semana a semana.

Desisti de fazer planos à longo prazo. Sei que essa pode não ser exatamente a melhor maneira de viver para alguns, mas ficava tão frustrada por não conseguir fazer aquela viagem ou por não ter juntado dinheiro suficiente para a máquina de lavar que decidi fazer das minhas semanas, dia-a-dia, um pouquinho melhores.

Desisti de fazer planos à longo prazo porque não conseguia enxergar o que acontecia, à curto prazo, de bacana na minha vida. E acho que isso acontece com todo mundo, vez ou outra, quando estamos muito focados naquilo que queremos – e não naquilo que temos hoje.

Estou cansada de ouvir das pessoas ao meu redor que nada na vida delas dá certo. Isso é impossível. Podemos não estar plenamente satisfeitos com o trabalho, com o amor, com o tempo que temos para dormir ou com a nossa conta bancária e alguns fatores são realmente responsáveis por nos fazer miseráveis, eu sei – mas não para sempre. Você pode dizer que teve um dia de merda, uma semana de merda, mas não pode falar que a sua vida inteira, desde 200_ tem sido uma porcaria. Porque, sejamos honestos, não  tem sido. Você só está fortemente sugestionado a acreditar nisso.

Tente viver um dia de cada vez. Tente ter pequenos e bons momentos de alegria durante a sua semana, não fique torcendo pra que o tempo passe rapidamente só pra dormir até tarde no sábado. Não vale a pena. Sábados e domingos são sempre muito curtos pra gente ser feliz. E se por isso odiarmos as segundas, naturalmente, começaremos a sofrer pela vida que ainda nem começou.

Almoce num lugar bacana, dê boas risadas com as pessoas do trabalho. Tome uma cervejinha com os amigos em plena quinta-feira, saia para jantar com alguém especial na terça. Esteja disponível para livrar-se da rotina, vá a um mercado diferente, saia mais tarde e pegue carona, compre pão de chia, de grãos integrais, de semente de girassol. Compre algo que você nunca experimentou, prove e corra o risco de adorar.

Decida fazer academia, correr na esteira, comece uma dieta, fracasse, tente tudo de novo. As melhores coisas da vida não acontecem de uma vez, nem as piores se você quer saber mesmo a verdade. Então prefira colecionar aquilo que aconteceu de bom, perca o hábito de reclamar.

Acho que comparamos tanto a nossa vida com a alheia que nada, nunca, está realmente bom. Essa superexposição das viagens dos sonhos, do corpo, das compras do mês e de tantas outras coisas acaba com os nosso parâmetros, com aquilo que realmente importa.

E se a gente não tomar cuidado, se pega desejando uma vida que não é real. Nem pra quem a expõe.

Comecemos então, desde o final ensolarado dessa longa semana de trabalhos e dessabores, a sermos leves.

Tenho certeza que seremos capazes de flutuar.

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o poder da decepção.

As desilusões amorosas são as piores (e melhores) coisas que podem acontecer na vida de alguém. Como vocês já sabem, aprendemos muito melhor com a dor que com o amor e o certo seria não repetir os erros quando sabemos o quanto eles podem ser nocivos e trazer consequências terríveis na nossa vida. De qualquer maneira, na maior parte das vezes, fazemos tudo exatamente ao contrário – daquele jeito que machuca bastante – porque sempre acreditamos que a mudança das circunstâncias muda também os resultados, o que pode até se tornar verdade dependendo do que estamos lidando.

Há também aqueles que querem mudar radicalmente  depois de uma decepção. Vão colocando na cabeça que serão a cada dia mais racionais, quando o coração continua bobo, mole, se apaixonando fácil e por qualquer forma de afeto. Ser cafajeste é mais do que ter uma atitude escrota com uma mulher, é um estilo de vida. Assim como ser piriguete libertina, dessas que saem pegando 345 caras na balada. Não dá pra chorar depois por não ser valorizada. Piriguete mesmo não sofre, aliás, se diverte. E nessas idas e vidas da vida, pode se apaixonar por alguém que enxergue mais que uma casca e que tenha uma real maturidade para entender que, no final das contas, todo mundo tem passado…

Penso que talvez sejam as piriguetes e os cafajestes é que estão certos, afinal: não selecionam ninguém e selecionam todo mundo, não são de ninguém, porque ainda não encontraram quem valesse a pena. Melhor, às vezes, desencanar de encontrar sempre grandes e curtos amores para esbarrar em um que seja longo, verdadeiro e que depois de tanto conhecer gente por aí, funcione. Quando se espera menos, se decepciona menos. E aprende sem sofrer tanto assim.

Ou, talvez, sofrendo por causas mais verdadeiras.

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