sincericídio.

Já ignorei um sem número de pessoas na rua porque simplesmente estava com preguiça de comprimentá-las. Já menti mais de uma vez sobre assuntos cretinos, porque era infinitamente mais simples que dizer a verdade. Morro de inveja do cabelo liso da moça que pega ônibus comigo todas as manhãs e sempre penso que deve ser alguma química estranha que eu ainda não descobri, porque não é possível que alguém possa ter uma genética tão boa assim. Falo mal da vida de gente que mal conheço porque acho divertido comentar e tenho certeza que fazem o mesmo em relação a mim.

Já imaginei pessoas que não deveria peladas e também costumo pensar métodos bastante dolorosos de como matar pessoas irritantes. Diversas vezes. Roubei bala de restaurante por quilo fingindo não saber que precisava pagar, dormi e perdi a hora de propósito, fingi conjutivite, morte de parente, braço quebrado e fui pra praia, tomar um sol, curtir um dia bom sem stress. Tenho alguns inimigos que não pretendo nunca voltar a ver e simulo ser super amiga de pessoas que não me descem de-jei-to-ne-nhum porque preciso delas, mas tenho certeza que a recíproca é verdadeira.

Já chorei sem sentir dor nenhuma e coloquei a culpa em quem eu tinha certeza ser inocente. Trapaceei no truco porque nunca entendi como se joga. Colei na prova. Me irritei com o cachorro, fiquei de saco cheio do velhinho pedinte e não tive pena da mãe viciada em drogas que sempre xinga as pessoas no sinal – embora entenda perfeitamente o por que de tanta revolta.

Sou humana, tanto quanto você. Erro, às vezes não me arrependo e não estou sempre feliz ou compreensiva. Me reservo o direito de ter sentimentos nocivos, destrutivos e negativos em relação à inúmeras coisas e pessoas, mas tenho consciência de que eles me enfraquecem. Poderia estar fazendo caridade, mas às vezes, raras vezes, penso mais em mim no que no outro. Sou hedonista, quero ser feliz agora e não busco agradar ninguém ou ser melhor quando penso que deveria, mas faz parte. Todos nós temos uma metade ruim que fala mais alto em alguns momentos, não é anormal. Desconfie de quem parece inocente demais, quieta demais, santa demais. Aliás, desconfie de todo mundo, é melhor.

E ao mesmo tempo que aprender a parar de sofrer com os seus erros humanos, reconheça que é preciso abandonar esses pequenos e nocivos hábitos para evoluir e nunca, nunca mais, repetir algumas atitudes. Eu continuo trabalhando nisso.

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romantismo masculino.

Homens e mulheres são diferentes. Eles são mais racionais e elas, emocionais. Dizem que os primeiros fazem sexo, e os segundos, amor. Falam que os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, mas okay, já lemos todas as publicações de auto-ajuda no quesito machos X fêmeas e ainda somos incapazes de responder a algumas questões inerentes a esse assunto; o que me deixa bastante feliz já que falar sobre isso é uma das coisas que eu mais gosto de fazer.

Porque o romantismo está tão inerente a algumas mulheres e praticamente ausente em alguns homens? Porque a falta de manifestações atípicas de carinho ainda são tão valorizadas pelo sexo feminino e tão pouco exploradas pelo masculino? Se eles são assim tão racionais, porque não fazem o que é preciso para ter um relacionamento mais harmonioso, ou, talvez, mais satisfatório para as mulheres que tanto têm essa necessidade de se sentirem amadas?

A realidade é que eles não fazem por mal: simplesmente não sabem o que as elas querem. Até porque se uma mulher cobrar romantismo todas as ações seguintes que o homem tiver parecerão forçadas e não farão o MENOR sentido. Os homens não entendem que banalidades possam ser tão valorizadas, que cartões, flores, surpresas e mimos possam ter um efeito estrondoso dentro de uma relação e, portanto, não planejam essas ações. Não é por maldade, é porque não foi trabalhada neles essa sinceridade, essa exposição aparentemente sem por que dos sentimentos.

Eles não acham necessário tanta exposição, porque afinal, um homem quando diz que ama, ama. Não finge,  não sabe ser delicado sem realmente se importar com a mulher. Homens são nota ZERO em simulação, enquanto nós, somos mestres. Tanto é que, via de regra, quando achamos que alguma coisa está errada dentro de um relacionamento ela está. Mesmo que eles neguem.

Mulheres, nós queremos demais. Não existe relacionamento perfeito, nem namorado príncipe. Talvez, nem precise existir. É bom, é delicioso ser surpreendida, sentir-se especial, mas acho que não adianta tentarmos impor sentimentalismo aos homens – eles acabam perdendo um pouco da essência naturalmente despachada que tanto nos atrai.

E não há nada melhor do que uma demonstração sincera, inesperada e realmente de coração vinda deles. Se a gente realmente merecer, sem mentira nenhuma, acontece.

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síndrome de Pokemón.

Mulheres que falam como criança. Que gritam quando vêem um determinado personagem de desenho. Que só usam rosa, pijama de bichinho, glitter e Hello Kitty. Mulheres que se ofendem facilmente e que se ouvirem uma palavrão ficam horrorizadas. Mulheres tão meigas, tão agradáveis, tão perfeitinhas que são irritantes. Que choram quando confrontadas, que não toleram “não” como resposta. Tenho visto um aumento muito grande desse tipo feminino que costumo chamar de  “Pokemón” – só que sem evolução.

Fico tentando entender o que leva um ser humano de sexo feminino, com quase 30 anos na cara, agir como se tivesse 5. Seria algum tipo de atraso mental? Seria falta de pai e mãe para orientar que aquelas atitudes não condizem com a idade?

A mulher Pokemón quer chamar a atenção sendo algo que não é, é a vagabunda recalcada, reinventada (com todo o respeito às vagabundas). O lobo em forma de cordeirinho arrependido. Tão imatura, tão infantil, que é impossível acusá-la de matar uma formiga – ai ela vai lá e mata um leão – só que os homens não reparam. Aliás, talvez toda essa encenação seja mesmo culpa deles; que acham linda essa fragilidade forçada. Talvez, não. Só gostaria de deixar aqui registrado o meu apelo pelo fim das mulheres Pokemón – que envergonham a nossa espécie – e reforçam ainda mais o esteriótipo de mulher objeto que tanto queremos nos livrar.

Ursinhos são lindos, eu adoro. Mas morro de alergia.

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qual é o problema?

Esses dias me questionaram sobre qual é, afinal, o maior problema dos relacionamentos. Pensei em vários. E cheguei a conclusão que o maior problema dos namoros não darem certo são as mulheres. Terrível, não é? Nós e a nossa insegurança e necessidade de atenção, nossa mania de exigir das pessoas erradas, de gerar conflito e implicância onde não tem acabam com qualquer namoro. Não há quem aguente ser tão inadequado, não é? E a paciência masculina é infinitamente menor que a nossa.

Eu sei, você sabe, nascer mulher já é nascer maluca, entendo perfeitamente. Mas não podemos exigir que os homens compreendam, que a cabeça deles funcione da mesma forma que a nossa e, convenhamos, pegamos pesado às vezes.

Poderia listar uma série de itens que nos tornam insuportáveis sem ao menos estar de TPM: essa mania de falar como criança, de perguntar se estamos gordas ou se somos mesmo bonitas, de obrigá-los a trocar o futebol (ou o video-game, ou a luta livre, ou os carros…) por uma volta no shopping, de exigir que eles saibam todas as coisas que passam na nossa cabeça ou obrigá-los a reparar quando cortamos as pontas do cabelo, etc, etc. E somos assim porque eles muitas vezes deixam a desejar como homens. Não como machos-alfa, trogloditas ou como homens em sua essência, não é um questionamento de masculinidade, mas como homens em relacionamentos de verdade, que se importam, que elogiam, que reparam. Que sabem lidar com uma mulher que não seja a mãe deles.

Todas as neuroses femininas, no fundo, tem a ver com um único motivo: o de não termos a certeza de sermos amadas como amamos.

E para as mulheres, fica o meu recado: seja com ele da maneira que você gostaria que ele fosse com você. Elogie, faça programas não muito desejáveis, repare, comente, note. E se não resolver, esqueça o xilique; converse. Sem dramas, lágrimas e com muita, muita sinceridade. Se não resolver, é porque você encontrou um homem ainda mais problemático que você. E ensinar a amar é muito chato. Mesmo que nós sempre insistamos que vale a pena.

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sobre as diferenças.

Quando mulher começa a contar as fofocas do final de semana, repara: sempre tem homem no meio. O bonitinho da balada, o vizinho da prima, nem o entregador de pizza escapa. Enquanto homem fala de cachaça e futebol a gente fala sobre eles, sempre sobre eles. Acho que somos meio obcecadas com relacionamentos, os nossos, os alheios e os que ainda estão por vir. E se nada aconteceu a gente fala das coisas que deveriam ter acontecido ou das que gostaríamos que acontecessem. Da ligação que foi esperada durante toda a semana, do bolo que tomou, o que vai acontecer quando fulano finalmente perceber o quanto cicrana é vagabunda e por aí vai. Fofoca, no mundo feminino, alimenta a alma. Faz parte do nosso equilíbrio emocional. Homem, nem sabe o que é isso. Já viu homem ter desequilíbrio de mulherzinha? Eu vi algumas POUQUÍSSIMAS vezes e foi ridículo.

Se o mundo fosse cerveja, futebol e “umas gostosa”, tava bom demais pra macharada. A gente nunca viveria com cerveja, futebol e “uns gostoso”, tinha que ter pelo menos uma maquiagem aí no meio pra começar a ficar viável. Adoro ressaltar as diferenças entre o masculino e o femino, porque acho incrível essa nossa capacidade de ser tão diferente e tão absurdamente pertencente à uma classe específica, XX e XY, generalizando mesmo. Quando mulher fala que homem é tudo a mesma coisa, é bem verdade. Mas mulher também é. Tudo igual, criminosa, manipuladora, artista, a gente é podre. E quando quer, faz muito pior que eles.

Esse texto num tinha nada de específico a dizer, nem a constatar. Tô tentando ler e responder os e-mails do Consultório, mas num tá fácil, a vidinha de vocês é complicada, hein? Pelamor de Alá. E como a minha também não anda diferente, não tô conseguindo organizar respostas curtas, breves e interessantes pra postar aqui, me perdoem?

E enquanto isso divirtam-se com as minhas bizarras reflexões.

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Quer participar do Consultório? Envie seu e-mail para hipervitaminose.blog@gmail.com
e saiba minha opinião sobre seu causo… Num dói, não! Eu garanto! =]

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o que eles querem.

Nós mulheres, queremos tudo. Reclamamos da falta de cavalheirismo, de educação,  da ausência de romantismo e da falta de noção para a moda, que atinge uns e outros por aí. Não é permitido que eles nos maltratem quando estamos na TPM e muito menos esquecer alguma data comemorativa (dá até divórcio).

Eles devem cuidar de nós, nos proteger. Sem sufocar, claro. Tem que ligar, mas não muito, tem que notar, mas não muito, tem que estar presente, do ladinho, mas sempre com a ilusão de que não muito. Nada muito. Se for em falta ou em excesso a gente reclama.

Mulher insatisfeita que ama não sabe guardar absolutamente nada pra si, é uma praga, sufoca. A gente tem medo de deixar o dito pelo não dito e de vocês desistirem de nós pelo simples fato de, POSSIVELMENTE, sermos mal interpretadas.

Sim, temos total consciência do nosso desequilibro.

O que não temos a menor consciência é que para um homem fazer alguma coisa por nós devemos, antes de mais nada, provocar nele o desejo de que tais coisas sejam feitas. Não adianta cobrar, tem que merecer.

E o que eles querem, afinal?

Serem reis. Precisamos estar disponíveis quando necessário e sumir quando necessário. Nada de cobranças ou de tentar ensinar a namorar. Gentilezas e elogios são sempre bem vindos e não devemos esperar NADA em troca. Nunca. Ou, ao menos, fingir que não estamos nem aí para sermos recompensadas; homem adora um descaso. Eles gostam de ser servidos, mas não mimados, pra mimar eles tem mãe. Nada de ficar dando ordens sobre o que comer, mandar levar casaco ou guarda-chuva porque o tempo vai virar, esse erro é fatal. AH! Estava esquecendo do principal: respostas evasivas não significam nada. Tudo que você diz é literalmente interpretado, portando, se você ficar de bico, ele perguntar se está tudo bem e você responder que sim, fim de papo. Só homem de filme corre atrás de mulher emburrada (apesar de nós valorizarmos muito os que correm, por nos sentirmos especiais…).

Se nós somos complicadas, eles são mais. No dia em que eu tiver a fórmula exata de como fazer com que seu homem nunca fique decepcionado esse blog perderá completamente o sentido. Mas vamos tentando, não é?

Você está sendo uma boa namorada, esposa, noiva? O importante é refletir. E parar de se aborrecer quando as demonstrações de amor não são à altura do que você espera. No mundo masculino se ele diz que ama… Ama. Nem sempre precisa ficar cheio de carinhos, presentes, gentilezas… Ahhhh… Seria TÃO bom se tudo na vida fosse como a gente espera…

Homens, esse post também é pra vocês: agradem suas mulheres. Enquanto pra vocês uma palavra de conforto é pura bobagem, pra nós, não é. E algumas coisas na vida, por muitas e muitas vezes, devem ser feitas de graça. Pelo tal do amor.

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cabeça de sogra.


Você cria os filhos com todo o amor e carinho do mundo. Ensina a andar, comer e falar. Orienta sobre como se portar em público, sempre com educação, fala sobre os acidentes, sobre as maldadas do mundo, explica sobre a morte, de onde vem os bebês e mais uma série de coisas que a gente não sabe exatamente como vieram parar na nossa cabeça porque parece que desde sempre estiveram por lá.

É você quem proibe.

Que fala palavrão, mas insiste para não fazerem o mesmo, que come gordura e bolo de chocolate quente, mas não oferece pra quem ainda não tem nem estômago forte o suficiente para isso. É você quem impede os filhos de ir às festas, de voltar de madrugada pra casa. Que nega mil coisas,  que na adolescência é evitada na porta das escola e não é mais tão querida no dia-a-dia. É de você que eles saem, mas é para o mundo que eles vão.

De uma forma quase que ofensiva eles vão se desligando; deve ser triste quando isso acontece. As primeiras semanas fora, as viagens, os primeiros encontros. Nessa última parte o negócio fica perigoso. O filho encontra alguém que nunca fez nada de tão importante por ele, mas, que por algum motivo incompreensível, ele se importa tanto à ponto de ceder o melhor lugar da mesa na hora do jantar e por em prática tudo aquilo que você ensinou. Para ela, ele abre a porta do carro. Reserva o melhor pedaço do bolo e fica HORAS à fio no telefone. Ela é quem recebe as juras de amor que foram negadas à você depois dele ter completado 6 anos de idade, é para ela que ele compra aquele brinco de pérola que você sempre sonhou.

Com você ele absorveu todas as instruções de como tratar bem uma mulher para, na prática, dar tudo isso à outra. Uma traição que você sabia que ia acontecer, mas que quando está lá, na frente dos seus olhos, você quer morrer. A moça, que nada tem a ver com isso, faz de tudo para agradar, mas você é irredutível. Reclama do modo que ela fala e se veste, reclama do modo que ela age. Sente ciúmes do tempo que ele passa longe de você, arranja programas e mais programas insuportáveis pra testar a paciência (e o amor) da moça. Se ela estiver incomodada, que vá embora, melhor.  Tenta impedir passeios, pára de pagar a conta de celular, o proibe de pegar o carro aos finais de semana. Não tem mais mesada, não tem mais nenhuma vantagem se continuar a namorar com essa talzinha aí, sem família, que quer te roubar dela. Sendo que há anos vocês já não eram mais assim, tão ligados.

O mais triste ainda é que, sob essas condições de tirania, geralmente um namoro acaba. Ninguém aguenta sogra louca e família complicada, poucos relacionamentos resistem à descaso, desprezo, maus tratos e falta de educação. As mães ensinam tudo para os filhos para que depois, quando eles finalmente encontram alguém para aplicar os conhecimentos recebidos, ajam como loucas e façam tudo, TUDO ao contrário.

A minha sogra atual, graças a Deus, é um ser evoluído e NUNCA agiu assim. Mas se você, nessas linhas, não encontrar qualquer semelhança com a vida real, considere-se uma pessoa de sorte. E aproveite bem esse amor familiarmente tranquilo.

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sem argumentos.

Não é incomum ver em ambientes públicos alguma briga de casal. Dos barraqueiros aos mais discretos o quadro é sempre o mesmo, alarmante: ele de braço cruzado com cara de poucos amigos e ela, em prantos. Sempre em prantos. Dizem que nós mulheres somos sensíveis, que choramos até em comercial de margarina e cartão de crédito, mas a verdade é que caímos em lágrimas quando queremos acabar de vez com uma discussão ou quando estamos sem argumentos. Triste chorar para provocar pena, mas às vezes vocês são tão racionais que a gente precisa apelar.

Insistimos em discussões fundamentadas em nada. Estávamos num mau dia, a culpa era da TPM, ou simplesmente queríamos um pouco de atenção. Saibam, homens, que nós adoramos uma atenção. E que quase nunca temos consciência que realizamos todo esse processo inescrupuloso de iniciar uma discussão sem maiores fins, somente para nos sentirmos ainda amadas ou pra saber que valemos a pena o desgaste verbal de vocês. Aliás, não acredito em relacionamento sem discussão, tudo o que é muito parado está doente, que nem criança apática em parque de diversão; algo não está bem.

Sabemos que gritamos sem razão e que vocês odeiam chiliques. Sabemos que por muitas vezes não há reais motivos para ter ciúmes, para nos sentirmos ofendidas ou dispensadas, sabemos quando estamos em crise mas não gostamos de admitir: é melhor ser louca que assumir que implicamos por um sem número de coisas sem sentido. Até porque vocês também piram, bem menos que nós, é claro, mas também tem seus surtos sem maiores justificativas.

Um homem, decente, é claro, quando ama, odeia fazer a mulher chorar. Odeia ser aquele que fez doer em alguma parte, que mesmo dotado de todas as razões do planeta terra nos magoou, machucou e tem na sua frente, lacrimalmente falando, a evidência do nosso aborrecimento.

E, agora, pensando melhor, a gente chora não porque não tem mais o que falar, mas porque a gente sente. E percebe que chega um momento da discussão no qual vocês devem sentir também.

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romance instantâneo.

As mulheres tem reclamado que os homens não querem se comprometer. Os homens tem reclamado que falta mulherada de qualidade no mercado. Que descompasso é esse, minha gente? Tendo em mente que tanto os homens quanto as mulheres que eu tenho contato são pessoas realmente interessantes, no sentido amplo da coisa, porque as pessoas andam se desencontrando dessa forma?

Acho que ficamos muito presos à teoria, escolhemos demais e paramos de nos envolver.

Ou porque temos medo que dê terrivelmente errado, como muitas e muitas vezes já aconteceu na minha vida e na de vocês, ou porque tememos que dê certo. Esquisito, não?  Quando um envolvimento qualquer funciona ele gera novas responsabiliades e preocupações que também podem vir a ser problemáticas. Tudo na vida tem seu lado complicado.

Ficamos sempre no raso, como crianças sem bóia na piscina. Conhecer à fundo uma pessoa demanda um tempo que hoje não temos nem para nós mesmos. A gente quer todo um romance pronto, à primeira vista, um bater de santo logo no olhar. Preguicinha de ficar perguntando sobre as preferências, discutindo sobre a vida, falando daquilo que interessa. Até porque o que é interessante pra mim pode não ser para o outro e imagina que saco ser descartada por gostar de pagode e não de rock? Melhor nem revelar certas tendências.

Gostamos e achamos confortável desconhecer. E continuando nesse ritmo é impossível ter real interesse sobre alguém, a vida não é como nos filmes, infelizmente. Na vida real ele é muito gordo, ou muito intelectual, ou muito superficial, ou muito respeitoso, ou muito cansativo, ou muito alguma outra coisa. Nosso inconsciente sabe que vai ser difícil ter alguma coisa com alguém tão diferente então nem ousamos tentar pra depois dizer por aí que a culpa é dos homens, das mulheres ou do mercado que anda fraco.

A culpa toda é da nossa lógica.

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sem memória.

Desde que eu comecei a usar aparelho notei que não tenho memória pra dor. Coloco um elástico aqui, aperto dali, como algo mais duro e a minha boca rasga INTEIRA. Juro que na hora sinto dores TERRÍVEIS que, depois, eu nem lembro direito como foram. Se eu tivesse que descrever como é usar aparelho, não saberia ao certo como dizer. Poderia falar que é ruim, mas que, no final das contas, vale a pena a dor em relação ao benefício, mesmo tendo consciencia que já desejei arrancar no dedo, inúmeras vezes, cada uma dessas pecinhas malditas.

Será que é isso que acontece com os assuntos do coração? A gente se machuca, sabe que foi terrível, mas o tempo passa, as coisas cicatrizam e, quando não ficam marcas, a gente nem lembra mais que elas estiveram lá? Será que deveríamos ser assim?

Quando um namoro é saudável e os bons momentos superam as dores acho natural (e também correto) dar uma esquecidinha involuntária na parte ruim do que se viveu. Mas e quando o amor não tem cara de amor? Quando as mulheres apanham dos maridos, são abusadas pelos pais, traídas, inúmeras e inúmeras vezes? Ou quando sentem-se diminuídas, excluídas, esquecidas ao ponto de todo mundo saber que elas não deveriam mais estar vivendo tudo aquilo, mas elas estão? O que fazer? Por que essas mulheres não apresentam a menor recordação da dor?

Há quem diga que é questão de auto-estima. Que elas amam-se tão pouco que atribuem a si mesmas a culpa pelo que recebem. Acho  cômodo pensar assim. Nós não somos árvores, podemos mudar o rumo das nossas vidas à todo o momento, não precisamos ficar lá, com raízes fincadas em solo podre. E, por muitas vezes, ficamos. Insistimos em nos calar para não gerar uma briga, insistimos em não nos separar para poupar os filhos ou a imagem no trabalho, temos medo que mudar seja ainda mais doloroso que suportar.

Quero que essas mulheres (homens, crianças, adolescentes…) pensem que aceitar situações que nos fazem sofrer diariamente não é prova de coragem. É prova de que alguma coisa dentro da gente acha que precisa de punição, sem sequer existir a menor lógica de culpa.

Se você andou sofrendo mais do que merece, com certeza já aprendeu a sua lição de vida, seja ela qual for. Agora chega de ter medo de virar essa mesa. É hora de agir por você (o mais rápido possível.)

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