precisamos falar sobre 2015.

Para ler ouvindo:

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Vamos começar esse post no passado porque os anos, ao meu ver, começam e terminam quando os desafios cessam ou se iniciam. E só. E graças ao bom e maravilhoso Jesus Cristo meu ano (passado) terminou exatamente quando o recesso começou – e com ele, o merecido descanso após intensas semanas (meses) sem sono, olhos irritados, constantemente pulsantes e muitas, muitas preocupações.

Posso dizer que trabalhei muito mais que esperava e colhi muito menos frutos que desejava em 2015, como uma criança que faz algo incrível que sequer é visto pelos pais, sabe? Então. Um sentimento horrível de dever cumprido para ninguém além de si mesmo.

Pessoalmente, e de forma que também se refletiu por aqui, 2015 foi um ano duro, ruim, pesado e cheio de mini problemas pessoais insolúveis e chatos, que perturbam, mas não se vão, que incomodam e não há muito a ser feito para solucioná-los por conta própria. 2015 foi o ano da desesperança, de aprender a lidar com o fracasso, com a frustração, com o recomeço. Perdi pessoas incríveis, ganhei pessoas incríveis, mas o saldo permanece aquele 7X1 triste, onde mesmo quando mais nos dedicamos à partida, erramos os passes e não mandamos bem nos pênaltis finais. Sou pessimista realista por natureza e sei que de um ano para outro mudam apenas as folhas de calendário, os feriados nacionais e talvez alguns mini hábitos alimentares (que eu já estraguei na ceia de Natal, claro.) Mas que assim que 2016 pintar em definitivo voltaremos para as rotinas, dessabores e todas as expectativas estranhas e angustiantes da vida adulta.

Não sei quantos de vocês compartilham de tudo isso, mas descobri muitos desses momentos durante esse ano.

Eu sei, não estou mesmo na melhor das vibes para essa virada, mas precisava ser honesta. Precisava falar desse 2015 que passou e não vai deixar nem um pouquinho de saudade.

Para quem sempre pinta aqui pelo blog em busca de novidades, 2015 foi um ano no qual não tive vontade de escrever. Nenhuma, praticamente. E no qual lutei comigo mesma para aceitar que não é tão simples assim gerar conteúdo de qualidade que possa ser publicado, assim, pra o mundo inteiro ver. Bloggar é algo que, por incrível que pareça, exige reflexão. Ao menos para pessoas que sempre exigem mais de si mesmas que dos outros, como é meu caso.

Por último, mas não menos importante, um texto sobre um novo ano não poderia terminar sem algumas promessas, é claro. E esse não vai passar ileso.

Para 2016, quero, principalmente, não sofrer pelo dinheiro que se vai ou por aquele que não vem.

Quero não cultivar sentimento algum de solidão e desamparo, e não quero me importar com quanto custam as coisas que faço pelo meu prazer e pela minha felicidade. Quero gastar com comida, bebida e lazer sem medo. Sem achar que estou sendo irresponsável. Que eu faça tudo para ser feliz e não para ter “estabilidade”, porque, afinal, acho que a tal da estabilidade nunca vem. E que aquele dinheirinho que eu deixar de poupar não me mate de angústia – mas me traga uma barriga tanquinho e uma bunda empinadinha (amém!!!) na tão sonhada aula de Pilates. Acho que mereço fazer isso por mim.

Ah, sim, óbvio: chega de refrigerante. É isso.

Um beijo, muitos sabores, aromas e amores em 2016 para todos,

Ericka.

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essa tal de ansiedade.

Ela está sempre lá, em algum canto do nosso estômago. Nas unhas roídas, nas mensagens afobadas da madrugada. Ela acomete até mesmo os mais tranquilos; invade vidas, destrói relacionamentos, faz com que a gente coloque os pés pelas mãos em tentativas desenfreadas de contê-la. Tudo em vão. Ninguém sabe o que fazer, afinal, com essa tal de ansiedade – mesmo quando nos tornamos mestres em sufocá-la.

Hora mais cedo, hora mais tarde, ela vem e explode. É a espinha na ponta do nariz, é o morango com chocolate fora da dieta, é pau, é pedra, é o fim do caminho – ou o meio, quem sabe? Pode ser nosso cigarro, nosso álcool, nossa falta de sono ou excesso de trabalho.

Todo mundo teme por aquilo que desconhece, anseia pelo bom – ou ruim – que está para chegar. Não tem jeito. A coisa fica ainda pior quando – quase sempre –  se sofre pelo o que não sabe.

A ansiedade nunca vai embora. Ela pode ser contornada, ignorada, ela pode ser canalizada para o bem – quando nos torna mais produtivos,  ativos, mais atentos, mas ela sempre fica lá, porque, de certa forma, ela nos MOTIVA.

E faz com que pensemos com muito mais fé em todas as coisas.

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para além dos 25.

Achei que estaria bem sucedida aos 25. Achei também que estaria bem casada, com certeza de mim, com certeza do outro, com certeza do que eu queria daqui em diante, de lá em diante, que veria adiante.

Achei que teria controle sobre muitas coisas. Que aos 25 seria capaz de não cometer mais erros tolos, de não me apaixonar por falsas verdades, que já não haveria mais tempo para as cartas de amor, para os poemas que nos fazem suspirar, para declarações impulsivas, para porres homéricos. Achei que seria madura, firme, 100% correta.

Pensei que as coisas seriam cada vez mais fáceis quando a grande verdade sobre a vida adulta é que quanto mais os anos passam, menos a gente sabe sobre o que já foi. Menos a gente consegue absorver os aprendizados, as escolhas. É muito difícil mudar quando a gente quer, a todo custo, que alguma coisa seja diferente.

Daí, fiz 26. E não conclui plano nenhum.

Não tirei carta de motorista. Não casei e nem sei se vou casar. Não tenho certeza de hoje, que dirá, de amanhã, de depois ou da semana que vem. Me tornei muito mais insegura que antes, ao contrário do que pregam sempre sobre maturidade, não tenho mais facilidade para emagrecer, não tenho mais tempo para perder e conforme passam os dias, mais difíceis ficam os encontros e, mais estreito também, o destino.

Entretanto, você descobre um senso de urgência em ser feliz, em ser inteiro. Não se importa com as cagadas, com os tais porres, não se importa mais com o que quer que seja preciso desde que te traga plenitude. Que te traga esperança para ser mais do que foram esses primeiros 25.

Nesse 1/4 de vida – para quem pretende viver até os 100 – percebe-se que tudo passa rápido. Os sonhos, o tempo, os planos. E que é preciso fazer já. Esquecer as meias palavras, as danças, os ensaios e se jogar no que vier.

Para que se consiga buscar o que se procura é preciso saber por onde caminhar. E enquanto não se decide o caminho, sejamos vítimas da sorte.

Ela é supreendente.

Ao menos, foi pra mim.

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a maior declaração de amor do mundo.

Amar alguém é supervalorizado.

Tendemos a achar que a prova máxima de que um relacionamento está saudável é declarar o nosso amor para essa pessoa, no Facebook, no Instagram, na p.q.p, pra todo mundo ver. Isso, na verdade, é o mínimo que se espera. É a pontinha do barco.

Bons relacionamentos elaboram, planejam e concretizam sonhos. O tempo todo. Juntos. Porque ambos sabem onde querem chegar, ambos andam e olham na mesma direção. Não há nada pior na vida do que construir todo um castelo enquanto o outro ainda nem comprou as janelas. Enquanto o outro, ainda, nem sabe se quer um terreno.

Casar não é coisa de mulherzinha. Não é o próximo passo. Não é a ordem natural das coisas. É aquilo que desejam todos aqueles que buscam, verdadeiramente, ter uma vida bacana com alguém. E aqui eu incluo o “casar” em todas as suas formas – seja juntando, dividindo as contas ou abrindo mão de algo muito valioso na vida pessoal em prol do outro. O casamento começa quando a gente acredita que consegue viver, pro resto da vida, suportando e convivendo com os defeitos de alguém.

E faz de tudo pra que isso seja verdade.

É, na verdade, uma fórmula bem simples. Que a gente tende a complicar.

Não tenho paciência pra quem está junto porque sim. Porque é preguiçoso demais para mover-se para outra direção, tem medo demais da solidão para tentar algo novo. Disse ontem, para o meu namorado que, via de regra, as mulheres amam mais que os homens dentro dos relacionamentos porque foram treinadas a sustentar o romance. E que esse tipo de relacionamento unilateral, para as mais conformistas, tende a dar certo já que eles, os machos alfa, tem uma preguiça infinita de discutir. De viajar nas expectativas femininas. Eles só permanecem lá, calados, cumprindo seu papel. Não está ruim, afinal. Nem bom de verdade.

Não sei o que acontece com alguns casais. Não sei o que pensam alguns homens que não se preocupam em não ter paixão. É como esperar ser levado, dia à dia, rumo ao inevitável destino: às tão temidas amarras do matrimônio. Porque a vida, huumm… Acho que a vida é assim mesmo.

Cara, nós não vivemos mais os anos 50. Nós podemos dar/trepar/pegar quem a gente quer, namorar quem a gente quer, a gente pode até ser gay, sabia? E feliz! Num é incrível? A gente pode até se apaixonar por uma roda gigante, por um portão de garagem, por uma baleia, pela nossa profissão, por nós mesmos. Ninguém é obrigado a ser infeliz. A não ser quem deseja ser.

Ninguém precisa largar a família, os amigos, tudo na vida é conciliável quando se quer. Mas é preciso querer mesmo, muito, de verdade. É preciso lutar pra que aconteça.

É preciso que tenha sentido.

E não que, simplesmente, tenha amor.

O amor é simples. Difícil é lidar com as expectativas da gente. Principalmente as que só a gente tem.

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o lado bom da vida.

Todo mundo, o tempo todo, me manda largar tudo. Largar tudo e seguir os sonhos, viver a vida como ela deve ser, buscar a felicidade. Essas mesmas pessoas citam casos de sucesso, gente que vive com pouco e vive bem, gente que faz o que ama, que uma hora encheu o saco dessa vida média de acordar, trabalhar e dormir e resolveu ousar, pedir demissão, dar um tapa na cara do chefe, mudar de país, etc, etc, etc.

As pessoas também insistem em dizer que tenho potencial. Que sou excelente naquilo que faço, que não posso engolir tantos sapos, me submeter a tantas coisas, que não devo perder tanto tempo dentro de um escritório, gastando minha criatividade com coisas e pessoas que não dão à minima pra isso, criticam e, pior ainda: acham que é fácil. Acham que a criatividade vem do nada, pro nada e só serve para tornar as coisas mais atraentes, bonitas, vendáveis. E é isso. Pagam muito bem engenheiros para que sejam construídos prédios, mas pagam muito mal profissionais que constroem ideias. Porque é impossível mensurar o sucesso de coisas abstratas, não é? Pelo jeito é. Mas essa é uma discussão para outro post.

Todas essas pessoas que me mandam raspar as pernas e cair na vida estão (bem) empregadas. Todas continuam em seus cargos cheios de rotina, encarando a vida, pagando as prestações das casas Bahia e morando de aluguel. Nenhuma delas saiu de onde estava sem uma nova proposta de trabalho e nenhuma faz puramente o que gosta – desconfio, aliás, que ninguém faça.

Porque trabalhar implica também em ser um pouco miserável, em acordar cedo, dormir tarde, em se esforçar, aprender, crescer. Não se reconhece a plena felicidade sem ter vivido o lado ruim da coisa, e, cara, se trabalho fosse 100% bom (e precisamos de pelo menos algum dinheiro pra viver), chamaria lazer.

Entendo o que todas essas pessoas, amigos, amigas, vizinhos e familiares, querem dizer. Entendo que seria muito bom mesmo fazer algo que valha verdadeiramente a pena, que acrescenta na alma e que, de quebra, encha o bolso. Só não vejo motivos para jogar tudo o que eu tenho na vida até agora pro alto para ser feliz. Até porque, desculpem-me os idealistas, felicidade também é poder comprar uma passagem pra Berlim e conhecer coisas incríveis, comer em um bom restaurante, presentear quem a gente ama com algo bacana e, pessoal, isso tem custos. A vida, até mesmo a mais simples, tem seus custos.

O meu “tudo” no momento não me manda de volta nem pra São Vicente. Não me deixa um lugar pra morar nem os boletos em dia, se é que vocês me entendem.

Sinto muito por quem acredita na minha imensa capacidade em ser mais que uma mera funcionária. Isso é o que temos por ora.

Eu não estou, ainda, TÃO profundamente infeliz com isso, só um pouquinho. Mas certamente em busca de dias melhores.

Pra sempre.

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regra dos 30.

Foram mais ou menos 30 segundos – os mais longos do mundo – e suficientes para que ela soubesse que não valia mais a pena estar ali. Deu aquele estalo, aquele mal estar súbito e a vontade louca de ir embora  foi  se instalando pelo corpo inteiro, de cima a baixo, de lado a lado, do nada. Não queria mais que ele encostasse no seu cabelo, que ele a chamasse de linda, não queria mais ficar parada, sentada, naquela mesa de jantar. Tudo parecia forçado, fora de foco, brega, completamente inadequado.

Ela ficou imaginando situações extremas para se livrar daquele redondo que ocupava o peito. Poderia ter um terremoto, uma guerra, cair uma bomba naquele lugar, poderia começar um incêndio no rechaud, quem sabe? Queria sair correndo. Voando. Em 3, 2, 1.

Beliscou a comida, forçou um sorriso. Foi no banheiro 3 vezes, tomou vinho. E nada. Nada.

Iniciou uma conversa sobre música, sobre cinema, sobre o rodízio, sobre o clima e pronto. Era o fim da linha. Quando não se consegue sustentar, sequer, um diálogo de elevador, existe uma coisa muito errada entre duas pessoas.

Achou que seria imaturo simplesmente fugir pela porta de trás. Achou que seria indelicado forçar uma doença qualquer, um ênjoo, uma dor de cabeça. Fingir que viu uma barata, então, nem pensar. Não ia colar por muito tempo.

Aguentou a pressão. Ficou até o final. Nem o maravilhoso frango à milanesa salvou aquele encontro. Nem a batata frita. Deu um beijinho forçado e sem graça no rosto dele, prometeu que ligaria, correu para a portaria. Sumiu.

O tesão pode não salvar ninguém, definitivamente. Mas a ausência dele pode nos fazer viver situações terríveis.

Em menor e maior grau.

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o homem perfeito.

“Eu faria melhor que ele” – ele disse.

Nunca te deixaria sozinha, nunca permitiria que você se sentisse triste.Veria todos os filmes, abriria as portas de todos os lugares e iria em todas as festas que você quisesse. Depilaria o peito, aprenderia a gostar de Martini. Nunca te trocaria pelos meus amigos, largaria até o futebol de sábado à tarde. Eu te daria todos os presentes, bolsas, sapatos, viagens, tudo. Sem você pedir. Eu ficaria horas ouvindo você falar sobre cabelos e celulite, para, no final, continuar afirmando que você é perfeita. Nunca trabalharia até tarde. Nunca te questionaria. E até daquela banda hypster que você adora eu aprenderia a gostar.

Você não ia ter motivos para reclamar, nenhunzinho só, coisa rara. Não saberia sobre o que causar polêmica e não precisaria pensar nem no restaurante que iríamos juntos – homens de verdade, afinal, planejam tudo.

Ainda que eu fizesse de tudo, tentasse tudo, aceitasse, mudasse, me movesse.

Ainda que eu deixasse meus gostos, meus desejos, minhas manias, não daria certo..

Porque na vida a dois tudo funciona assim: quanto mais se tem, menos se deseja.

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o amor não é uma bosta.

O amor não é um fardo. Não é essa coisa ruim e depressiva que pregam por aí. É complicado, de vez em quando cansativo. Mas amar não é uma bosta. Não é coisa de mulherzinha. E digo mais: faz parte da gente.

Amar é estar em um constate gerenciamento de crise. Do outro, de ambos e principalmente, da imagem que temos de nós mesmos – nossos gostos, desgostos, limites e loucuras – que só aparecem quando já estamos lá, querendo muito, muito estar pra sempre com alguém.

Não existe amor que faça mal. Nada, aliás, que nos dá motivos para sonhar, suspirar, fazer planos e ter vontade de continuar vivendo nesse mundo cão pode ser considerado de todo ruim. O amor simplesmente não é essa coisa boa o tempo todo, como você vê no Facebook alheio. Nem essa coisa tão horrorosamente brutal que dizem por aí os mais desacreditados. Como tudo que é uma delícia também tem suas zicas. Deixa umas rugas aqui, ali, dá uma diabetes, um refluxo vez ou outra, e tal, que nem comer doce demais depois de sair da churrascaria.

Não dá para passar pela vida sem amar pelo menos um pouquinho. E não dá para suportar a morte sem ter amado demais.

Não há sofrimento que dure tanto a ponto de alguém querer desistir do amor, entendam de uma vez por todas. E parem de insistir nessa ideia. Mesmo os poetas mais depressivos que já passaram pela Terra sabiam que é impossível desvencilhar-se desse sentimento e, querem saber? Só se insiste em escrever sobre o tema quem já foi, definitivamente, apaixonado por amar.

Você pode achar que tem dedo podre e que não serve para ninguém. Que é complicado demais na sua solidão e que junto só gera conflito, desgaste e provocação. Pode ter também um total desprezo pelas coisas românticas, pelas cartas, declarações, clichês e tudo o que diz respeito a um mundo a dois, mas não pode evitar gostar de alguém – do seu modo, sem firulas, seja do jeito que for.

Afinal, o que é que nos move a gostar dos tipos mais errados e sem coerência possíveis se não uma imensa vontade de fazer com que tudo funcione em harmonia com o nosso mundo? Se não uma imensa vontade de fazer com que tudo tenha sentido?

Mais amor, favor, cor, sabor, dor.

Porque sem esse último jamais saberíamos identificar o quanto precisamos do primeiro.

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semana a semana.

Desisti de fazer planos à longo prazo. Sei que essa pode não ser exatamente a melhor maneira de viver para alguns, mas ficava tão frustrada por não conseguir fazer aquela viagem ou por não ter juntado dinheiro suficiente para a máquina de lavar que decidi fazer das minhas semanas, dia-a-dia, um pouquinho melhores.

Desisti de fazer planos à longo prazo porque não conseguia enxergar o que acontecia, à curto prazo, de bacana na minha vida. E acho que isso acontece com todo mundo, vez ou outra, quando estamos muito focados naquilo que queremos – e não naquilo que temos hoje.

Estou cansada de ouvir das pessoas ao meu redor que nada na vida delas dá certo. Isso é impossível. Podemos não estar plenamente satisfeitos com o trabalho, com o amor, com o tempo que temos para dormir ou com a nossa conta bancária e alguns fatores são realmente responsáveis por nos fazer miseráveis, eu sei – mas não para sempre. Você pode dizer que teve um dia de merda, uma semana de merda, mas não pode falar que a sua vida inteira, desde 200_ tem sido uma porcaria. Porque, sejamos honestos, não  tem sido. Você só está fortemente sugestionado a acreditar nisso.

Tente viver um dia de cada vez. Tente ter pequenos e bons momentos de alegria durante a sua semana, não fique torcendo pra que o tempo passe rapidamente só pra dormir até tarde no sábado. Não vale a pena. Sábados e domingos são sempre muito curtos pra gente ser feliz. E se por isso odiarmos as segundas, naturalmente, começaremos a sofrer pela vida que ainda nem começou.

Almoce num lugar bacana, dê boas risadas com as pessoas do trabalho. Tome uma cervejinha com os amigos em plena quinta-feira, saia para jantar com alguém especial na terça. Esteja disponível para livrar-se da rotina, vá a um mercado diferente, saia mais tarde e pegue carona, compre pão de chia, de grãos integrais, de semente de girassol. Compre algo que você nunca experimentou, prove e corra o risco de adorar.

Decida fazer academia, correr na esteira, comece uma dieta, fracasse, tente tudo de novo. As melhores coisas da vida não acontecem de uma vez, nem as piores se você quer saber mesmo a verdade. Então prefira colecionar aquilo que aconteceu de bom, perca o hábito de reclamar.

Acho que comparamos tanto a nossa vida com a alheia que nada, nunca, está realmente bom. Essa superexposição das viagens dos sonhos, do corpo, das compras do mês e de tantas outras coisas acaba com os nosso parâmetros, com aquilo que realmente importa.

E se a gente não tomar cuidado, se pega desejando uma vida que não é real. Nem pra quem a expõe.

Comecemos então, desde o final ensolarado dessa longa semana de trabalhos e dessabores, a sermos leves.

Tenho certeza que seremos capazes de flutuar.

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muito louco.

Imagina que louco seria ter um caso com a própria mulher. Combinar encontros às escondidas, não leva-la nos almoços de família e ter um tempo livre, durante a semana mesmo, para uma cervejinha com os amigos sem a menor preocupação em ter que voltar pra casa.

Imagina que louco seria se você adorasse ir para o trabalho. Se todos os dias acordasse disposto, sem gripe, sem cansaço e cheio de vontade de encarar aquele cliente insuportável ou aquela planilha infinita e bem metódica que você está adiando há meses para fazer.

Imagina como não seria louco poder viajar quando quisesse, sem dar a menor satisfação. Ou ter o amor correspondido por aquela pessoa que você pensa estar apaixonada, ou ser dono de um cartão de crédito sem limite (e sem fatura pra pagar). Seria mesmo muito louco.

Imagina que louco seria se o bacon emagrecesse. Se os doces da padoca, cheios de creme, fizessem bem pros dentes. Seria incrível, muito, muito louco mesmo. Teriam que proibir a gente do que, afinal? De comer alface? Louquissimo.

Seria loucura ter uma vida fácil, simples, cheia de certezas. Estaríamos todos tão felizes e sem razão para prosseguir que, certamente, enlouqueceríamos. Ainda que uma ou outra dessas coisas se torne realidade, ainda que nossos desejos mais urgentes se realizassem, encontraríamos, em outras esferas, insatisfação. No cabelo que cai, no dia que amanhece.

E em todas as coisas simples que PRECISAMOS complicar.

Louco mesmo seria, não querer mudar absolutamente nada, nem um pouquinho.

Seria incrível.

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