uma resposta que merecia ser publicada.

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que, no passado, eu costumava publicar alguns e-mails de leitores que chegavam no Consultório Sentimental. É claro que eu tomava o cuidado de trocar os nomes dos envolvidos e de sempre, SEMPRE, pedir autorização para que essas confissões de amor-ódio-drama fossem expostas por aqui. Com o tempo, essa área do blog se tornou tão íntima e pessoal para os leitores que começou a ficar complicado expor tantos sentimentos, sabe? Me tornei amiga de alguns aconselhados, acompanhei causos bem e mal sucedidos (às vezes bem cabeludos) por aqui e perdi o hábito de publicizar as perguntas, as respostas, enfim, passei a utilizar as histórias apenas como inspiração os muitos textos que já foram publicados  por aqui.

Ontem resolvi responder algumas pessoas que, há muito, estava devendo satisfação e escrevi um e-mail muito bacana para a Pri, uma leitora antiga. Ela nem deve ter lido essa resposta ainda, mas achei que as palavras ficaram certeiras, achei que poderia publicar o que disse para ela por aqui também. Espero que ela não me processe, não brigue comigo e que não fique brava. E não publicarei, obviamente, o e-mail que ela me mandou incialmente.

Às vezes o que aconselhamos para alguém é exatamente aquilo que outra pessoa deveria ler. Segue:

 

Pri, UM MILHÃO DE DESCULPAS!!! Voltei à ativa, finalmente! Vou responder JÁ o seu e-mail, vamos lá…

Acho que um grande amor é assim mesmo. Gruda, prende, não vai embora da gente tão fácil. Às vezes a gente muda, a vida muda, as pessoas mudam, as circunstâncias mudam também, mas os sentimentos… Eles ficam. Tenho a teoria de que isso acontece porque guardamos sempre com a gente a nossa última referência de felicidade verdadeira. Mesmo que a gente tenha sofrido, que várias coisas ruins tenham acontecido, nos prendemos àquela memória, àquela pessoa e não conseguimos, simplesmente, pensar em alguém que seja melhor que ela. É um processo de desapego que precisa partir da gente e que tem muito a ver com os nossos círculos também, com as novas pessoas que a gente conhece, com o grau de envolvimento que temos com essas pessoas e o quanto permitimos que tudo isso ocupe espaço na nossa vida, mente e coração. Se os sentimentos fossem uma ciência exata, tudo seria muito mais simples. Era só subtrair algumas coisas nocivas e tudo, em algum momento, resultaria em zero. Deixaríamos de sentir esses engasgos ocasionais quando a gente se sente só e de nos dividir entre passado e presente. Passaríamos a multiplicar nossas chances de felicidade sempre que tudo parecesse meio fracionado, meio fora do lugar. E somaríamos, sempre. Novas experiências, novos rostos, envolvimentos. Aprenderíamos que talvez seja mais simples nos prender ao que já foi e que por isso insistimos tanto nisso. Afinal, envolver-se novamente dói. Cansa. Ainda mais pra quem já foi casado, já teve um chão e teve que reaprender a flutuar. Consigo entender o que você sente, Pri, porque eu mesma já estive aí, nessa mesmíssima situação. E tenho certeza que muita gente que lê o Hiper também. Aliás, tenho outra teoria (eu e minhas várias teorias…): quem está nessa situação de dificuldade de desapegar hoje é porque, um dia, viveu algo que valeu realmente a pena. But now, baby, time to let it go. For real.

E de parar de lamber os dedos pelos restinhos do que foi bom. Tem muito prato principal esperando pra entrar no forno.

Um beijo, espero ter ajudado! (e vou publicar essa resposta porque, ADOREI o texto que saiu dela!)

Ericka.

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OBRIGADA!

Sempre recebo e-mails incríveis dos meus leitores aqui pelo Consultório. Embora às vezes não responda a todos os comentários que chegam via post (porque nunca tenho certeza se quem comentou vai vir até aqui ler a minha réplica!!) estou sempre de olho no que vocês dizem, respondendo cada depoimento, história, mensagem, e enchendo o coração de amor com cada coisinha que chega na minha caixa de entrada!

<3

A vocês que se identificam com os textos, que buscam, verdadeiramente, os meus malucos conselhos, que começaram um blog inspirados pelo Hiper, que desejam manter contato, que riem das histórias, das ideias, ou, simplesmente, discordam de todas as coisas que eu digo por aqui (vivemos, afinal, num país livre), OBRIGADA!

É muito bacana saber que tem alguém do outro lado do mundo (alô Márcia Ramos, que me mandou uma história LITERALMENTE da China!!) que está disposto a perder um pouquinho de tempo da própria vida para ler o que eu, uma jornalistazinha paulistana qualquer, tem a dizer!

Vocês são uns lindos!

E desde já muito amor, paz, saúde e excelentes realizações em 2014! Que venham muitas coisas para contar por aqui!

Um beijão!

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Consultório Sentimental – O amor que foi embora, mas ficou.

Recebi um e-mail bem tristinho de uma leitora, mas não consegui responder diretamente para ela talvez porque o e-mail cadastrado não seja o correto. Não tenho certeza se posso publicar as palavras dela em exato porque, como não conversamos, não obtive nenhum feedback dela quanto à publicação da história, mas de qualquer maneira queria que ela soubesse a minha opinião.

A moça conta que namorou durante certo tempo um rapaz que foi embora sem dar muitas explicações e que hoje, dois anos após o ocorrido, ele já está em um outro relacionamento e ela não consegue se libertar desse passado. Segue abaixo a minha resposta . Espero que de onde quer que ela esteja, essas palavras tenham serventia.

Ps.: Nos e-mails não escrevo formalmente! Mil desculpas àqueles que estão passando pela primeira vez por aqui e esperavam uma resposta “formal”. O meu objetivo é dar minha opinião de forma rápida e objetiva. A escrita poética eu deixo para as crônicas…

“Oi querida, tudo bem?

Sua situação é complicada, mas não é a primeira vez que recebo e-mails como esse, sabe?
Vamos analisar…
Entendo que você tenha gostado muito desse rapaz, mas vc consegue perceber que não vale a pena ficar presa a um sentimento que definitivamente não é correspondido? Que o sujeito evoluiu, mudou, já está em outra na vida e que vc continua aí, pensando nas coisas que poderia ter vivido com ele e se privando de novos relacionamentos? Infelizmente não tenho a fórmula certa para esquecer alguém, mas sei aquilo que devemos evitar para que as coisas se resolvam mais rápido. Ao contrário do que todo mundo diz por aí, não é com um novo relacionamento que se cura um antigo, é entendendo o POR QUE de estarmos ainda tão apegadas aos relacionamentos que já se foram.

O moço sumiu. Pode ter uma família bacana, pode ter sido muito bom enquanto durou, mas ele não foi homem o suficiente para terminar um relacionamento com vc como as coisas devem ser feitas. Essa sensação de vida “não vivida”, de coisa não esclarecida, te dá margem para criar uma série de fantasias de como esse relacionamento PODERIA ter sido com essa pessoa que, nem ao menos, esteve com vc quando estava tudo indo, aparentemente, bem. Imagine se esse namoro prosseguisse, então? Como seria se vcs enfrentassem um problema de verdade? Vc qr na sua vida alguém que pode contar, um PARCEIRO para todas as horas. De que te adianta um amor inventado?

Tente SE ENTENDER. Isso que vc sente não tem nada a ver com o que viveu e sim com as expectativas daquilo que gostaria de ter vivido e não conseguiu. Eu sei, não e fácil “largar o osso”, mas não é saudável e nem um pouco interessante ficar desejando que ele volte, que alguém igual a ele apareça, ou que as coisas sejam da maneira que foram. Vc merece uma pessoa que REALMENTE queira estar com vc, tendo ela outros defeitos e outras qualidades, sabe? O que acontece é que vc não encontrou ainda alguém a altura, e precisa justificar esse fato comparando seus atuais relacionamentos à única referência bem sucedida que vc teve, que se vc for pensar bem, nem foi tão bem sucedida assim.

Não queira alguém que se assemelhe a ele, queira MAIS. Porque é isso que vc merece, tenho certeza!
Um bjão e obrigada por escrever para o Consultório!
Feliz 2012 com MUITAS SURPRESAS,
Ericka.”

 

 

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a síndrome dos bons tempos.

Temos  a tendência de achar que o tempo que passou é sempre melhor que o vivido agora, repara. Se não sempre, na maioria dos casos. Lembro dos meus 15 anos com tanta saudade que até dói. Mas daí, num lapso de memória, recordo daqueles simulados escolares insuportáveis, das festas que eu não podia ir porque era menor de idade, de que eu tinha hora pra dormir, acordar e chegar em casa e, o principal: que meus amigos não tinham carro (porque eu mesma continuo sem ter).

Daí penso que os 18 sim, esses eram de ouro. Foi quando entrei na faculdade, comecei a trabalhar, a ganhar meu próprio dinheiro… E a dormir bem menos às custas disso. Olha aí o ponto negativo. Foi também nessa época que percebi que nunca teremos o suficiente (e que isso nem sempre é rnegativo). Sempre vai faltar um tênis, uma viagem, um computador ou tempo para curtir tudo o que se conquistou.

Pensei nos 20, 21, 23 e cheguei a conclusão que nem aos 6 anos de idade a vida era tão fácil assim, nunca é. E se a gente lembra de tantos pontos positivos de épocas distintas é porque andou mesmo vivendo bem.

Melhor que lamentar é agradecer por tudo de positivo que se viveu. E que venham muitos anos pra continuar na saudade…

 

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Consultório Sentimental – o retorno das respostas.

Dessa vez não publicarei a história toda porque ainda não tive o retorno da nossa querida leitora e eu preciso manter o sigilo, num tem jeito! Mas achei a minha resposta tão sincera que precisei publicá-la por aqui.

E que seja útil para muitos outros corações…

*****

Alice, não aguentei chegar em casa e resolvei parar um pouquinho o que eu estava fazendo só pra te dar esse conselho porque me identifiquei muito com a sua história.

Durante 6 anos fui apaixonada pelo meu primeiro namorado, e foi por ele, aliás, que eu comecei a escrever o blog. Não exatamente por ele, mas por todas as experiências malucas que eu me envolvi depois que terminamos, enquanto estávamos juntos, e porque eu acreditava que éramos mesmo almas gêmeas e que jamais seria capaz de encontrar alguém que eu amasse tanto quanto o amava… Também houve traição no nosso namoro, barracos, lágrimas, também éramos novos e imaturos, também acreditava que um dia as coisas se ajeitariam ou que eu ia me conformar em viver uma vida “morna” com qualquer outra pessoa que cruzasse o meu caminho. Hoje, posso te dizer, COM CERTEZA que as coisas não são assim. Que não existe um único amor na vida, mas que os grandes amores são raros e nos apegamos a eles. Você só consegue amar alguém novamente quando se desliga do passado e o seu ainda está aí, presente, cutucando sua mente, provocando seus sentidos, você ainda tem muito sentimento. E porque quer.

No amor, criamos raízes e precisamos tomar cuidado com isso. Um relacionamento que um dia foi bom, mesmo conturbado, sempre nos deixa marcas, ainda mais quando falamos de um primeiro amor. Você o traiu, sente culpa pela sua imaturidade e acha que se voltarem hoje as coisas serão completamente diferentes e melhores. Elas podem mesmo ser. Mas não serão.

Ele caminhou pra frente e já entendeu que as pessoas e os acontecimentos tem uma importância fugaz na vida da gente, no momento em que acontecem. Com o passar do tempo perde o sentido insistir. Eu sei que ninguém deve ter te dito o que eu vou dizer, que as pessoas vivem por aí levantando a bandeira de que temos que lutar pelos sentimentos verdadeiros, mas isso não é sempre verdade. Sábio, às vezes, é deixar ir. Lembrar do amor que se teve com carinho e preparar o coração para novas experiências, sem memórias, sem traumas, sem dramas. Não porque não haja amor, não porque não valha a pena, mas porque não é pra ser. Você sabe que quando as coisas SÃO PRA SER, não há filho, atual namorada, família, religião ou futebol que separe, não sabe? Pois deixe isso pra lá, então. Se um dia vocês tiverem que voltar a vida vai dar um jeito de alinhar todas as coisas, de reaproximar, reapaixonar…Não fique maltratando a si mesma vivendo de migalhas de afeto (pela cordialidade e a educação que ele tem por você…) e de memórias. Saia por aí, conheça gente, permita-se. Não interessa como é o atual namoro dele, se é frio ou quente. Optar por ter um relacionamento mais racional que passional é algo que todo mundo faz vez ou outra, e você também fará. Faz parte de aprender a lidar consigo mesmo, faz parte de aprender que nem sempre gostar de alguém é avassalador, cheio de declarações e intensidades, o amor tem suas caras, não julgue. Saia dessa nuvem de emoções pra vida, pra beijar na boca, desencane, arrume um namorado que você nem ame só pra ver como é, arrume um outro cafajeste pra chorar bastante e rir da sua idiotisse depois, arrume um cara mais velho, com 3 filhos e uma ex mulher, bem complicada, que vai te perseguir na rua, depois um novinho que mal saiu da escola e que só pensa em jogar video game. Por fim, encontre um grande amor, novo, verdadeiro, saboroso. E perceba que o mundo dá voltas e é sempre surpreendente descobrir que somos capazes de amar bem mais do que um dia soubemos ser. A gente precisa viver etapas na vida para evoluir e não ficar estagnada onde encontramos um ponto de conforto.

Espero ter ajudado em alguma coisa, pode retornar esse e-mail quantas vezes desejar com dúvidas e dramas, estou pronta pra ouvir!

Um beijo enorme, Ericka.

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a grama do vizinho.

Aí que começou uma onda louca de todo mundo querer pegar a mulher alheia. Por que? Não sei. Só sei que no último mês essa é a temática mais abordada pelos meus pacientes do Consultório Sentimental. Tá difícil deixar vocês satisfeitos, viu? Complicado.

Parece que os namoros longos, que antes eram deliciosos e satisfatórios, andam um saco. Quando dá dois anos de relacionamento estável é BATATA: aparece alguém do trabalho, da igreja, do clube, do mercado… Que é assim, a sua ALMA GÊMEA, todas as coisas que você sempre esperou em uma pessoa, mas que, até então nem sabia que queria, muito curioso.

Meus caros, isso é um sinal alarmante. Não que realmente essas coisas não possam acontecer, aliás, acontecem o tempo todo, das pessoas estarem umas com as outras porque o tempo assim colocou sem nem se gostarem muito e coisa e tal e acabarem se apaixonando por alguém aleatório que encontram todos os dias, que almocem, que tenham afinidade e bla bla bla, já sabem.Parece que ninguém percebeu ainda que o amor só consegue ser nutrido se houver proximidade, conversa, afinidade. Daí vem esse lance de você acabar tendo um caso com o seu chefe, ou coisa do tipo: é muito fácil nos encantarmos por alguém que convivemos.

Faça uma linha do tempo com os seus relacionamentos anteriores: como foi que você começou a se apaixonar? Quanto tempo você se dedicava a essa pessoa? Quantos lugares, coisas, cheiros, quantas experiências você fazia questão de compartilhar? E hoje? Será que as coisas andam no mesmo compasso?

Quando uma coisa nos satisfaz temos a tendência a deixá-la como está, sem nem perceber que precisamos mesmo é de novidade. O tal do frio na barriga, o encantamento, isso tudo precisa ser nutrido. A grama do vizinho sempre vai parecer mais verde se você não cuidar da sua, as coisas que não fazem parte da rotina, que ainda não foram desvendadas, sempre dão a sensação de ser melhores do que as que temos.

Cuidado.

Ser uma pessoa acomodada é ruim, mas quando agimos por impulso corremos o risco de perder muitos tesouros que nem lembramos mais que sempre estiveram no baú. Melhor detectar os problemas do atual relacionamento antes de se jogar de cabeça em um novo (ainda mais se tiver mais envolvidos no meio…)

De longe nunca conseguimos enxergar as pragas na vegetação.

 

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desamarração.

Há duas perguntas que recebo com tanta frequência no Consultório Sentimental que fica impossível não comentar sobre elas de forma genérica. A primeira, mais complexa, é qual a fórmula correta para se esquecer um grande amor e a segunda, que mais me preocupa, é como encontrar um.

Gostaria de entregar de bandeja a todas vocês uma mandinga para a DESAMARRAÇÃO  do amor, para mandar o seu amor mal resolvido pra Jamaica em 7 dias, vender meus serviços de curandeira sentimental e coisa e tal, mas não é assim que funciona.  Aliás, se vocês querem saber, nunca esqueci meus amores, aprendi a conviver com cada um deles e transformá-los do ódio, para o aprendizado, da mágoa, para a lembrança, e por aí vai.

A sabedoria popular ensina uma coisa que eu discordo:  que só se cura um amor com outro.

O amor é uma espécie de recompensa por estarmos bem conosco, tranquilas,  resolvidas e sem grilos. O que acontece é que quando a gente não tem paciência para esperar a vida se encaminhar a gente DISTRAI a perda de um grande amor com outros, falsos-micro-amores, e às vezes, isso até funciona, mas não cura.  Se o último relacionamento foi uma bagunça, se você saiu magoado, foi traído ou apenas ainda existe algum resquício de sentimento, tenha pena do seu próprio coração e pare de fazer bobagem: recomponha-se. Não se envolva com outra pessoa antes de se entender. Não prometa sentimentos, provoque compromissos e se prenda a situações das quais você possa se arrepender. Essas lições a vida me ensinou di-rei-ti-nho e já dizia o Pequeno Príncipe: “Tu te tornas eternamente responsável pelo o que cativas.” – e eterno é TEMPO PRA CARAMBA. Cuidado com quem você se envolve.

Meu conselho se resume a três dicas básicas que se tornaram um mantra pra quando eu começo a me sentir encalhada: saiba o que buscar, saiba que não é necessário buscar e, por fim, entenda que um dia vai encontrar.

É simples.

Durma tranquila, sem planejar vinganças, esqueça as baladas com tequila e affairs temporários, conviva bem consigo mesma.

Me encontro em um momento incapaz de acreditar que realmente alguém esteja disposto a estar comigo, virei refém das minhas análises. Ando com o amor próprio suficientemente fortalecido pra saber que gostar são dois, não um. Que não adianta forçar a barra, exigir presença, carinho ou qualquer outra coisa; quem quer, fica. E aprende a lidar seja com que situação for.

Quanto a encontrar os grandes amores, não sei exatamente como proceder.  Os meus novos rolos, pelo menos, simplesmente vem. E não digo que isso seja bom, na verdade, há pessoas que a gente sabe que só está junto por distração e disponibilidade, tem a convicção de que não irá além disso.  E tem aquelas que a gente está junto porque sim. Porque é uma delícia a convivência, as palavras, as risadas… E começa a temer as coisas, entre perder, ganhar ou estragar o que se tem, pensa que pode não dar certo, pensa que pode dar, aquela agonia característica de quem está apaixonada e não admite.

No bar, no supermercado, na aula de inglês, na academia, na viagem, na fila do McDonalds, que seja. O amor não é nosso, ele passa pela gente. De vez em quando, dá pra agarrar, ocasionalmente ele escapa, e inevitavelmente ele se vai, como se nunca nem tivesse existido.

E a gente percebe que essa coisa de viver em par é muito mais complexa do que só juntar os trapos.

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Direto da caixa de entrada.

“(…)Um dia desses comecei a reparar em quem nem imaginava. Um amigo que não era tão chegado veio se aproximando cheio de dedos, como quem num quer nada, e deixando vários verdes pelo caminho. Eu já sabia no que ia dar desde a primeira troca de mensagens, do primeiro olhar, da primeira vez que a gente encostou um no outro. Na verdade, o amigo, se assim posso dizer, se tornou mais próximo há pouco e “otras coisitas más”, há menos ainda. Temos uma atração física incrível, não sei exatamente definir. A conversa é fácil, as risadas, soltas. Ele sabe sobre cinema e gosta de conversar e ouvir, assim como eu. Não é difícil se sentir incrível ao lado de uma pessoa assim. Tudo que ele diz é tão sincero e aflito que você acolhe de coração aberto os mínimos comentários e se alegra inteira quando recebe um SMS ao longo do dia. Pra mim ele também é uma coletânea de coisas boas, não há palavras pra explicar o tamanho da minha surpresa quando eu descobri que por trás de toda aquela aparente timidez havia um mundo de experiências, gestos, histórias e diversão garantida para compartilhar. O sexo, que a gente sempre espera não encaixar de “prima”, foi fluido, como se já fizéssemos todas aquelas coisas há muito tempo. Como se já soubéssemos onde encostar, o que dizer, como se tudo correspondesse a uma dessas conspirações cósmicas que a vida faz pra unir duas pessoas… Já comprometidas (…)”

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A vida insiste em me surpreender sempre mais e mais. Sem maiores comentários sobre essa história. PRECISA?

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mãe e filha.

Boa tarde, Ericka, tudo bem com você?

Estou num beco sem saída. Tenho 18 anos e minha mãe ainda implica com o fato de eu namorar. Ela inventa mil desculpas nos finais de semana para eu não sair e sempre que pode critica meus amigos e, principalmente, meu namorado. O primeiro já desistiu de ficar comigo por não aguentar a pressão, tenho medo que esse vá pelo mesmo caminho. Nunca pude sair muito à noite, sempre fui mais caseira mesmo. Mas a questão é que agora estou fazendo faculdade, todos os meus amigos tem carro (inclusive meu namorado) e fica difícil ficar em casa num sábado à noite em que todos estão saindo para se divertir menos eu. E se eu ainda pudesse trazer alguém para curtir em casa comigo, seria bom. Meu pai também odeia receber pessoas aos finais de semana porque quer descansar e eu sempre obedeci. Acho que a culpa de eu não ter uma vida normal, no final das contas, é toda minha. O que posso fazer? Você tem alguma sugestão??? Minha mãe parece ser uma pessoa traumatizada, porque, na juventude, meu pai curtia muito em festas. Acho que ela não quer que eu acabe com alguém que me faça sofrer, que siga pelo mesmo caminho, não consigo entender bem!

Me ajuda?

Obrigada!

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Oi, querida! Estou bem sim, obrigada por perguntar! Sua situação é chata… Mas é mais comum do que você pensa! Canso de receber e-mails com reclamações parecidas com essa, os pais ainda acham que proibir as coisas é o melhor jeito de manter os filhos livres de alguma confusão, de evitar com que sofram… Enfim, ledo engano. Você parece ser uma filha sensata, ao menos pelas suas palavras nesse e-mail. Liberdade é uma coisa que conquistamos aos poucos e que, eventualmente, vai gerar algum tipo de conflito familiar. Respeitar os pais é muito importante, mas fazer com que eles nos ouçam e nos entendam também é. Pense que na cabeça dela você sempre foi essa menina caseira e obediente, e que isso nunca iria mudar. É complicado pra eles aceitar que evoluimos.  Pra sua mãe você sempre será uma menininha, mas não dá pra acatar tudo que ela diz porque se você nunca bater o pé e questionar ordens (como você parece não ter feito…) você vai ficar sujeita sempre àquilo que ela deseja, que ela acredita ser o melhor para você. E pelo visto isso não estpa te fazendo muito feliz, não é? Não estou dizendo que é sair por aí toda rebelde, tocando o terror e fazendo qualquer bobagem, nenhum extremo é bom, tem que saber ponderar. Sempre sugiro conversar, nesses casos, em doses homeopáticas. Você já sentou com ela e demonstrou o quanto a ama? O quanto considera as preocupações dela importantes, mas que às vezes ela exagera? Que você quer namorar, sair, que ela te deu uma boa educação e num tem por que ficar te proibindo fazer coisas das quais ela sempre orientou você de COMO fazer? Você não é ingênua, não precisa mais de 100% de proteção. Ela pode ficar brava e ser intolerante no começo, mas insista. Uma hora ela terá que ouvir. Não minta, porque isso também acaba com qualquer relação de confiança. Diga que vai sair com o namorado, pra ela não se preocupar, leve o celular, apresente-o pra ela, volte na hora combinada. Tudo isso, aos pouquinhos, vai deixá-la mais tranquila, ela vai perceber que o que você está fazendo não é nada de anormal para meninas da sua idade. Ou, ao menos, é o que eu espero que ela perceba. Acho que a relação que você construi com ela foi a de medo, não de parceria. Sempre falo pra minha mãe que ela não é a minha melhor amiga, porque nao é tudo, em absoluto que me cabe contar a ela. E essa, pra mim, é uma verdade. Mas mãe é alguém que você tem que ter por perto, que precisa te dar uma certa liberdade e te apoiar quando o mundo inteiro estiver desmoronando.  Mãe, a gente se dando super bem ou não, só existe uma. É preciso respeitar. Mas também ser feliz dentro de tantas limitações.

Espero ter ajudado de alguma forma, me mande notícias,

Ericka. =]

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o filho alheio.

Boa tarde, Ericka, tudo bem?

Creio que meu caso é o mais complicado de todos que você já deve ter recebido por aqui. Tenho 26 anos, moro em Maringá, Paraná, e namorei por 6 anos o homem que pensei ser o amor da minha vida. Ele terminou o relacionamento comigo há 10 meses e,3 meses depois que estávamos separados comecei a sair com um colega de trabalho que sempre pareceu se interessar por mim. Não sou uma irresponsável, sempre tomei todas as medidas necessárias para evitar uma possível gravidez, mas descobri, há exatos 2 meses, que estava grávida desse relacionamento posterior ao meu longo namoro. Minha família está super envergonhada e a notícia não foi nada bem recebida. Pra completar o drama todo, o “colega de trabalho” (vamos chamá-lo assim…) e agora pai, não quer assumir o filho. Disse que tudo aconteceu muito rápido, que não tem certeza daquilo que quer, que eu que me vire sozinha. Estou desesperada.

Meu namorado de 6 anos, obviamente, soube de toda essa situação, e  propôs reatar nosso antigo relacionamento, assumir o filho e me ajudar a enfrentar essa barra, mas não acho justo. Em primeiro lugar porque, segundo ele, não havia mais sentimento que o prendesse a mim e porque depois de tudo acabado, eu mesma comecei a perceber que ele tinha razão, que estávamos empurrando o namoro com a barriga por puro hábito e costume de estarmos lá, um com o outro.

O que fazer? Embarco nessa nova chance, formo uma família, dou um nome para o meu filho, ou permaneço sozinha? Me ajude por favor.

Beijo grande, aguardo ansiosamente!

*****

Oi, xuxu!

Quando você começou a escrever o e-mail, não imaginei que a situação fosse REALMENTE complicada. Todos os problemas quando estão acontecendo na nossa vida tendem a parecer os mais complexos do mundo e a maior parte dos e-mails que chegam aqui no Consultório já começam falando do quão difícil é a situação e tudo mais…Mas, de fato, falar de filhos, antigos relacionamentos… É mesmo delicado e envolve muitos sentimentos. Vamos ver no que eu posso ser útil!

Em primeiro lugar, não posso julgar se você foi ou não irresponsável. Conheço muitas mulheres que sempre se cuidaram para evitar gravidez  e, ainda assim, num lapso, estavam lá, esperando um filho por algum comportamento impulsivo… Enfim, os porquês de você ter engravidado nesse curto relacionamento e não no outro não competem a mim, o negócio agora é lidar com a situação.

Filho, você já sabe, é pra vida inteira. É responsabilidade, é gasto, é educação… E ter uma família, não seria ruim. Deve ser exatamente por isso que você cogitou unir-se novamente ao seu antigo namorado que esteve presente por tantos anos e tentar formar, enfim, uma família. Eu acho complicado. Na verdade, as duas situações são. Se vocês terminaram o relacionamento em comum acordo, se respeitam, são amigos e não existe mais nada além de uma enorme consideração, vale a pena tentar um envolvimento? Quais as chances desse namoro suportar todas as dificuldades que estão por vir sem nenhum sentimento? Você acha que as coisas podem voltar a ser boas como foram um dia? Pode voltar a existir algum sentimento? Essas são questões que só você pode colocar na balança, não tenho como opinar. Só acho que ficar juntos apenas por compaixão, não funciona. Quer dizer, ATÉ funciona. Mas pode deixar ambos muito infelizes, presos a um compromisso inventado e que não necessariamente é a melhor solução. Você é jovem vai ter ainda muitas oportunidades de conhecer alguém que te ame, respeite e que aceite conviver com essa criança que está por vir. Parece impossível, desesperador, coisa de filme… Mas a vida tem dessas, acontece. É um risco, mas creio que essa seja a solução mais prudente no seu caso. Será que fui útil?

Num existe uma única resposta pro seu problema, aliás, pra nenhum problema!! Tentei te aconselhar ao máximo da forma que eu agiria se estivesse no seu lugar, te desejo toda sorte e força possível! E se precisar, estamos ai!

Um beijão! E me mande fotos do neném! =]

Ericka.

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