para além dos 25.

Achei que estaria bem sucedida aos 25. Achei também que estaria bem casada, com certeza de mim, com certeza do outro, com certeza do que eu queria daqui em diante, de lá em diante, que veria adiante.

Achei que teria controle sobre muitas coisas. Que aos 25 seria capaz de não cometer mais erros tolos, de não me apaixonar por falsas verdades, que já não haveria mais tempo para as cartas de amor, para os poemas que nos fazem suspirar, para declarações impulsivas, para porres homéricos. Achei que seria madura, firme, 100% correta.

Pensei que as coisas seriam cada vez mais fáceis quando a grande verdade sobre a vida adulta é que quanto mais os anos passam, menos a gente sabe sobre o que já foi. Menos a gente consegue absorver os aprendizados, as escolhas. É muito difícil mudar quando a gente quer, a todo custo, que alguma coisa seja diferente.

Daí, fiz 26. E não conclui plano nenhum.

Não tirei carta de motorista. Não casei e nem sei se vou casar. Não tenho certeza de hoje, que dirá, de amanhã, de depois ou da semana que vem. Me tornei muito mais insegura que antes, ao contrário do que pregam sempre sobre maturidade, não tenho mais facilidade para emagrecer, não tenho mais tempo para perder e conforme passam os dias, mais difíceis ficam os encontros e, mais estreito também, o destino.

Entretanto, você descobre um senso de urgência em ser feliz, em ser inteiro. Não se importa com as cagadas, com os tais porres, não se importa mais com o que quer que seja preciso desde que te traga plenitude. Que te traga esperança para ser mais do que foram esses primeiros 25.

Nesse 1/4 de vida – para quem pretende viver até os 100 – percebe-se que tudo passa rápido. Os sonhos, o tempo, os planos. E que é preciso fazer já. Esquecer as meias palavras, as danças, os ensaios e se jogar no que vier.

Para que se consiga buscar o que se procura é preciso saber por onde caminhar. E enquanto não se decide o caminho, sejamos vítimas da sorte.

Ela é supreendente.

Ao menos, foi pra mim.

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que assim seja.

Desejo que o seu amor não se preocupe com o tempo.

Com o trabalho que tem para amanhã, com a velocidade no qual os sentimentos correm. Voam. Flutuam

Que apenas seja leve. E livre.

Desejo que o seu amor seja doce, gentil, calmo. Que não se aborreça com coisas pequenas, que não se afete com o que já é sabido: não vale a pena.

Desejo também que seu amor não seja tímido. Que se revele nos pequenos gestos, na honestidade das palavras, no bom e sincero mal humor das segundas pela manhã.

Desejo que o amor que você encontre saiba também que encontrou um grande amor. E que se dedique a ele, que escreva poemas, canções, mande flores, se encha de todas as tolices de quem tem muito amor para mostrar e não sabe por onde.

Desejo que o seu amor divida contas, problemas e alegrias também.

Que não tenha medo.

Que não tenha anseio.

Que não seja feio.

Desejo que o seu amor reconheça o dia – se esse dia chegar – que o amor talvez tenha chegado ao fim.

Pois não há nada pior que um amor que um dia foi e que a gente insiste em fazê-lo ficar.

O amor de verdade não se prende.

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um quarto do todo.

Passamos quase um quarto das nossas vidas nos preparando para viver. Para o dia em que vamos escolher uma profissão, uma família, e, enquanto isso, recebendo, de todas as frentes, ensinamentos sobre biologia, matemática, química, física e relações interpessoais; sobre aquilo que devemos fazer e que não devemos fazer aos nossos amigos, inimigos, familiares, etc, etc.

Passamos um bocado de tempo preocupados com os nossos planos para o futuro e depois reclamando sobre a não concretização desses mesmos planos, sempre tentando satisfazer alguém. A professora, o cliente, o chefe. E daí vêm infinitos questionamentos: será que estamos absorvendo algum conhecimento dessa experiência? Será que seremos reconhecidos? Será que é dessa forma que devemos mesmo fazer isso ou aquilo? E poucas respostas. Quase nenhuma resposta, na verdade.

Se há uma coisa nessa vida que temos certeza é de não ter certeza de nada. Se vamos conseguir pagar as contas mês que vem. Se estamos fazendo as coisas por paixão ou obrigação. Se estaremos felizes com as nossas escolhas, com as nossas vontades, e se teremos esses mesmos desejos e escolhas ano que vem ou daqui há 10 anos. Quem nós seremos, afinal, daqui há 10 anos, não é? Ninguém sabe.

Mas mesmo sem sabermos direito aquilo que queremos, onde estaremos ou como vamos sobreviver até semana que vem, continuamos insistindo. Mesmo sem fazer absolutamente nada diferente, o mundo anda, afinal, pra frente. Levados ou não pelo acaso, pela nossa gana em conquistar sabe-se-lá o quê – ou simplesmente porque precisamos – estamos lá. Repensando, replanejando, refazendo a vida que nunca foi feita de fato, que nunca se concretiza, que nunca é plena.

E talvez um dia a gente entenda que há motivos, afinal, para termos sempre essa sensação de não conclusão em relação ao todo.

Pra que não percamos, afinal, o fio da razão.

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o poder do tédio.

Conheci pessoas que viviam relacionamentos super sérios. Seríssimos. Namoravam há 5, 10, 14 anos, sem nunca terem pulado a cerca. Sempre cumprindo os protocolos, ligações obrigatórias diárias, romantismos, etc, etc. Gente que não se permitia olhar pros lado nem pra fazer baliza, numa paranoia total de fidelidade, respeito e monogamia. Gente que ficou noiva aos 21. Ficou casada por 14 anos e um dia, como se acordasse de um pesadelo, raspou as pernas e caiu na vida.

Desistiu daquela coisa programadinha, certinha, quadradinha. E num ímpeto de sentir todas as coisas que sempre reprimiu, está sozinho até hoje. Sozinho não, veja bem, solteiro. Hoje essas pessoas já não sabem mais se querem ter alguém de papel passado, assinado, carimbado. Alguém pra levar nos jantares corporativos e fazer bonito pra burguês ver.

Se todas as coisas boas na vida são boas porque são livres, porque as pessoas insistem tanto em aprisionar o amor?

Como aquele livro que você adorava até ser obrigado a ler na escola. Ou aquela profissão que você escolheu (e curte, ok), mas que perdeu um pouco o sabor pelos destemperos naturais do dia-a-dia. Ou aquele doce que você era viciada e que de tanto consumir, enjoou.

Como se o amor fosse mensurável, trancafiável, como se fosse possível deixá-lo num potinho sem alimentar, obrigando-o a não querer sair por aí, na próxima esquina.

Nossas certezas mudam constantemente.

E cabe a nós mesmos nunca estarmos confiantes de que as coisas são mesmo assim, imutáveis.

No amor, na dor, e pro resto da vida, vale cultivar.

Pra que a gente não seja surpreendido por aquilo que a gente mesmo se tornou.

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preces.

Estou em busca da tal estrela. Aquela que uns e outros dizem que brilha vez ou outra e faz coisas incríveis, sabe?

Pois bem. Queria que a estrela brilhasse e realizasse pelo menos um dos meus sonhos, não dos meus desejos. Os sonhos são aquelas coisas que a gente coloca na gaveta do inatingível, do inimaginável e acha que nem com muita batalha, insistência e esforço eles irão se realizar.

Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando.

É aquela parte da nossa vida que não depende só da gente, que precisa de uma forcinha, de um sopro divino. Da tal sorte, do momento certo,  de um padrinho, ou sabe-se lá o que.

Estou pedindo encarecidamente para que essas tais coisas impossíveis aconteçam. Pelo menos uma vez. Porque todo mundo merece seu dia de princesa, seu Luciano Huck da vida, uma herança de um parente rico, uma bolsa de estudos, uma viagem, ou, simplesmente, uma atençãozinha para aquilo que faz.

Que finalmente a mesa vire. Que um anjo mande lá de cima um sinal para quem pode mudar a minha vida e que essa pessoa o faça, sem delongas. Sem pestanejar. Mesmo sem me conhecer ainda. Mesmo sem saber que eu tenho um potencial enorme. Por que, né? A gente precisa acreditar que pode tudo para, quem sabe, conseguir um pouquinho.

E espero que esse pouquinho faça muito por mim.

E que a minha prece mude, também, um pouquinho da vida de vocês.

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linda, solteira…E mãe.

Todo ser humano do sexo feminino que possui uma vida sexual minimamente ativa já pensou, pelo menos por alguns segundos, que pudesse estar grávida. Mesmo com a evolução da medicina e toda a informação desse mundo, não há contraceptivo que controle nossa neurose – visto todos os 736456 mil casos de amigas que deram uma vaciladinha aqui, outra ali e aquelas que juram de pé junto terem sido vítimas pura e simplesmente das armações do destino.

De suspeitas e ansiedades todas nós sobrevivemos, ok, a vida continua. Mas e quando, lá no auge dos nossos 20 e poucos anos (ou antes) descobrimos que SIM, seremos mamães nos próximos 9 meses? Sem marido, casa, emprego ou o mínimo de juízo?

Muitas foram aquelas que passaram por essa situação. E embora digam que filho é uma benção divina (e certamente, é) é inevitável não encararmos um turbilhão de sensações entre medo, alegria, ansiedade e um tremendo descontrole sobre essa nova situação. E não só de pensar em cada parte da nossa vida que vai virar, literalmente, de cabeça para baixo, mas também sobre aquilo que os outros irão pensar. Nossos pais, avós, primos, colegas de trabalho, de faculdade e mais um sem número de pessoas que de nada tem a ver com  a nossa vida, nosso corpo, conta bancária ou estado civil.

E como nesse post eu não poderia deixar de falar sobre o tal do status social relacionado a gerar um mini ser dentro de si, como fazer quando não queremos casar? Quando não amamos tanto assim, não estamos preparadas para assumir um compromisso e coisa e tal? Ou quando tentamos ficar com o outro pela pressão das partes envolvidas e por achar que nenhum homem no mundo vai se interessar por uma mulher que já tenha filho? São tantas as neuroses, emoções e devaneios que no meio de tantas coisas aparentemente terríveis a única certeza que temos é que nossa vida será bizarramente diferente; e que está apenas começando.

Tenho para mim que uma mulher só é completa quando satisfaz pelo menos 3 desejos da sua lista pessoal. Ter sucesso no trabalho, escrever um livro e ter um filho – esses são os principais itens da minha. Mas a satisfação do tópico “maternidade”, especificamente, é aquele que, para maior parte das mulheres, exclui os demais.

Escutem bem, dear ladies: ser mãe não nos faz menos capazes de conquistar um homem. Não nos impede de ter uma carreira bem sucedida. Não nos deixa incapazes, impotentes ou menores que qualquer moça solteira por aí. As coisas mudam, claro. Mas é preciso se adaptar a elas, absorver cada novo pedaço de realidade para voltar aos eixos e tomar um rumo (definitivo ou não). Sem planos a gente não consegue nem pegar metrô.

Esse é só o primeiro texto de muitos outros que ainda escreverei sobre esse tema, para as atuais mamães, futuras mamães e aquelas que assim como eu, ainda não estão tão próximas de se tornarem mães. E espero que seja também uma quebra de paradigmas entre o que se deseja e o que se tem, entre sonho e realidade.

Não se pode ter todas as coisas do mundo. Mas certamente ter um filho não é o fim de todas elas.

 

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não seria?

Seria bom ter tempo (e dinheiro) para fazer a viagem dos nossos sonhos. Seria bom, também, nunca trabalhar às segundas-feiras. Seria bom se toda a sexta fosse feriado, se todo o sábado fizesse sol, se todo o ônibus chegasse quando chegamos no ponto. Aliás, seria bem bom se não precisássemos – nunca mais –  pegar ônibus.

Seria bom se todos os amigos estivessem juntos no mesmo bar, no mesmo final de semana, na mesma cidade. Seria ótimo se eles conversassem entre si, sobre si, sobre você e coisa e tal. Seria sensacional poder dormir todos os dias depois do almoço, comer chocolate sem engordar, e trabalhar só quando estivéssemos inspirados. Seria realmente bom.

Seria bom conseguir ver todos os filmes em cartaz no cinema, casar amando de verdade e na hora certa e não ter a obrigação de fazer coisas chatas. Seria espetacular não ter conta pra pagar, não ter roupa pra lavar, não ter hora pra acordar. Ah, como seria!

Seria bom também que as unhas nunca descascassem, que o cabelo nunca embaraçasse, que a roupa nunca amassasse. Seria bom se todo mundo gostasse de cachorro, adotasse um gato e tivesse um passarinho em casa, pra animar. Seria bom que não existisse mais tv, nem celular, nem internet, pra todo mundo ser obrigado a ficar na rua, conversando no portão, comendo pipoca e vendo as estações passarem leves.

Seria bom conhecer um novo país, plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho, mas só se a gente realmente quisesse, se isso realmente fizesse as pessoas mais felizes, melhores. Seria bom, aliás, se nossa única preocupação na vida fosse a felicidade, e não o dinheiro, o futuro e as demais ansiedades que vem com ele.

Aliás, seria  bom, seria muito bom mesmo, ter mais tempo para refletir se todas as coisas que buscamos durante a semana são realmente as melhores pra gente,  porque seria muito bom que fossem.

Seria muito bom viver uma vida mais real e menos inventada. Seria ideal.

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manipuladoras.

Nós mulheres sabemos desde cedo o poder das lágrimas: seja para ir àquela festa proibidíssima para menores de 18 ou para conseguir a graninha para alisar os cabelos. Fomos ensinadas a não ter vergonha daquilo que sentimos e incentivadas a agir com os sentimentos muito mais que com a razão. Os homens não podem sair por aí chorando e reclamando da vida para os amigos. Aliás, nem quando levam aquele tombo enorme no futebol eles abrem o berreiro – as lágrimas masculinas são seletivas, verdadeiras e muito, muito peculiares; para serem derramadas, tem que ter um motivo forte.

Não sei se essa é uma vantagem ou uma desvantagem do nosso sexo, mas acabamos um pouquinho mais mimadas que eles desde a infância e sabemos que nada nem ninguém resiste a um bom apelo emocional. De forma natural, ou não, sempre quando uma mulher perde a razão (ou as palavras para dizer) ela chora, comove, e consegue prolongar por um pouco mais de tempo coisas que parecem estar por um fio. É claro que existe uma série de vantagens nisso. Podemos manter casamentos, destruir famílias, acusar pessoas e sermos mais manipuladoras que dono de boca de fumo, só que há limites, obviamente, e vejo que a nova geração XX está perdendo todos eles.

As mulheres se acostumam tanto com certas situações que não aprendem a lidar com as adversidades – ou viram piriguetes ou freiras  quando encaram uma decepção. Não existe mais o meio termo. Se tudo são lágrimas, se tudo é mutável, por que aceitar a realidade como ela é? Por que recomeçar? Há aquelas que levam as vinganças tão à sério que vivem a vida do outro em detrimento da sua, que são movidas pela inveja, pelos planos não realizados, pela dor. Se a gente não deixar as coisas ruins passarem somos dominados por esses sentimentos e tornamos a vida de quem está ao nosso redor ainda mais pesada que a nossa.

Mulheres, saibam usar o seu poder de manipulação para o bem. Entendam que não é possível e nem saudável ter tudo e que embora determinada situação pareça o fim da linha pode significar um novo começo.

Muito melhor do que sonhamos.

 

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um amor para recordar.

Procuro um amor tranquilo que não seja exigente. Que tenha o sabor constante da novidade e a leveza  característica das coisas do coração.

Esse amor deve ser atencioso e muito bem humorado. Tem que ter ciúmes, mas não entrar em crise. Deve aprender a não reclamar e a conversar – mesmo que isso incomode – quando alguma coisa estiver fora do lugar. Esse amor deve cultivar o prazer da conversa e deve me recordar constantemente do porque de eu o ter escolhido.

O amor que eu desejo deve ser sincero, bem disposto e livre. Falando assim, parece impossível, mas me recuso a acreditar que seja.

Deve existir por vontade mútua e não pela exigência do compromisso. Deve ser romântico, gostar de Fábio Jr. e Roupa Nova e saber apreciar uma boa música brasileira, mesmo as ruins – porque porcaria também é cultura.

Precisa ser altruísta ao mesmo tempo que egoísta, deve fazer feliz sem deixar de ser feliz. Saber ouvir e, mais que isso: o amor que eu espero pra mim deve saber ESCUTAR – e ter a mesma admiração por mim que eu certamente terei por ele.

Esse tal amor que eu busco não vai me corrigir, nem cobrar, nem tentar doutrinar; vai saber que é em cada em defeito que se encontram as razões da escolha.

Nao vai ser proibitivo, nem cansativo, nem nerótico. Vai ser firme, franco, direto e decidido.  Vai planejar as coisas ao meu lado porque tem vontade e não porque assim elas se estabeleceram.

Também espero que esse meu amor, perdido pelo mundo, seja tolerante e goste de beber.  Não que isso seja fundamental, mas é importante ter ao seu lado alguém que conheça seus próprios limites, que entenda dos excessos. Não pode ser muito de balada, mas precisa ter uma certa afinidade com a noite pra quando der vontade. Tudo no meio termo.

O amor de verdade da vida da gente precisa gostar de praia, de montanha, de selva, de bar, de ônibus lotado e metrô da Sé às 6 da tarde – desde que esteja ao nosso lado. Deve ser fã do Exalta tanto quanto do Metálica, sem ser muito xiita, sem ser muito combativo.

O amor de verdade acontece quando a gente aprende a viver contente em toda e qualquer adversidade. E aprende também a transformar-se antes que seja tarde demais.

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