Amor e Orgulho*

O orgulho e o amor próprio são coisas diferentes. E igualmente destrutivas quando ou ausentes ou em excesso em qualquer relacionamento.
Ama a si mesmo aquele que mesmo gostando verdadeiramente do outro, opta por não continuar um relacionamento nocivo. Aliás, ama tanto, que prefere guardar apenas a parte boa do que foi vivido, sem ocasionar ainda mais mágoas que àquelas que o coração foi capaz de absorver.

Tem paixão por si aquele que abre mão de ser violentado moralmente, intelectualmente ou, até mesmo, fisicamente. Tem autoestima aquele que não se deixa levar pelas revistas, pelos padrões e que possui personalidade forte o suficiente para separar crítica de ofensa, bom de ruim, e mais que isso: tem força para recomeçar. Isso não é, de longe, ser orgulhoso; é ser sensato. Orgulho é não admitir erros, não aceitar elogios. É ter aquela necessidade de estar sempre sob o controle de tudo, de não ceder aos pequenos e breves prazeres da vida por se julgar superior a isso. É não ligar, não explicar, não pedir, não sentir.

É orgulhoso aquele que não dá o primeiro passo, que não pede desculpas, não sabe o significado de uma nova chance. E o orgulhoso não se afeta com situações grandes, preocupantes, é tudo bem pequenininho, bem simples, coisa de birra mesmo.

O orgulhoso prefere ter razão que ser feliz.

Briga e dorme sem querer reatar, mesmo sabendo que aquilo dentro do peito vai corroer, vai minar o que há de bom. E, às vezes, até se dá conta disso, mas não sabe como se livrar. O orgulho é feio. É o disfarce da alma cansada, que já apanhou demais por aí e que agora não quer mais saber: vai se proteger de todas as formas para não correr o risco de ser feliz.
Viver dói, pessoal.
E é melhor que seja sem arrependimentos por nossas próprias atitudes.
*texto originalmente publicado no Blog Lumagga
Continue Reading

parem.

Para ler ouvindo: Chega – Mart’nalia

Não tem coisa mais triste que mendigar amor. Que insistir em ficar quando o outro quer ir embora, que lamentar publicamente o ocorrido aos 4 ventos como se fosse a insistência a responsável por fazer alguém partir ou ficar. Não adianta falar como o amor é, foi ou ainda poderia ser bom. Já disse mais de uma vez que só amor não basta, que relacionamentos são mais do que um carinho aqui, outro ali, dormir juntinho e coisa e tal.

Quem quer estar fica e quem não quer, é simples, vai embora. E não precisa necessariamente não amar mais, às vezes a gente cansa da vida, da rotina, da obsessão que aquilo se tornou, não consegue resolver pequenos problemas e acha melhor, afinal, partir antes que seja tarde. Antes que falte  respeito pra lembrar de tudo o que foi bom.

Não adianta chorar pelo leite derramado como se ele fosse secar sozinho – chorar só molha ainda mais, inunda por dentro, enche de limo os micro espaços de respiro que sobraram. Está ruim, é ruim, é assim mesmo: terminar nunca vai ser bom. Mas se é pra falar, falar, falar até a exaustão, até as palavras perderem o real sentido para obrigar que o outro se sinta suficientemente mal a ponto de querer voltar – só porque vai ser mais fácil – é desleal. E pior ainda, cruel. Com quem foi, com quem ficou, com quem indiretamente está envolvido e não sabe o que fazer.

Parem de colher as migalhas. Ainda que tragam de volta uma parte do pão, nunca o formarão inteiro de novo. Essa fase já foi, já se consumiu, já passou do tempo de ser digerida. Agora é tempo de afastar, dar um tempo e, quem sabe um dia, quem sabe não, tentar de novo. Seja com o mesmo alguém, seja daqui há 5 anos, seja com o cara que pega ônibus com você todos os dias, seja com alguém que você ainda nem conheceu.

Chega de humilhação.

Afinal, as melhores pessoas para se estar junto são aquelas que não precisam disso para ser queridas.

Continue Reading