apenas diga não.

Aprendi, a duras penas, uma lição muito valiosa nessa vida: sempre que tiver vontade (e quando não comprometer fortemente algum critério da vida adulta), diga não.

Sempre fui uma pessoa dessas abertas para o mundo, para os sentimentos alheios, para todas as experiências possíveis. Colhi, desse meu comportamento impulsivo e pouco reflexivo, muitas histórias incríveis e pessoas importantíssimas, mas no saldo geral da equação da vida…Perdi muito tempo.

Perdi tempo indo a eventos dos quais não gostava, insistindo em encontros com pessoas que não me despertavam nada além do tédio. Tinha essa síndrome de não querer perder nada, talvez uma possível faísca, uma oportunidade. Achava que ter tempo apenas para mim mesma era mal utilizar meu próprio tempo.

Me forcei a sair pra conhecer gente quando queria mesmo era comer pipoca e assistir Netflix e tentei umas 65 modalidades de esportes diferentes “para tentar me encontrar”. É claro que ao longo da jornada até esbarrei aqui e ali em uma nova e deliciosa história, em situações muito curiosas e divertidas, mas em outras tantas… Não. E em todas as vezes das quais gastei minhas horas de sono, meu vinho preferido ou aquela roupa especial, fiquei pensando: será mesmo que é se doando o tempo todo que achamos o que é preciso? E a resposta, que hoje tenho na ponta da língua é: não. Doando é que a gente se desgasta com medo de perder o que nem sabemos o que.

Não, obrigada, quero descansar hoje”.

“Não, não posso, tenho um compromisso importantíssimo comigo mesma.”

“Não vai dar não, valeu, mas entrei num detox de comer tanta porcaria.”

E por aí vai.

Não ceda para ganhar, aprenda a negar para identificar, com muita facilidade, aquilo que importa. Seja fazer a unha do pé, ou arrumar a gaveta do armário. Seja economizar hoje, para viajar amanhã. Seja para se poupar para algo que REALMENTE toque no peito, dê satisfação, prazer, que faça rir. Devemos estar abertos às situações boas da vida, aos amigos, às viagens inesperadas, às coisas que nos são positivas, mas estar o tempo todo aberto a tudo não é positivo. Desorienta. Cansa.

A vida e muito curta para darmos atenção pra gente que não vai acrescentar nada ou pior ainda: que pode até esvaziar.

Apenas diga não. Respire aliviada e pare de se forçar a coisas das quais não valem a pena. Entenda o que é importante. Só assim é possível encontrar a felicidade nas pequenas coisas – e a aproveitá-las quando acontece.

Pode começar já.

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a intimidade que não nos cabe.

Não sei se vocês vivem no mesmo mundo que eu, mas ando um pouco constrangida com o meu mundo. Com o excesso de compartilhamento de informações sobre a intimidade alheia, e, pior que isso: um exagero total e absoluto sobre toda a sorte de temas que, na minha opinião, só dizem respeito a quem as vive. Sei bem que quando passamos por algo muito sensacional, precisamos dividir. Precisamos mesmo. Mas há limites. Para as mães e filhas, entre amigas, médicos, no trabalho e no salão de beleza – tudo nos é lícito, mas, nem tudo, nos convém.

As mulheres ficam emputecidas quando um homem descreve suas façanhas em uma mesa de bar. Quando contam vantagem sobre essa ou aquela gata, sobre posições, locais exóticos onde fizeram loucuras ou sobre qualquer coisa que exponha sua intimidade. Por que, então, nós mulheres decidimos fazer exatamente o mesmo? Só que com as nossas próprias aventuras? Vivemos uma fase de exposição tão grande quanto os homens, mas como tudo que nos cabe, para o bem ou para o mal, fazemos com louvor – com mais detalhes, mais empolgação, mais nomes envolvidos.

Isso precisa parar.

Talvez seja o feminismo, que domina o nosso tempo, e impõe certas liberdades, não sei muito bem quando começamos a nos sentir mais à vontade para falar sobre sexo. Se faz bem ou mal para os compartilhadores compulsivos, não sei.  Mas venho por meio desse dizer que, para algumas pessoas, incomoda. Principalmente quando estamos em um ambiente que não convém, ou quando acabamos por saber demais de quem não temos tanta intimidade assim…E nem queremos ter.  Aquela tia mais saidinha, o chefe, a mulher do caixa do supermercado… E a lista segue infinita.

Qual a necessidade disso, afinal? Porque a imaginação dos seres humanos não tem limites. Pra mim, a “picanha dos relacionamentos” deve ser dividida apenas para quem pode degustá-la. Ainda que pareça muito correto ensinar esse ou aquele truque “prázamiga”, ainda que seja muito tentador espalharmos pelos quatro cantos do mundo que já estivemos numa pior; mas que hoje, meu bem, AGUENTA CORAÇÃO, vamos tentar controlar a boca? O órgão mais vital para a nossa sobrevivência social?

Até porque, gritar a felicidade bem alto pode atrair do bom, do ruim, e do que menos se espera.

É possível ser incrível em silêncio, acreditem. E compartilhar só o que importa com quem realmente torce pra que tudo dê certo.

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mensagem indireta.

No auge dos meus 24 anos ainda esbarro com casos de amor que me parecem advindos de algum lugar muito distante do passado, lá pros 13, 14 anos, quando tínhamos vergonha de dizer até mesmo que já usávamos absorvente.

Quem já leu algumas crônicas aqui do blog sabe o quanto eu detesto os malditos joguinhos de conquista e o quanto eles fazem com que um relacionamento, qualquer que seja, já comece baseado em conceitos errados de uma pessoa em relação a outra. Você ri das piadas sem graça, escuta com paciência os papos de família, aprende a beber, aprende a sair, aprende a gostar de futebol, enfim, se transforma em uma pessoa que não é para conquistar o bofe em questão.

Ontem, você fumava maconha, hoje, acha careta. Ontem você era fã de funk neurótico, hoje, só ouve gospel. Que saco. Saibam que tudo isso, tudo o que você é, eventualmente, vai vir à tona com o passar do tempo, quando você conseguir conquistar a pessoa querida e já estiver de saco cheio de tanto simular interesse por coisas que detesta.

Não precisamos disso.

Por mais insuportáveis e desinteressantes que acreditamos ser, um namoro decente só funciona se formos sinceros. Se conversarmos livremente sobre qualquer assunto com a pessoa que gostamos sem precisar de intermediários, sem precisar que a amiga, a prima, ou qualquer terceiro faça a conexão entre uma parte e outra, jogando a real, se mostrando HUMANO. Não entendo esse medo de dar errado, de ser mal compreendido. Você só vai ser mal interpretado se a pessoa não sentir o mesmo que você, se não quiser ter casa, família e 3 filhos, sabe? Que bom, então, que você descobriu essas coisas antes mesmo de se envolver desejando tudo isso.

Chega de mensagens indiretas. Amar sem agir em relação a isso é ridículo.

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