Conselho da felicidade.

Ninguém se importa com a roupa que você usa, com as coisas que você come ou com quantas vezes você vai ou não à academia.

E, se alguém se importa, é porque você permite que essas coisas gritem maia alto do que aquilo que você é.

Seja.

Sempre.

Ainda que incomode.
Ainda que cause estranheza.
Ainda que as outras pessoas não entendam.
Quanto mais de você tiver na sua vida, mais rápido as pessoas passarão a se acostumar com a sua verdade. E mais rápido você vai se acostumar a ser quem é. Perdemos mais tempo nos desgastando pra caber onde não nos encaixamos que amando quem somos.
Ser fiel a si mesmo é uma transgressão.
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honestidade extrapolada.

Querida,

Gostaria de dizer que sinto muito a sua falta e sei que muitas outras pessoas – que te conheceram verdadeiramente – também sentem. Entretanto, precisava te falar algumas coisas que, tenho certeza, ninguém jamais terá coragem de dizer.  Sabemos que você é geniosa, cheia de orgulho e difícil de lidar. Sabemos que você é frágil mesmo se fazendo de forte. E sim, você vai berrar. Você vai retrucar. Você vai se vitimizar ainda mais e se sentir a mais injustiçada dos seres humanos viventes, mas gostaria que você tivesse a certeza, a mais plena de todas, que só dizemos certas coisas na cara de quem a gente ama de verdade. Porque quem não tem a menor importância a gente quer mais é que se f**a no lodo e fique por lá. Triste, mas real. Cruel, mas completamente válido. E é bem nesse clima que quero que você encare essa carta: de peito aberto e olhos e ouvidos bem atentos. Porque preciso que você comece a pensar diferente.

Felicidade não pode ser mensurada em feitos. Você não encontrará a alegria verdadeira em um salário no final do mês, você não encontrará o puro contentamento no reconhecimento profissional e, não, você não encontrará a tal felicidade nem em uma super viagem internacional cheia de compras bacanas e boas fotos pro Instagram. Felicidade é algo que está dentro de você, que depende única e exclusivamente da forma como você encara as coisas (boas e más) que se apresentam – e não da forma que elas, de fato, são (ou que você enxerga que elas sejam). Não é o mundo que conspira contra você, você não é tão importante assim para culpá-lo por tudo o que acontece de errado. É você quem traz, quem faz, quem acontece, quem permite, quem aceita e quem desfaz todas as coisas que te acometem – ou opta por deixá-las do jeitinho que se apresentam. Todas mesmo. Mesmo quando falamos de fatalidades.

Acontece com você, com o seu chefe, com a dona do mini mercado na esquina, com o caixa da padoca e até com o Abílio Diniz e com o Brad Pitt – todo mundo tem dias de merda até mesmo em vidas que não parecem de merda como você diz que a sua é.

Outra coisa importante é que quanto mais nos sentimos bem, desejamos e fazemos o bem e pensamos positivamente, mais coisas boas a gente atrai, como num ciclo. É cafona, é clichê, é auto ajuda barata, mas é verdade, pode reparar. E o contrário também se aplica. Ninguém gosta de saborear as amarguras alheias, ninguém gosta de tomar patada o tempo todo ou de ser mais um vilão que o destino colocou na vida pra ~ maltratar~ – quando você só reclama e maldiz é isso que quem está ao seu redor enxerga: uma grande nuvem cinza de coisa ruim prestes a chover na cabeça de quem quiser opinar.

A vida não dá errado porque você é gorda, feia, chata ou incompetente e você não é nada disso. Seus problemas familiares não precisam necessariamente ter a ver com seus relacionamentos mal sucedidos do passado (ou futuro), nem com a sua carreira indo por água abaixo; você precisa, urgentemente, trabalhar isso em você e parar de acreditar que tem sorte para o azar. As coisas não acontecem em um combo de merda pra que você chegue no fundo do poço, apenas levante-se, se limpe com um lencinho umedecido e saia de lá. Pegue uma escada, escale as paredes, peça pra te jogarem uma corda, mas sacuda a poeira do buraco e lute. Porque é pra isso que a gente acorda todos os dias; pra mais uma chance.

Destino não existe. A gente é quem faz das coisas ruins e boas pontes para outras situações, que também podem ser boas ou ruins, não sei, mas permita-se o acaso. Isso basta para se ter esperança.

Deixe que as pessoas se aproximem. Deixe que te ajudem. Aceite elogios, aceite que, é sim, boa em muitas coisas, acredite nisso e haja em coerência dessa fé em si mesma. Se você já começar a lutar derrotada, vai perder mais um braço. E as pernas. E a cabeça. Até ficar sem nada além do coração – cheio de dor e sozinho porque você mesma quis que assim fosse.

Desculpe-me se as palavras foram duras, mas foram honestas. E por favor, bola pra frente.

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o medo de ser corno.

As estatísticas não mentem: 15 em cada 10 homens têm medo de serem traídos. Mas desses, 5 evoluem, 5 realmente aprendem com os erros e decidem fazer algo a respeito. Os outros continuam agindo normalmente, com um olho no peixe e outro no gato, sempre achando toda – e qualquer atitude feminina – suspeita. Geralmente, esses são os cornos: os que cobram demais, reclamam demais e vêem coisa onde não tem.

Os cornos também são aqueles que usam e abusam do machismo. Que não suportam que uma mulher tenha vida própria, amigos, colegas de trabalho. Que têm arrepios quando ela diz que vai ficar pro happy hour.

Eles também reclamam da roupa, do esmalte, da postura. E, quase sempre, tem mais produtos de beleza no banheiro que elas. Se preocupam mais com a alimentação que qualquer gordinha em processo de emagrecimento e vivem por aí querendo o carro do ano, a moto do ano, a viagem do ano; pra depois reclamar que nós é quem somos superficiais.

Os cornos são inseguros, não sabem relaxar. Não entendem que se interessar por uma mulher poderosa, que se sente lindíssima, tem também seu preço – o de terem a necessidade de estar sempre seguros de si. Afinal, é isso que atrai as melhores mulheres: um homem livre, decidido que não se abala com qualquer adversidade e, principalmente – tem opinião. Não adianta PARECER ser assim só pra fisgar a gata, meu caro. Não são vocês que adoram cagar regra práquilo que uma mulher deve ou não deve ser? Então. Agora aguentem.

E não reclamem das consequências de sermos muito acima do que vocês procuram.

Ser corno tem a ver com a forma que você trata sua mulher, encara o mundo e, principalmente, com quem você se envolve.

Tudo o que é fácil demais tem lá seus riscos… E esse é o meu recado.

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quanto custa o amor?

Uma das maiores hipocrisias masculinas é dizer que mulher gosta mesmo é de dinheiro. Que não importa o amor desde que sempre existam sapatos e bolsas para comprar, e que a traição, ou qualquer outro tipo de problema, fica bem menor com uma viagem para Europa.

Parem com isso.

Se as mulheres que você encontra pelo caminho estão mais importadas com a quantidade de dígitos da sua conta bancária que com o tempo livre (e de qualidade) que você tem a oferecer, a culpa é sua; e não de todo um gênero.

Que atire a primeira pedra o homem que não deseja ser rico. Aliás, que atire a primeira pedra quem não gosta de viver com conforto, de poder andar de carro aos finais de semana e de jantar de vez em quando num local bacana. Não estou falando em luxo e glamour. Não estou falando do tal Camaro amarelo, ou de nunca mais ter que trabalhar na vida. Estou falando do dinheiro como um meio para as coisas, como uma ferramenta para melhorar a sua, a minha, a nossa vida, ok? E só. Bom não é ter alguém que pague tudo, mas que consiga dividir. Que saiba que algumas coisa o dinheiro não compra e que outras, em contrapartida, são ótimas, excelentes presentes, pode mandar pra cá.

Nada dessa ideia franciscana de que só de amor vive o homem, até um cachorro quando ganha um osso percebe que isso não é verdade. E a cervejinha de boteco? E o PF da esquina? Não custam NADA? Se dinheiro não é importante na sua vida, por favor, me dê o seu. E vá viver sem video-game, TV à cabo, celular, e sem uma roupinha nova sequer pra ver qual é.

O importante, para homens e mulheres, é saber que se um dia a doença, ou a desgraça, ou a falta de todas as coisas materiais vier, ainda vai sobrar o amor para se agarrar, porque não é nisso que está pautada uma boa relação. Porque houve um consenso para comprar a casa, houve um planejamento para a viagem e porque todo o dinheiro, dele, dela, dos dois, foi pensado para um bem maior. E não COMO o bem maior. Cada elemento de um relacionamento vive  em um universo, frequenta um determinado tipo de lugar e está acostumado a uma vida de prazeres que, honestamente, não vai querer abrir mão. Assim como as mulheres não são todas interesseiras, os homens não são assim… Tão desinteressados.

E quando vierem os filhos? A fatura do cartão de crédito? A água, a luz, as parcelas do carro? Me digam aí, como é estar com alguém que não pode ajudar em nada, nem mesmo simbolicamente? Sinto muito. Mas o amor não sobrevive em uma cabana sem comer. E antes que me chamem de interesseira ou coisa do tipo, gostaria que os homens parassem para refletir sobre quantas mães solteiras tomam pra si a responsabilidade econômica por um filho e quantos são os namorados/amantes/maridos que fogem ao primeiro sinal de responsabilidade.

O amor de verdade não tem valor. Mas a falta de dinheiro numa vida em que tudo tem seu preço, custa caro.

Mesmo que a gente, fingidamente, diga que não.

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é só questão de ser.

É preciso desencanar para ser feliz. Esquecer das contas que vão vencer no final do mês, dos quilos a mais e do chefe sem graça. Quem foi que disse que ser adulto é perder todos os prazeres da vida? Ria dos próprios tombos e pare de se preocupar em agradar os outros o tempo inteiro. O cliente não gostou? A gente refaz. O professor deu nota vermelha? Na próxima dá pra recuperar. O carro quebrou? Parcela e conserta. A chuva torrencial cai e seca. Pra tudo há solução.

Não entendo quem vive sempre com gravidade, como se estivéssemos perto do Apocalipse. Essa urgência por terminar o relatório, essa urgência pelos resultados, por dinheiro, pelo futuro. Não temos mesmo o pode de acelerar nada, porque insistir?

Desejo a você doses finitas de felicidade memorável, porque gente alegre o tempo inteiro é irritante. Poucos e bons amigos no bar e muitas horas de sono. Cheiro de chuva com pipoca, guaraná e um filme bacana pra assistir de pijama, jogado no sofá. Doce de leite. Chá gelado. Banho de cachoeira, risada de criança e alguma aventura inconsequente, pra apimentar.  Não seja sério o tempo todo, sensato o tempo todo, racional o tempo todo.

Cansa.

Não tente corrigir-se, programar-se, planear-se, prever, rever, reviver, deixar de viver. Mas também não perca a responsabilidade. Dá pra contrabalancear. Deixe a vida ir um pouco, sem crises, com cheiro de laranja lima. Maturidade exige mesmo suas crises e é por isso que tem gente por aí levando a vida com gosto de banana verde, falta um tempinho maior pra absorver aquela parte que aperta na língua e evoluir.

A felicidade é breve, já cansei de dizer. Mas ninguém disse que não pode ser constante.

Texto criado para a tag Seu texto no blog, do Garotas Dizem – http://www.garotasdizem.com/

 

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da sedução nas pequenas coisas.

…foi então que Ana percebeu que a sedução precisava ser praticada e que não havia a menor necessidade de se vulgarizar para isso. As pessoas mais interessantes que ela havia conhecido, na maior parte das vezes, não eram as mais bonitas, ou as mais bem vestidas. Também não tinham corpos esculturais ou um olho claro de dar inveja; elas tinha um “quê”, que não se pode explicar, um jeito de mexer no cabelo, um sorriso meio torto, um defeitinho que as aproximavam mais de nós, meros mortais, e causavam uma empatia impossível de controlar.

E percebeu também que essas pessoas exercitavam a simpatia onde quer que fossem, eram cordiais, amigas, solícitas, faziam todos que estavam ao seu redor sentirem-se bem, porque levavam a vida de um jeito tão leve que parecia que as coisas eram mesmo simples. Decidiu que, assim como aqueles que admirava, ia sorrir para o porteiro, cumprimentar efusivamente o caixa do supermercado, a moça que varria as calçadas, e não ia ignorar, nunca mais, as pessoas que pediam dinheiro. Decidiu deixar de ser invisível tornando os outros visíveis, disseminando aquilo que tanto buscava nos bares, nas baladas, no trabalho ou na faculdade: um pouquinho de amor.

Ana percebeu que para encontrarmos alguém que nos ame de verdade precisamos ser pessoas amáveis, encantadoras, que não tem raiva da vida, dos quilos a mais ou das dívidas no final do mês. Que não morrem de pena de si mesmo e sempre se sentem sós. A solidão, no final das contas, é algo que a gente faz. É o resultado de tanta amargura que destrói toda e qualquer possibilidade de aproximação humana.

Não adianta, aliás, descontar nos amigos, no vizinho ou nos pais a nossa própria insatisfação, o contentamento de nada tem a ver com condições positivas na vida; é um estado de espírito. É você optar por não se aborrecer, não desistir, olhar o copo inteiramente cheio se não sempre, na maior parte das vezes.

A sedução não precisa ser sexual. A sedução é aquilo que atrai bons amigos, empregos, que faz sabermos que quando o chuveiro queimar podemos ligar para o porteiro, quando tivermos que viajar, o vizinho hospeda o gato, quando gastarmos sem querer os trocados no ônibus, podemos levar o pão fiado, sermos salvos pelo mendigo do batedor de carteira, termos a porta de casa pintada com a tinta que sobrou da reforma do prédio e, tudo isso, porque os outros sabem que bem no fundo, aliás, no RASO, faríamos o mesmo por elas.

O amor é aquilo que quanto mais se dá, mais se tem. E todo mundo está cansado de saber disso.

 

 

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falta alguma coisa.

Um amigo meu (mais um) andou reclamando da namorada. Disse que o sexo é ótimo, mas que ela e ele são pessoas completamente diferentes. Não conversam mais, não se divertem com as coisas bestas e pra agravar o quadro todo, moram longe um do outro. Ele aqui e ela lá, com os pés pertinho da praia, cheia de músicas ao vivo nos barzinhos, chopp nas calçadas e coisa e tal.

Achei engraçado constatar uma coisa sobre os homens que eu já muito ouvia falar, mas que nunca tinha realmente estado próxima: só o sexo, não basta. É fundamental que ele esteja lá e seja bom, é fundamental e, talvez, até uma parte importante da coisa toda, mas não é tudo. Aliás, não é nada se não houver todo o resto embutido, os carinhos e beijinhos sem ter fim, as tolices, os planos e a troca verdadeira de idéias.

A conversa, mais que o tesão, é o alimento de todo o bom relacionamento. Você pode amar uma pessoa, pode achá-la incrivelmente atraente, pode ter pele e  aquele furor incompreensível quando estão juntos, mas se não tem afinidade cerebral, não adianta.  Se não, seríamos iguais a qualquer outro animal vivente, não é mesmo?

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boa vizinhança.


Tenho para mim que essencial na vida é conhecer bem seus vizinhos, como se sua sobrevivência dependesse disso. Numa cidade tão solitária como São Paulo acho engraçado o fato das pessoas não darem bom dia umas para as outras e sorrirem, ou satisfeitas, ou assustadas, quando algum desavisado faz isso.

Até meus 17 anos conhecia todos os meus vizinhos pelo nome, sobrenome, profissão e genealogia; até hoje adoro manter as portas abertas para conversar no corredor. Nasci, cresci e convivi com irmãos, primos, amigos de amigos e histórias, muitas histórias. Conheci os pais, brinquei com os filhos, me tornei madrinha dos filhos desses filhos e hoje lamento um pouco o fato de não poder estar sempre por lá, por mais que às vezes tanta proximidade incomode.

Ter laços é algo que é preciso aprender, porque não é simples. Quanto mais você se envolve, mais se expõe. Quanto mais você descobre sobre a vida dos outros, mais os outros tomam ciência (e às vezes posse) sob as coisas que acontecem na sua vida. No geral, os seres humanos encaram esse tipo de situação como algo ruim e, no geral, é. Quando sabem sobre você conhecem também suas fragilidades, seus dramas e defeitos. A parte boa é que quando temos alguém com quem dividir as situações da vida os fardos ficam todos mais leves, mais fáceis. A parte ruim é que, via de regra, as pessoas não suportam nem os próprios dramas, que dirá os alheios. Tudo que você compartilhou vira fofoca, reclamação gratuita ou crise existencial sem motivo. Nada na vida tem só o lado bom.

As pessoas gostam de falar da vida dos outros porque sim. No dia que eu tiver a resposta correta sobre esse fenômeno psicológico talvez seja capaz de evitá-lo,  mas de qualquer forma não é exclusivamente por esse motivo que você passa a evitar as pessoas que costuma encontrar todos os dias no elevador, nos corredores e nas reuniões de condimínio. Você evita porque apesar de gostar de compartilhar seus problemas com o outro você precisa ouvir em contrapartida.

(E tentar não fofocar para o próximo vizinho que encontrar.)

Ninguém tem propriedade pra falar do que o outro faz se age exatamente igual.

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Consultório Sentimental – o retorno das respostas.

Dessa vez não publicarei a história toda porque ainda não tive o retorno da nossa querida leitora e eu preciso manter o sigilo, num tem jeito! Mas achei a minha resposta tão sincera que precisei publicá-la por aqui.

E que seja útil para muitos outros corações…

*****

Alice, não aguentei chegar em casa e resolvei parar um pouquinho o que eu estava fazendo só pra te dar esse conselho porque me identifiquei muito com a sua história.

Durante 6 anos fui apaixonada pelo meu primeiro namorado, e foi por ele, aliás, que eu comecei a escrever o blog. Não exatamente por ele, mas por todas as experiências malucas que eu me envolvi depois que terminamos, enquanto estávamos juntos, e porque eu acreditava que éramos mesmo almas gêmeas e que jamais seria capaz de encontrar alguém que eu amasse tanto quanto o amava… Também houve traição no nosso namoro, barracos, lágrimas, também éramos novos e imaturos, também acreditava que um dia as coisas se ajeitariam ou que eu ia me conformar em viver uma vida “morna” com qualquer outra pessoa que cruzasse o meu caminho. Hoje, posso te dizer, COM CERTEZA que as coisas não são assim. Que não existe um único amor na vida, mas que os grandes amores são raros e nos apegamos a eles. Você só consegue amar alguém novamente quando se desliga do passado e o seu ainda está aí, presente, cutucando sua mente, provocando seus sentidos, você ainda tem muito sentimento. E porque quer.

No amor, criamos raízes e precisamos tomar cuidado com isso. Um relacionamento que um dia foi bom, mesmo conturbado, sempre nos deixa marcas, ainda mais quando falamos de um primeiro amor. Você o traiu, sente culpa pela sua imaturidade e acha que se voltarem hoje as coisas serão completamente diferentes e melhores. Elas podem mesmo ser. Mas não serão.

Ele caminhou pra frente e já entendeu que as pessoas e os acontecimentos tem uma importância fugaz na vida da gente, no momento em que acontecem. Com o passar do tempo perde o sentido insistir. Eu sei que ninguém deve ter te dito o que eu vou dizer, que as pessoas vivem por aí levantando a bandeira de que temos que lutar pelos sentimentos verdadeiros, mas isso não é sempre verdade. Sábio, às vezes, é deixar ir. Lembrar do amor que se teve com carinho e preparar o coração para novas experiências, sem memórias, sem traumas, sem dramas. Não porque não haja amor, não porque não valha a pena, mas porque não é pra ser. Você sabe que quando as coisas SÃO PRA SER, não há filho, atual namorada, família, religião ou futebol que separe, não sabe? Pois deixe isso pra lá, então. Se um dia vocês tiverem que voltar a vida vai dar um jeito de alinhar todas as coisas, de reaproximar, reapaixonar…Não fique maltratando a si mesma vivendo de migalhas de afeto (pela cordialidade e a educação que ele tem por você…) e de memórias. Saia por aí, conheça gente, permita-se. Não interessa como é o atual namoro dele, se é frio ou quente. Optar por ter um relacionamento mais racional que passional é algo que todo mundo faz vez ou outra, e você também fará. Faz parte de aprender a lidar consigo mesmo, faz parte de aprender que nem sempre gostar de alguém é avassalador, cheio de declarações e intensidades, o amor tem suas caras, não julgue. Saia dessa nuvem de emoções pra vida, pra beijar na boca, desencane, arrume um namorado que você nem ame só pra ver como é, arrume um outro cafajeste pra chorar bastante e rir da sua idiotisse depois, arrume um cara mais velho, com 3 filhos e uma ex mulher, bem complicada, que vai te perseguir na rua, depois um novinho que mal saiu da escola e que só pensa em jogar video game. Por fim, encontre um grande amor, novo, verdadeiro, saboroso. E perceba que o mundo dá voltas e é sempre surpreendente descobrir que somos capazes de amar bem mais do que um dia soubemos ser. A gente precisa viver etapas na vida para evoluir e não ficar estagnada onde encontramos um ponto de conforto.

Espero ter ajudado em alguma coisa, pode retornar esse e-mail quantas vezes desejar com dúvidas e dramas, estou pronta pra ouvir!

Um beijo enorme, Ericka.

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orgulho.

Quantas coisas precisamos perder para entender que os problemas moram dentro da gente?

Admito que as pessoas sejam egoístas e ciumentas. Admito também que não gostem de cachorros, que tenham mal humor quando sentem fome e que sintam um pouco de inveja vez ou outra. Consigo entender que alguém possa ser avarento ou guloso, consigo compreender e aceitar quase todos os sentimentos ruins, mas não o orgulho.

Não suporto quem não consegue ouvir o outro e entender seu ponto de vista, alguém que não muda de idéia e que prefere humilhar a entrar em consenso. Acho triste, na verdade. As pessoas orgulhosas, na minha opinião, são aquelas que não conseguem manter a companhia de ninguém por um longo espaço de tempo porque dentro delas não há espaço para mais nada além do próprio ego. Quem é realmente orgulhoso não consegue escutar ninguém que ama, nem pai e mãe, porque é bom demais para aceitar críticas.

O orgulhoso, na verdade, enche-se de si porque acredita que ninguém mais o admira. E todos se enchem de tanto que ele se esforça pra provar que é tudo que acredita ser. Ainda acho que é melhor ser feliz que ter razão.

 

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.”
Mateus 5:3

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