dos conselhos alheios.


Nada me irrita mais do que gente que quer dar opinião sobre o relacionamento alheio. Nada.

Entendo que quando estamos tristes, precisamos desabafar, conversar com aqueles que confiamos e pedir um overview sobre nossas dores e desgraças pessoais, faz parte, mas até mesmo nesse hora (inclusive nessa hora), precisamos selecionar bem quem pode acrescentar – e ajudar de fato a chegarmos a uma conclusão – ou quem só quer ver onde é que a coisa vai chegar. Esse segundo tipinho, costuma destilar meia dúzia de abobrinhas, aumentando bem a altura da fogueira, as ansiedades do seu coração e óh,  em termos bem reais, acaba ca-gan-do o seu rolê.

Entendo, inclusive, que as pessoas não façam isso por mal. Elas amam você. Elas querem que você fique bem, fique feliz, saudável, que sua vida entre nos eixos. Só que tem coisas que a gente pode até achar sobre a vida do outro, mas não pode sair por aí julgando. Que me desculpem os santos e santas desse Brasil, mas aquele que nunca fez um CAGADONA com alguém que ama não merece nem se manifestar sobre a minha vida, honestly. E não, não vai ter o mínimo de sensibilidade para se colocar no meu lugar, no lugar do outro, pra analisar friamente seja lá que diabos o que alguém (ou você mesmo) fez.

Fica a dica.

Não é porque você foi louca e surtada por um motivo babaca que não seja uma pessoa legal. Não é porque cometeu um erro que nada mais pode dar certo. Eu e você podemos até já ter nos sentido assim alguns dias, algumas vezes, mas não é real. Por essas e outras que eu também nunca, JAMAIS, conto qualquer briga sinistra com o namorado ou amigas(os) pra minha família, ou pra quem já tem propensão a ser uma pessoa odiadora. Como eu fico depois que a poeira baixar? Quando eu racionalizar meus sentimentos e quiser manter meu relacionamento seja lá qual for? Como fazer quando, no íntimo, a gente sabe que quer ficar, que precisa dar outras 45 chances, que sejam, e já proferiu pelos quatro cantos desse planeta nosso ódio e rancor por quem talvez não merecesse tanto assim?

Num conflito eterno, né? Pois é, rapaz.

Quando escrevo aqui, falo sobre sim. Sobre o que eu já vivi, senti, sobre como eu penso que as coisas sejam. Não estou aqui para cagar regras, para dizer como você deve agir se foi traído, se foi enganado, se sofreu ou se foi quem fez as piores atrocidades com a pessoa que amava. Aliás, ninguém pode dizer nada, querido, depende de você. E do que você sente e já viveu. E da avaliação que você precisa fazer friamente sobre si, sobre o outro e sobre quem é quando está em um relacionamento.

Não existem culpados e inocentes. Não existe ação sem reação. Mas acho, de coração e peito aberto, que recomeços são bem vindos e que podem (muito mais que fins), serem providenciais ao longo da vida.

Pense sobre isso.

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uma resposta que merecia ser publicada.

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe que, no passado, eu costumava publicar alguns e-mails de leitores que chegavam no Consultório Sentimental. É claro que eu tomava o cuidado de trocar os nomes dos envolvidos e de sempre, SEMPRE, pedir autorização para que essas confissões de amor-ódio-drama fossem expostas por aqui. Com o tempo, essa área do blog se tornou tão íntima e pessoal para os leitores que começou a ficar complicado expor tantos sentimentos, sabe? Me tornei amiga de alguns aconselhados, acompanhei causos bem e mal sucedidos (às vezes bem cabeludos) por aqui e perdi o hábito de publicizar as perguntas, as respostas, enfim, passei a utilizar as histórias apenas como inspiração os muitos textos que já foram publicados  por aqui.

Ontem resolvi responder algumas pessoas que, há muito, estava devendo satisfação e escrevi um e-mail muito bacana para a Pri, uma leitora antiga. Ela nem deve ter lido essa resposta ainda, mas achei que as palavras ficaram certeiras, achei que poderia publicar o que disse para ela por aqui também. Espero que ela não me processe, não brigue comigo e que não fique brava. E não publicarei, obviamente, o e-mail que ela me mandou incialmente.

Às vezes o que aconselhamos para alguém é exatamente aquilo que outra pessoa deveria ler. Segue:

 

Pri, UM MILHÃO DE DESCULPAS!!! Voltei à ativa, finalmente! Vou responder JÁ o seu e-mail, vamos lá…

Acho que um grande amor é assim mesmo. Gruda, prende, não vai embora da gente tão fácil. Às vezes a gente muda, a vida muda, as pessoas mudam, as circunstâncias mudam também, mas os sentimentos… Eles ficam. Tenho a teoria de que isso acontece porque guardamos sempre com a gente a nossa última referência de felicidade verdadeira. Mesmo que a gente tenha sofrido, que várias coisas ruins tenham acontecido, nos prendemos àquela memória, àquela pessoa e não conseguimos, simplesmente, pensar em alguém que seja melhor que ela. É um processo de desapego que precisa partir da gente e que tem muito a ver com os nossos círculos também, com as novas pessoas que a gente conhece, com o grau de envolvimento que temos com essas pessoas e o quanto permitimos que tudo isso ocupe espaço na nossa vida, mente e coração. Se os sentimentos fossem uma ciência exata, tudo seria muito mais simples. Era só subtrair algumas coisas nocivas e tudo, em algum momento, resultaria em zero. Deixaríamos de sentir esses engasgos ocasionais quando a gente se sente só e de nos dividir entre passado e presente. Passaríamos a multiplicar nossas chances de felicidade sempre que tudo parecesse meio fracionado, meio fora do lugar. E somaríamos, sempre. Novas experiências, novos rostos, envolvimentos. Aprenderíamos que talvez seja mais simples nos prender ao que já foi e que por isso insistimos tanto nisso. Afinal, envolver-se novamente dói. Cansa. Ainda mais pra quem já foi casado, já teve um chão e teve que reaprender a flutuar. Consigo entender o que você sente, Pri, porque eu mesma já estive aí, nessa mesmíssima situação. E tenho certeza que muita gente que lê o Hiper também. Aliás, tenho outra teoria (eu e minhas várias teorias…): quem está nessa situação de dificuldade de desapegar hoje é porque, um dia, viveu algo que valeu realmente a pena. But now, baby, time to let it go. For real.

E de parar de lamber os dedos pelos restinhos do que foi bom. Tem muito prato principal esperando pra entrar no forno.

Um beijo, espero ter ajudado! (e vou publicar essa resposta porque, ADOREI o texto que saiu dela!)

Ericka.

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sobre a intimidade forçada.

Não sei quanto a vocês, mas não tenho paciência pra gente insistente. Sério. Nunca tive.

Acho que forçar uma situação de amizade/intimidade extrema é sempre desagradável, não tem jeito. Para quem força, percebe que está sendo mala e não pára e pra quem precisa absorver toda essa “desenvoltura” alheia. Não existe coisa pior do que viver relacionamentos que não existem, ser simpático com pessoas que te tratam mal e, pior ainda, não dar uma bela cortada em alguém que te xaveca – e por quem você não tem o mínimo de interesse. Essa última, sem dúvida, é a pior das situações.

Não dá pra ser indelicado. Não dá pra ser arrogante pra depois ouvir o clássico “mas você entendeu errado, não queria nada com você”. OKAY. A verdade é que a gente sabe quando alguém está interessado na gente, sabe mesmo. E para os super xavecadores, fica a minha dica: se ainda não rolou uma reciprocidade da gatinha/gatinho, não vai rolar mais tarde. Parem por favor. É menos feio.

Mas como em terra de cego quem tem olho é caolho, e o ditado não tem nada a ver com o texto, mas eu quis utilizar, que atire a primeira pedra quem nunca deu uma forçadinha consciente seja lá em que situação for. Quem não ficou melhor amiga daquela vizinha chata por conveniência? Ou quem já não esteve lá, movendo montanhas, mundos e fundos por aquela sujeitinho que – bem no raso, e a gente já sabia –  nem tchum pra gente?

É, jovens. Tudo na vida tem dois lados. Às vezes somos os incomodados, às vezes somos àqueles que incomodam.

VAMOS ABRIR O OLHO, PESSOAL.

Se o cara não responde aquela mensagem, talvez ele não queira te encontrar.

Se as respostas, por sua vez, são evasivas, frias, se ele está sempre atrasado, sempre enrolado no trabalho, em outra cidade, sempre encontrando desculpas – semana após semana – para não tomar aquele choppinho, para não repetir o cinema, páre de insistir.

Quem quer, já cansei de falar, dá um jeito. Fica. Remarca. Arranja alguém pra ficar com os filhos, adia até o aniversário da própria mãe.

Sentiu, de leve, que está sendo enrolada? Recue. O mundo está cheio de gente disposta, interessante, interessada e que está afim de estar com a gente.

Chega de querer comer a azeitona salgada da empada seca. Engasga.

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quando não há regras.

Nesses meus anos como conselheira amorosa aprendi uma sábia lição:  as pessoas não gostam de conselhos. Podem gostar muito do amigo ou amiga aconselhador, podem até aceitar que existem doses inquestionáveis de verdade em cada uma das frases proferidas, mas só aceitam a opinião alheia quando realmente procuram e, mais que isso: nossos amigos tem o direito de não se importar com o aquilo que pensamos.

Não existem regras claras para os relacionamentos humanos, não há uma fórmula correta para se agir nos casos, x, y ou z, simples assim. O que fazemos são conjecturas, baseadas em experiências anteriores – e no senso comum – daquilo que pode vir a ser a melhor coisa a ser feita. Ou não. É impossível afirmar com certeza.

Não sei quem foi que disse que para um namoro/casamento/caso funcionar um deve respeitar a individualidade do outro, nem quem afirmou que bom mesmo é ficar o tempo todo grudado. O que cabe a um determinado casal pode, simplesmente, não funcionar pra você. Pode parecer absurdo, exagero, cretinice, mas, olha, pode dar certo, viu? Sempre pode. Só quem está junto pode decidir a medida de todas as coisas e só quem está apaixonado entende o que sente. Ou não entende, mas quer viver tudo o que puder. Sem grandes lógicas.

Mesmo sendo uma pessoa completamente favorável à moderação, na vida como um todo, aliás, acredito que relacionamentos saudáveis são basicamente feitos de concessões para se estar junto. Para fazer parte de alguma coisa que será construída em PAR. Entretanto, tem casais aí aos montes se vendo uma vez por mês. Gente que é casada, com filho e que dorme em casas separadas porque, se ficar muito tempo junto, dá briga. E gente que morre de saudade se deixar de se ver por dois dias. E gente que sente falta de sair sozinho às vezes e precisa disso. E tudo bem.

Tem de tudo, cara, vocês nem imaginam o quanto. E é preciso aceitar as escolhas dos outros sem julgar.

Não entendo quem ama e não quer estar junto. Não entendo mesmo quem namora e não sofre com a possibilidade da ausência. Pra mim, por exemplo, namorar à distância seria mortal. Sou alimentada pela novidade, pelo cotidiano e por tudo na vida do outro que acontece dia após dia. Pelo diálogo, pela troca constante, pela risada de si mesmo. Acho que se muda muito em meio segundo. Que dirá em 6 meses.

Se é pra ter uma vida inteira sem a outra pessoa, que sejam amigos apenas, oras. Sem grandes intimidades e trocas. Ficantes, amantes ocasionais. É assim que funciona na minha cabeça. E mesmo que me digam o oposto – que a proximidade me levará ao tédio, que vou cansar da cara do outro, da vida do outro, do sexo do outro – caguei. Porque pelo menos vou ter aproveitado até secar.

Entenderam quando eu digo que só se absorve aquilo que tem relação com as nossas histórias pessoais? Que por mais que alguém queira dar pitaco na divisão da conta do restaurante, no rolo do outro, na briga da família, na traição, na falta de respeito ou no raio que o parta, só dá pra engolir quando a gente não tem convicção daquilo que sente? Quando há dúvida sobre o que deve ser feito?

Escrevo sobre regras porque elas não existem. Ou porque são infindáveis. Ou porque também busco tornar racionais as coisas que não cabem dentro de uma caixa.

Que chato seria uma vida toda num cubo.

Que seja disforme. Que seja errada. Que evapore; mas que seja. E que os outros também tentem ser.

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vadias s.a.

 

Desde já vai meu aviso: esse post é polêmico. Se você é muito conservador (a), esqueça. Talvez meus pensamentos te ofendam, talvez você nunca mais volte a ler esse blog novamente. Entretanto, se você está disposto, curioso e com a mente aberta… Fique à vontade. E claro, dê sua opinião. Se tudo o que eu escrevesse fosse certo… Minha vida seria perfeita, não é?

 

Toda mulher é uma vadia em potencial. Das mais castas, às mais soltinhas. Das mais novas, às mais velhas. Das magras, das gordas, das neuróticas às tranquilas; qualquer uma, sem exceção. Algumas enxergam isso e aceitam sua condição. Outras não. Toda a mulher já xingou, mesmo que mentalmente, pelo menos 5 mulheres por coisas que ela mesma já fez. Ou faria. Ou já viu a melhor amiga fazer e achou o máximo.

Toda mulher já chamou outra de gorda. Já achou o marido alheio gato. Todas elas. E isso não significa nada. Apenas que é preciso ponderar antes de sair por aí julgando quem a gente mal conhece. A vadia de hoje, é a sua irmã amanhã. A vadia de hoje, pode ser você. Será provavelmente.

As mulheres são, constantemente, hipócritas. E seus julgamentos tem ligação direta com suas relações pessoais. Se a prima fez, não é tão ruim. Se a atual do ex fez, é terrível, abominável. Como alguém pode ser assim tão desprezível, não é mesmo? Pensamos.

E somos cruéis. Não nos basta apenas pensar o mal, temos que agir contra esses “absurdos”. Temos sede de “justiça”. Queremos que a outra morra, que seus peitos caiam, que a bunda encha de celulite. E maldizemos a piranha até o infinito, não adianta negar. Aquela galinha, maldita, aquela vaca vesga, porca, suja. E por aí vai.

Com o passar dos anos, e conforme vou conhecendo as pessoas, passei a julgar mais e mais rapidamente. Não deixei de cometer meus julgamentos equivocados, muito pelo contrário. Me tornei mais ácida. Mas também predisposta a mudar de ideia se me provarem que não é bem por aí.

Na vida real, ao contrário das ciências exatas, onde conseguimos controlar os resultados, nada é preto no branco. Somos movidos, o tempo todo, pelos sentimentos, pelas circunstâncias e pela razão também, claro. Ou pela falta dela. Todo mundo está sujeito a uma cagadinha aqui ou ali. Todo mundo. E se é assim, porque somos tão pesados ao olhar para quem desconhecemos? Porque não olhamos as situações com a nossa dose de discernimento e filtros que aplicamos àqueles que nos importam?

Sejamos conscientes. Por favor.

E menos cagadores de regras.

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quando a gente deixa pra lá.

Alguém me disse, certa vez, que relacionamentos longos têm ligação direta com a desonestidade. Que quando você está há muito tempo com alguém começa a deixar de falar algumas verdades – e a ignorar aquilo que já não está tão bom assim.

Não se importa mais com o cabelo bagunçado, com a roupa amassada e deixa de apreciar, também, os tais dos detalhes tão pequenos de nós dois que são citados naquela famosa música. Tenho pra mim que é exatamente por esse relaxamento em relação ao amor que as coisas começam a desandar.

As pessoas, então, passam a estar juntas por pura inércia, como num barco; até dá pra pular, mas tudo vai ficar tão movimentado (e molhado) que é melhor continuar onde está. No marasmo rumo à nada, onde não se pode dar um próximo passo, nem se casa, nem se separa. Nem se renova, nem desiste. É triste. É chato. E acreditem: é muito mais comum ser infeliz no amor estando com alguém do que dizem as estatísticas de casais estáveis por aí.

Aliás, vamos falar de estabilidade. Não existe, ao meu ver, um relacionamento mais chato do que aquele que é estável. Daqueles nos quais você faz sempre as mesmas coisas porque sim. Porque habituou. O mesmo beijo, a mesma posição na hora do sexo, o mesmo restaurante, a mesma sobremesa, a mesma visita familiar de domingo, o cinema de quarta. Me dá preguiça só de escrever esse texto.

Odeio estabilidade – em todas as áreas da vida – da emocional à financeira, juro. Não há nada pior do que deixar pra lá aquela coisa de fazer surpresa, elogio, de marcar uma viagem, de sair com os amigos pra um rolê, porque… Huummm…Estabilizou. Não há coisa mais terrível que sofrer o carma de estar o resto da vida com alguém que nunca muda, que não se reinventa. Precisamos de um esforço danado pra nos mantermos sempre iguais.

Jovens, não façam isso, não. Jamais.

Se está chato com 26, imagina lá pros 50. Se tá um marasmo louco agora, no auge da vida loka cabulosa, imagina gente, imagina na Copa quando as coisas ficarem realmente zuadas. Sério.

Melhor que a morte seja rápida e indolor antes, né? Ou melhor escolher logo ser feliz.

Vai doer bem menos no final das contas. Eu acho.

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lanchinho.

Os homens não falam com as mulheres apenas por uma noite de sexo. É isso. Ponto final. Parem com esse argumento.

Se fosse apenas por sexo, eles não falariam nada. Não se dariam ao trabalho de te conhecer, de saber do que você gosta, de te levar pra jantar ou de insistir para tomar aquele café. Para aqueles que querem sexo e só, quanto menos envolvimento, melhor, viu? Anotem isso aí.

Os homens querem sexo, é claro. As mulheres também. Mas nem todos os encontros casuais se resumem a isso.

Se o cara te faz um elogio, aceite. Pare com esse papo de “ai ele nem acha isso, ele só quer mesmo é me comer“. PARE. Você não é obrigada a fazer nada que não queira. Somos 100% responsáveis por decidir, afinal, se vale a pena ter uma noite com esse ou com aquele sujeitinho xis. Por diversos fatores.

Se rolou e se o cara só quis mesmo te comer, e isso acontece até com uma certa frequência,  ele é um babaca, tem aos montes por aí. Mas tudo bem. Não é isso que faz de você uma pessoa melhor ou pior, uma iludida, uma inocente e desprotegida donzela.

Você deu, o cara sumiu, legal. E se foi excelente, melhor ainda. Você aproveitou, ele aproveitou, ao meu ver esse placar está empatado, babe, 1X1. Você não é menos merecedora de amor, uma vagabunda ou uma qualquer. Por que toda essa culpa?

Só não era o cara, a noite, a hora. E isso acontece nas melhores famílias embora pouquíssimas admitam.

Existem inúmeras justificativas que fazem uma mulher se envolver sexualmente com um sujeito. Só não usem a poderosa lábia deles como justificativa para toda e qualquer cagada.

Às vezes não é o carinha que queria te comer; era você mesma que queria ser comida, simples.

Se temos mesmo os mesmos direitos, se somos mesmo seguras das nossas decisões, se queremos aquela tão sonhada igualdade entre os sexos, precisamos lidar também com o que vem depois, sem chorumelas.

Se não funcionou, que ao menos sirva de lição.

E fim de papo.

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coisa de mãe.

Toda a mãe que se preze, nessa e em qualquer outra galáxia, é  intrometida.

Sem exceção.

Sempre quer estar por dentro da vida dos filhos como se, mesmo depois dos 15, tivesse um total controle sobre tudo o que está acontecendo. Mãe coruja é aquela que quer conversar com você, 7 horas da manhã, pós formatura de medicina, e quer que você conte – sóbria e empolgada – tudo o que aconteceu na tal festinha. Nos mí-ni-mos detalhes.

Mãe sabe quando estamos de casinho novo, sabe quando nossa vida amorosa anda uma merda e, principalmente, ADORA dar palpite. Nunca estamos magras o suficiente ou gordas demais. Nunca fizemos a melhor escolha de sapato. Aquele sujeito que dispensamos é sempre mais interessante do que o outro, que escolhemos. E por aí vai.

Ser mãe é torcer pelo sucesso dos filhos mesmo sem fazer nada prático para ajudar. Ou fazendo muito mais que pode.

Acho que Deus colocou as mães no mundo pra nos questionar em níveis absurdos, pra nos fazer refletir mesmo quando não enxergamos mais um palmo à frente dos olhos.

Ser mãe é ser um pouco chata, um pouco mala. Mesmo para as mais modernas e descoladas, mesmo para as que são super amigas dos filhos de fato. Afinal, mãe tem a obrigação de nos fazer pensar; e a liberdade de dizer tudo o que vem à cabeça.

– Por que você não namora o fulano, filha? Ele é uma graça!
– Nada a ver mãe.
– Mas como nada a ver, filha?
– Ele é melhor amigo do meu ex, mãe.
– Ai, até parece! Vocês jovens são muito apegados a esses detalhes sociais… E aquele outro magrinho? De cabelinho com gel?
– É gay.
– Imagina, filha! Aquele menino educado e bem arrumado gay? Você deve estar confundindo as coisas…

Pois é.

Não sei ,ainda, como deve ser a sensação de ser mãe.

Mas digo uma coisa sincera: que bom ter a sorte de ter alguém pra encher o saco (e o nosso coração de amor) tanto assim.

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Manual para o bom (mas nem sempre possível) viver.*

Não fale mal dos outros.

Se for inevitável, fale mal apenas em momentos de raiva e só para aqueles três amigos que você pode confiar. Ah, sim! Tenha três melhores amigos, todos diferentes entre si e todos maravilhosamente incríveis.

Acredite que ainda existem pessoas dispostas a se doar no mundo, mas não seja ingênuo. Entenda que sempre existirá alguém que irá te trair, te magoar, te passar a perna ou todas essas coisas de uma só vez. Não confie fácil, mas mantenha o coração aberto.

Não espalhe fofocas desnecessárias, principalmente as que envolverem pessoas que você ama. Cultive boas ações, ajude sempre o outro e faça isso de graça. Não espere reconhecimento e não busque méritos, mas faça sempre o seu melhor. Fale muito pouco sobre seus problemas, tente entendê-los longe da dor, porque ela faz todas as coisas parecerem insolucionáveis.

Beba suco, coma verduras e faça exercícios, não necessariamente tudo nessa mesma ordem e não necessariamente tudo isso de uma vez. Pelo menos uma vez por dia agradeça até mesmo pelas desgraças. Geralmente quando a gente acha que a vida tá uma merda, a gente fica mais na merda ainda, repare. Aliás, olhe ao seu redor. Reconheça que todo mundo merece uma segunda, uma terceira, infinitas chances pra recomeçar. Você nunca está tão certo quanto pensa e nem tão errado como imagina.

Quando houver discussões escute o coração. Não tenha orgulho se houver amor. Não tenha compaixão se houver desrespeito. Saiba que a vida só tem um caminho e que ele segue pra frente. O que você disse, já passou, o amor inesquecível, já foi, a viagem dos seus sonhos, só ficou na memória. Se possível, só lembre das coisas boas, das pessoas importantes e dos momentos felizes. Não se vingue de ninguém, e não queira mal seus inimigos.

Guarde cartas, fotos, livros, ursos de pelúcia, tudo que puder. Tenha história. Aceite que todas as situações que você passou existiram, que te fazem melhor do que você foi ontem e irão te fazer ainda melhor amanhã.

Não tenha pena dos outros, não tenha pena de si mesmo. Não seja vítima para ser alguém. Seja você, construa seu muro (permeável) de proteção e baste por si. Já disse que não é bom falar mal dos outros? É bom reforçar. Acabe com o mau humor, com a preguiça, com o egoísmo e com a inveja. Principalmente com a inveja, campeã absoluta de discórdia entre as mulheres.

Não compre tudo que tiver vontade, não coma tudo sem parar. Exageros, nunca são bons…Devo ser sincera. Ame. Sempre. A vida, as situações que se apresentam diante de você, as pessoas. Elas (boas ou más) são a chave de toda essa complexa rede de sentimentos que temos dentro de nós.

Realmente, é impossível ser feliz sozinho.

 

*Dos meus arquivos pessoais – mar.2008

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por onde recomeçar?

Pedi a uma amiga que me ajudasse a pensar em um tema para escrever aqui. E falando sobre as coisas que a vida anda mostrando com suas reviravoltas, ela sugeriu que uma boa pauta seria o recomeço.

Como recolher tudo aquilo que restou de nós ao final de um relacionamento e voltar a achar o que nos cerca mais maravilhoso que confuso? Como, lá pelos 30 e tantos anos, não achar esquisito voltar à vida de solteira e não ter preguiça de reviver aquelas coisas que, há muito, já haviam sido esquecidas? Onde encontrar alguém realmente interessante e, acima de tudo isso, como ter confiança novamente de que estar envolvido com alguém pode ser mais delicioso que cruel?

As perguntas eram muitas. E as respostas, mais ainda.

Acho que não existem fórmulas para se dar bem na vida; nem no amor, nem no trabalho, nem nos negócios. Mas existem estratégias que nos fazem refletir sobre a nossa conduta em relação aquilo que somos hoje, sobre aquilo que éramos, o que tínhamos e o que gostaríamos de ter. E parece um dos maiores clichês do mundo, mas compreender onde estamos e  onde queremos estar é o que nos faz andar pelo caminho certo. E deixar tudo muito mais simples.

Outra coisa que dizem por aí é que só superamos um amor com outro. Não acho que emendar relacionamentos sem sentido seja a melhor estratégia, mas acho que manter-se disponível torna as coisas mais leves. Saiba que agora você está livre para olhar uma pessoa bonita no metrô (aliás, quando foi que não esteve?) e que não existe problema nenhum em ser mais simpática com aquele colega de trabalho que sempre foi muito solícito (e super gracinha). É preciso, também, reviver antigas amizades e fazer novos círculos de relacionamento. Seja na academia, no curso de inglês ou em um aniversário no bar. O importante é não ficar em casa, isolada do mundo, sofrendo com as memórias daquilo que foi planejado – e nunca mais vai se concretizar. Não com aquela pessoa.

Aliás, acho que o principal ingrediente para tornar nosso recomeço mais simples é parar de ter pena da nossa existência. Parar de achar que seremos para sempre infelizes e incapazes de nos envolver. Se não dá pra suportar o modo como sua vida encontra-se hoje, viva outra vida, então. Uma alternativa. No qual você é linda, incrível e não precisa se preocupar com quem vai casar depois de amanhã.  Você nem ao menos consegue pagar aquela parcela da máquina de lavar, pare com isso, menina! Permita-se um pouco de esquizofrenia. Reinvente-se

Lembre-se sempre do seguinte:

1 – Seu problema não é o maior do mundo. Para todas as coisas que acabam na nossa vida, outras começam. E há situações muito mais irremediáveis que um fim de um namoro, noivado, casamento…Shame on you.

2 – Não fique remoendo memórias, guardando fotos, fuçando a vida do outro. É como jogar álcool nas feridas abertas, um sofrimento completamente opcional. E irracional.

3 – Não desconte na comida, na bebida, no álcool, nas baladas em excesso, no trabalho… Equilibre-se. Aproveite para concluir projetos individuais dos quais nunca teve tempo e, se estes nunca existiram, invente novos objetivos de vida. Pra já.

4 – Desabafe. Chore. Xingue. Reclame dele pra sua mãe, irmã e amigas (ou amigos). Mas nunca, em hipótese alguma, faça barraco. Não peça para voltar, não queira estar com quem optou por se afastar. A maior insanidade é cobrarmos dos outros coisas que não tem valor. E que, há muito, já não fazem mais sentido.

5 – Seja uma pessoa linda. Por dentro e por fora. Se os quilos a mais ou a menos te incomodam, insista numa dieta. Se esse corte de cabelo te desagrada, mude. Aprenda a não depender de ninguém para sentir-se maravilhosa. Busque uma razão maior para existir que outra pessoa, que um emprego, abrace uma causa. As pessoas mais incríveis que eu conheço não são as mais gostosas/malhadas ou super cheias de plástica. Aliás, muito pelo contrário.

No mais, acho que um dia após o outro nos obriga a superar.

Toda e qualquer coisa.

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