com 30 não pode.

Se existe uma coisa que me faz ficar desgraçada da cabeça são as pequenas regras sociais que regem a vida adulta de forma silenciosa. Estamos ali, vivendo, pagando nossos impostos e atuando como ~cidadãos de bem~ quando TRÁ, num piscar de olhos, uma dessas “posturas adultas” são cobradas por um outro ser humano que é, certamente, igualmente infeliz e insatisfeito com tais condutas.

Vou me explicar melhor.

Depois dos 30, dizem, não tem mais cabimento gostar de boyband. Não dá pra ficar colecionando bichinho de pelúcia. Dizem também que quando atingimos a maioridade, é in-con-ce-bí-vel lamber o alumínio do iogurte, sair de mini-micro-ultra-saia ou estar solteira. Me poupem.

Dizem que temos que começar a pensar na previdência privada, no seguro de vida e que esmalte colorido e bandaid de personagem de desenho é só para quem tem menos de 15. Humpf. Ler livros com histórias de amor e continhos facinhos mela cueca também, nem pensar. Só pode andar por aí no metrô com livro do Nietzsche. Só pode ver filme do Almodóvar.

Com 30 você não pode mais depender de alguém pra matar barata ou abrir pote de palmito, aparentemente os 30 anos são uma idade cabalística, que traz para sua vida aquelas habilidades que você nunca teve – e faz com que você desenvolva gostos pelo o que nem imaginou. Uma bullshitagem sem tamanho.

Mulher de 30 tem que gostar de homem mais velho, bem sucedido. Tem que saber fazer risoto de parma com brie (que eu amo, me liga se fizer, tá?)

Não pode falar alto no meio da rua.
Não pode comer carboidrato depois das 19h.
Não pode mais abusar da fritura.
Não tem mais corpo para abusar do biquíni fio dental.

ZZZzzZZzzZZZzzzZZZzzzZZzzzZ….

Se ser uma mulher de 30 é ter a desvantagem de começar a gastar com creme anti-rugas, que pelo menos eu possa ser feliz longe dessas meras conveniencias. Sem essa obrigatoriedade de agir de jeito x, y ou z. Que ano é hoje mesmo para que tantas conjecturas sejam impostas sob uma idade que tem tudo para ser maravilhosa?

Agora é que eu tenho dinheiro para ir naquele show teen que sempre sonhei, para comer aquela comida cheia de gordura trans que minha família jamais suportou, autonomia pra namorar quantos caras, minas ou roupas eu quiser, você quem sabe. Com 30 eu posso mandar pra casa do cara*** a academia e investir naquela viagem pra Disney, não é não? A vida é muito curta.

E pode crer, começa a valer mesmo, mesmo a pena, depois dos 30, como todo mundo diz. Vai vendo.

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mini humanos indesejados.

A má notícia é que, existem sim, bebês feios. Crianças chatas demais. Pais e mães exageradamente inconvenientes. Forçações de barra para que amemos filhos mal educados, pequenos capetas, miniaturas indesejáveis de adultos que podem ser igualmente intragáveis.

Já cuidei de muitas crianças, sou tia de acampamento de carteirinha assinada. Alucinada por pequenas pessoinhas que,  inúmeras vezes, desejei devolver pra Deus. E como.

Criança precisa ser educada, ensinada, precisa de limites, de banho, de comida de verdade. Não, não pode subir na mesa. Não pode lamber prato em restaurante, não pode assoprar o suco e ficar fazendo bolha de baba no copo. Não pode empurrar os outros, pisar no pé, chutar canela. Tem que estudar, acordar cedo, usar desodorante, falar onde dói. Reclamar que tem sono e que não quer ir pro bar com os pais, que não quer se adultizar no auge dos seus 5 anos. Tem que brincar na rua, de bola, peão, teatro de fantoche e sombra. Cortar papel, pisar na grama, gostar mais de papelão que de Facebook.

Deveriam instituir um teste psicotécnico para ser pai. E mãe. E só os seres humanos autorizados, e periodicamente avaliados, gerariam bebês nesse mundo. Talvez ninguém passasse nessa prova. Porque dá dó de ver tantos mini humanos fazendo da humanidade um lugar menos aprazível – já temos dores demais para lidar durante o parto, durante os 9 meses, durante toda uma vida que segue.

Cachorro não é brinquedo, filho também não. E podemos não saber de todas as coisas ou cumprir todas as regras, mas devemos ter a consciência de que é difícil pra caralho educar uma criança. Cansativo, duvidoso, longo, contínuo. E que não dá pra colocarmos a culpa na personalidade, no acaso, na genética ou fingir que não vê aquilo que se forma na sua frente.

Faça dos seus filhos sua prioridade. Ou eles não saberão reconhecer quando encontrarem uma por aí.

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Te dedico, Carla Maia.

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murro em ponta de faca.

Qual é o seu limite?

Quantas noites você precisa ficar acordado, com gastrite, queda de cabelo e alergia pra entender que é  hora de parar? De desacelerar, de mudar o rumo para o qual as coisas estão indo? Qual é a linha tênue entre a desistência e o valor de si próprio? Quanto de caos é necessário para que você abra mão, deixe pra lá, abstraia?

Meus limites foram mudando gradativamente e muito tem a ver com a minha satisfação. Aliás, a satisfação é algo que move grande parte da minha vida – eu simplesmente não consigo, e também acho que não devo, me obrigar a coisas que não me fazem feliz. Porém, conforme vamos ficando adultos e percebemos a gravidade que é sermos donos do nosso destino (e das contas que não cansam de chegar pra pagar) mais toleramos as pequenas infelicidades cotidianas: o transporte lotado, a falta de educação daquele cliente, o cansaço que nunca cura. Acho que nos perdemos um pouco entre as obrigações, deixando completamente elástica nossa tolerância. Nos tornamos resilientes, fortes, polidos, mas infinitamente mais amargos. Vamos engolindo as críticas, as opiniões, vamos engolindo um pouquinho de nós mesmos, todos os dias. E nunca pára.

É preciso saber a diferença, a sutil diferença entre desistir e se valorizar. Entre a preguiça de continuar, de seguir em frente e aquele momento em que não há mais para onde nadar, não há mais o que ser feito para consertar essa ou aquela situação. Essa dica vale pra vida pessoal, para a briga de família, para o relacionamento abusivo ou para o mundo corporativo. Esteja atento aos seus sinais, pare de tantas cobranças.

Nem sempre o melhor caminho é seguindo em frente.

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cada um pra um lado.

Soube esses dias que um casal de amigos que eu gostava demais se separou. Cada um foi pra um lado, conversaram o que fariam para não prejudicar a vida das crianças e foi isso aí, it’s over, the end. Fiquei surpresa e reflexiva depois de ouvir os relatos de ambas as partes, porque existem alguns parceiros no amor que, ao nosso ver,  são imaculados. Casais intocáveis. Aqueles dois que nasceram com o objetivo de fazer valer a máxima dos românticos de plantão como eu: de sempre manter viva a paixão maravilhosa dos primeiros meses.

Sei, porém, que a vida DE VERDADE a dois é bem menos fantasiosa do que se pinta por aí. Tem roupa espalhada e suja pela casa, louça pra lavar e mil contas no final do mês. A convivência pode estimular o relacionamento na mesma proporção que pode destruí-lo. E é muito difícil achar o equilíbrio e a maturidade para encarar que: 1) ou a coisa já não está mesmo boa e é preciso fazer algo pra resolver ou 2) não há nada que possa ser feito para remediar o irremediável.

E sem colocar traição no meio de nada, descobri que o maior impedimento para que duas pessoas sigam seu rumo tranquilas – e sozinhas – nessa louca vida de Jesus Cristinho são exatamente as outras pessoas. Sogro, sogra, tios, filhos e amigos chegados. As pessoas que mais nos impedem de ser genuinamente felizes são aquelas que não estão cientes das angústias de cada um dos envolvidos. Acho que disso, aliás, só sabemos nós mesmos. Os outros, que não fazem parte do relacionamento, desejam que os filhos, sobrinhos e amigos consigam recuperar algo que falta pra todo mundo: um pouquinho de esperança e amor em tempos tão amargos e duros. Uma segunda, terceira, quarta chance, porque é muito difícil admitir o fracasso. Ou compreender que não é que as coisas deram errado; só não estão mais dando certo.

Dedico esse post a esse meu casal de amigos que sabem quem são e a todos os demais casais recém separados, jovens ou não, que tomaram a corajosa e honesta decisão de tomar seu próprio rumo quando as coisas pararam de funcionar. Assim como pessoas nascem e morrem, são também nossos sentimentos – que se transformam e, às vezes, não são mais o que esperamos. Faz parte.

Que venham novos sabores, amores, esperanças. Desde que vocês estejam felizes, eu também estarei, sem hipocrisias, fofocas, meias palavras ou forçações de barra.

Que a vida venha mesmo e siga. E que seja boa.

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quando só acreditar não adianta.

A conclusão que cheguei nessa vida é que existem dois tipos de pessoas: aquelas que acreditam que as coisas podem dar certo e aquelas que acham que esse lance de acreditar é a maior bulshitagem de comercial de margarina já visto por aí. Desse primeiro grupo, vejo ainda mais uma subdivisão: as que acreditam e fazem alguma coisa pra que a vida mude e aquelas que permanecem na inércia, esperando acontecer. Dessa segunda categoria, percebi que estar na inércia às vezes é involuntário. Nem sempre a gente percebe que quando aponta o dedo na cara do outro o problema, está, na verdade, dentro da gente. Que adoramos ressucitar fantasmas e chutar os cachorros mortos pelo nosso caminho. Que mantemos vivas em nossas vidas algumas coisas que deveríamos deixar pra lá – mesmo que corramos um risco enorme de, talvez, nos magoar novamente.

A arte do desapego e da autoconfiança é ainda mais complicada que a arte de acreditar: você  às vezes quer mudar de caminho, mas não percebe que esse movimento deve partir de você. Fica sondando o outro, questionando o outro, esperando do outro, quando, vamos lá, somos nós os senhores do nosso destino. Ninguém pode te fazer feliz se você continuar ancorado no mar. Se deixe navegar.

Acredito em Deus. Acredito que passamos por determinadas coisas para que cresçamos, sejamos melhores, para que aprendamos com a dor mesmo que não seja fácil. Mas acredito também que PRECISAMOS fazer tudo quanto for possível enquanto é possível. Precisamos fazer por merecer aquele emprego, estudar para aquela prova. Precisamos lutar por aqueles  que amamos no matter what. Precisamos nos esforçar pra superar nossas próprias barreiras o tempo todo; não deixar o ciúme dominar, o pessimismo, a discórdia, a desconfiança. Quanto mais ficamos presos a coisas e pessoas que nos fazem mal, mais mal atraímos pra vida da gente, como um verdadeiro vórtex de coisas ruins.

Sua vida tá ruim, cara? A de todo mundo tá. Seja pelo o amor que não deu, pelo dinheiro que não deu, por aquele sonho que não deu também… Mas ainda vai dar.

E mais importante que pensar no que se foi, no que aconteceu e feriu, no que deu errado e magoou é acreditar naquela parte de ar que ficou na outra metade do copo (pra mim, sempre cheio).

E ela quem vai te fazer respirar.

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coisa de mãe.

Toda a mãe que se preze, nessa e em qualquer outra galáxia, é  intrometida.

Sem exceção.

Sempre quer estar por dentro da vida dos filhos como se, mesmo depois dos 15, tivesse um total controle sobre tudo o que está acontecendo. Mãe coruja é aquela que quer conversar com você, 7 horas da manhã, pós formatura de medicina, e quer que você conte – sóbria e empolgada – tudo o que aconteceu na tal festinha. Nos mí-ni-mos detalhes.

Mãe sabe quando estamos de casinho novo, sabe quando nossa vida amorosa anda uma merda e, principalmente, ADORA dar palpite. Nunca estamos magras o suficiente ou gordas demais. Nunca fizemos a melhor escolha de sapato. Aquele sujeito que dispensamos é sempre mais interessante do que o outro, que escolhemos. E por aí vai.

Ser mãe é torcer pelo sucesso dos filhos mesmo sem fazer nada prático para ajudar. Ou fazendo muito mais que pode.

Acho que Deus colocou as mães no mundo pra nos questionar em níveis absurdos, pra nos fazer refletir mesmo quando não enxergamos mais um palmo à frente dos olhos.

Ser mãe é ser um pouco chata, um pouco mala. Mesmo para as mais modernas e descoladas, mesmo para as que são super amigas dos filhos de fato. Afinal, mãe tem a obrigação de nos fazer pensar; e a liberdade de dizer tudo o que vem à cabeça.

– Por que você não namora o fulano, filha? Ele é uma graça!
– Nada a ver mãe.
– Mas como nada a ver, filha?
– Ele é melhor amigo do meu ex, mãe.
– Ai, até parece! Vocês jovens são muito apegados a esses detalhes sociais… E aquele outro magrinho? De cabelinho com gel?
– É gay.
– Imagina, filha! Aquele menino educado e bem arrumado gay? Você deve estar confundindo as coisas…

Pois é.

Não sei ,ainda, como deve ser a sensação de ser mãe.

Mas digo uma coisa sincera: que bom ter a sorte de ter alguém pra encher o saco (e o nosso coração de amor) tanto assim.

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Manual para o bom (mas nem sempre possível) viver.*

Não fale mal dos outros.

Se for inevitável, fale mal apenas em momentos de raiva e só para aqueles três amigos que você pode confiar. Ah, sim! Tenha três melhores amigos, todos diferentes entre si e todos maravilhosamente incríveis.

Acredite que ainda existem pessoas dispostas a se doar no mundo, mas não seja ingênuo. Entenda que sempre existirá alguém que irá te trair, te magoar, te passar a perna ou todas essas coisas de uma só vez. Não confie fácil, mas mantenha o coração aberto.

Não espalhe fofocas desnecessárias, principalmente as que envolverem pessoas que você ama. Cultive boas ações, ajude sempre o outro e faça isso de graça. Não espere reconhecimento e não busque méritos, mas faça sempre o seu melhor. Fale muito pouco sobre seus problemas, tente entendê-los longe da dor, porque ela faz todas as coisas parecerem insolucionáveis.

Beba suco, coma verduras e faça exercícios, não necessariamente tudo nessa mesma ordem e não necessariamente tudo isso de uma vez. Pelo menos uma vez por dia agradeça até mesmo pelas desgraças. Geralmente quando a gente acha que a vida tá uma merda, a gente fica mais na merda ainda, repare. Aliás, olhe ao seu redor. Reconheça que todo mundo merece uma segunda, uma terceira, infinitas chances pra recomeçar. Você nunca está tão certo quanto pensa e nem tão errado como imagina.

Quando houver discussões escute o coração. Não tenha orgulho se houver amor. Não tenha compaixão se houver desrespeito. Saiba que a vida só tem um caminho e que ele segue pra frente. O que você disse, já passou, o amor inesquecível, já foi, a viagem dos seus sonhos, só ficou na memória. Se possível, só lembre das coisas boas, das pessoas importantes e dos momentos felizes. Não se vingue de ninguém, e não queira mal seus inimigos.

Guarde cartas, fotos, livros, ursos de pelúcia, tudo que puder. Tenha história. Aceite que todas as situações que você passou existiram, que te fazem melhor do que você foi ontem e irão te fazer ainda melhor amanhã.

Não tenha pena dos outros, não tenha pena de si mesmo. Não seja vítima para ser alguém. Seja você, construa seu muro (permeável) de proteção e baste por si. Já disse que não é bom falar mal dos outros? É bom reforçar. Acabe com o mau humor, com a preguiça, com o egoísmo e com a inveja. Principalmente com a inveja, campeã absoluta de discórdia entre as mulheres.

Não compre tudo que tiver vontade, não coma tudo sem parar. Exageros, nunca são bons…Devo ser sincera. Ame. Sempre. A vida, as situações que se apresentam diante de você, as pessoas. Elas (boas ou más) são a chave de toda essa complexa rede de sentimentos que temos dentro de nós.

Realmente, é impossível ser feliz sozinho.

 

*Dos meus arquivos pessoais – mar.2008

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deixa rolar.

Não sei quanto a vocês, mas eu tenho um defeito muito grave: o de não saber deixar rolar. Sou daquele tipo de pessoa que não sossega um minuto sequer. Se tenho uma boa ideia tenho que executá-la AGORA. Se quero cortar o cabelo, se tenho contas pra pagar, tudo, impreterivelmente, deve ser feito no menor espaço de tempo possível. Vivo tentando minimizar as possibilidades de caos, calculando quanto falta pra chegar meu próximo salário e quanto dinheiro eu precisarei gastar. Se a conta ficar negativa, se entrar água pela janela, se a geladeira quebrar e a televisão pifar, entro em pânico. Preciso sempre ter um plano para todas as imprevisibilidades da vida, não consigo me permitir ficar nem um dia sem saber do amanhã. Sem planejar o final de semana, o que vou vestir se fizer frio, não consigo relaxar. Não sei o que é deixar a vida seguir seu rumo e sempre, sempre, espero os piores resultados das minhas ações – para me prevenir caso esses tais resultados, de fato, aconteçam.

Acho que isso tem a ver com a minha estrutura familiar, mas não quero falar sobre essa parte. O fato é que vivo com uma sensação constante de desamparo. Não consigo me sentir segura, estável, não sei o que é isso. E a maior loucura da minha vida é que apesar do tamanho da meu desespero constante, que suga minhas energias e não me deixa dormir por dias à fio, eu tenho uma fé do tamanho do mundo. Mesmo com essa tendência insuportável de não confiar nem nos correios.

Eu sei que Deus tá lá, olhando por tudo, dando aquela forcinha, mas eu tranco a porta de casa. Eu faço a minha parte.

Sigo aquela máxima de que se você quer uma coisa bem feita, você mesmo deve fazer. Seja escrever, limpar, ou entregar o contrato de locação que você acaba de assinar e ainda não devolveu. E embora conheça um sem número de pessoas competentes, confio em pouquíssimas delas, consigo contar nos dedos.

Sabe, eu sou paranoica.

Tenho medo de faltar no trabalho. Tenho medo de entrar de  férias. Tenho medo de ter medos em excesso e não conseguir viver no tempo que me resta. Então escrevo como válvula de escape como se, ao fazer isso, conseguisse ver o quão insanos são esses pensamentos.

Porque tenho essa mania idiota de não saber deixar rolar. Tão idiota que enquanto eu fico com gastrite, insônia e preocupada com as coisas das quais eu não tenho controle ela rola.

E rápido.

E fora do meu controle.

Admiro quem consegue dormir assim que põe a cabeça no travesseiro.

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quando julgamos bem.

Dificilmente me engano em relação as pessoas e, se o faço, é sempre para melhor. Pessoas de essência ruim não se escondem facilmente nas pequenas atitudes, nas sutilezas do dia-a-dia ou nas falhas de caráter, mas aquelas que não são de todo nocivas, conseguem, via de regra, me levar no paparico.

Ninguém tem a ver com a vida do outro, com o namoro do outro ou como fulano gasta seu tempo livre. Somos todos maiores, vacinados e fazemos cagadas frequentes, pode reparar. É normal, é natural, é super humano. Mas às vezes a coisa se estende à níveis alarmantes: numa sequência de atitudes positivas também habitam más intenções. Aliás, quando alguém tenta muito agradar, tenta muito parecer super confortável com alguma coisa, abra bem os olhos.  Quando estamos distraídos, envolvidos e totalmente imersos em uma determinada situação é que, “BANG!”, vem  a vida e dá aquela senhora rasteira. E pior: sem estarmos devidamente precavidos para levantar.

Não se deixe enganar pelas palavras de amor via Facebook, pela cisma constante em curtir um tempo à sós. Pela mania de se isolar numa bolha e insistir em que o problema não é ela/ele e sim os outros e suas sandices. Quem avisa, amigo é.

E um amor é mais fácil de encontrar por aí que um amigo que vai insistir em te alertar sobre aquilo que você não quer ouvir.

#ficadica.

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5 atitudes proibidas para casais adultos

Nós ficamos velhos. As horas do relógio continuam passando,  os meses, as estações e, de repente, já é ano novo de novo, trazendo consigo mais 365 dias de oportunidades de mudança e crescimento para uma vida melhor. Nem sempre, porém, amadurecemos com a mesma velocidade que passam os dias. Mantemos as antigas condutas, os velhos hábitos e, eventualmente, pecamos na nossa vida pessoal. Queremos ser adultos e experientes o suficiente para manter relacionamentos saudáveis, mas acabamos falhando nas banalidades e não atingindo a tal da maturidade emocional que só alcança de fato quem se dispõe a ela.

É óbvio que esse post não é absoluto. Nenhuma palavra é, aliás. Mas tomei a liberdade de condenar fortemente algumas condutas caso você tenha mais de 20 anos de idade e queira se parecer emocionalmente como tal. Desculpe-me, aliás, a sinceridade, mas algumas ações, quando mostradas ao mundo, não tornam as pessoas apenas intoleráveis: são ridículas. É como ser vó e gostar de Justin Bieber. É como escovar os dentes com Tandy e só dormir agarrada no ursinho.

Resolvi  fazer uma lista (breve) de algumas atitudes que tenho visto constantemente nos relacionamentos modernos e que, de longe, simbolizam a (i)maturidade do casal e me matam de vergonha. Segue:

1. Dar comida na boca

Se você é uma pessoa dotada de habilidades motoras saudáveis não é compreensível (nem visualmente agradável) alimentar o seu namorado como se ele fosse um bebê no cadeirão. Deselegante.

2. Falar com voz de criança e utilizar inocentemente apelidos idiotas em público

Essa história de chamar seu amor de “bizuzungo”, “nenenzão”, “fofinho”  e coisa e tal, em público, é indigesta. Causa um desconforto em quem está ao seu redor e faz com que sua idade mental seja diminuída em pelo menos 15 anos. Não importa o tamanho da sua paixão; agir como retardado é uma das piores atitudes de um casal perante a família, os amigos e, principalmente, em ambientes corporativos. Fofura tem limites.

3. Não interagir

Não há nada mais cansativo que um casal que não conversa com as pessoas que estão ao seu redor. Que está sempre rindo em paralelo, se abraçando, jurando amor verdadeiro olhando no olho do outro, enfim, agindo como completos autistas. Não quero saber se você é tímido e só-se-sen-te-com-ple-to-per-to-de-la. Vivemos em sociedade e se você está em um ambiente onde mais pessoas se dispuseram a estar em sua companhia, interaja. É o mínimo da educação.

4. Usar roupas provocantes em ambientes familiares

Se você é um cara da malhação e só sai de casa de regata ou se sua namorada tem um tubinho preto incrível de glitter para usar nos eventos especiais, separe as estações: para cada situação, um traje de acordo. Quando estamos próximos de pessoas mais velhas, mesmo que SUUUUPER DESCOLADAS e modernas, não custa nada ser contido no visual, ok? Perfume forte, roupa curta, justa, decotada, muito brilho, salto alto e coisa e tal, são ótimos, também adoro, mas não para o aniversário de 95 anos da vó do seu namorado, ou para o batizado da sobrinha dela, ok? Moderação vai bem.

5. Marcar território

Fuçar gavetas, armários, jogar todas as fotos e cartas da ex-dele ou dela fora. Dar 3 almofadas e um mural de fotos só suas pra ele nunca, nem se desejar, consiguir esquecer de vocês dois. Além de inúteis, essas atitudes são apenas um exemplo do que os casais fazem para marcar território, cada qual em uma casa. Os ambientes do outro tornam-se uma extensão da história a dois, despersonalizados, com bilhetinho, ursinho, e com tanta imagem alheia que parece que entramos por engano num altar de santo, só que nada sagrado. De dar náusea. E de refletir sobre o que é mesmo importante para provar nosso amor por alguém.

Aceito críticas, dúvidas e sugestões, com prazer. Mas se você pensar nos momentos desagradáveis que viveu com aquele seu amigo que age exatamente dessa maneira, também vai se envergonhar.

E, talvez, concordar um pouquinho.

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