desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

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