sobre as cartas – e suas vantagens.

Ninguém perguntou minha opinião, mas fod**-se, esse é meu blog e eu posso falar o que eu quiser (e você aí também).

Adoro escrever cartas. Carta mesmo, do próprio punho, saída de dentro da minha cabeça pra ponta da caneta BIC. Ou bilhetes, mini notas, qualquer coisa que esteja mais próxima da vida real que um e-mail. Que um comentário no feice. Que 150 caracteres de piadinha pronta no twipster.

Vocês também deveriam escrever mais pra quem importa.

Acho que as cartas te dão tempo para refletir sobre seus pensamentos, sobre o que sentimos. Se você escreve e posta, CATAPLOFT, já tá lá, feito, registrado, talvez não exatamente como deveria, como você queria. Quando você escreve no método analógico, old school, não. Você erra. Você passa a mão em cima da tinta fresca e caga todo o papel. Daí tem que fazer tudo de novo e vai mudando o que não estava tão bom. Você marca a folha com lágrima, com chocolate, você senta em cima da carta na cama e amassa todo o papel. Engordura a bordinha com manteiga e geléia. Na carta você pode espirrar perfume, pode escrever com mão de cândida porque estava dando um trato no quintal. Cartas são guardáveis, palpáveis, sólidas, armazenáveis.

Carta você pode rasgar quando tiver raiva, pode tentar colar de novo; nada no papel se perde pra sempre, de uma vez só.

Quando se escreve uma carta se dedica um tempo de vida, uma fração do que se é para o outro. Cartas são demonstrações de amor, gente. São memórias que às vezes nos traem quando nem nos reconhecemos ao ler àquilo tudo.

Na dúvida, escreva.

No mínimo, vai aliviar o que se sente.

 

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no rascunho de 2011.

Quando você me ligou eu estava no banho, eu lembro. Tinha acabado de depilar as pernas e de usar aquele shampoo incrível que deixa os cabelos cheirando 3 quarteirões. Quando você me ligou eu virei do avesso, por dentro assim, dei um pulo. Não sabia se colocava roupa de inverno ou de verão, na dúvida levei comigo um casaco. Estava com o coração quente, com os pés gelados, com a cabeça fresca.

Éramos tão jovens, eu lembro, tão inconsequentes. Eu queria terminar, queria começar, queria que fosse pra sempre. Queria beber vinho até perder a razão, até perder o sentido, até voltar a beber vodka com energético. Lembro que você me levou num barzinho aconchegante, que passava os dedos nas minhas pernas. Lembro que estávamos felizes por nada, por estarmos ali, apenas, juntos por coisa nenhuma. Você contou da sua chácara em Itu, comentou que sentia falta dos seus avós. Disse que só conseguia dormir com as luzes completamente apagadas, e suspirou quando lembrou que teria que viajar pra bem longe, na semana seguinte. Que começava no dia de amanhã.

Começamos, então, a fazer planos que sabíamos que nunca concluiríamos. Nos beijamos como se fosse a última vez, a última gota. O caminho de volta foi longo, foi triste. Eu lembro. E lembro que você, apesar de querer conhecer o mundo inteiro, tinha ele nas mãos e deixou cair no chão fazendo bastante barulho. Alto.

E nunca mais conseguiu juntar os pedaços que ficaram espalhados por aí.

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