Amores bons e correspondidos dão medo.

Pra caramba.

Muito mais medo que amores complicados, truncados, cheios de traição e desconfiança, os amores tranquilos são assim, uma coisa assustadora. Tenho alguns amigos, muitos na verdade, que não sabem o que fazer quando algum romance dá certo. Tem medo das declarações, das demonstrações de carinho. De serem apresentados para os pais.

Não sabem lidar com o sentimento que se instaurou e, em alguns casos, fogem dele. Tem pessoas que simplesmente não sabem ser bem tratadas, cortejadas, elogiadas. Que correm ao primeiro sinal de afeição. Que ficam criando conjecturas mentais sobre quando isso, afinal, que está bom demais para ser verdade, vai afundar. Quando é que vai começar a dar ruim? Quando ele/ela vai aparecer com outra e tal? Ninguém é plenamente feliz no amor, o tempo todo. Isso não existe.

Os desiludidos ou os que nunca deram chance para as intempéries da vida, sempre terão certos problemas para amar.

Tem gente que nunca esteve bem no amor mesmo, acha esquisitíssimo quando está. E talvez, pelo pavor do compromisso, dos laços duradouros, nunca esteja, não sei. Amar é para os fortes. Afinal, algo que nunca se torna alguma coisa não dói quando vai embora. Não dói se um dia não está mais lá. Nunca foi mesmo, afinal. Então tudo bem.

O afastamento é o mecanismo de defesa dos amedrontados. O não assumir, o lance de ser aberto. Assim também ninguém fica magoado se vacilar, ninguém vai ser cobrado por nada, né? É. Só que não é. Envolver-se dói. No trabalho, na família, nos negócios e na vida a dois. Ainda se for só dois beijinhos e tchau, fica alguma coisa, vai alguma coisa, muda alguma coisa em menor ou maior grau, mas sempre, sempre muda. Só não se afeta quem já morreu, daí não dá mesmo pra tentar ser feliz embaixo da terra.
Nem sempre a vida é boa com a gente, é sabido. Mas enquanto ela der essa chance, se abra para o que vier. Se a felicidade passar, que seja marcante enquanto ficar. Com medo mesmo.
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confesso que me excedi.

Confesso que nesse final de semana eu caguei. Errei rude. Pisei na jaca. Perdi a linha.

Me excedi nas palavras, nos gritos, falei o que nem queria dizer. De vez em quando dou dessas mesmo, pago de louca. Viro 100% emocional e atropelo quem estiver na minha frente como um caminhão. Não sei muito bem porque isso acontece, mas desconfio que tenha uma relação direta com aquele sem número de coisas que engolimos para evitar conflito. E com a TPM, lógico.  Tem a ver com aquelas coisinhas pequenas, irrelevantes, 100% superáveis, que, num minuto de surto psicótico, parecem um problemão.

Eu odeio brigar. Odeio discutir. Odeio sentar, ter aquela conversa desconfortável sobre os meus, os seus erros, os erros da humanidade, os caminhos do nosso relacionamento, etc, etc. Acho um saco, um porre, coisa de gente que perde mais tempo falando que amando, mas óh, faz parte. Conversar é preciso, dormir brigado é uma porcaria.

Só tem um problema nisso tudo: sou catastrófica. Acho que o amor vai acabar, que meu relacionamento está fadado ao fracasso, que eu fiz uma merda, assim, irreversível. Me sinto péssima, me culpo, faço aquela auto-análise e me dou conta que sou maluca mesmo, inadequada para a sociedade, para o convívio entre os demais seres vivos, olha, fico na madruga bo-la-do-na, é complicado.

Aí, nessas horas em que a gente precisa de uns tapas na cara pra recolocar a vida nos eixos, apelo para as amizades femininas. Aquelas que não falham nunca. Que vão ouvir sem julgamentos você dizer que exagerou e que, quando caiu novamente em si, já estava pulando na jugular alheia com as pupilas pra fora, salivando que nem cachorro raivoso. É.

Essas pessoas vão te entender porque já fizeram igual. Uma, duas, 150 vezes. E você se sentirá acolhida por esse grupo de psicopatas, sentirá que amar também é um pouco ter medo. Se sentir insegura. Se questionar. E que no dia que você tiver todas as certezas sobre si e sobre o outro talvez essas certezas sejam ruins. Sejam algo que você não queira encarar. Ainda bem, graças a ALÁ, que não tenho certeza de nada.

Esse texto, portanto, é pra agradecer. E pra dizer que se você também deu uma pirada na batata nesses últimos meses, fica bem, fica em paz, força na peruca que vai dar tudo certo. E a vida vai se encarregar de mostrar que uma sacudida (de vez em quando, ok?) vem para colocar algumas coisas no lugar que lhes são devidas.

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uma questão de sorte.

Estava eu lendo um post da Marcella, quando comecei uma discussão no trabalho sobre solteirice. Comentei que a achava tão incrível, que era impensável uma mulher como ela estar solteira (veja bem, nem tenho certeza se está); que, de alguma forma, ela deveria ter problemas com os homens – ou que talvez, simplesmente, não tenha encontrado nenhum à sua altura. Pensei ainda em uma terceira e mais aceitável opção: talvez ela nem queira, no fim das contas, encontrar essa tal pessoa. E foi assim que comecei a pensar sobre isso.

O fato é que esse tópico incomodou. Não porque estejamos interessadíssimo em saber se Marcella tem ou não namorado, é que todo mundo, ou pelo menos os entusiastas dos relacionamentos, como eu, busca a fórmula certa para o amor. Para a felicidade. Para uma vida bacana com alguém e seu por quês.

É pessoal, é mesmo verdade isso aí, não está fácil. Pra ninguém eu diria. Se Grazi não tem mais Cauã em suas mãos, quem somos nós pra desejar um príncipe encantado (ou apenas um homem para chamar de nosso), não é mesmo? Não, não é mesmo. A gente pode e deve desejar àquilo que quiser. O problema é encontrar alguém que seja interessante e interessado ao mesmo tempo.

uma amiga disse uma coisa que talvez seja verdade: pode ser que tudo seja mesmo uma questão de sorte. De estar no lugar certo, com as pessoas certas, de passar a mensagem certa para o carinha certo, não sei. Gostaria muito de ter os segredos para a conquista, de explicar por A + B + C porque eu sempre estou namorando alguém e por encontrar um sem número de pessoas bacanas pelo meu caminho, mas não sei dizer. Não sei mesmo. Então, ao invés de ficar buscando justificativas comportamentais para uma determinada cadeia de acontecimentos de como encontrar alguém (exatamente o que faço nesse blog), se interessar por essa pessoa, beijar, namorar, noivar, casar, juntar, ter filhos, ou seja lá a ordem que você preferir, serei simplista. Talvez eu seja mesmo uma pessoa sortuda e nunca tenha me dado conta.

A vida nunca me deixou sem romance. Nunquinha. Não faço a menor ideia do porque. Mas sempre acho que somos muito mais responsáveis por aquilo que atraímos do que conseguimos compreender – ou explicar – com quaisquer que sejam as teorias – não me conformo apenas em ter sorte.

De qualquer maneira, se assim for, desejo aos meus amigos e leitores muita muita sorte. Para um amor tranquilo, pra saúde em dia e pra encontrar algo que possam se apaixonar além de um ser humano – pode ser uma causa, um bicho, o que for – acho isso importante pra vida de um modo geral, pra cabeça da gente.

E que essa tal sorte nos traga tudo o que se espera de bons relacionamentos. Vai ver que é, nessa hora, que começam as minhas tais teorias. E a vida fica mais difícil pra quem tem só sorte.

 

[UPDATE: No final das contas minha amiga não quis dizer nada disso e eu entendi tudo errado, mas funcionou pra fazer minha cabeça funcionar gerar um texto, né? HUAHAUHAUHAHAUHU…]

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mais favor.

Percebi recentemente que tenho um problema muito grave: não consigo romper vínculos.

Minha vida é um acúmulo de experiências amorosas bem e mal sucedidas. De amizades que se foram, que voltaram, que nunca, sequer, se firmaram, mas que continuam lá, registradas de alguma forma, prontas para serem reativadas quando for conveniente. Posso deixar de falar com você por 3 anos e ter assunto se nos encontrarmos na rua. Minha memória, que é uma porcaria pra tudo, sempre consegue buscar um universo comum, banal e confortável para a cordialidade, para àquilo que é preciso ser feito na hora que for solicitado, do jeito que aparecer. Tenho PHD em torta de climão. Mesmo. E isso é uma porcaria.

Queria odiar pessoas. Chutar o balde. Detestar. Queria ser justa com aqueles que foram injustos, queria conseguir pagar na mesma moeda.

Sou um grande caldeirão de emoções positivas e memórias distantes que se misturam em um sopão. Às vezes ele ferve e transborda – quando me magoo intensamente e fico sem chão – às vezes não. Só fica lá, sendo requentando entre uma colherada e outra. Entre um inverno e outro. Entre um desconforto e outro.

Tenho uma preguiça gigantesca de desgostar. De pegar raivinha. De guardar frustrações. Uma preguiça enorme.

Então eu continuo a ser quem eu sempre fui, a dizer as coisas que eu sempre disse e a viver – com mais ou menos carinho – de acordo com o que o outro merece. Como se eu colocasse o amor numa caixinha e ele nunca deixasse de pulsar por lá, como se ele nunca se esvaísse. Como se eu insistisse, afinal, na ideia de que todo mundo tem uma parcela de coisa boa que precisa ser reconhecida, reavivada, para que consigamos nos recompor depois de uma briga, por exemplo. Para que consigamos viver com tanta diferença.

E indiferentes a tantas coisas que nos fazem, realmente, mais amargurados. Mais favor, por amor.

No final, deve ser melhor ser assim.

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quando a gente deixa pra lá.

Alguém me disse, certa vez, que relacionamentos longos têm ligação direta com a desonestidade. Que quando você está há muito tempo com alguém começa a deixar de falar algumas verdades – e a ignorar aquilo que já não está tão bom assim.

Não se importa mais com o cabelo bagunçado, com a roupa amassada e deixa de apreciar, também, os tais dos detalhes tão pequenos de nós dois que são citados naquela famosa música. Tenho pra mim que é exatamente por esse relaxamento em relação ao amor que as coisas começam a desandar.

As pessoas, então, passam a estar juntas por pura inércia, como num barco; até dá pra pular, mas tudo vai ficar tão movimentado (e molhado) que é melhor continuar onde está. No marasmo rumo à nada, onde não se pode dar um próximo passo, nem se casa, nem se separa. Nem se renova, nem desiste. É triste. É chato. E acreditem: é muito mais comum ser infeliz no amor estando com alguém do que dizem as estatísticas de casais estáveis por aí.

Aliás, vamos falar de estabilidade. Não existe, ao meu ver, um relacionamento mais chato do que aquele que é estável. Daqueles nos quais você faz sempre as mesmas coisas porque sim. Porque habituou. O mesmo beijo, a mesma posição na hora do sexo, o mesmo restaurante, a mesma sobremesa, a mesma visita familiar de domingo, o cinema de quarta. Me dá preguiça só de escrever esse texto.

Odeio estabilidade – em todas as áreas da vida – da emocional à financeira, juro. Não há nada pior do que deixar pra lá aquela coisa de fazer surpresa, elogio, de marcar uma viagem, de sair com os amigos pra um rolê, porque… Huummm…Estabilizou. Não há coisa mais terrível que sofrer o carma de estar o resto da vida com alguém que nunca muda, que não se reinventa. Precisamos de um esforço danado pra nos mantermos sempre iguais.

Jovens, não façam isso, não. Jamais.

Se está chato com 26, imagina lá pros 50. Se tá um marasmo louco agora, no auge da vida loka cabulosa, imagina gente, imagina na Copa quando as coisas ficarem realmente zuadas. Sério.

Melhor que a morte seja rápida e indolor antes, né? Ou melhor escolher logo ser feliz.

Vai doer bem menos no final das contas. Eu acho.

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coragem.

Às vezes o que nos falta é coragem. De dizer para o outro que as coisas já não estão mais tão boas assim. Coragem para partir sem garantia nenhuma de um novo futuro com alguém. Coragem de ficarmos a sós com a nossa própria vida.

Nos falta coragem para sermos honestos, transparentes, leais. Não há nada mais nobre que ser completamente sincero com as pessoas das quais nos importamos. Não amamos mais da mesma forma, não dá mais certo conviver como um casal. Mas olhar nos olhos de quem espera sempre o melhor da gente para dar uma notícia dessas, eu sei, é difícil.

E extremamente necessário.

E nessas horas agimos como loucos. Trair parece mais fácil, menos problemático, quase que indolor. Mas não é. Inventar discussões sem fundamento, gritar sem razão aparente, dar desculpas para essa ou aquela cara de descontentamento parece mais simples. Mas não é.

Até porque, quando só uma das partes acha que não vale mais a pena continuar, a outra sabe.Mas insiste em insistir.

Temos mais medo de fazer o outro sofrer que em sofrer por nós mesmos, até porque, durante os dias, meses e anos nos tornamos também parte do outro. Nos sonhos que não foram realizados, na esperança dos sentimentos há tanto proferidos – e há tão mais tempo já não sentidos.

E então permanecemos lá, inertes, talvez até interessados em outro alguém. Torturados pelas tantas mil possibilidades que se apresentam para quem não tem amarras, para quem ainda tem um mundo de planos para fazer com outras, quaisquer que sejam as mai de 6 milhões de pessoas do mundo.

Nos dá um medo terrível de estar fazendo, talvez, a escolha errada. De jogar para o alto algo que um dia foi realmente bom.

A verdade é que se cogitamos partir, já chegamos ao fim.

E como eu disse, o que falta mesmo, meus caros, é a coragem.

De admitir que todas as nossas promessas não eram, de fato, pra sempre. E que ser feliz, é preciso.

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o outro lado.

Já namoro há algum tempo e estou bastante feliz com o meu atual relacionamento. Tão feliz que às vezes esqueço de ver o outro lado da moeda – o das queridas amigas que estão solteiras, porém, não sozinhas, que estão na constante busca de alguém para dar aquela temperadinha na rotina.

No jantar de ontem, com muitas risadas, gritos e comidas engordativas, falávamos sobre os antigos, os novos e os casos que ainda estão por vir. Numa tempestade de menções bem humoradas ao passado e memórias um tanto quanto traumáticas de uns e outros “rolinhos mais expressivos” percebi que nós mulheres não queremos muito. Aliás, não queremos nada, praticamente.

Em resumo, de todas as nossas não exigências para o talvez amor, fiz um texto corrido, como se fosse dito por uma pessoa só.

Tenho certeza, absoluta, que vai fazer sentido para muitas de vocês:

“Eu só quero me relacionar com pessoas normais, que não me roubem. Que tomem banho, trabalhem, que não tenham manias esquisitas. Só quero gostar de alguém que coma carne e não tenha uma religião alternativa que exija um comportamento x, y ou z. E que me aceite quando eu falar palavrão e pagar de louca pela rua (quem nunca???). Quero gostar de alguém que tenha o mínimo de estabilidade e coerência emocional, que não me mande SMS’s impulsivos – bêbados, sóbrios ou sem noção mesmo – prometendo amor eterno.

Que não bata na porta da minha casa às 3 da manhã querendo colo, sexo e depois suma por 3 meses e apareça noivo, com 2 filhos pequenos e todo um histórico bizarro de ex-namoradas. Só quero gostar de alguém que não trabalhe diretamente comigo. E se trabalhar, que tenha a decência de não ter um caso paralelo com a minha amiga de baia com o maior descaramento e com a certeza absoluta de que, eventualmente, vou saber dos detalhes mais sórdidos de tu-do-que-a-con-te-ceu nesse “rolinho”. Quero um amor que goste de cachorros, mas não tanto a ponto de querer salvar TODOS eles, juntos, e que prefira passar seu tempo jogando bolinhas que tendo um verdadeiro contato com o mundo real. Quero gostar de alguém que páre de andar de skate depois dos 26 anos. Ou que entenda que existem coisas mais interessantes para se fazer quando se viaja. Isso também se aplica aos surfistas.

Quero um homem que invista o seu dinheiro em algo que tenha valor de mercado. Que não fique colocando luzinha em carro e listras adesivas ridículas em cima do capô. Quero gostar de um cara que pague, pelo menos no nosso primeiro encontro, a conta inteira. Porque ele quer o melhor de mim e quer me dar o melhor que puder. Mesmo que seja um lanche do McDonald’s, um saco de pipoca. Que me leve num motel de qualidade sem nem questionar, não precisa ser a suite mais cara, no lugar mais badalado, nós não ligamos para o sua conta bancária – mas para o quanto valemos o seu investimento (update: EMOCIONAL – Thanks, Bia!). Quero gostar de um sujeito que não use cuecas bege, que não me chame de princesa, de boneca ou de qualquer desses apelidos pré-definidos vexatórios. E só. Só isso.

Se nós temos que ser magras, lindas, depiladas, bem vestidas, cheirosas, inteligentes, não interesseiras, dispostas, comprometidas, fiéis, trabalhadoras e independentes, que, ao menos, eles sejam algumas das coisas que a gente espera.

As solteiras agradecem.”


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por onde recomeçar?

Pedi a uma amiga que me ajudasse a pensar em um tema para escrever aqui. E falando sobre as coisas que a vida anda mostrando com suas reviravoltas, ela sugeriu que uma boa pauta seria o recomeço.

Como recolher tudo aquilo que restou de nós ao final de um relacionamento e voltar a achar o que nos cerca mais maravilhoso que confuso? Como, lá pelos 30 e tantos anos, não achar esquisito voltar à vida de solteira e não ter preguiça de reviver aquelas coisas que, há muito, já haviam sido esquecidas? Onde encontrar alguém realmente interessante e, acima de tudo isso, como ter confiança novamente de que estar envolvido com alguém pode ser mais delicioso que cruel?

As perguntas eram muitas. E as respostas, mais ainda.

Acho que não existem fórmulas para se dar bem na vida; nem no amor, nem no trabalho, nem nos negócios. Mas existem estratégias que nos fazem refletir sobre a nossa conduta em relação aquilo que somos hoje, sobre aquilo que éramos, o que tínhamos e o que gostaríamos de ter. E parece um dos maiores clichês do mundo, mas compreender onde estamos e  onde queremos estar é o que nos faz andar pelo caminho certo. E deixar tudo muito mais simples.

Outra coisa que dizem por aí é que só superamos um amor com outro. Não acho que emendar relacionamentos sem sentido seja a melhor estratégia, mas acho que manter-se disponível torna as coisas mais leves. Saiba que agora você está livre para olhar uma pessoa bonita no metrô (aliás, quando foi que não esteve?) e que não existe problema nenhum em ser mais simpática com aquele colega de trabalho que sempre foi muito solícito (e super gracinha). É preciso, também, reviver antigas amizades e fazer novos círculos de relacionamento. Seja na academia, no curso de inglês ou em um aniversário no bar. O importante é não ficar em casa, isolada do mundo, sofrendo com as memórias daquilo que foi planejado – e nunca mais vai se concretizar. Não com aquela pessoa.

Aliás, acho que o principal ingrediente para tornar nosso recomeço mais simples é parar de ter pena da nossa existência. Parar de achar que seremos para sempre infelizes e incapazes de nos envolver. Se não dá pra suportar o modo como sua vida encontra-se hoje, viva outra vida, então. Uma alternativa. No qual você é linda, incrível e não precisa se preocupar com quem vai casar depois de amanhã.  Você nem ao menos consegue pagar aquela parcela da máquina de lavar, pare com isso, menina! Permita-se um pouco de esquizofrenia. Reinvente-se

Lembre-se sempre do seguinte:

1 – Seu problema não é o maior do mundo. Para todas as coisas que acabam na nossa vida, outras começam. E há situações muito mais irremediáveis que um fim de um namoro, noivado, casamento…Shame on you.

2 – Não fique remoendo memórias, guardando fotos, fuçando a vida do outro. É como jogar álcool nas feridas abertas, um sofrimento completamente opcional. E irracional.

3 – Não desconte na comida, na bebida, no álcool, nas baladas em excesso, no trabalho… Equilibre-se. Aproveite para concluir projetos individuais dos quais nunca teve tempo e, se estes nunca existiram, invente novos objetivos de vida. Pra já.

4 – Desabafe. Chore. Xingue. Reclame dele pra sua mãe, irmã e amigas (ou amigos). Mas nunca, em hipótese alguma, faça barraco. Não peça para voltar, não queira estar com quem optou por se afastar. A maior insanidade é cobrarmos dos outros coisas que não tem valor. E que, há muito, já não fazem mais sentido.

5 – Seja uma pessoa linda. Por dentro e por fora. Se os quilos a mais ou a menos te incomodam, insista numa dieta. Se esse corte de cabelo te desagrada, mude. Aprenda a não depender de ninguém para sentir-se maravilhosa. Busque uma razão maior para existir que outra pessoa, que um emprego, abrace uma causa. As pessoas mais incríveis que eu conheço não são as mais gostosas/malhadas ou super cheias de plástica. Aliás, muito pelo contrário.

No mais, acho que um dia após o outro nos obriga a superar.

Toda e qualquer coisa.

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cão e gato.

Eles brigavam o tempo todo. Ela confessou para as amigas que nunca chegou ao orgasmo e ele dizia aos caras que o que ele queria mesmo era poder jogar futebol no sábado à tarde. Ela não gostava de cerveja, não suportava barba por fazer e ele tinha espírito de Homer Simpson, piadista, e uma pancinha de bacon que adorava evidenciar. Detestava ter que colocar uma roupa bacana pra ir nos lugares requintados que ela adorava –  “É final de semana, pô!” – Esbraveja.

Para resolver o romance que andava ruim, resolveram morar juntos. Achavam que o problema não estava na total incompatibilidade de pensamento, mas na distância, na falta de rotina ou de planos em comum. Ela decorou a casa com mil bibelôs que ele quebrou jogando Wii, mas não foi por esse motivo a pior e maior briga. A coisa ficou feia mesmo quando ele foi ao casamento da prima dela de tênis. O fotógrafo riu, a mãe dele reparou e fez cara feia, e ele, coitado, chamou a mãe do noivo de gorda, num súbito de sinceridade desmedida e constrangedora.

– Você não tem postura! – ela reclamou.

– Você é chata! – ele gritava.

E foram embora no mesmo carro, pra mesma casa, dormir na mesma cama. E por dias e dias angustiaram aquilo que perderam da vida enquanto ficaram 6 (ou 8) anos juntos. Se estranhavam nos corredores pela toalha molhada, pelos copos espalhados, pelas roupas manchadas e pelo pó que acumulava atrás das portas.

Não dava mais.

Ele voltou pra Sorocaba e ela foi morar em Montevidéu.

Ele descobriu que era excelente com as palavras e me mandou um e-mail.

Ela, enfim, casou com um amigo de família, que a mãe dele adora, que o vô paparica e que só veste Ralph Lauren.

Dizem por aí que ele é super careta, ela concorda.

Posso imaginar.

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parem.

Para ler ouvindo: Chega – Mart’nalia

Não tem coisa mais triste que mendigar amor. Que insistir em ficar quando o outro quer ir embora, que lamentar publicamente o ocorrido aos 4 ventos como se fosse a insistência a responsável por fazer alguém partir ou ficar. Não adianta falar como o amor é, foi ou ainda poderia ser bom. Já disse mais de uma vez que só amor não basta, que relacionamentos são mais do que um carinho aqui, outro ali, dormir juntinho e coisa e tal.

Quem quer estar fica e quem não quer, é simples, vai embora. E não precisa necessariamente não amar mais, às vezes a gente cansa da vida, da rotina, da obsessão que aquilo se tornou, não consegue resolver pequenos problemas e acha melhor, afinal, partir antes que seja tarde. Antes que falte  respeito pra lembrar de tudo o que foi bom.

Não adianta chorar pelo leite derramado como se ele fosse secar sozinho – chorar só molha ainda mais, inunda por dentro, enche de limo os micro espaços de respiro que sobraram. Está ruim, é ruim, é assim mesmo: terminar nunca vai ser bom. Mas se é pra falar, falar, falar até a exaustão, até as palavras perderem o real sentido para obrigar que o outro se sinta suficientemente mal a ponto de querer voltar – só porque vai ser mais fácil – é desleal. E pior ainda, cruel. Com quem foi, com quem ficou, com quem indiretamente está envolvido e não sabe o que fazer.

Parem de colher as migalhas. Ainda que tragam de volta uma parte do pão, nunca o formarão inteiro de novo. Essa fase já foi, já se consumiu, já passou do tempo de ser digerida. Agora é tempo de afastar, dar um tempo e, quem sabe um dia, quem sabe não, tentar de novo. Seja com o mesmo alguém, seja daqui há 5 anos, seja com o cara que pega ônibus com você todos os dias, seja com alguém que você ainda nem conheceu.

Chega de humilhação.

Afinal, as melhores pessoas para se estar junto são aquelas que não precisam disso para ser queridas.

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