa, outro absurdo que ainda temos que escutar de muitos homens? Que nos tornamos imprestáveis por termos passado? Mas esse, afinal, é assunto para outro post.

O que eu quero dizer, é que as reclamações das mães solteiras são verdadeiras. Que o impedimento em namorar tão comentado  é antropológico. É do preconceito que vem da vó que se recusa cuidar dos netos para a filha “vadiar por aí”. É da possível sogra, que vai fazer de tudo para “separar o filho dessa desqualificada”. E é dos homens que não querem assumir um papel de “pais”, visto que tem dificuldades em se responsabilizar até por si mesmos, que dirá por filhos que não vieram de um relacionamento comum.

Por fim, como as pessoas não são padronizadas e, graças a Deus, o mundo caminha pra frente, conheço uma amiga que foi casada, separou, namorou, separou e  já está namorando de novo: feliz, com duas crianças lindas e super bem resolvida.

O mundo é cruel, a gente sabe. Os homens estão difíceis, a gente sabe. Mas se uma pessoa não tiver a decência de dispensar uma mulher por motivos mais valorosos que o fato dela ter filhos, nunca terá a maturidade para entrar em um relacionamento, se envolver e ficar sujeito a todas as suas implicações. Afinal, por trás de toda a mãe há uma mulher incrivelmente interessante, experiente e muito mais que isso: disposta e preparada para encarar o que vier.

E perde mesmo é quem nem tenta.

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sobre fé, religião e afrontamentos.

Fui criada em um lar evangélico e não me considero melhor que ninguém. É claro que isso guia várias posturas na minha vida e me faz questionar outras tantas, mas não sei se é a religião, a criação, o caráter ou a junção de um ou mais desses fatores que faz uma pessoa ser considerada “boa”.

Uma pessoa que acredita em Deus, não é perfeita. Assim como aquela que diz não acreditar em nada, não é ruim. Há praticantes de boas e más obras em todo o lugar, a religião não precisa ter conexão com fazer bem ao outro, mas as pessoas, via de regra, acabam confundindo fé com boas ações. Atitudes doutrinárias com conduta.

A igreja é feita por homens, é falha. Aliás, tudo aquilo que é instituído por pessoas tende a ter algum tipo de problema, de ordem ética, ou não. Como seres imperfeitos não há como gerarmos frutos perfeitos, você nem precisa ser muito estudioso de religiões para chegar a essa conclusão. Não casar virgem, não ter paciência com os idosos, ser egoísta ou invejoso não são atitudes características dos crentes, que não fazem aquilo que pregam, e sim, dos humanos. O que muda é como você encara essas coisas,se importa com elas ou se preocupa em alterá-las na sua vida.

Assim como fico aborrecida quando vejo crentes julgando não crentes, não gosto de quem levanta a bandeira contra a religião de alguém. As atitudes, apesar de terem relação com isso, não são simples de serem transformadas, estamos todos sujeitos a errar.

Pior que fazer algo que vá contra àquilo que você acredita, é julgar o outro por não ser o que você acha correto. Evangélicos, católicos, budistas ou espíritas: que tal pararmos de ser tão separatistas?

O gay não precisa ser ateu.

A prostituta pode ser católica.

O ladrão se arrepende, a freira se rebela.

Porque somos todos complicados demais para só a fé transformar alguma coisa. A razão também comanda.

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