Relacionamentos bons também tem brigas.

Odeio brigar com as pessoas. Por qualquer motivo que seja.

Odeio criar caso, discordar e odeio tanto, mas tanto isso, que evito emitir opiniões polêmicas mesmo quando elas dizem respeito a mim mesma – sobre o que eu sinto, sobre como eu sou ou sobre como determinada situação me faz sentir. Eu sei, é um erro. Precisamos sempre ser honestos acima de qualquer coisa e nunca – NUNQUINHA – passar por cima dos nossos próprios sentimentos. A vida, os amigos e grande parte dos e-mails que eu recebo aqui no Consultório Sentimental me ensinaram isso. Mas, ao mesmo tempo, sofro de uma submissão quase que inconsciente da qual preciso estar constantemente alerta para combater. Por mais que o outro seja importante, nada nesse mundinho é mais importante que eu mesma. E eu vou explicar porque vocês também deveriam pensar assim.

Eu sou uma pessoa que está sempre disposta. Mesmo. E se não estou, finjo bem estar. Ainda que eu reclame, ainda que eu faça cara feia, ainda que eu esteja doente, cansada, contrariada eu sempre – E DIGO SEMPRE MESMO – tento fazer a outra pessoa que está comigo feliz. Levo a sério o lance da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, do mi casa, su casa. Mi divida, su divida, mi rolê, su rolê, e, assim, sempre segui nos muitos relacionamentos que tive nessa vida. Faz parte de mim, não consigo ser de outro jeito.

Não existe nada mais desagradável do que estar com uma pessoa que não topa absolutamente nada, que é antipática, anti social, corta vibes e coisa e tal, mas eu notei que 97% das pessoas que habitam a face da Terra são assim – e que o egoísmo é tão importante para o sucesso de um bom relacionamento quanto o altruísmo. Pois é, chocante, não?

Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro, a canção estava certa. E ninguém consegue. Sabe, eu trabalho 7 dias por semana, quase que 12 horas por dia. Eu sou bem workaholic, tenho um senso de urgência, de solução, de responsabilidade que me dá prazer e me consome na mesma medida. Minha relação com o trabalho é altamente controversa, mas isso é assunto para outro post, enfim, vamos nos focar aqui.

Eu gosto de viver, gosto de gente, mas, às vezes, tudo o que eu queria era não ter que lidar com pessoas no final de semana, eu só queria ficar em casa, curtindo um edredon, vendo Netflix e comendo pizza. Não queria ir no job, na reunião com os ~ broders ~, não queria curtir balada, barzinho, nada disso. Eu só queria ter a obrigação de fazer as coisas por mim, única e exclusivamente por mim. E isso, ao mesmo tempo que parece óbvio, é inviável para uma pessoa que é altamente sociável e gosta de agradar aos outros como eu. Portanto, vejam bem essa contradição que habita em mim e esse problema: quem faz tudo por todo mundo sempre é cobrado por isso.

Eu PRECISO estar em Santos, com os amigos do trabalho, com a minha família, com a família do meu namorado, no rolê da academia e em qualquer outro evento social que surja pelo caminho. Sempre. E em todo o tempo livre que eu tiver. E em todos os finais de semana. Porque fui eu quem instaurei esse limite sem limite para as pessoas, eu mesma coloquei na cabeça que não tinha o direito de ficar ~ de boas ~ e sofro horrores com isso.

Ando cansadíssima, meio doente, e eu já disse que esse ano seria o meu ano, do qual eu faria coisas por mim – pela minha saúde, pela minha felicidade, mas na prática, até as coisas que arranjei para o meu próprio prazer e satisfação viraram obrigação. Sabe, é muito difícil agradar esse mundo de gente que eu tento agradar e ainda agradar a mim mesma – pra não dizer que é impossível.

Então, amiguinhos, por que estou escrevendo tudo isso? Porque apesar desse cenário psicológico descrito acima, eu tenho um namoro muito incrível. E pessoas muito maravilhosas e compreensíveis ao meu redor que, por mais louca que eu seja, sempre estarão lá por mim, tentando entender o que eu sinto. Em bons relacionamentos – de todo o tipo – também existem brigas. E faz parte. Se você, assim como eu, se culpa por todo o mal do mundo e acha que tudo está perdido porque deu uma gritadinha com o namorado, fica calma aí. As pessoas que estiverem dispostas vão entender seus surtos. Podem não gostar, podem discordar, podem não entender porque diabos você se sente assim, tão reprimida com um cenário que você mesmo se enfiou, mas enfim… Vão entender.

E tudo vai ficar bem no final das contas, tá? Eu prometo.

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