mensagem indireta.

No auge dos meus 24 anos ainda esbarro com casos de amor que me parecem advindos de algum lugar muito distante do passado, lá pros 13, 14 anos, quando tínhamos vergonha de dizer até mesmo que já usávamos absorvente.

Quem já leu algumas crônicas aqui do blog sabe o quanto eu detesto os malditos joguinhos de conquista e o quanto eles fazem com que um relacionamento, qualquer que seja, já comece baseado em conceitos errados de uma pessoa em relação a outra. Você ri das piadas sem graça, escuta com paciência os papos de família, aprende a beber, aprende a sair, aprende a gostar de futebol, enfim, se transforma em uma pessoa que não é para conquistar o bofe em questão.

Ontem, você fumava maconha, hoje, acha careta. Ontem você era fã de funk neurótico, hoje, só ouve gospel. Que saco. Saibam que tudo isso, tudo o que você é, eventualmente, vai vir à tona com o passar do tempo, quando você conseguir conquistar a pessoa querida e já estiver de saco cheio de tanto simular interesse por coisas que detesta.

Não precisamos disso.

Por mais insuportáveis e desinteressantes que acreditamos ser, um namoro decente só funciona se formos sinceros. Se conversarmos livremente sobre qualquer assunto com a pessoa que gostamos sem precisar de intermediários, sem precisar que a amiga, a prima, ou qualquer terceiro faça a conexão entre uma parte e outra, jogando a real, se mostrando HUMANO. Não entendo esse medo de dar errado, de ser mal compreendido. Você só vai ser mal interpretado se a pessoa não sentir o mesmo que você, se não quiser ter casa, família e 3 filhos, sabe? Que bom, então, que você descobriu essas coisas antes mesmo de se envolver desejando tudo isso.

Chega de mensagens indiretas. Amar sem agir em relação a isso é ridículo.

Continue Reading

vergonha própria.

Só tem uma coisa pior que sentir vergonha alheia: ter vergonha de si mesmo e das coisas que viveu.

Se alguém disser que não tem vontade de sumir quando olha para algum ponto do passado, é mentira. Fomos mesmo ridículos, muitas vezes, ao longo dos anos. Sem contar as coisas desnecessárias que fizemos sem nenhum por que; as vezes que juramos amor eterno no calor do momento e depois estávamos arrependidos demais pra voltar a olhar na cara da pessoa; todas as vezes que excedemos o limite etílico e dissemos coisas que nãop deveríamos, os amigos verdadeiros que não duraram um verão; a roupa que tanto queríamos e nunca tivemos físico ou estilo suficiente pra usar e por aí vai. A vida é isso mesmo,  um enorme arrepender-se de diversos fatos: quem não se arrepende, não teve história, quem não teve história, não viveu.

Que sejaam as coisas pequenas,  bobas, não estou dizendo que aquilo que você tem vergonha sobre o seu próprio passado deva ser algo realmente tenebroso, às vezes os sentimentos só se apresentam dessa forma para você. Como as coisas eram daquele jeito, naquela época se hoje isso não faz o menor sentido? Pois é. E às vezes, no meu caminhar de volta do trabalho para casa, tenho vontade de sumir quando me vêm a mente algumas coisas das quais me envergonho demais de terem acontecido, mesmo que muitas delas, só digam respeito a mim. Mas agora, escrevendo esse texto, penso que se fosse de outro jeito não teria sido a minha vida.

E não importa, realmente, o que você pensa sobre ela.

Continue Reading

desabafo seguro.

 

“Deixa, deixa, deixa, eu dizer o que penso desta vida, preciso demais desabafar…”

Sempre fico pensando nas coisas que eu deveria dizer e não digo, nas coisas que deveria fazer e não fiz. Às vezes reúno tudo e lanço às favas, como se depois de tanto tempo armazenadas, essas coisas – todas –  fizessem uma pressão de explodir os miolos se não forem postas pra fora. Aí venho aqui, abro a página do blog e faço uma carta daquelas, destruidoras, que nem ao certo querem dizer aquilo que eu realmente gostaria de dizer; mas que refletem, exatamente, o modo com o qual me sinto.

Sempre preferi o modo de vida avassalador transgressor dos verdadeiros infelizes, às coisas erradas, às certas. Tudo certo me parece muito monótono, e é. Insuportavelmente sem emoção nenhuma, insuportavelmente seguro. Gosto de me sentir segura e andar na corda bamba, bem contraditória mesmo, não entendo o por quê. Se eu fosse uma cantora de rock dos anos 80 já teria morrido de overdose ou de acidente. Nunca de pneumonia.

Aliás, se viver uma vida salobra é ruim, que dirá morrer sem deixar marca nenhuma, morrer de quejadinha. Quero morrer bonito, poético, deixar histórias e pessoas que vão se lembrar delas pra sempre. E sentir as mesmas saudades de mim que eu mesma sinto às vezes.

Essa é a primeira vez desde que eu mudei do Cemitério das Idéias para o Hipervitaminose que eu escrevo no meio do meu expediente para desabafar. Tudo bem que o fato de eu trabalhar com mídias sociais facilita todo esse processo, mas a verdade é que essa semana não está sendo fácil, na realidade, está sendo é bastante confusa. Essa também é a primeira vez que escrevo um texto de forma tão pessoal, falado por mim, sobre mim e para mim. Porque, de certa forma, todas as coisas que eu escrevo são para os outros, mas também são aquelas coisas que eu preciso ouvir e nunca achei ninguém que me dissesse cada uma delas.

Minha gastrite reclama desde quinta-feira pelos mais variados motivos, ando extremamente sobrecarregada mentalmente, fisicamente e também sentimentalmente. Não é fácil lidar com a vida da forma que ela se apresenta, mas a gente precisa continuar nadando, ultrapassando os obstáculos e tomando cuidado pra não ser levado pelas ondas ou engolido pelos peixes grandes. Os meus adversários, nesse momento, são os tais peixes grandes, personificados nos mais diversos sentimentos que possam existir.

Estou, pela primeira vez na vida, cansada e feliz. Feliz com as minhas próprias realizações, feliz comigo. Não feliz integralmente porque eu acho que nesses termos ninguém é. Mas ando numa fase boa, meio conturbada, mas boa. Como há anos não vivia parecida. E, ao mesmo tempo, aborrecida. Aborrecida com uma área da vida que não é só minha e com a vida de outras pessoas que também não quero ver tristes, mas que eu não tenho controle.

Só me resta fazer aquilo que eu faço de pior: esperar.

Porque por mais que a gente queira cicatrizar todas as feridas, ajeitar a casa inteira em um dia, limpar a alma e seguir em frente tudo faz parte de um processo: do qual eu espero ter bons resultados no final.

Continue Reading

felicidade compartilhada.

Dizem que o coração é burro. Eu discordo. Quando alguma coisa está prestes a dar errado, é o coração o primeiro a dar os sinais. Você sente aquela angústia louca, que não consegue controlar. Às vezes ignora, finge que está tudo bem e, cheio de razão, vai lá e dá a volta por cima de qualquer que seja o sentimento maluco que ele esteja indicando. Comigo todos esses sentimentos são bem mais eminentes, quem conhece, sabe.

Eu tenho um sensor aranha. Prevejo se as pessoas são boas ou ruins, prevejo se vou ou não me envolver em uma determinada situação. Sei onde cada passo pode levar e ainda assim, por muitas vezes, eu vou. Eu pago pra ver até onde as histórias me encaminham, pra sentir aquele arrepio na espinha de quando a gente é criança e precisa, de algum jeito, saber que colocar a mão na panela quente dói; e não apenas saber na teoria.

No papel está tudo ótimo. Na vida real, também. O trabalho está encaminhado, o namoro, sem maiores problemas, na família não tem ninguém doente. Tudo está nos conformes, certinho, você não tem motivos pra reclamar. Aí surge um incomodo, de alguma dessas partes, uma inquietação. Você põe a culpa na curiosidade, você põe a culpa nos anos que deixou de aproveitar, você põe a culpa em qualquer coisa pra aliviar da razão aquilo que o seu coração já está indicando: a perfeição é chata. Bom na vida é ter problemas pra resolver. Ciúmes, neuroses e crises. AVENTURA. Pra gente perceber que é por amor que as coisas (todas) valem a pena, e só por ele. As suas certezas não são mais tão certas, você racionalmente mantém os planos, se mantém na linha, e sofre pelo desejo de transgredí-los, mas de uma certa forma, nenhuma mais daquelas coisas está  certa pra você.

A gente adia felicidade porque sabe o quanto ela pode ser perigosa para os demais envolvidos. Estar feliz,  nesses casos eminentes, em que a vida vai bem, obrigada, implica em machucar alguém, ou alguéms, ou mudar-se e fazer coisas das quais nunca nem cogitou em fazer. A felicidade, meus caros, é um dos sentimentos mais egoístas que existe. A boa notícia é que pode ser que um dia as tais mudanças na vida acabem acontecendo, de um jeito mais suave, em outra época, com outras justificativas que não serão completamente suas; e a má é que pode ser que elas não aconteçam nunca. E você continue insistindo em acreditar que ser feliz é fazer O OUTRO a pessoa mais feliz do mundo, esquecendo de si.

E deixando de lado o fato de que só se consegue ser feliz em conjunto quando se faz feliz em primeiro lugar.

Continue Reading

24 horas de amor.

O dia dos namorados nem chegou e já tem gente por aí sofrendo de solidão desenfreada. É chororô pra cá, chororô pra lá, não consigo mensurar o número de e-mails melodramáticos dos solteiros no Consultório Sentimental dessa semana. Engraçado. Estou acostumada a receber dos solteiros reclamações de que eu idealizo um mundo perfeito de relacionamentos que nao existem, que relacionar-se é um problemão, que é muito melhor viver e fazer algo para si do que pelo outro e blá blá blá. Mas aí chega uma data comercial, apenas UMA DATA, que nos Estados Unidos nem é dia 12 de junho, é dia 14 de julho, acho, e todo mundo começa a pirar, como se fosse morrer amanhã. Como se fosse ser solteiro pra sempre, e, pior, como se ser solteiro fosse uma coisa realmente ruim, infeliz, maldita.

Pasmem.

Acho a solteirice uma delícia, sem exageros. É o momento da vida no qual você pode e deve preocupar-se unicamente em se fazer feliz, em conhecer um pouco sobre o que te deixa feliz. É a hora que você aprende a viver bem consigo mesmo, ser uma boa companhia, observar. É muito melhor observar relacionamentos fracassados que viver esses mesmos relacionamentos. Se você está aí, sem alguém pra chamar de seu, com certeza num é só por providência divina, não é? Nunca é.

Seja porque você tenha desistido do amor por estar magoado demais para tentar de novo, seja porque as pessoas ao redor parecem burras, cansativas, feias e desinteressantes, seja porque você fica de rolinho aqui ou ali, mas acha que nada nem ninguém vale a pena (ou ainda não achou ninguém que achasse isso sobre você)… Não importa. As coisas acontecem na hora que devem, do jeito que devem e porque devem. O dia dos namorados é só mais um dia. No qual muitos casais usam apenas como desculpas para ser felizes por, pelo menos,  24 horas.

*****

E falando em Dia dos Namorados…CLIQUE AQUI PARA PARTICIPAR DA NOSSA PROMOÇÃO ESPECIAL!

Solteiros, enrolados, casados, noivos, noivas… Todo mundo PODE MANDAR SUA HISTÓRIA! Tô esperando, hein?

Continue Reading

os dois amores.

Existem mil jeitos de amar alguém, isso todo mundo sabe. Mas podemos colocar os relacionamentos em duas categorias distintas e bastante conhecidas por quase todo o ser vivo apaixonado: o amor tranquilo e o amor caótico.

O caótico, como o nome mesmo diz, é avassalador. É cheio de ciúmes, crises e discussões. É incerto. Precisa ser constantemente mantido porque existe sempre uma insegurança no ar, uma possibilidade de término e traição eminentes. E o amor caótico é delicioso porque é intenso. Tudo é vivido à flor da pele, e absolutamente todos os esforços valem a pena. Andar de bicicleta na chuva, ir de camelo até Praia Grande, gastar 3 salários pra comprar um brinco. Vale qualquer coisa para garantir que a chama não se apague, para que o outro sempre saiba o quanto você é loucamente apaixonado –  no sentido literal da coisa. Esse tipo de amor é terrível, mas é maravilhoso. Quando está ruim, quase que na maior parte do tempo, chega a dar gastrite. Mas quando está bom, durante umas 5, 6 horas por semana, é como se fosse a primeira vez, de tirar o fôlego. Você esquece de todo o drama e fica. Fica, porque quer. Porque acha que nutrir um sentimento por alguém é sofrer mesmo, é sentir-se sem chão, é enlouquecer. São tantas as lágrimas derramadas que você até sabe que aquela situação é insana, mas insiste, bravamente, porque tudo vale a pena por um verdadeiro e intenso amor como esse, não é possível que exista algo melhor que isso.

Aí, um belo dia, alguém cansa. Você termina, sofre e analisa: porque diabos eu vivi por tanto tempo um relacionamento assim?
E começa a buscar o amor tranquilo, ideal, da novela das 6 da tarde e do comercial de margarina. Quer ter ao seu lado aquela pessoa que te conforta, que te entende, que é sua parceira de todas as horas. Não existe aquele sentimento louco de desejo, mas também não existe aquele medo insano de ser deixado a qualquer momento. No amor tranquilo ambos sabem a sua função, ambos sabem o quanto são amados, ambos sabem que podem confiar um no outro. O único problema é que você começa a achar esse tipo de situação um tédio.

Você, que sempre armou um barraco quando via a ex namorada do atual, você que sempre recebeu sacrifícios como prova do sentimento verdadeiro, você que estava acostumado a ter que se virar do avesso para manter um relacionamento se vê… Feliz. E não sabe direito o que fazer com isso.

Somos tão auto-destrutivos que arranjamos encrenca. O amor tranquilo começa a não nos bastar, é muito paradinho, quem disse que é de verdade? Quem disse que é pra sempre? E se eu me acomodar e ele for embora? E se ele se acomodar e não tiver o menor desejo de ser sempre mais do que eu espero?

Não dá.

Não sabemos ser felizes sem nenhum tipo problema, é preciso aprender. E a perceber que a paixão vai embora, que não é necessário discutir para mostrar que se importa. E o mais importante: não confundir o amor que é tranquilo e verdadeiro com aquele que é cômodo.

Nada melhor que provar que podemos amar sempre mais do que aparentamos.

Continue Reading

sobre as diferenças.

Quando mulher começa a contar as fofocas do final de semana, repara: sempre tem homem no meio. O bonitinho da balada, o vizinho da prima, nem o entregador de pizza escapa. Enquanto homem fala de cachaça e futebol a gente fala sobre eles, sempre sobre eles. Acho que somos meio obcecadas com relacionamentos, os nossos, os alheios e os que ainda estão por vir. E se nada aconteceu a gente fala das coisas que deveriam ter acontecido ou das que gostaríamos que acontecessem. Da ligação que foi esperada durante toda a semana, do bolo que tomou, o que vai acontecer quando fulano finalmente perceber o quanto cicrana é vagabunda e por aí vai. Fofoca, no mundo feminino, alimenta a alma. Faz parte do nosso equilíbrio emocional. Homem, nem sabe o que é isso. Já viu homem ter desequilíbrio de mulherzinha? Eu vi algumas POUQUÍSSIMAS vezes e foi ridículo.

Se o mundo fosse cerveja, futebol e “umas gostosa”, tava bom demais pra macharada. A gente nunca viveria com cerveja, futebol e “uns gostoso”, tinha que ter pelo menos uma maquiagem aí no meio pra começar a ficar viável. Adoro ressaltar as diferenças entre o masculino e o femino, porque acho incrível essa nossa capacidade de ser tão diferente e tão absurdamente pertencente à uma classe específica, XX e XY, generalizando mesmo. Quando mulher fala que homem é tudo a mesma coisa, é bem verdade. Mas mulher também é. Tudo igual, criminosa, manipuladora, artista, a gente é podre. E quando quer, faz muito pior que eles.

Esse texto num tinha nada de específico a dizer, nem a constatar. Tô tentando ler e responder os e-mails do Consultório, mas num tá fácil, a vidinha de vocês é complicada, hein? Pelamor de Alá. E como a minha também não anda diferente, não tô conseguindo organizar respostas curtas, breves e interessantes pra postar aqui, me perdoem?

E enquanto isso divirtam-se com as minhas bizarras reflexões.

*****

Quer participar do Consultório? Envie seu e-mail para hipervitaminose.blog@gmail.com
e saiba minha opinião sobre seu causo… Num dói, não! Eu garanto! =]

Continue Reading

amores mal resolvidos.

É certo que essa coisa de amor da vida da gente não existe. Sou daquelas que acredita que sempre o amor que estamos vivendo no presente deve ser o maior do mundo, o melhor. Até porque não existe coerência em viver uma situação que você sabe que pode ser superada, na qual você tem a total consciência que é capaz de amar mais. Pena que as coisas, nem sempre, funcionam assim.

Os encantamentos se dão por comparação. As mulheres, principalmente, tiveram aquele romance inesquecível em algum momento da vida, e se, ainda não tiveram, irão ter. Esse amor pode ter sido platônico, idealizado. O romance nunca chegou as vias de fato, mas a pessoa continua lá, viajando na idéia do quanto seria bom ter “fulano de tal” por perto, como parceiro, como essa pessoa seria ideal em sua vida. Se o amor se concretizou e foi traumático, então, pior. O mal resolvido dá possibilidades para “e ses” infinitos, sempre poderia ter um final diferente, emocionante, épico, sempre existirá o “poderia dar certo”. Sempre. Vindo de São Paulo para Santos nesse domingo, conversei muito com uma amiga sobre isso e cheguei a conclusão que não dá pra ficar sofrendo por aquilo que não tem a possibilidade de existir. Ou melhor, pode ser muito melhor do que o que imaginamos e com alguém diferente da que pensamos.

Somos fruto de uma série de expectativas e as pessoas não são iguais. Não dá para buscar eternamente uma pessoa em outra, aquele encantamento, ou frio na barriga não serão, jamais, os mesmos. Cada amor é diferente, mas não significa que não seja amor. Mudamos o tempo todo e assim também mudam nossas noções de vida, namoro, casamento, felicidade, tristeza… Enquanto olharmos para o passado (ou para um futuro que nunca existirá) com ares de sonho e perfeição vai ser difícil encontrarmos alguém que, de fato, desejemos estar perto. Ou nos esforçaremos para tal e nunca seremos felizes de fato. Não se pode cobrar de alguém algo que ela nem saiba como fazer. Algo que ela nem imagina o quanto te faz feliz.

E como fazer para o primeiro amor, platônico ou concretizado, ir embora? Simples. Permitindo-se viver novas situações e afastando-se, ao máximo, daquilo que relembra tudo que se viveu e gostaria de ter de volta ou aquilo que não se viveu, mas continuamos atados à possibilidade de acontecer.

É pra frente que se anda. Mesmo que doa demais caminhar sem olhar pra trás.

*****

Para ler também:

Esse BELO POST do Chicuta

e

o post bem humorado da Desaventurada!

 

Continue Reading

sabedoria de vô.

 

Depois dos 80, não se sorri mais em foto.

Não só meu avó, os velhinhos todos, de uma forma geral. Costumo falar dos relacionamentos jovens, das pessoas que precisam aprender coisas diariamente para viver melhor, das amantes, dos namorados, de gente que ainda tem toda uma história para construir. Quem já tem lá seus 80 e poucos num tem mais esse tipo de preocupação na vida, aliás, a única preocupação que se passa na cabeça de quem já muito viveu é a hora que vai morrer. Triste, mas real. Acho que os desejos, com o passar dos anos, vão perdendo o por que. Ou melhor, parece que não existem mais com tanta força dentro da gente.

Meu vô  já teve um bom emprego e um grande amor. Comprou apartamento, carro, deu uma boa faculdade para minha mãe. Teve netos, bisnetos, irritou-se muitas vezes com cada um deles, foi contra as regras e os agradou também, outras tantas vezes. Perdeu pessoas das quais se importava em progressão geométrica. Não uma ou duas vezes, como as pessoas ocasionalemente perdem, umas 30, de uma vez. Depois começaram os problemas de saúde, o andar já não era mais o mesmo, nem a respiração, a pressão, os cabelos… Sem falar das rugas. A cabeça, porém, sempre avança. Enquanto o corpo vai padecendo a compreensão do mundo vai aumentando, agora que ele precisa, não quer tanto a ajuda dos outros. Nem um carro importado, nem status social…Quer saúde e atenção, coisas difíceis de se ter. Fica saudosista, sente falta de quem partiu sabendo que não terá todas essas coisas de volta porque não existe volta pros que já foram. Repete, inúmeras vezes, como nós, jovens, somos imprudentes e ansiosos. Como devemos aguardar para que as coisas aconteçam, que pra quem não estuda as coisas não são fáceis como eram no tempo dele e que pra quem estuda, também nunca foram e agora estão piores. Que a vida não é uma sucessão de coisas boas o tempo todo, mas de boas pessoas, que a gente acumula e perde. E deve estar o tempo todo pronto para perder; para morrer, basta estar vivo.

Fico pensando em como tudo passa rápido demais. Será que conseguimos viver, de fato, tudo aquilo que queremos viver? Começo a crer que não há tempo para tudo isso. E que é melhor aproveitar, com força, tudo aquilo que se tem.

Continue Reading

o que eles querem.

Nós mulheres, queremos tudo. Reclamamos da falta de cavalheirismo, de educação,  da ausência de romantismo e da falta de noção para a moda, que atinge uns e outros por aí. Não é permitido que eles nos maltratem quando estamos na TPM e muito menos esquecer alguma data comemorativa (dá até divórcio).

Eles devem cuidar de nós, nos proteger. Sem sufocar, claro. Tem que ligar, mas não muito, tem que notar, mas não muito, tem que estar presente, do ladinho, mas sempre com a ilusão de que não muito. Nada muito. Se for em falta ou em excesso a gente reclama.

Mulher insatisfeita que ama não sabe guardar absolutamente nada pra si, é uma praga, sufoca. A gente tem medo de deixar o dito pelo não dito e de vocês desistirem de nós pelo simples fato de, POSSIVELMENTE, sermos mal interpretadas.

Sim, temos total consciência do nosso desequilibro.

O que não temos a menor consciência é que para um homem fazer alguma coisa por nós devemos, antes de mais nada, provocar nele o desejo de que tais coisas sejam feitas. Não adianta cobrar, tem que merecer.

E o que eles querem, afinal?

Serem reis. Precisamos estar disponíveis quando necessário e sumir quando necessário. Nada de cobranças ou de tentar ensinar a namorar. Gentilezas e elogios são sempre bem vindos e não devemos esperar NADA em troca. Nunca. Ou, ao menos, fingir que não estamos nem aí para sermos recompensadas; homem adora um descaso. Eles gostam de ser servidos, mas não mimados, pra mimar eles tem mãe. Nada de ficar dando ordens sobre o que comer, mandar levar casaco ou guarda-chuva porque o tempo vai virar, esse erro é fatal. AH! Estava esquecendo do principal: respostas evasivas não significam nada. Tudo que você diz é literalmente interpretado, portando, se você ficar de bico, ele perguntar se está tudo bem e você responder que sim, fim de papo. Só homem de filme corre atrás de mulher emburrada (apesar de nós valorizarmos muito os que correm, por nos sentirmos especiais…).

Se nós somos complicadas, eles são mais. No dia em que eu tiver a fórmula exata de como fazer com que seu homem nunca fique decepcionado esse blog perderá completamente o sentido. Mas vamos tentando, não é?

Você está sendo uma boa namorada, esposa, noiva? O importante é refletir. E parar de se aborrecer quando as demonstrações de amor não são à altura do que você espera. No mundo masculino se ele diz que ama… Ama. Nem sempre precisa ficar cheio de carinhos, presentes, gentilezas… Ahhhh… Seria TÃO bom se tudo na vida fosse como a gente espera…

Homens, esse post também é pra vocês: agradem suas mulheres. Enquanto pra vocês uma palavra de conforto é pura bobagem, pra nós, não é. E algumas coisas na vida, por muitas e muitas vezes, devem ser feitas de graça. Pelo tal do amor.

Continue Reading