sonhos, expectativas e realidade.

Eu acho que sonhar é algo inerente à vida humana, mas sou cética. Não acho que quem acredita sempre alcança, como fala a música do Legião Urbana, acho que precisamos estar sempre conectados com a realidade para conseguir traçar planos objetivos que nos façam atingir nossos sonhos, porque, em caso contrário, a fantasia nos consome. Acabamos por não viver o hoje porque estamos sempre presos no amanhã e nos conceitos que criamos sobre como gostaríamos que fosse nossa vida, nos afastando, obviamente, da vida real em si.

Conheço uma mulher que almeja coisas que não possui na esperança de ter outras que a supram. Ela não consegue enxergar, na realidade dela as coisas reais de fato e se aprisionou na ideia de que é uma dona de casa infeliz, sem diversão, escrava de um casamento que não correspondeu aos seus sonhos da juventude. Essa mulher ainda se vê com 25 anos, buscando todos esses sonhos e ainda não conseguiu perceber que o tempo passou,que  ela fez algumas escolhas erradas aqui e ali e que a vida não é mole assim, como a gente pensa. Pra ninguém.

Não é que ela seja vítima do mundo, infeliz e mal sucedida, com ela a coisa fluiu como fluiu pra todo mundo, mas ela estava tão preocupada em ser quem não era e parecer mil coisas para os outros que esqueceu-se de que, para concretizar as coisas, é preciso escolher um caminho e persistir ele e não esperar que tudo se resolva como na novela das 21h00. Hoje essa mulher não se posiciona e não enxerga suas próprias conquistas, amadureceu fisicamente, mas não emocionalmente. Tem crises de ciúme adolescente, surtos emocionais de carência e toma atitudes estúpidas, que afastam as pessoas, numa busca desenfreada de atenção. Ela não é má pessoa, apenas sofre com uma construção de vida da qual não consegue se libertar e nem enxergar a realidade como ela é.

Infelizmente, e eu sei que demoramos a aceitar esse fato,  não podemos ter tudo sempre. Sonhos que não são práticos beiram à loucura e não nos direcionam a lugar algum. A gente precisa construir nossas aspirações a partir do solo que a gente tem e não querer voltar no tempo, ou desejar a vida do outro, ou uma realidade completamente distante da nossa. Eu acho que nunca é tarde para mudarmos de rumo, darmos a volta e fazermos outro caminho, mas esse conceito de que a vida é unicamente uma construção nossa precisa ser quebrado.

Existe sorte sim, acaso sim, e gente que cavou oportunidades de um jeito inesperado, nem tudo é só aquilo que desejamos, buscamos desenvolver e evoluir linearmente. Filho não segura casamento, ensino superior não garante emprego, bom emprego não garante felicidade e ter dinheiro ajuda, mas não é tudo. Precisamos saber lidar com os nossos fracassos, buscar um recomeço e, acima de tudo, sermos palpáveis e gentis com os nossos sonhos.

Pior que gente não realizada é gente que segue a filosofia Xuxa de que “tudo pode ser, basta acreditar.” Tudo pode ser. Basta planejar muito, trabalhar duro e sofrer bastante. Faz parte.

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Look do dia – e aceitação em tempos de vida perfeita

Daí que eu comecei a fazer um Instagram com meus looks do dia. Primeiro, porque sempre comentavam que o modo como eu me vestia refletia muito a minha personalidade – e que talvez eu devesse explorar isso de alguma forma – e segundo, porque descobri que olhar a si mesmo nas imagens é um super exercício diário de auto aceitação (e de ajuste daquilo que fica REALMENTE bom em você, em termos de moda mesmo).

Eu, que nunca tive vergonha na cara ou preocupação com a minha imagem online, que postava foto bêbada, suada ou de biquini comendo pastel de feira, me vi ali analisando se estava gorda ou magra, se meu cabelo tinha ou não frizz e extremamente incomodada com a minha cara de sono, sem maquiagem, quando resolvia fotografar de manhã. Não é à toa que as pessoas vivem dizendo que o universo das redes sociais é um mundo à parte, de fantasias e superficialidades, mas sentir isso na pele faz você ir para uma outra esfera: a pessoal. Aquela na qual você, sem recursos ou super efeitos, se vê obrigada a se gostar como é.

Depois de uma semana registrando aqui e ali meu look pelas ruas, pude entender porque as pessoas realmente VIVEM disso: dá um trabalhão. E ninguém que pega ônibus, tem hora pra chegar e mil coisas pra fazer durante o dia, na firma, consegue  estar o tempo todo arrumadinha, sem pizza no sovaco ou gordura no rosto em meio a um calorão de 125 graus célsius. Ninguém.

Eu, que sempre gostei da minhas roupas,  cores e estilos, me vi censurando uma ou outra peça pra ficar melhor na foto. Deixei de lado o sapato surradinho para dar lugar a um mais desconfortável (porque era bonito) e passei a notar as poses, olhares e toda a espontaneidade das fotos que eu tanto curtia – e que de espontâneas não tinham nada. Sorrisos forjados, maquiagens detalhadas, cenários pré moldados… Que vida real é essa que se vende tão naturalmente e que eu, você e o mundo inteiro sabemos que não é assim que funciona? Porque somos tão narcisistas e, ao mesmo tempo, envergonhados? De que importa, afinal, a opinião do outro sobre o que vestimos, somos, mostramos?

E decidi que meus looks do dia continuarão naturais. No meio da rua, em frente ao supermercado, no hall do prédio. Não vou pensar nas roupas que repeti ou no quão velha está aquela bolsa. Seguirei tranquila. Porque eu sou aquelas roupas, elas me identificam, me representam, são a extensão de outras mil coisas que eu quero comunicar – e isso é realmente grande.

O grande barato é tentar tirar dessa experiência que é fingir ser famosa o melhor pra mim.
Nada melhor que olhar para si para ir adiante. Vale tentar.

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com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

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as grandes pequenas coisas do amor.

Procure um amor que esteja atento. Acima de tudo, ao que você diz. Que se não souber interpretar esse ou aquele sinal – um olhar cansado, uma carinha meio triste ou uma resposta atravessada – se preocupe com isso. E tente resolver.

Procure um amor que se interesse pelos seus assuntos, mesmo que eles sejam banais. Que você não fique em dúvida o tempo inteiro se está sendo ouvida, ou não, e que ele lembre daquilo que é importante pra você. Procure um amor que faça você se sentir relevante, porque nem sempre nos sentiremos especiais.

Procure um amor que te acompanhe. Que faça as coisas combinadas sem reclamar (muito). Que as faça por você. Mas também procure um amor que esteja disposto a argumentar, discutir, a se colocar e a te entender quando for a sua vez de fazer tudo isso. Procure um amor que busque sempre o consenso, a união, que não brigue, discuta. Um amor do qual você não tenha medo de falar. E que não deixe o silêncio resolver quando nada estiver resolvido.

Procure um amor que te ajude com as coisas do cotidiano. A pagar uma conta, fazer comida, lavar roupa. Um amor que sabe que essas tarefas não são divertidas, prazerosas ou obrigatórias para uma das partes. E que, se são feitas, são feitas por amor. Muito acima de qualquer imposição que a vida coloque.

Procure um amor de pequenos gestos, delicadezas, gentilezas, um amor que te deixa passar na frente, que te protege, que olha por você. Porque, no final das contas, são essas pequenas coisas do amor que te fazem não ser qualquer pessoa. Que fazem você sentir que está vivendo mesmo, de fato e direito, um grande amor.

A gente não precisa de muito.

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O que é o amor, afinal?

Soube pela primeira vez o que era amor bem cedo. Quando, de súbito, parei de respirar na beira da piscina e engoli toda a água ao meu redor. Veio o amor, apavorado e sem jeito, tentar me fazer respirar de novo. E conseguiu. E me abraçou exacerbado, achando que seria ali o final de tudo que não se sabia.

E depois, em outros carnavais, fiquei sem ar em consequência desse mesmo amor; com ódio, com aflição, com medo de perder, com risos desmedidos e palpitações. Encontrei com o amor muitas vezes e tive que aprender a interpretar suas diversas formas: às vezes falava baixinho, às vezes se mostrava para o mundo e gritava, rugia, se exaltava. O amor, certa vez, mexeu com a minha razão. Me fez trocar o certo pelo duvidoso. E por ele já gastei mais do que devia e economizei mais que podia. Já chorei de amor, sorri de amor, sofri de amor. Sonhei por amor, com amor e, em vão, tentei viver sem ele.

O amor, dizem, é aquilo que te dá razões para prosseguir sozinho. Contraditório, não é? É o sentimento que te leva pra frente, que transpõe barreiras, vidas, pessoas. É o que te motiva. E que, às vezes, incomoda. Se ama sozinho. Se ama em conjunto. Dá pra amar tantas coisas, pessoas, vidas, que não sabemos ao certo definiro amor: a gente só sabe que sentiu, geralmente, depois que o perde. E aí, entende sua imensidão e complexidade ainda que não aprenda nada sobre ele.

O amor não avisa. Não é possível guardar. Se decide. Ninguém é acometido pelo amor, opta-se por ele – ainda que movido pela paixão, ainda que movido pelas circunstâncias, ainda que inconscientemente.

O amor não é fogo, como diz o poeta. Porque às vezes não queima, não dói, não oprime, machuca, ou incomoda como alguns insistem em dizer.

O amor é bom, suave, e da esperança. Ele, apenas, está lá.

E é maravilhoso quando a gente o reconhece.

Essa é uma blogagem coletiva do Rotaroots em parceria com o Indiretas do bem. Você pode falar sobre amor de namorado(a), de amigo, de mãe/pai, do seu bichinho de estimação, sobre a falta do amor, sobre empatia…Você é quem define! Participe! <3

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da verdadeira motivação.

Olha só, as pessoas reclamam um bocado.

A vida de todo mundo parece estar uma desgraça generalizada. “Não me sinto motivado”  e “Não tenho uma carreira, tenho uma profissão”, são as críticas/frases mais constantemente encontradas em 10, de cada 15 e-mails que recebo (e que não têm relação direta com relacionamentos amorosos).

O que eu digo para todas essas pessoas e vou dizer agora, aqui, nesse breve post de blog é o seguinte: você é sua motivação. Não importa se você é gerente de uma multinacional, ou empacotador das Casas Bahia. O que você faz é parte de um universo de outras funções, e profissões, e personalidades, e tarefas, e realidades das quais você, mesmo sem conhecer, está inserido.

Não espere um aumento, não espere elogios, não espere um ambiente de trabalho mais acolhedor. Seja a mudança que você quer ser na sua vida, também no sentido prático da coisa. Faça sem questionar tanto. Inove sem temer tanto. Seja sempre mais generoso e cordial com as pessoas que uma determinada situação te forçar a ser. Quando a gente começa a fazer coisas positivas em relação à vida, isso com o tempo se torna automático. Se torna imperativo. Se torna fundamental para uma consciência tranquila.

E vou te falar outra coisinha: é fácil se destacar. É fácil fazer diferente. E você nem precisa de escola ou investimentos para isso.

ENGAJAMENTO é o que mais as empresas procuram, sem saber como procurar. É aquele cara que vai ser o melhor xerocopiador do bairro. Que vai fazer o balanço patrimonial mais bonito que você vai ver na vida. É o que gera, afinal, encantamento. E nos dá tudo o que precisamos em troca.

Achamos que só seremos felizes quando trabalharmos no Google. Quando vestirmos roupa social e estivermos ocupadíssimos, com agendas cheias de gente – e compromissos – tão entediantes quanto uma partida de críquete (desculpa se alguém gostar do esporte, acho chatíssimo).

Se o retorno de um bom trabalho for sempre mais trabalho, o retorno de uma atitude negativa é, sempre, a implicância. NENHUM cenário corporativo/social consegue suportar pessoas que o tempo inteiro estão insatisfeitas. E, sim, o mercado é uma bosta. A vida do trabalhador médio é sofrida pra cacete, mas né, minha gente? Estamos aí pra fazer diferente.

Se liberte da zica. Da uruca. Da coisa ruim.

Não alimente a treta.

Não há banho de sal grosso ou Naldecon Noite que livre um ser humano do ranso em relação à própria vida, do olho do furacão em que se enfiou. E não adianta por a culpa em Deus, nas circunstâncias, no trânsito astrológico de marte, vênus ou no ano de Iemanjá.

Tá pesadão lá no trampo, grande? Faz uma listinha, planeje-se. Coloca um funk melódico no fone de ouvido e tenta fazer diferente.

Depois me conta se ninguém ao seu redor reparou que você saiu daquele buraco de bad vibe em que estava e decidiu se movimentar pra melhor.

Duvido.

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quando só acreditar não adianta.

A conclusão que cheguei nessa vida é que existem dois tipos de pessoas: aquelas que acreditam que as coisas podem dar certo e aquelas que acham que esse lance de acreditar é a maior bulshitagem de comercial de margarina já visto por aí. Desse primeiro grupo, vejo ainda mais uma subdivisão: as que acreditam e fazem alguma coisa pra que a vida mude e aquelas que permanecem na inércia, esperando acontecer. Dessa segunda categoria, percebi que estar na inércia às vezes é involuntário. Nem sempre a gente percebe que quando aponta o dedo na cara do outro o problema, está, na verdade, dentro da gente. Que adoramos ressucitar fantasmas e chutar os cachorros mortos pelo nosso caminho. Que mantemos vivas em nossas vidas algumas coisas que deveríamos deixar pra lá – mesmo que corramos um risco enorme de, talvez, nos magoar novamente.

A arte do desapego e da autoconfiança é ainda mais complicada que a arte de acreditar: você  às vezes quer mudar de caminho, mas não percebe que esse movimento deve partir de você. Fica sondando o outro, questionando o outro, esperando do outro, quando, vamos lá, somos nós os senhores do nosso destino. Ninguém pode te fazer feliz se você continuar ancorado no mar. Se deixe navegar.

Acredito em Deus. Acredito que passamos por determinadas coisas para que cresçamos, sejamos melhores, para que aprendamos com a dor mesmo que não seja fácil. Mas acredito também que PRECISAMOS fazer tudo quanto for possível enquanto é possível. Precisamos fazer por merecer aquele emprego, estudar para aquela prova. Precisamos lutar por aqueles  que amamos no matter what. Precisamos nos esforçar pra superar nossas próprias barreiras o tempo todo; não deixar o ciúme dominar, o pessimismo, a discórdia, a desconfiança. Quanto mais ficamos presos a coisas e pessoas que nos fazem mal, mais mal atraímos pra vida da gente, como um verdadeiro vórtex de coisas ruins.

Sua vida tá ruim, cara? A de todo mundo tá. Seja pelo o amor que não deu, pelo dinheiro que não deu, por aquele sonho que não deu também… Mas ainda vai dar.

E mais importante que pensar no que se foi, no que aconteceu e feriu, no que deu errado e magoou é acreditar naquela parte de ar que ficou na outra metade do copo (pra mim, sempre cheio).

E ela quem vai te fazer respirar.

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(às vezes) é melhor não ter consciência.

Você até pode dizer que não, mas sabe que é verdade: todo mundo se importa com o que o outro pode pensar. Em menor ou maior nível, os julgamentos atrapalham a nossa vida de alguma forma e é impossível, no trabalho, na família, na rua, na chuva ou na fazenda, viver da forma como a gente quer sem pensar em absolutamente nada. É fato.

Mas mais importante que aquilo que os outros pensam sobre a gente é o que pensamos sobre nós mesmos. E aqueles momentos nos quais somos confrontados em relação às nossas atitudes pela consciência, entre ser feliz ou ter razão. Porque, convenhamos, às vezes ser feliz é fazer uma coisa que foge dos nossos princípios. Ser feliz exige que sejamos canalhas, egoístas. Ser feliz, às vezes, pede que esqueçamos as dores e as cicatrizes de um passado recente e nos joguemos puramente no desconhecido. Ser feliz às vezes pode parecer burro e inconsequente, mas ninguém quer ser infeliz. Ninguém quer saber que pode ter o melhor de alguma determinada situação ou fase e se ver impedido, por si próprio, a não seguir adiante.

Nossos conflitos internos são muitos. São bizarros. Acontecem o tempo todo. Não quero aqui incentivar ninguém a agir de forma maluca, nem a ferir outras pessoas em prol da mera satisfação pessoal, principalmente se ela for momentânea. Mas vale colocar em perspectiva o quão críticos somos em relação às nossas atitudes. O quão podemos flexibilizar nossa mente e coração para permitir – e por que não nos permitir às vezes? – a viver algo que parece imoral? Ilegal? Engordativo?

Uma das coisas mais incríveis dos seres humanos é a capacidade de conter instintos. E uma das coisas mais aprisionadoras, em contrapartida, é o nosso senso moral. De justiça. Nossa capacidade de nos limitar às inúmeras regras que sim, somos obrigados a seguir, para viver em harmonia com nós mesmos e com os demais membros da sociedade. Mas às vezes, só às vezes, fazer merda aduba a vida. E faz florescer coisas inimagináveis em terrenos inférteis.

Agir contra a consciência pode nos meter em muita confusão? Pode, claro. É preciso ter parcimônia e responsabilidade sobre tudo o que se faz. Só que a regra de que tudo em excesso faz mal, também se aplica nesse caso. A vida é implacável.

Mande aquela mensagem, fique com aquele cara. Supere essa perda, namore quem você ama. Perdoe. Perca a memória sobre algumas coisas, passe um pano nas boas lembranças, recorde, reviva, reaja.

Vai fazer bem.

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quando descobrimos que querer não é poder.

Estudos comprovam que 96,5% das publicações textuais realizadas em blogs com o mesmo perfil do meu  te  incentivam a sonhar bem alto –  e sempre, sempre, sempre, colocar o máximo de amor em tudo o que se faz. Acho que a maior mentira – covarde – que te contam sobre a vida é que você pode tudo desde que comece já. Desde que tenha força, fé e foco. Desde que faça com o coração.

Reflita bem, respire fundo e raciocine. Pode ser que até seja esse o caminho. Pode ser que algumas pessoas precisem mesmo dessa dose de fé em si mesmas para começar e ir adiante, mas, nem sempre funciona assim.

É bom ter em mente, bem lá no íntimo, que não é só coração, fé e foco que fazem que as coisas funcionem – ao menos não da maneira que a gente espera que elas sejam.

Me chamem de realista incrédula. Me chamem de agouradora do sonho alheio. Mas olha, é só um ponto de vista diferente dos demais. É só pra fazer pensar.

Acho, aliás, que essa inverdade é uma das coisas que mais gera adultos depressivos e infelizes; esse sentimento de que estamos próximos e distantes, ao mesmo tempo, de todas as nossas maiores realizações (e que nosso sucesso e satisfação depende única e exclusivamente de nós). Que maravilhoso se assim fosse. Quantos negócios não dariam certo? Quantos não seriam os livros publicados? Quantas famílias felizes e plenamente satisfeitas não se formariam?

E os muitos acasos que nos acometem? E os diferentes universos que nos cercam e formam nossas realidades particulares? E a nossa sorte, estrela, e Deus, eu pergunto? Nada disso conta?

Eu mesma respondo que conta sim. Conta bastante. E faz parte do pacote todo. Não se sinta um perdedor(ora) se ainda não chegou lá. Se, mesmo working very hard, não deu certo ainda. Uma hora, dá.

Você pode muitas coisas, geralmente muito mais do que você imagina, inclusive. Deve e precisa batalhar por outras tantas, sempre, mas não é só trabalho duro e zero mi mi mi que faz com que você seja famosa, rica, linda, magra ou qualquer coisa que você desejar ser. Não sei afirmar exatamente o que é.

O trabalho duro vai te garantir sucesso e satisfação de alguma maneira, mas não exatamente da forma como você acredita que as coisas serão. A visualização de uma vida que não é a que se tem pode deixar qualquer ser humano batalhador e super dedicado se sentindo o mais fracassado dos mortais, mesmo estando longe disso.

Não chegar onde se almeja não significa que você falhou. Significa que talvez você esteja vendo de forma distorcida onde quer chegar. Ou que ainda não fez as coisas certas. Estou sendo clara na argumentação?

A felicidade e a satisfação pessoal podem vir de muitas forma pra gente – tantas, que às vezes temos de tudo, muito, e continuamos correndo atrás do que o outro tem e a gente também “merece” ter. Do que o outro é e a gente “precisa ser também”, porque, né, pessoal? Somos humanos. Comparar o nosso sucesso com o dos outros é natural. Uma pena que não vivamos as vida alheias, nem suas partes boas, nem suas partes ruins. Pensando melhor, ainda bem.

Acredito que a comparação, em pequenas doses, faz parte de um desenvolvimento psicológico e pessoal saudável. Nos estimula, norteia, nos dá ídolos para admirar. Mas é preciso parar com essa crença de que podemos tudo, tudo mesmo. Tudo é muita coisa. E se não chegarmos nunca aos nossos ideias, como fica? Sinal de que foi tudo culpa nossa? Que não batalhamos o suficiente? Que não temos talento, força ou garra? Como lidar, então, com essa decepção que nos acomete diante da possibilidade de sim, PODE-SE TER O MUNDO, basta querer? Vim aqui, então, para dizer o que ninguém acha bonito, ou poético: não, às vezes a gente não pode. Às vezes não dá. Às vezes vem a doença, o cansaço, os filhos, a grana que se precisa ganhar com a rotina – e os nossos super sonhos não se encaixam nesse balanço.

Temos que dar asas à imaginação e não basear toda uma vida de micro satisfações pessoais e realizações nela.

Desculpa chutar assim, sem nem me apresentar, seu castelinho de areia. A gente não pode ser a nova Gisele Bundchen, já existe uma nesse mundo. Não dá pra treinar duro e mentalizar positivo pra alcançar o Neymar – talvez ele mesmo quisesse é ser o Pelé, nunca saberemos. E mesmo que você malhe e vire uma obcecada da batata doce, treinando por 24 horas na academia, desculpa. Você nasceu com o corpinho mignon. Não vai ser Panicat, nem garota do Faustão. E não há mal nenhum nisso.

Encontre mais felicidade onde já se tem.

Que o que vier a mais, nesse cenário, é lucro.

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sobre as cartas – e suas vantagens.

Ninguém perguntou minha opinião, mas fod**-se, esse é meu blog e eu posso falar o que eu quiser (e você aí também).

Adoro escrever cartas. Carta mesmo, do próprio punho, saída de dentro da minha cabeça pra ponta da caneta BIC. Ou bilhetes, mini notas, qualquer coisa que esteja mais próxima da vida real que um e-mail. Que um comentário no feice. Que 150 caracteres de piadinha pronta no twipster.

Vocês também deveriam escrever mais pra quem importa.

Acho que as cartas te dão tempo para refletir sobre seus pensamentos, sobre o que sentimos. Se você escreve e posta, CATAPLOFT, já tá lá, feito, registrado, talvez não exatamente como deveria, como você queria. Quando você escreve no método analógico, old school, não. Você erra. Você passa a mão em cima da tinta fresca e caga todo o papel. Daí tem que fazer tudo de novo e vai mudando o que não estava tão bom. Você marca a folha com lágrima, com chocolate, você senta em cima da carta na cama e amassa todo o papel. Engordura a bordinha com manteiga e geléia. Na carta você pode espirrar perfume, pode escrever com mão de cândida porque estava dando um trato no quintal. Cartas são guardáveis, palpáveis, sólidas, armazenáveis.

Carta você pode rasgar quando tiver raiva, pode tentar colar de novo; nada no papel se perde pra sempre, de uma vez só.

Quando se escreve uma carta se dedica um tempo de vida, uma fração do que se é para o outro. Cartas são demonstrações de amor, gente. São memórias que às vezes nos traem quando nem nos reconhecemos ao ler àquilo tudo.

Na dúvida, escreva.

No mínimo, vai aliviar o que se sente.

 

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