dos conselhos alheios.


Nada me irrita mais do que gente que quer dar opinião sobre o relacionamento alheio. Nada.

Entendo que quando estamos tristes, precisamos desabafar, conversar com aqueles que confiamos e pedir um overview sobre nossas dores e desgraças pessoais, faz parte, mas até mesmo nesse hora (inclusive nessa hora), precisamos selecionar bem quem pode acrescentar – e ajudar de fato a chegarmos a uma conclusão – ou quem só quer ver onde é que a coisa vai chegar. Esse segundo tipinho, costuma destilar meia dúzia de abobrinhas, aumentando bem a altura da fogueira, as ansiedades do seu coração e óh,  em termos bem reais, acaba ca-gan-do o seu rolê.

Entendo, inclusive, que as pessoas não façam isso por mal. Elas amam você. Elas querem que você fique bem, fique feliz, saudável, que sua vida entre nos eixos. Só que tem coisas que a gente pode até achar sobre a vida do outro, mas não pode sair por aí julgando. Que me desculpem os santos e santas desse Brasil, mas aquele que nunca fez um CAGADONA com alguém que ama não merece nem se manifestar sobre a minha vida, honestly. E não, não vai ter o mínimo de sensibilidade para se colocar no meu lugar, no lugar do outro, pra analisar friamente seja lá que diabos o que alguém (ou você mesmo) fez.

Fica a dica.

Não é porque você foi louca e surtada por um motivo babaca que não seja uma pessoa legal. Não é porque cometeu um erro que nada mais pode dar certo. Eu e você podemos até já ter nos sentido assim alguns dias, algumas vezes, mas não é real. Por essas e outras que eu também nunca, JAMAIS, conto qualquer briga sinistra com o namorado ou amigas(os) pra minha família, ou pra quem já tem propensão a ser uma pessoa odiadora. Como eu fico depois que a poeira baixar? Quando eu racionalizar meus sentimentos e quiser manter meu relacionamento seja lá qual for? Como fazer quando, no íntimo, a gente sabe que quer ficar, que precisa dar outras 45 chances, que sejam, e já proferiu pelos quatro cantos desse planeta nosso ódio e rancor por quem talvez não merecesse tanto assim?

Num conflito eterno, né? Pois é, rapaz.

Quando escrevo aqui, falo sobre sim. Sobre o que eu já vivi, senti, sobre como eu penso que as coisas sejam. Não estou aqui para cagar regras, para dizer como você deve agir se foi traído, se foi enganado, se sofreu ou se foi quem fez as piores atrocidades com a pessoa que amava. Aliás, ninguém pode dizer nada, querido, depende de você. E do que você sente e já viveu. E da avaliação que você precisa fazer friamente sobre si, sobre o outro e sobre quem é quando está em um relacionamento.

Não existem culpados e inocentes. Não existe ação sem reação. Mas acho, de coração e peito aberto, que recomeços são bem vindos e que podem (muito mais que fins), serem providenciais ao longo da vida.

Pense sobre isso.

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as desamarrações do amor.

Confesso que tenho uma imensa curiosidade em saber como funciona esse lance de trazer o amor de volta em sete dias (ou em três horas). Deve mesmo existir por aí um sem número de pessoas que, na hora do desespero, apela até pros deuses celtas, pros búzios e pro tarô, mergulha o Santo Antônio no leite morno, toma xixi, faz banho de arruda e dá início à reza mais forte que conseguir encontrar.

Uma pena que em vão.

Pode me chamar de cética, de descrente. Pode me chamar de mulher de pequena fé, mas além da morte e da vida, o amor é uma das coisas que menos temos o poder de controlar. Se perdemos tempo, se pisamos na bola, se negligenciarmos as coisas – ou fizermos tudo como manda o figurino – ainda assim, estamos sujeitos ao acaso. Ao acaso das desamarrações do amor.

Maior que o medo de perder um grande amor, sinceramente, é o de tentar prendê-lo a qualquer custo. Alguns nós, às vezes, são tão apertados que machucam. Melhor deixar a coisa desatar, se assim tiver que ser, que insistir pra que ela permaneça ali, sem opções de ir embora.

Sei também que é fácil falar assim, quando se está na zona de conforto. Não perdi meu grande amor, muito pelo contrário, ele está bem aqui, dentro do peito, quentinho, do outro lado da cama, onde deve mesmo estar. Quem sou eu, então, pra julgar àqueles que já não quiseram profundamente que as coisas voltassem a ter o sabor do começo, não é mesmo? Pensando no âmbito psicológico da coisa, creio que o esforço para retomar aquilo que um dia tivemos é uma das partes cruciais do desapego.

Sim, somos mesmo contraditórios pra dedéu.

Dos superpoderes que gostaria de ter, não queria, afinal, esse de amarrar os sentimentos alheios. Talvez o de voltar no tempo, talvez o de ser invisível, talvez o de apagar algumas memórias ruins – não sei, esses me parecem bons. E você, amante desesperado, apelão de mandingas, deveria começar a pensar assim.

Só se insiste nessa coisa de querer a todo custo o que já há muito se perdeu quem não consegue se moldar e conviver com o que muda, com o que vai e pode ser ainda melhor.

E estar vivo, meus jovens leitores, é mudar todos os dias. Mesmo que no começo (e talvez no meio), doa.

Desamarrar é mesmo difícil, mas depois alivia.

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Aquela vez, na festinha…*

Cometi o erro, uma vez, de achar que tinha me apaixonado por um menino de balada. Acredito que o amor possa florescer até nos terrenos mais inférteis, não é isso. Mas aquele não era o contexto, o clima, não era a vez das coisas darem certo.

Lembro-me que vivia uma fase alucinadamente solteira depois de um longo e sucessivo período de idas e vindas de um relacionamento anterior. Estava mais simpática que o normal, mais ousada que o normal, mais empolgada que o normal e, provavelmente, mais alcoolizada que o normal. Acho que os momentos onde temos a maior capacidade de sedução são aqueles em que não estamos dando a mínima pra isso, que não estamos com foco em nada a não ser nós mesmas, na música e no “seja o que Deus quiser”.

A situação durou uns 3 meses de namorico estranho. Descobri que tínhamos muitos amigos em comum, descobri que talvez fôssemos primos, já que compartilhávamos o mesmo sobrenome, descobri também que o sujeito era meu vizinho, que nossos pais se conheciam, tudo lindo, parecia coisa do destino, só que não: tinha cara de pesadelo. Soube da vida dele inteira em uma semana, com aquela capacidade incrível que me é peculiar, falei um pouco de mim, prometi algumas coisas que não deveria e chegou num momento, o fatídico momento, em que cansei de tanta intensidade, intimidade e velocidade numa coisa que era pra ter durado uma noite. E só. E que eu  já tinha total ciência, mas que deu uma preguiça infinita de agir.

Preferi deixei rolar.

E ele era lindo. De verdade. Talvez um dos caras mais bonitos que eu tenha conhecido na vida, talvez um daqueles casos únicos em que damos sorte. E inteligente também, trabalhador. Não entendo ao certo como as coisas se dão quando falamos do coração, mas uma coisa é certa: facilidade demais é chata. Paixão veloz, efêmera.

E acima de tudo: amar exige mais que afinidade, disposição e um carinho aqui ou ali.

E nem sempre nos damos conta rapidamente disso.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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sobre os últimos tempos.

Estou há um tempo recorde sem escrever. O que é muito, muito estranho. O que é anormal, eu diria. Logo eu que falo pelos cotovelos, vocês bem sabem, que sempre tive tantas considerações acerca das coisas todas, que sempre me vi pensando demais sobre o que vai acontecer com a minha, com a sua, com a nossa vida – e com a vida de gente que eu sequer chegarei a conhecer – perdi, nas reflexões, as tais palavras. E me mantive quietinha.

Entrei num estado de contemplação sobre coisa nenhuma e tudo, simultaneamente. Onde cada dia se é vivido em doses homeopáticas, saboreados como brigadeiro caseiro em aniversário infantil. Nada me cabe tão bem nesse inverno como um período de descanso da vida que sempre correu tão depressa bem à minha frente. Que sempre esteve tão distante do que se tem e do que se espera.

Não sinto mais aquela necessidade de fazer tudo até a última gota, como se fosse evaporar. Mas também não me permito deixar mais as pequenas – e sutis coisas – passarem despercebidas. Muita coisa acontece, afinal, enquanto a gente olha pra frente e não pra dentro.

Dos amigos me restaram poucos.

Do dinheiro, como de costume, também pouco.

Mas dos sonhos, esses, implacáveis, me sobram ainda muitos.

Que resolvi absorver e tentar – pacientemente e racionalmente – concretizá-los sem atravessos.

E às vezes é preciso calar, ainda que inconscientemente. Porque nesse texto, por exemplo, nada foi dito.

E tudo, ao mesmo tempo.

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Blogagem Coletiva: Top coisas favoritas das Festas Juninas

OLÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ gente bonita de alma e coração! Tudo certinho?

Prometi e não cumpri que faria postagens incríveis e poéticas nas minhas férias (que por sinal já acabaram) e acabei dormindo, vivendo e deixando esse blog meio de lado, né? Eu sei, jovens, me perdoem, my bad. Mas acho que ninguém sentiu tanto a minha falta assim, vai. Afinal, não tinha nada de muito interessante pra contar nesse tempo livre e a vida vai bem, brigadão aí pela consideração! (y) Se você quiser conversar sobre algum drama existencial pessoal,  é só mandar um e-mail pro Consultório Sentimental que a gente se acerta, capicce? E quem sabe sua história não me inspira pra um post? Simbora!

De qualquer maneira, não é sobre nada disso que eu vim falar por aqui. Chegou o meu mês preferido, a época mais sensacional do ano onde tudo é bandeirinha, quentão e curau: meu ano novo, o mês de junho! Fora meu aniversário (e de geminianos incríveis que eu amo de paixão), junho é  o começo do inverno, mês que lembra minhas quase férias escolares de quando eu era uma jovem e inocente, #vaitercopa e, SIM MEUS AMIGOS, é tempo da melhor comemoração nacional de todas: a Festa Junina! Não há NADA que me agrade mais na cultura desse país que um pula fogueira iá iá. E eu falo muito sério.

Festa Junina sempre foi sinônimo de comida boa e muita diversão. Época de colocar vestidinho xadrez, ou bota de cowboy por cima da calça (porque um dia isso já foi super cafona),  relembrar a quadrilha do ano anterior, fazer pintinha na cara e abusar do rouge e da maria chiquinha sem dó nem piedade. Sempre gostei de ver gente, de fazer bagunça, sempre gostei de organizar festas e mais festas pra arrecadar dinheiro (porque todos os sonhos são possíveis quando somos novinhos, bem estilo Malhação), e ver todo mundo feliz, realizado e completamente satisfeito com bolo de cenoura com cobertura de chocolate feito pela avó.  E até hoje, mesmo que eu e as festas juninas não sejamos mais os mesmos e que o caldo verde tenha mais creme artificial de batata que linguiça, ainda cultivo essa memória boa, essa vontade de comer paçoca, pé de moleque, mini hot dog, milho verde e tudo o mais que um final de semana de frio, fogueira e música com sanfona permitir. Aliás, já sabem que onde tem música podreira tem uma Ericka contente, não é? Pois então, esse não seria o momento de fugir à regra.

Fora tudo de mais sensacional que pude narrar até aqui – e os espetinhos imperdíveis de morango com chocolate que dominam nossos corações – ano retrasado descobri mais um motivo, específico e interiorano, para amar festa junina: o bolinho caipira. Se você, cidadão paulistano criado em cativeiro, não faz a menor ideia do que eu estou falando e desconhece essa iguaria, pergunta  a receita pro Google, separa os ingredientes em casa, e se joga no bolinho de carne mais crocante da temporada.

Já aviso que o bafo de fritura queima a boca, tá? Mas vale cada mordidinha.

Muitos outros posts do Rotaroots virão por aqui. Esse mês é mesmo maravilhoso, for real. Inclusive nas ideias malucas para blogueiras que andam meio sem ideia como eu.

Um beijo, um cheiro e muita fogueira pra gente nesse junho que ainda tem muito a oferecer (se descolar uma festa sinistra junina me chama!)

Ericka.

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

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o voodoo nosso de cada dia.

Algumas coisas são bastante difíceis de encarar, eu sei. Sei também que quando estamos no olho do furacão enxergamos tudo pelo nosso ponto de vista – seja da dor, seja do amor, seja do ódio – e que distorcemos todas as coisas para tentar contornar emocionalmente seja qual problema for. Mas tem uma coisa, uma única coisinha nessa vida, que eu não consigo admitir: que as pessoas façam barraco. É a prova maior da ausência de auto-estima.

E não estou falando aqui daquele barraco que, vez ou outra, acomete a vida de uma mulher injustiçada, não estou falando de mi mi mi entre quatro paredes, crise de choro ou uma lavagenzinha de roupa suja. Estou falando do barraco estilo “Casos de Família”, onde é tudo puta e viado, onde se perde o nível, a noção e as estribeiras passam longe. Onde se faz ameaça de morte, voodoo, escândalo no shopping, indiretinha no Facebook com mentira atrás de mentira marcando os envolvidos, expondo a família, os amigos, os filhos, a comunidade cristã, budista, os monges do Tibete, o SAMU, chamando todo mundo praquela maravilhosa torta de climão que está a sua vida. Apenas parem com isso. É feio, sabe? É deprimente. E mais que isso: não conserta nada. Não traz seu amor de volta em 7 dias, não te faz sentir menos corna, nem deixa ninguém mais ou menos culpada por absolutamente nada, garanto. E digo mais: é cansativo, faz mal. E não afeta a felicidade de quem está verdadeiramente feliz. Chega de voodoozar a vida alheia, ordinária, vai dizer que não sabia que as coisas iam terminar mal? Sabia sim. E se não fez nada enquanto podia (ou fez de tudo o que podia pra contornar e num deu), pode parar de causar agora, faiz favô.

Dignidade já.

Chega de ficar alimentando sentimentos ruins e sendo incentivado a tomar providências por coisas já findadas e sem solução. Geralmente sofremos não por aquilo que podemos resolver, mas pelo o que sabemos que já não há mais como reverter. Fez uma cagada? Assuma a culpa e fique quieta. Foi desrespeitada? Leve como lição para não permitir que as coisas cheguem às vias de fato. E é isso. A vida ensina, a vida segue. E não, bixo, não se resolve tudo no grito, na peixiera, no babado e confusão. Você sabe.

Os seres humanos, infelizmente, cometem erros. Um dia da caça, outro do caçador. O mundo dá voltas, a vingança é um prato que se come cru, praga de urubu não pega em beija-flor, eu não sou tuas nêgas, e todas essas frases de efeito existem por um único motivo: aqui se faz, aqui se paga (olha aí, usei mais uma). Calma lá, queridinha. Se você quer tanto destruir o mundo de alguém porque o seu foi devastado está sendo exatamente igual a quem te fez mal. Ah, sim! E isso também vai ter volta, viu? A regra é clara, Arnaldo.

Nada melhor do que desapegar-se para viver. Afinal, todo mundo nessa vida vai carregar uma cruz.

Vamos parar de chutar a alheia?

Já estive dos dois lados e garanto: tudo se transforma. E geralmente, no melhor para todos s envolvidos. Pode crer.

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Blogagem Coletiva: Os 10 discos da minha vida

OLAAAARRRR, malemolente leitor! Como anda essa força?

Como já deu pra sentir pelo tom desse post chegamos em ABRIL! U-Hu! E o que isso significa??? BLOGAGEM COLETIVA! \o/ YEÁ YEÁÁÁÁÁ!!!

Permaneço mantendo forte o compromisso de escrever em parceria com toda aquela gente LYNDA do Rotaroots! Se você ainda não sabe do que eu estou falando e chegou agora nesse blog, vai lendo até o final, com força fé e foco que já, já você vai entender qualé que é, certo? #VEM

O tema desse mês é: 10 discos que marcaram a minha vida. Como todos sabem, sou filha dos anos 90. Gugu Liberato moldou me caráter, Netinho de Paula cantava pra eu dormir. A Dança da Garrafa era o ponto alto das festinhas de aniversário e sim, caros amigos, A GARRAFA ERA APENAS UMA GARRAFA. E só. Sem duplos sentidos, sem sacanagem, só eu, as crianças remelentas, as mamães mais empolgadas e as ordinárias requebravam no salão. Percebam, então, que minha vida foi regada a muito batuque e pouca música sacra e creio que isso fez de mim uma pessoa mais tolerante e menos cheia de mi mi mi, falando sério.

Afinal, por mais que digam por aí que a objetificação da mulher foi reforçada com os inúmeros axés e pagodes destinados à traição e à sacanagem em meados de 91, com 8 anos de idade sacanagem mesmo era pedir gole de Yakult e dividir paçoca Amor. Nada mais, nada menos que isso. Não fiquei traumatizada, tive a sorte de não ter absorvido nada disso como abusivo e imoral e, olha, tenho registros magníficos de festas com palhaços que se tornaram um verdadeiro Clube das Mulheres. Vou dar uma busca na minha casa santista e inserir aqui essas imagens maravilhosas pra vocês a posteriori, ok?

Da infância para a adolescência no litoral poucas coisas de qualidade da cultura pop internacional e da música popular brasileira de verdade reinaram firmes no Meu Primeiro Gradiente. Vivi uma época em que ansiedade era esperar pra ver Backstreet Boys e Spice Girls no Top 10 MTV – já nem lembro mais se era esse o nome do programa – e que apesar de tanta tranqueira audiovisual absorvida, foi da Marisa Monte o primeiro CD que eu adquiri e passei a idolatrar daquela época até hoje, uma maravilha hypster descoberta logo cedo.

No meu tempo se gravava fita K7 do rádio, com a seleção musical que mais convinha. Joven Pan era parceira fiel, reinava no meu coração, e apesar de eu tentar esconder minha cultura musical classe E com Charlie Brown Jr, Raimundos, CPM 22 e outras cositas nessa pegada foi o Exaltasamba (e ainda é) a bandinha que faz meu corpo balançar. E Raça Negra, SPC, Pixote, Belo e tudo o mais que envolver o mínimo de dêre dêre e laiá laiê que possa compreender nossa vã filosofia.

No mais, chega de conversinha fiada e histórias emocionantes. Segue minha lista dos álbuns que marcaram a minha vida – e tenho certeza que a sua também –  incluindo, obviamente os ídolos teen Sandy e Junior <3 que continuam vencendo as 4 Estações da minha vida adulta. Segue:

1 – Mais – Marisa Monte
2 – Na Cabeça e na Cintura – É o Tchan
3 – Acústico MTV Lulu Santos – Lulu Santos
4 – As Quatro Estações – Sandy e Junior
5 – Só no Forevis – Raimundos
6 – Bocas Ordinárias – Charlie Brown Jr
7 – Na balada Jovem Pan 5 – (diversos cantores de baladinha do meu tempo!)
8 – Backstreet Boys – Backstreet Boys
9 – Stripped – Christhina Aguilera
10 – Ao Vivo Na Ilha Da Magia – Exaltasamba

BONUS: Oops… I Did It Again – Britney Spears
BONUS 2: Netinho Ao Vivo – Netinho

Um beijo e obrigada por ter chegado tão longe nessa postagem!

Ericka.

 

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

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uma resposta que merecia ser publicada.

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que, no passado, eu costumava publicar alguns e-mails de leitores que chegavam no Consultório Sentimental. É claro que eu tomava o cuidado de trocar os nomes dos envolvidos e de sempre, SEMPRE, pedir autorização para que essas confissões de amor-ódio-drama fossem expostas por aqui. Com o tempo, essa área do blog se tornou tão íntima e pessoal para os leitores que começou a ficar complicado expor tantos sentimentos, sabe? Me tornei amiga de alguns aconselhados, acompanhei causos bem e mal sucedidos (às vezes bem cabeludos) por aqui e perdi o hábito de publicizar as perguntas, as respostas, enfim, passei a utilizar as histórias apenas como inspiração os muitos textos que já foram publicados  por aqui.

Ontem resolvi responder algumas pessoas que, há muito, estava devendo satisfação e escrevi um e-mail muito bacana para a Pri, uma leitora antiga. Ela nem deve ter lido essa resposta ainda, mas achei que as palavras ficaram certeiras, achei que poderia publicar o que disse para ela por aqui também. Espero que ela não me processe, não brigue comigo e que não fique brava. E não publicarei, obviamente, o e-mail que ela me mandou incialmente.

Às vezes o que aconselhamos para alguém é exatamente aquilo que outra pessoa deveria ler. Segue:

 

Pri, UM MILHÃO DE DESCULPAS!!! Voltei à ativa, finalmente! Vou responder JÁ o seu e-mail, vamos lá…

Acho que um grande amor é assim mesmo. Gruda, prende, não vai embora da gente tão fácil. Às vezes a gente muda, a vida muda, as pessoas mudam, as circunstâncias mudam também, mas os sentimentos… Eles ficam. Tenho a teoria de que isso acontece porque guardamos sempre com a gente a nossa última referência de felicidade verdadeira. Mesmo que a gente tenha sofrido, que várias coisas ruins tenham acontecido, nos prendemos àquela memória, àquela pessoa e não conseguimos, simplesmente, pensar em alguém que seja melhor que ela. É um processo de desapego que precisa partir da gente e que tem muito a ver com os nossos círculos também, com as novas pessoas que a gente conhece, com o grau de envolvimento que temos com essas pessoas e o quanto permitimos que tudo isso ocupe espaço na nossa vida, mente e coração. Se os sentimentos fossem uma ciência exata, tudo seria muito mais simples. Era só subtrair algumas coisas nocivas e tudo, em algum momento, resultaria em zero. Deixaríamos de sentir esses engasgos ocasionais quando a gente se sente só e de nos dividir entre passado e presente. Passaríamos a multiplicar nossas chances de felicidade sempre que tudo parecesse meio fracionado, meio fora do lugar. E somaríamos, sempre. Novas experiências, novos rostos, envolvimentos. Aprenderíamos que talvez seja mais simples nos prender ao que já foi e que por isso insistimos tanto nisso. Afinal, envolver-se novamente dói. Cansa. Ainda mais pra quem já foi casado, já teve um chão e teve que reaprender a flutuar. Consigo entender o que você sente, Pri, porque eu mesma já estive aí, nessa mesmíssima situação. E tenho certeza que muita gente que lê o Hiper também. Aliás, tenho outra teoria (eu e minhas várias teorias…): quem está nessa situação de dificuldade de desapegar hoje é porque, um dia, viveu algo que valeu realmente a pena. But now, baby, time to let it go. For real.

E de parar de lamber os dedos pelos restinhos do que foi bom. Tem muito prato principal esperando pra entrar no forno.

Um beijo, espero ter ajudado! (e vou publicar essa resposta porque, ADOREI o texto que saiu dela!)

Ericka.

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deixe para trás.

A verdade é que a gente escolhe ser feliz. E que a felicidade, sinto informar, é um pouco egoísta.

Não dá pra ser feliz e continuar a cultivar o que a gente não ama mais. Seja no trabalho, seja na família ou na vida a dois. Não dá para querer ser feliz e agradar os outros. Felicidade é única, pessoal e intransferível, que nem impressão digital. Que nem bunda. Você pode até admirar a da outra, mas tem que investir mesmo é na sua.

Ninguém pode tomar decisões difíceis pela gente, ninguém pode obrigar o outro a ficar ou a suportar essa ou aquela situação ruim no nosso lugar. Ninguém pode engolir os nossos sapos, nem saborear os nossos amargores, infelizmente. E ainda assim, sempre sobra um pouquinho de dor pro outro. Práquele que não tem relação direta com a nossa vida, mas que já está lá. Disposto. Sendo altamente influenciado por aquilo que a gente faz.

Quando se escolhe um determinado caminho é preciso abrir mão de toda uma cadeia de acontecimentos que se sucedem, bons ou ruins. Se um namoro acabou por falta de amor (ou excesso dele) temos a família alheia pra encarar. Às vezes pra aguentar, outras para ainda tentar impressionar; pra que àquela magia do que um dia foi – e hoje já não é mais – não se perca. Uma pena que não exista essa possibilidade. Quem agrada dois senhores não agrada nenhum. Ou pior: acaba por desagradar a si mesmo, o maior afetado da coisa toda. Quem, realmente, importa.

Sabe aquele lance de amar a si mesmo em primeiro lugar? Entra nessa hora. O quanto antes nos desfizermos das nossas amarras, libertarmos a nós mesmos (e os outros) dos nossos fantasmas do passado, melhor. Se é pra frente que se anda, não há sentido em olhar para trás. Não há, aliás, chance de sermos outra coisa quando ainda vivemos das sombras do que não nos faz satisfaz. Se você chama as coisas ruins, tem que estar disposto, também, a lidar com elas. Com as assombrações que você mesmo não tratou de exuzar.

Não dá para prosseguir sem desapegar. Não dá para evoluir sem sofrer.

Como tudo na vida, as coisas ruins também passam. E com as atitudes corretas, uma dose de paciência e muita fé no hoje, muito mais rápido.

Se é para viver um grande, novo e verdadeiro amor, que seja por completo. Porque pela metade já basta o que não nos cabe mais. E isso a gente doa, vende, troca, sejam as roupas, os objetos ou aquilo que a gente tem de mais frágil dentro da gente: os sentimentos. E esses, às vezes, se esgotam.

Cuidem bem de 2014. E que venham vidas inteiramente novas para vocês.

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no rascunho de 2011.

Quando você me ligou eu estava no banho, eu lembro. Tinha acabado de depilar as pernas e de usar aquele shampoo incrível que deixa os cabelos cheirando 3 quarteirões. Quando você me ligou eu virei do avesso, por dentro assim, dei um pulo. Não sabia se colocava roupa de inverno ou de verão, na dúvida levei comigo um casaco. Estava com o coração quente, com os pés gelados, com a cabeça fresca.

Éramos tão jovens, eu lembro, tão inconsequentes. Eu queria terminar, queria começar, queria que fosse pra sempre. Queria beber vinho até perder a razão, até perder o sentido, até voltar a beber vodka com energético. Lembro que você me levou num barzinho aconchegante, que passava os dedos nas minhas pernas. Lembro que estávamos felizes por nada, por estarmos ali, apenas, juntos por coisa nenhuma. Você contou da sua chácara em Itu, comentou que sentia falta dos seus avós. Disse que só conseguia dormir com as luzes completamente apagadas, e suspirou quando lembrou que teria que viajar pra bem longe, na semana seguinte. Que começava no dia de amanhã.

Começamos, então, a fazer planos que sabíamos que nunca concluiríamos. Nos beijamos como se fosse a última vez, a última gota. O caminho de volta foi longo, foi triste. Eu lembro. E lembro que você, apesar de querer conhecer o mundo inteiro, tinha ele nas mãos e deixou cair no chão fazendo bastante barulho. Alto.

E nunca mais conseguiu juntar os pedaços que ficaram espalhados por aí.

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