Vontades secretas que vem do nada.

Vem cá, conta pra mim o que mora aí na sua cabecinha.

Eu sei que você às vezes tem vontade de não ter tido esse neném lindo que está aí do seu lado, mas vamos por partes: tenho certeza que você nem queria ter se envolvido amorosamente e profundamente com ninguém, para começo de conversa. Sei que às vezes ser casada é uma merda. Você é nova, você é gata, tem tanta gente nesse mundão e tanta vida lá fora pra viver, que porra essa coisa de ter que ficar resolvendo qual cor vai escolher pros azulejos do banheiro, né? Que merda deixar de comprar aquele vestido bafo porque precisa parcelar o IPVA. Eu te entendo, miga, você precisa de férias. Se pelo menos seu marido fosse rico, ou você rica de berço, se pelo menos você não precisasse aguentar seu chefe de merda, nesse trabalho de merda ou enfrentar todos os dias um transporte público de merda pra chegar no escritório – onde tudo também anda uma merda e coisa e tal, mas não. Bosta vem em combo. Nada está bom. Aquela secretária estúpida mandou todos os papéis errado e as cobranças parecem que vem em tiroteiro, de tudo quanto é lado: é a família que quer um novo bebê, é o chefe querendo mais resultados, é você mesma precisando ficar mais magra, proficiente no inglês, cheia de flexibilidade na yoga ou a puta que o pariu.

A gente tem vontade de comer um bolo inteiro, dois bolos inteiros, sozinha, vendo Netflix, nos próximos 3 meses. Não quer ter essa obrigatoriedade maldita social de sempre confraternizar com a família, ir em chá de bebê, participar de batizado, mutirão da solidariedade, festinha da academia. Eu sei que você também pensa assim. Tem dias que tem vontade vontade de sumir de si mesma, de dar uma pausa na rotina, de raspar a perna, cair na vida e criar uma personagem selvagem que vive cada dia como se fosse o único – e que se danem as crianças na escola, a roupa pra passar, a janta por fazer, o chão da cozinha literalmente cagado de cocô de cachorro, por inteiro, pra você limpar. Que se foda essa vida comum toda.

Eu sei que sua vontade secreta é de não ser você mesma, muitas vezes. De não ter feito essas escolhas que fez, de não estar nesse mundo que achou que seria ótimo, mas querida, aqui está a verdade sobre todas as vidas: num tá fácil pra ninguém não. E pra cada “rebosteio” temos também os sorrisos, os vinhos tintos, os finais de semana de sol, os passeios no parque, a comida caseira, fresquinha, nossa, tem coisa mais gostosa que um arroz recém feitinho? Num tem não.

E as primeiras palavras do seu filho, opiniões, conquistas, o cheiro de cama limpa, o reconhecimento mínimo por algo que você se esforçou por meses, o abraço sincero de quem a gente ama, aquela “brusinha” da promoção… A gente tem muitas coisas boas pra comemorar, mas a gente se foca nas que irritam, nas mini insatisfações, acontece.

E que esse texto te sirva de alívio para relembrar que se a gente tem um emprego normal, uma família normal e uma vida minimamente normal, vai se encher dela. E tudo bem, eu guardo o seu segredo comigo, fica tranquila. Também tenho essas vontades secretas que vem do nada…

Continue Reading

vadias s.a.

 

Desde já vai meu aviso: esse post é polêmico. Se você é muito conservador (a), esqueça. Talvez meus pensamentos te ofendam, talvez você nunca mais volte a ler esse blog novamente. Entretanto, se você está disposto, curioso e com a mente aberta… Fique à vontade. E claro, dê sua opinião. Se tudo o que eu escrevesse fosse certo… Minha vida seria perfeita, não é?

 

Toda mulher é uma vadia em potencial. Das mais castas, às mais soltinhas. Das mais novas, às mais velhas. Das magras, das gordas, das neuróticas às tranquilas; qualquer uma, sem exceção. Algumas enxergam isso e aceitam sua condição. Outras não. Toda a mulher já xingou, mesmo que mentalmente, pelo menos 5 mulheres por coisas que ela mesma já fez. Ou faria. Ou já viu a melhor amiga fazer e achou o máximo.

Toda mulher já chamou outra de gorda. Já achou o marido alheio gato. Todas elas. E isso não significa nada. Apenas que é preciso ponderar antes de sair por aí julgando quem a gente mal conhece. A vadia de hoje, é a sua irmã amanhã. A vadia de hoje, pode ser você. Será provavelmente.

As mulheres são, constantemente, hipócritas. E seus julgamentos tem ligação direta com suas relações pessoais. Se a prima fez, não é tão ruim. Se a atual do ex fez, é terrível, abominável. Como alguém pode ser assim tão desprezível, não é mesmo? Pensamos.

E somos cruéis. Não nos basta apenas pensar o mal, temos que agir contra esses “absurdos”. Temos sede de “justiça”. Queremos que a outra morra, que seus peitos caiam, que a bunda encha de celulite. E maldizemos a piranha até o infinito, não adianta negar. Aquela galinha, maldita, aquela vaca vesga, porca, suja. E por aí vai.

Com o passar dos anos, e conforme vou conhecendo as pessoas, passei a julgar mais e mais rapidamente. Não deixei de cometer meus julgamentos equivocados, muito pelo contrário. Me tornei mais ácida. Mas também predisposta a mudar de ideia se me provarem que não é bem por aí.

Na vida real, ao contrário das ciências exatas, onde conseguimos controlar os resultados, nada é preto no branco. Somos movidos, o tempo todo, pelos sentimentos, pelas circunstâncias e pela razão também, claro. Ou pela falta dela. Todo mundo está sujeito a uma cagadinha aqui ou ali. Todo mundo. E se é assim, porque somos tão pesados ao olhar para quem desconhecemos? Porque não olhamos as situações com a nossa dose de discernimento e filtros que aplicamos àqueles que nos importam?

Sejamos conscientes. Por favor.

E menos cagadores de regras.

Continue Reading

sobre a magreza e a felicidade.

Fiquei assustada quando ouvi pela primeira vez que minha vida deve ser muito mais fácil (e feliz) por eu ser magra. De verdade. E isso se repetiu mais umas duas, três, quatro vezes. Na fila do banco, no restaurante por quilo. Na farmácia comprando pílula, na festa de criança que eu fui semana passada.

Não é fácil ser feliz, cara. Pra ninguém. E não cabe na minha cabeça porque ser magra passou a ser sinônimo de felicidade. Ser magra, na verdade, pode ser um saco. Tudo veste em você que nem um cabide. Num tem decote, nem saia curtinha que faça seu peito ou sua bunda parecerem maiores e vou te dizer: que coisa horrível é usar sandália anabela tendo dois gravetos no lugar das pernas. Pessoal, ser feliz é mais que ter barriga negativa. Acredito, aliás, que tenha mais relação com a positividade de todas as coisas de que com essa coisa de querer, a todo custo, parecer esquelética.

Não é chato quando um homem só consegue pensar no tamanho do bíceps? Então por que a gente tem que se tornar psicótica por malhação? Por que num dá pra tentar viver com MODERAÇÃO ao invés de ser alocka do Way Protein?

Sou feliz porque coloco um sutiãzinho com bojo, um batom vermelho e óh, tô lindona, tô travesti. Sou feliz porque eu quero ser. E miserável também, inúmeras vezes. Sou feliz na casa com piscina, na rua, na chuva, na fazenda. E você também pode ser. Num tem cintura? Mete um cinto! Acha as pernas muito grossas? Põe um salto aí, mulher! Alonga esse corpão! Não deixe, jamais, de comer um belo de um chocolate na TPM ou de fazer a dieta das ervas quando se sentir inchada, não deixe que essa ou aquela conduta domine a sua vida: é você quem manda nela.

Quem consegue suportar gente obcecada por dieta? Quem consegue viver pro resto da vida comendo pão de grãos e iogurte natural desnatado? (que é ruim até integral?) Pelo amor de Deus. Certamente a felicidade não está numa perna dura e num cérebro vazio. Não está num sorriso perfeito, nem num cabelo de novela. Ser feliz é mais, muito mais, bem mais que isso. Está dentro da gente, não no que a gente veste. Está no modo como a gente se mostra, não naquilo que as pessoas vêem.

Parem com essa ideia de quem só quem mostra a clavícula é que tem um corpo daora. Avião, gente, tem que ter pneu. A melhor parte da picanha é a gordurinha. E por aí vai.

Você nem sabe se a modelete lá, toda trabalhada no brilho, no salto e no gloss, majééérrima na capa da revista, está doente. Se está contente, se sofre por amor, se tem medo de escuro, se sente aflição ao estalar os dedos. Se gosta de Arnaldo ou de Marisa, se prefere dia ou noite, praia ou montanha. Você não sabe nada sobre ninguém analisando uma bunda. No máximo que ela perde um tempo danado fazendo agachamentos.

Se ser feliz é só desfilar um saco de ossos, deve ser muito fácil pras artistas namorar, né? Casar. Ter uma vida bacanuda. Deve ser fácil pra caramba ter essa obrigação com a imagem, não poder sair de havaianas e coque, não poder ir remelenta até a padaria. E isso se estende (obrigada @lecticia!!), às blogueiras de moda, de make, de cabelo, etc, etc etc, que são gente da gente. Nossas vizinhas, nossas amigas de bairro, nossas companheiras virtuais.

Não é fácil ser feliz, não. Nem pra quem tem muito dinheiro. Nem pra quem é óh, gostosona.

Se a  academia não funciona, se a calça não fecha, se a blusa cai mal…Vamos investir mais naquilo que está dentro da nossa cabeça e nos monstros que só a gente vê?

Tem gente precisando.

Continue Reading

por que os homens devem parar de agir como macacos? (e as mulheres de gostar disso).

Para quem não acompanha o blog desde o início, e não sabe muito sobre a minha vida, nasci e cresci em Santos, uma cidade de mais ou menos 500 mil habitantes no litoral sul de São Paulo. Como é muito comum em cidades de praia, homens, mulheres e crianças, ricas ou pobres, gordas ou magras, por simples imposição geográfica e climática, optam por usar roupas mais leves, curtas e são obrigadas a conviver com um calor que, em janeiro, pode chegar aos 40 graus.

Neste contexto, nos meus mais de 18 anos de história bem vividas por lá, era comum ver mulheres usando vestidos e saias justos, shortinhos jeans e saídas de praia completamente transparentes, regatas e decotes sem, no entanto, exibir mais do que o adequado para a tal convivência social que divide o bacana do vulgar – critérios dos quais eu nunca vou entender por completo.

Lembro-me bem que quando cheguei em São Paulo era janeiro, e  fazia uns 33 graus. Como já havia sido orientada pelas amigas paulistanas, vesti calça jeans e camiseta, derretendo no asfalto, e estranhei que num lugar onde tantas pessoas vivem aglomeradas – o tempo inteiro – as mulheres insistiam em nunca, jamais, colocar um vestido ou uma saia para ter um pouco mais de conforto no verão. Afinal, num país tropical, quem se submeteria a usar burca em situações nas quais essa não fosse uma exigência? Quem aceitaria viver cobrindo suas formas quando, definitivamente, não estaria exibindo nada além dos joelhos para ter um dia um pouco mais fresco? Em pouco tempo descobri: quem convive constantemente com o medo. E quem entende que não é a roupa curta, justa, decotada ou a calça jeans que impõe limites.

Em São Paulo conheci as mulheres mais incríveis, evoluídas e intelectuais da minha vida. Conheci gente de direita, de esquerda,  da periferia, da elite  e, talvez, devido às características da minha profissão, passei bastante tempo ouvindo histórias e aprendi muito com cada um dos personagens que, aos poucos, foram me fazendo ter vontade de escrever – e trazer à tona os relatos que, de tão diferentes, encontravam-se em algum ponto. Fui testemunha e protagonista de casos de assédio – leves e brutais – de cantadas de mal gosto, de olhares abusivos e de mais uma série de sutilezas que me fizeram pensar: por que, exatamente, aceitamos conviver em meio a tanta violência?

Há muito nos perdemos do aceitável. Há muito nos consideramos culpadas – e não vítimas – do atrito social que divide o sexo e os desejos da agressão verbal, física e moral. Há muito até passamos a gostar disso (salvo as devidas proporções) e, em alguns, casos a utilizar a sedução como ferramenta para conquistar as coisas que de nada tem a ver com o corpo. Nunca estivemos tão presas.

Só sei que alguma coisa se perdeu. A liberdade de como se comportar atingiu níveis incontroláveis – tudo é possível, tudo é permitido, tudo se torna aceitável.

Acho que esse deve ser mais um daqueles momentos em que a sociedade volta à barbárie, sabe? Pra eliminar o que está ruim. E não faço a menor ideia de como começar a combater isso.

Só sei que escrever, e apenas isso, não adianta. Ainda assim, me senti na obrigação de fazê-lo.

Homens e mulheres, pensem, mudem. Tem pouca gente por aí fazendo isso.

Continue Reading

teimosia feminina.

Tenho certeza que você não vai querer admitir, mas nós mulheres somos teimosas. Muito. Com todas as coisas. O ticket do estacionamento, por exemplo, nunca está com a gente. Aquela batidinha no pára-choque do carro não temos a menor noção de como aconteceu. Insistimos em dizer que não temos ciúmes, nunca, nem um pouquinho. É só cuidado. Também afirmamos que não ligamos pra marca de nada, nem para jóias. E ficamos ofendidíssimas se insistem em dizer o contrário. Somos tão teimosas que queremos fazer tudo sozinhas e até conseguimos. Mas seria muito melhor ter alguém para ajudar – é que a gente de-tes-ta dar o braço a torcer. Somos o sexo forte, afinal. Aquele que tem os filhos, cuida deles, da casa, das roupas, das contas e ainda está sempre linda. Sempre disposta. E sempre certa.

Brigamos com o gerente do banco mesmo sabendo que esquecemos mesmo de pagar aquela conta e negamos até o fim que um dia tivemos interesse pelo jardineiro gato. Nem sabemos ao certo porque deixamos de admitir algumas coisas, acho que faz parte da nossa genética, da nossa criação, do fato de termos esse desejo de nunca depender dos homens, do chefe, do mundo – mesmo fazendo parte da parcela da população que mais sabe o quanto precisamos de alguém. Qualquer alguém.

Os homens, que ainda não entenderam que não viemos com manual, que nos aborrecemos, de fato, por assuntos aparentemente banais e que ainda não aprenderam a rir da nossa bizarra teimosia, precisam se atualizar.

Só assim é possível conviver com harmonia.

E recolher o melhor de uma mulher de verdade. Teimosa e sensacional.

Continue Reading

lisinha.

O assunto, na mesa do almoço, era depilação. E tem lugar mais apropriado pra falar sobre isso?

As mulheres, quando juntas em qualquer ambiente, tem um poder incrível de anular toda e qualquer influência externa, é incrível. Como se entrassem numa bolha e nada, nem ninguém ao redor, fosse capaz de ouvir qualquer intimidade ou exaltação proferida. Vale falar do marido, do amante, vale palavrão e até reclamar da mãe. O laser, a cera, os procedimentos mais doloridos, sórdidos e pessoais. As preferências de estilo, forma e cor, declaradas, escrachadas, colocadas todas em pratos limpos com a maior naturalidade do mundo – como se a timidez fosse algo que não existisse. Risadas altas, histéricas, casos de amor que não se importavam com esse ou aquele pelinho a mais, outros mais exóticos, que preferiam “penteados” geométricos, os fãs do estilo “recém nascido”, e muita naturalidade e jogo de cintura para falar de si sem se importar com nada (e nem ser julgada por isso).

Ser mulher é contraditório. É estar sempre arrumada e preocupada com o que os outros vão pensar sem nem ao certo saber quem são esses outros (ou se, de fato, se importam com o que acontece com a sua vida). É ser super encanada com o peso, com o biquíni e, ao mesmo tempo, ter um descaramento sobre aqueles temas que os homens morrem de vergonha de comentar: o exame de próstata, o amigo de infância viado, o filho que detesta futebol, o fato de gostar de música romântica e não assumir, etc, etc, etc.

Somos loucas, pouco santas, mas muito, muito felizes. Afinal, em meio a um mundo com tantas restrições, nada melhor que sair da linha em alguns momentos, não é mesmo? Acho que os homens deveriam tentar.

**********

Esse post é resultado de uma enquete na página do Facebook do Hiper sobre qual assunto os  leitores gostariam de ler mais por aqui. Comportamento Masculino X Comportamento Feminino foi campeão disparado!!! E você? Quer ler alguma coisa por aqui que eu ainda não escrevi? Mande um e-mail ou uma mensagem lá no Face! =D

Pode ter certeza que assim que possível, atenderei seu pedido!

Continue Reading

blasé.

A tecnologia acabou com as desculpas esfarrapadas. Se você recebe uma mensagem e não quer responder, desconecte-se do seu Facebook. Não adianta dizer que estava em reunião se seu último check in foi na padaria da esquina. Sem enganações, sem palhaçada:  sabemos que nem sempre somos exclusivas ou únicas, mas adoramos nos enganar. Ou melhor, adoramos tentar conquistar o posto de principais com jeitinho, sem neurose. Não dificultem as coisas.

Ser mulher e estar apaixonada por um cara é andar na corda bamba, mas simular ser blasé. É viver a mercê do sujeito e fingir que não se importa com isso. É saber sobre a rotina do outro e dar uma de desentendida. É não ligar mesmo quando deseja, precisa e deveria. Afinal, que homem gosta de ter ao seu lado uma verdadeira controladora? Temos ao menos que fingir que não estamos nem aí: nada pior para o ego masculino que o descaso.

Os jogos de conquista são um saco, mas se fazem necessários: ninguém gosta de ser tachada de desesperada à procura, não é mesmo? Ainda que seja a mais pura verdade…

Homens, entendam: mulher precisa ter hora, lugar e prazo. Se você está verdadeiramente interessado, planeje-se. Não deixe o dito pelo não dito, não faça com que a nossa espera se torne uma agonia – só a mulher sabe o verdadeiro significado da palavra ansiedade. Nada deixa o sexo feminino mais desorientado que a incerteza. É melhor ter uma amante e  falar na nossa cara, é melhor avisar que vai se atrasar por casa do futebol. Não diga que já saiu de casa ou que chega em 5 minutos se for demorar 2hs, isso é fatal para o nosso equilíbrio e crucial para nossa estabilidade.

Os primeiros momentos de um relacionamento são aqueles que definem seu desenvolvimento. Precisamos de tempo para pensar no melhor a ser dito, na roupa mais adequada, na postura, no sorriso e, obviamente, não parecer agoniadas por impressionar. Mulheres experientes são excelente atrizes: tudo é sutilmente planejado para parecer espontâneo.

Sabemos que não somos incríveis, mas não dá pra exibir todos os nossos defeitos de prima (pode ser que vocês se assustem). Não acabem com a nossa paz com essa postura desencanada, de bem com a vida e tão natural que lhes é peculiar. Não deixem para em cima da hora para planejar as coias.

Se esforcem, por favor. Prioridade, por favor.

E recebam de brinde o nosso melhor.

Continue Reading

o mundo é das vagabundas

Estou cheia de escutar conversinha de corredor em que fulana de tal foi trocada por uma desclassificada sem família. Cansada também de ouvir a mulherada reclamar pelos cantos, cheia de recalque, que os homens preferem as vagabundas. Que não gostam das mulheres que prezam pelo seu intelecto e sim, pelo corpo. Que não adianta ser uma boa profissional, elegante e fiel que o que eles querem mesmo é carne – em abundância – e, de preferência, exposta.

Odeio rótulos. O termo vagabunda, extremamente pejorativo, pode significar diversas coisas segundo o seu contexto. Aquela mulher que opta por experimentar diferentes caras antes de ter um envolvimento mais profundo, que valoriza o seu corpo e se veste para matar, não é, necessariamente, uma vagabunda. Ela também pode ter seu lado romântico, ser inteligentíssima e, acima de todas as coisas, saber o que quer. Não há nada mais afrodisíaco do que uma mulher que não se deixa levar pelos encantos masculinos e que, assim como eles, entende que não é todo o sapo que vira príncipe com um beijo na boca. A vagabunda é a mulher evoluída, aquela que não vai sofrer por quem não vale a pena.

As vagabundas tem história pra contar, tem bagagem. E muito mais valor do que pensam por aí. Não se importam tanto com a auto-imagem a ponto de não falar palavrão, conseguem assistir e comentar um jogo do timão sem medo de serem levadas ao ridículo. Aliás, o maior trunfo das vagabundas talvez seja isso: a ausência de medo. Não é porque ela está na casa dos 20 e ainda não namorou sério que é uma libertina. Não é porque ela não escolheu um só que deseja todos. Ela só acha que algumas coisas na vida precisam de experimentação, de tempo, de análise e, principalmente, de muita paciência para não errar.

A verdadeira vagabunda não se expõe. Não é aquela que rouba o marido da amiga ou que dá em cima do chefe; essa daí é a piranha, perigosíssima, morde sem assoprar.  A vagabunda tem muitas amigas, aconselha todas elas e desperta um pouquinho daquela inveja natural entre as mulheres, aquele sentimento de que poderíamos ser sim mais livres, por que não? Na vida da vagabunda tudo é muito mais leve, muito mais simples.

Mulheres, sejam vagabundas. Aprendam que não é preciso levar um relacionamento onde não houve encaixe nenhum adiante só para não ficarem mal faladas. Entendam que caráter e bom senso de nada tem a ver com liberdade sexual, com roupas justas ou um pouquinho de sensualidade – não nascemos diferentes dos homens à toa. Pior que libertar todos os instintos é contê-los. Melhor uma vagabunda (e por que não?) feliz, que uma enrustida frustrada.

Continue Reading

quando somos insuportáveis.

As mulheres reclamam demais. Não que não tenhamos razão de criticar uma, duas ou três atitudes, mas às vezes acho que queremos que nossas vontades sejam 100% satisfeitas; as coisas no mundo não funcionam assim.

Você sabe que tem ao seu lado uma pessoa incrível, não precisa testá-la o tempo todo. Para algumas, não basta que o homem seja gentil, tem que ser pró-ativo também, pensar antes da gente pedir. Não basta abrir mão do futebol dos sábados ou do vídeo game com os amigos tem que acompanhar em todos as festas familiares, chás de bebê e batizados infantis. Não é irritante só de pensar? Nenhuma pessoa, ainda que ame muito, tem vontade de abrir mão daquilo que gosta o tempo inteiro. Amar alguém também exige renegar um pouco as próprias vontades, ok? UM POUCO. Se o outro abre mão cabe a você fazer sua parte também.

Quando contrariadas temos uma capacidade impressionante de ser insuportáveis. Um bico enorme, um suspiro, um resmungo. Da boca pra fora dizemos que está tudo bem, que certas atitudes não importam, mas o corpo inteiro diz o contrário. E eles sabem. Todo mundo no mundo sabe, aliás (e é isso mesmo que a gente quer).

Não somos sempre assim. Não somos todas assim. Não é em todo o relacionamento que as pessoas agem dessa forma. Mas tenho certeza que você, leitora, pelo menos algumas vezes já deu chilique. Já agiu como criança fazendo birra em loja de brinquedo, incompreensiva, incapaz de entender que o outro precisa ter vida além da sua e que, aliás, isso é bastante saudável para os dois que assim seja. O grito e choro são armas infalíveis, eu sei. É terrível fazer planos, contar com o namorado, o rolinho, o marido, e saber que ele tem outro programa que não inclui você. Mas sei também que somos injustas tantas e tantas vezes que é comum sermos caracterizadas como intolerantes; é mais fácil ver por aí uma mulher fazendo doce e um homem à beira de um ataque de nervos que o contrário.

Pense bem. E pare de fazer com os outros aquilo que, definitivamente, não é postura adequada para o sexo feminino depois dos 6 anos de idade.

E sim, eles tem o direito de se cansar. E, via de regra, isso acontece.

Continue Reading

manipuladoras.

Nós mulheres sabemos desde cedo o poder das lágrimas: seja para ir àquela festa proibidíssima para menores de 18 ou para conseguir a graninha para alisar os cabelos. Fomos ensinadas a não ter vergonha daquilo que sentimos e incentivadas a agir com os sentimentos muito mais que com a razão. Os homens não podem sair por aí chorando e reclamando da vida para os amigos. Aliás, nem quando levam aquele tombo enorme no futebol eles abrem o berreiro – as lágrimas masculinas são seletivas, verdadeiras e muito, muito peculiares; para serem derramadas, tem que ter um motivo forte.

Não sei se essa é uma vantagem ou uma desvantagem do nosso sexo, mas acabamos um pouquinho mais mimadas que eles desde a infância e sabemos que nada nem ninguém resiste a um bom apelo emocional. De forma natural, ou não, sempre quando uma mulher perde a razão (ou as palavras para dizer) ela chora, comove, e consegue prolongar por um pouco mais de tempo coisas que parecem estar por um fio. É claro que existe uma série de vantagens nisso. Podemos manter casamentos, destruir famílias, acusar pessoas e sermos mais manipuladoras que dono de boca de fumo, só que há limites, obviamente, e vejo que a nova geração XX está perdendo todos eles.

As mulheres se acostumam tanto com certas situações que não aprendem a lidar com as adversidades – ou viram piriguetes ou freiras  quando encaram uma decepção. Não existe mais o meio termo. Se tudo são lágrimas, se tudo é mutável, por que aceitar a realidade como ela é? Por que recomeçar? Há aquelas que levam as vinganças tão à sério que vivem a vida do outro em detrimento da sua, que são movidas pela inveja, pelos planos não realizados, pela dor. Se a gente não deixar as coisas ruins passarem somos dominados por esses sentimentos e tornamos a vida de quem está ao nosso redor ainda mais pesada que a nossa.

Mulheres, saibam usar o seu poder de manipulação para o bem. Entendam que não é possível e nem saudável ter tudo e que embora determinada situação pareça o fim da linha pode significar um novo começo.

Muito melhor do que sonhamos.

 

Continue Reading