Vamos falar sobre terapia.

2017 está sendo um ano de muitas mudanças na minha vida. De trabalho, pessoais, enfim, acho que essas mudanças acontecem pra todo mundo, eventualmente, mas de uns tempos para cá passei a perceber mais tudo isso.

Tanta coisa aconteceu junta que resolvi, inclusive, fazer terapia. Quando era adolescente, lá pelos meus 16 anos, já tinha passado por algumas seções por conta de ter problemas pra dormir e dificuldades reais em lidar com o fracasso. Sempre me cobrei demais em relação às coisas, mas acho que só me dei conta mesmo disso, de verdade verdadeira mesmo, esse ano.

Eu sempre estive ocupada demais para olhar pra dentro de mim. Acho, inclusive, que essa coisa de se ocupar demais o tempo todo tem muito a ver com não querer enxergar as coisas que te incomodam. Quando você vem de uma realidade privilegiada, como a minha, qualquer problema pode ser resolvido com algumas providencias familiares, sejam elas cursos, viagens, amigos e festas, e claro, terapia. A banalização da terapia pela classe média em que eu vivi toda a minha vida sempre me fez ter um pouco de preconceito por ela.

Talvez por isso, naquela época, eu não levasse minha saúde mental tão a sério. Naquela época, eu não via real efeito nos monólogos intermináveis da minha parte com a profissional em questão, era mais uma tarefa do meu dia, mais uma coisa padronizada que estava na minha to do list, sei lá, algo que me contaram que talvez me fizesse sentir melhor. A vida adulta, entretanto, me fez perceber que embora o profissional seja fundamental pra organizar algumas coisas dentro da gente, é importante que a gente mesmo perceba a necessidade disso.

Terapia não é coisa de gente maluca, é coisa de gente, simplesmente. Às vezes não nos damos conta que precisamos lidar com as questões emocionais para que todo o resto faça algum sentido, para encontrarmos um norte e um por que para nossas apreensões, medos ou até mesmo doenças físicas. Somos corpo, mas também somos alma, espírito, psyche ou como você quiser chamar. E tudo isso é muito mais complexo do que o passar, às vezes sem muita motivação, dos dias que sempre chegam. Eu não tenho nenhuma doença grave dos tempos modernos como depressão, por exemplo, mas passei a ver essas mazelas com outros olhos e a entender as pessoas que corajosamente declaravam ter e sofrer disso.

Sabe, todo mundo tem problemas. Mas não é bonito, não é glamouroso e também não é legal perder o controle sobre si mesmo, de qualquer forma que seja, seja para a ansiedade ou para a inércia. Os adolescentes, principalmente, têm se perdido um pouco nessa coisa de que ser diferentão, meio fechado e dark é cool. Até é se isso não te prejudica emocionalmente, sabe? Vamos ponderar essa conversa aí.

Você não precisa ver sombras ou ouvir vozes para passar a cuidar da sua cabeça – é ela que regula suas funções motoras, seus sonhos, sem sua mente seu corpo padece. Terapia, hoje, é quase obrigatória. É padrão social para sobreviver nas grandes cidades ou para encararmos a quantidade cada vez mais brutal de tarefas que precisamos dar conta, mesmo que elas só existam porque a gente as colocou lá.

Não tenha preconceito das coisas que nunca se permitiu tentar. Todas elas. Porque muitas vezes, nossa sorte ou azar mora nas atitudes que não tomamos em relação à vida. À nossa vida. Sei, que assim como a minha mente, a sua deve viver recheada de ideias, afazeres, pensamentos, mas não deixe que as pequenas micro coisas incômodas fiquem num cantinho escondido do seu cérebro, ignoradas, sendo marinadas para te consumirem um dia. Se ajude. E se precisar de um profissional para isso, tudo bem, tamo junto, faz parte.

Tá?

Então tá. =)

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essa tal de ansiedade.

Ela está sempre lá, em algum canto do nosso estômago. Nas unhas roídas, nas mensagens afobadas da madrugada. Ela acomete até mesmo os mais tranquilos; invade vidas, destrói relacionamentos, faz com que a gente coloque os pés pelas mãos em tentativas desenfreadas de contê-la. Tudo em vão. Ninguém sabe o que fazer, afinal, com essa tal de ansiedade – mesmo quando nos tornamos mestres em sufocá-la.

Hora mais cedo, hora mais tarde, ela vem e explode. É a espinha na ponta do nariz, é o morango com chocolate fora da dieta, é pau, é pedra, é o fim do caminho – ou o meio, quem sabe? Pode ser nosso cigarro, nosso álcool, nossa falta de sono ou excesso de trabalho.

Todo mundo teme por aquilo que desconhece, anseia pelo bom – ou ruim – que está para chegar. Não tem jeito. A coisa fica ainda pior quando – quase sempre –  se sofre pelo o que não sabe.

A ansiedade nunca vai embora. Ela pode ser contornada, ignorada, ela pode ser canalizada para o bem – quando nos torna mais produtivos,  ativos, mais atentos, mas ela sempre fica lá, porque, de certa forma, ela nos MOTIVA.

E faz com que pensemos com muito mais fé em todas as coisas.

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