não seria?

Seria bom ter tempo (e dinheiro) para fazer a viagem dos nossos sonhos. Seria bom, também, nunca trabalhar às segundas-feiras. Seria bom se toda a sexta fosse feriado, se todo o sábado fizesse sol, se todo o ônibus chegasse quando chegamos no ponto. Aliás, seria bem bom se não precisássemos – nunca mais –  pegar ônibus.

Seria bom se todos os amigos estivessem juntos no mesmo bar, no mesmo final de semana, na mesma cidade. Seria ótimo se eles conversassem entre si, sobre si, sobre você e coisa e tal. Seria sensacional poder dormir todos os dias depois do almoço, comer chocolate sem engordar, e trabalhar só quando estivéssemos inspirados. Seria realmente bom.

Seria bom conseguir ver todos os filmes em cartaz no cinema, casar amando de verdade e na hora certa e não ter a obrigação de fazer coisas chatas. Seria espetacular não ter conta pra pagar, não ter roupa pra lavar, não ter hora pra acordar. Ah, como seria!

Seria bom também que as unhas nunca descascassem, que o cabelo nunca embaraçasse, que a roupa nunca amassasse. Seria bom se todo mundo gostasse de cachorro, adotasse um gato e tivesse um passarinho em casa, pra animar. Seria bom que não existisse mais tv, nem celular, nem internet, pra todo mundo ser obrigado a ficar na rua, conversando no portão, comendo pipoca e vendo as estações passarem leves.

Seria bom conhecer um novo país, plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho, mas só se a gente realmente quisesse, se isso realmente fizesse as pessoas mais felizes, melhores. Seria bom, aliás, se nossa única preocupação na vida fosse a felicidade, e não o dinheiro, o futuro e as demais ansiedades que vem com ele.

Aliás, seria  bom, seria muito bom mesmo, ter mais tempo para refletir se todas as coisas que buscamos durante a semana são realmente as melhores pra gente,  porque seria muito bom que fossem.

Seria muito bom viver uma vida mais real e menos inventada. Seria ideal.

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