mais favor.

Percebi recentemente que tenho um problema muito grave: não consigo romper vínculos.

Minha vida é um acúmulo de experiências amorosas bem e mal sucedidas. De amizades que se foram, que voltaram, que nunca, sequer, se firmaram, mas que continuam lá, registradas de alguma forma, prontas para serem reativadas quando for conveniente. Posso deixar de falar com você por 3 anos e ter assunto se nos encontrarmos na rua. Minha memória, que é uma porcaria pra tudo, sempre consegue buscar um universo comum, banal e confortável para a cordialidade, para àquilo que é preciso ser feito na hora que for solicitado, do jeito que aparecer. Tenho PHD em torta de climão. Mesmo. E isso é uma porcaria.

Queria odiar pessoas. Chutar o balde. Detestar. Queria ser justa com aqueles que foram injustos, queria conseguir pagar na mesma moeda.

Sou um grande caldeirão de emoções positivas e memórias distantes que se misturam em um sopão. Às vezes ele ferve e transborda – quando me magoo intensamente e fico sem chão – às vezes não. Só fica lá, sendo requentando entre uma colherada e outra. Entre um inverno e outro. Entre um desconforto e outro.

Tenho uma preguiça gigantesca de desgostar. De pegar raivinha. De guardar frustrações. Uma preguiça enorme.

Então eu continuo a ser quem eu sempre fui, a dizer as coisas que eu sempre disse e a viver – com mais ou menos carinho – de acordo com o que o outro merece. Como se eu colocasse o amor numa caixinha e ele nunca deixasse de pulsar por lá, como se ele nunca se esvaísse. Como se eu insistisse, afinal, na ideia de que todo mundo tem uma parcela de coisa boa que precisa ser reconhecida, reavivada, para que consigamos nos recompor depois de uma briga, por exemplo. Para que consigamos viver com tanta diferença.

E indiferentes a tantas coisas que nos fazem, realmente, mais amargurados. Mais favor, por amor.

No final, deve ser melhor ser assim.

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a morte de quem ainda vive.

Peguei essa imagem aqui óh: http://www.talinkadomano.com/tag/morte/

Todos os dias, no caminho para o trabalho, passo por 3 cemitérios e pelo menos 40 floriculturas. Nunca tive problemas com a morte, muito pelo contrário. Lido tão bem com ela que deveria ser estudada, não é possível. Devo estar canalizando a perda dos entes queridos em algum outro setor da minha vida, provavelmente comendo mais fast food do que deveria, aliás, mas não é sobre isso que vim falar nesse post.

Todos os dias, além de passar por 3 cemitérios e 40 floriculturas, fico pensando em quanto tempo ainda me resta aqui na Terra. Sei que em vida não devemos pensar em quando vamos morrer, até porque, não temos o menor controle sobre isso, mas a verdade é que não tenho medo de morrer: tenho medo de não ter tempo de realizar todos os meus sonhos. De não conseguir casar (!!!), ter filhos, vê-los crescer, fazer um sem número de viagens que eu tanto planejo e nunca vou, esse tipo de coisa. Acho que quando alguém se vai deixa um legado, uma imagem na vida daqueles que ficam. Mais que as saudades, mais que os bens, mais que as flores que colocamos para homenagear nossos queridos – o importante, e também, o que fica, é aquilo que construímos em vida. O quão filhos da puta, ou não, fomos com os nossos pais, avós, amigos, primos e todas àquelas demais pessoas que vamos prestar nossa solidariedade em um velório.

No dia em que eu morrer, aliás, quero um churrasco com piscina – já deixo registrado aqui. Muito pagode, muitas risadas, muitas fotos e boas memórias. Se tem uma coisa da qual eu me preocupo em deixar para as pessoas é a imagem de que elas sempre – SEMPRE – podem contar comigo. E de que, apesar dos pesares da vida, eu tenho uma vontade imensa de viver tudo até secar, de fazer mil coisas ao mesmo tempo, de aprender tudo aquilo de interessante que puder, de conhecer novas culturas, músicas e tudo o mais que eu puder.

Por que, afinal, estou falando de morte? Porque recentemente perdi meu avô. E uma pessoa muito querida, está, mais uma vez, enfrentando um câncer terrível, sem merecer. Aliás, quem merece adoecer no auge dos seus 20 e tantos anos? Ninguém. Mas gostaria de dizer que aqui, ou no outro plano, o que importa é sermos felizes e fazermos as pessoas que amamos felizes. Não é pra sair por aí enlouquecida como se o mundo fosse acabar. Mas é pra reclamarmos menos e agirmos mais. Corrermos atrás daquilo que interessa sem ficarmos muito preocupados com nossa imagem, horas de sono ou grana no banco no final do mês.

No final das contas, realmente, quando a gente morre a gente descansa. E não leva nada do que tanto acumulou.

Não temos mesmo como saber quanto tempo vamos durar, se vamos morrer de gripe, de acidente ou de morte morrida. Mas temos (e devemos!)  tornar nossos dias mais doces, mais leves e melhores. Para nós mesmos. E para quem está conosco nessas jornada.

Como diria Veríssimo, quem quase vive, já morreu. E não há nada mais desagradável que alguém que não dá valor a absolutamente nada que conquistou.

Ser morta em vida é, sem dúvida, meu pior pesadelo.

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