uma questão de sorte.

Estava eu lendo um post da Marcella, quando comecei uma discussão no trabalho sobre solteirice. Comentei que a achava tão incrível, que era impensável uma mulher como ela estar solteira (veja bem, nem tenho certeza se está); que, de alguma forma, ela deveria ter problemas com os homens – ou que talvez, simplesmente, não tenha encontrado nenhum à sua altura. Pensei ainda em uma terceira e mais aceitável opção: talvez ela nem queira, no fim das contas, encontrar essa tal pessoa. E foi assim que comecei a pensar sobre isso.

O fato é que esse tópico incomodou. Não porque estejamos interessadíssimo em saber se Marcella tem ou não namorado, é que todo mundo, ou pelo menos os entusiastas dos relacionamentos, como eu, busca a fórmula certa para o amor. Para a felicidade. Para uma vida bacana com alguém e seu por quês.

É pessoal, é mesmo verdade isso aí, não está fácil. Pra ninguém eu diria. Se Grazi não tem mais Cauã em suas mãos, quem somos nós pra desejar um príncipe encantado (ou apenas um homem para chamar de nosso), não é mesmo? Não, não é mesmo. A gente pode e deve desejar àquilo que quiser. O problema é encontrar alguém que seja interessante e interessado ao mesmo tempo.

uma amiga disse uma coisa que talvez seja verdade: pode ser que tudo seja mesmo uma questão de sorte. De estar no lugar certo, com as pessoas certas, de passar a mensagem certa para o carinha certo, não sei. Gostaria muito de ter os segredos para a conquista, de explicar por A + B + C porque eu sempre estou namorando alguém e por encontrar um sem número de pessoas bacanas pelo meu caminho, mas não sei dizer. Não sei mesmo. Então, ao invés de ficar buscando justificativas comportamentais para uma determinada cadeia de acontecimentos de como encontrar alguém (exatamente o que faço nesse blog), se interessar por essa pessoa, beijar, namorar, noivar, casar, juntar, ter filhos, ou seja lá a ordem que você preferir, serei simplista. Talvez eu seja mesmo uma pessoa sortuda e nunca tenha me dado conta.

A vida nunca me deixou sem romance. Nunquinha. Não faço a menor ideia do porque. Mas sempre acho que somos muito mais responsáveis por aquilo que atraímos do que conseguimos compreender – ou explicar – com quaisquer que sejam as teorias – não me conformo apenas em ter sorte.

De qualquer maneira, se assim for, desejo aos meus amigos e leitores muita muita sorte. Para um amor tranquilo, pra saúde em dia e pra encontrar algo que possam se apaixonar além de um ser humano – pode ser uma causa, um bicho, o que for – acho isso importante pra vida de um modo geral, pra cabeça da gente.

E que essa tal sorte nos traga tudo o que se espera de bons relacionamentos. Vai ver que é, nessa hora, que começam as minhas tais teorias. E a vida fica mais difícil pra quem tem só sorte.

 

[UPDATE: No final das contas minha amiga não quis dizer nada disso e eu entendi tudo errado, mas funcionou pra fazer minha cabeça funcionar gerar um texto, né? HUAHAUHAUHAHAUHU…]

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a beleza das coisas.

Houve um tempo em que todos queriam namorar a Xuxa. Não sei se vocês, que tem menos de 20 anos, conseguem lembrar disso, mas a Xuxa era gata, era musa, era voluptuosa, mulherão, causava o rolê. Os pais só deixavam seus baixinhos verem aquela xaropada na televisão porque a loirona estaria lá, de maiô decotadíssimo, arrasando nas manhãs sem nenhuma censura, pulando com a molecada e mexendo com o emocional de muitos pais de família desse país.

Hoje a Xuxa não atrai mais suspiros e o mundo ficou tão chato – e politicamente correto – que as musas se tornaram muito mais discretas, acreditem. Mas não é sobre discrição que eu quero falar nesse post.

O que os anos 90 me ensinaram, é que a beleza, de fato, se esvai. E mais que isso: é completamente subjetiva. Ninguém mais lembra da Xuxa como um símbolo sexual. Novas e inúmeras musas surgiram e até naquele tempo outras mulheres eram muito mais interessantes – porém, bem menos nuas – que a rainha dos baixinhos. A Xuxa era musa porque era vista como um objeto de desejo inalcançável, fazia sucesso porque misturava duas realidades distintas e incoerentes – a inocência da infância e os desejos da puberdade. Assim como aquela nova funcionária gostosa no seu trabalho ou o cara gato que tem um escritório no prédio ao lado do seu e você, vira e mexe, encontra no elevador (e dá uma suspiradinha), somos atraídos pelo imaginário, pela casca. Pelas projeções que fazemos de uma determinada pessoa e não por quem essa pessoa, de fato, é.

Em um mês o que é lindo pode se tornar terrível com a convivência ou ainda mais encantador. Nossos relacionamentos são muito mais complexos que olhos verdes e peitos duros, muito mais pessoais que uma barriga tanquinho, e embora todos queiramos – ser e ter – Angelinas Jolies e Brad Pitts, podemos ser infinitamente mais felizes namorando Tiriricas. Como você explica aquelas mulheres maravilhosas com sujeitos feios e vice-versa? Garanto que não é só uma conta bancária recheada que torna tudo mais bonito, até porque, convenhamos, não é todo o feio ricasso – ou bem dotado – que faz sucesso por aí (pelo menos não com menos de 60 e pé na cova).

É natural seguirmos padrões. É natural nos sentirmos atraídos pelos lindos e lindas desse Brasil, mas é preciso ter  cuidado. Muito cuidado ao nos envolvermos apenas com belezas clichês. Nós somos os responsáveis pela nossa felicidade, pelos nossos relacionamentos e mais que isso, por aquilo que desejamos.

A beleza se esvai e o que fica é aquilo que temos de mais importante dentro da gente: nossa personalidade, referências, sonhos, planos, nossos próprios e gigantes fantasmas – que às vezes combinam com os fantasmas do outro e insistimos em ficar.

Quando você encontrar alguém feio, meio torto, mas que te faça sorrir com uma piada sem graça e conversar por horas a fio sobre nada – ou sobre coisas que pra você sempre foram importantes, mas que você nunca teve coragem de admitir – dê uma chance. Essa pessoa, certamente, vai te parecer, a cada dia, mais linda.

A beleza é fundamental, claro. Mas a aparência, sem dúvida, é só uma parte dela.

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sobre a intimidade forçada.

Não sei quanto a vocês, mas não tenho paciência pra gente insistente. Sério. Nunca tive.

Acho que forçar uma situação de amizade/intimidade extrema é sempre desagradável, não tem jeito. Para quem força, percebe que está sendo mala e não pára e pra quem precisa absorver toda essa “desenvoltura” alheia. Não existe coisa pior do que viver relacionamentos que não existem, ser simpático com pessoas que te tratam mal e, pior ainda, não dar uma bela cortada em alguém que te xaveca – e por quem você não tem o mínimo de interesse. Essa última, sem dúvida, é a pior das situações.

Não dá pra ser indelicado. Não dá pra ser arrogante pra depois ouvir o clássico “mas você entendeu errado, não queria nada com você”. OKAY. A verdade é que a gente sabe quando alguém está interessado na gente, sabe mesmo. E para os super xavecadores, fica a minha dica: se ainda não rolou uma reciprocidade da gatinha/gatinho, não vai rolar mais tarde. Parem por favor. É menos feio.

Mas como em terra de cego quem tem olho é caolho, e o ditado não tem nada a ver com o texto, mas eu quis utilizar, que atire a primeira pedra quem nunca deu uma forçadinha consciente seja lá em que situação for. Quem não ficou melhor amiga daquela vizinha chata por conveniência? Ou quem já não esteve lá, movendo montanhas, mundos e fundos por aquela sujeitinho que – bem no raso, e a gente já sabia –  nem tchum pra gente?

É, jovens. Tudo na vida tem dois lados. Às vezes somos os incomodados, às vezes somos àqueles que incomodam.

VAMOS ABRIR O OLHO, PESSOAL.

Se o cara não responde aquela mensagem, talvez ele não queira te encontrar.

Se as respostas, por sua vez, são evasivas, frias, se ele está sempre atrasado, sempre enrolado no trabalho, em outra cidade, sempre encontrando desculpas – semana após semana – para não tomar aquele choppinho, para não repetir o cinema, páre de insistir.

Quem quer, já cansei de falar, dá um jeito. Fica. Remarca. Arranja alguém pra ficar com os filhos, adia até o aniversário da própria mãe.

Sentiu, de leve, que está sendo enrolada? Recue. O mundo está cheio de gente disposta, interessante, interessada e que está afim de estar com a gente.

Chega de querer comer a azeitona salgada da empada seca. Engasga.

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quando não há regras.

Nesses meus anos como conselheira amorosa aprendi uma sábia lição:  as pessoas não gostam de conselhos. Podem gostar muito do amigo ou amiga aconselhador, podem até aceitar que existem doses inquestionáveis de verdade em cada uma das frases proferidas, mas só aceitam a opinião alheia quando realmente procuram e, mais que isso: nossos amigos tem o direito de não se importar com o aquilo que pensamos.

Não existem regras claras para os relacionamentos humanos, não há uma fórmula correta para se agir nos casos, x, y ou z, simples assim. O que fazemos são conjecturas, baseadas em experiências anteriores – e no senso comum – daquilo que pode vir a ser a melhor coisa a ser feita. Ou não. É impossível afirmar com certeza.

Não sei quem foi que disse que para um namoro/casamento/caso funcionar um deve respeitar a individualidade do outro, nem quem afirmou que bom mesmo é ficar o tempo todo grudado. O que cabe a um determinado casal pode, simplesmente, não funcionar pra você. Pode parecer absurdo, exagero, cretinice, mas, olha, pode dar certo, viu? Sempre pode. Só quem está junto pode decidir a medida de todas as coisas e só quem está apaixonado entende o que sente. Ou não entende, mas quer viver tudo o que puder. Sem grandes lógicas.

Mesmo sendo uma pessoa completamente favorável à moderação, na vida como um todo, aliás, acredito que relacionamentos saudáveis são basicamente feitos de concessões para se estar junto. Para fazer parte de alguma coisa que será construída em PAR. Entretanto, tem casais aí aos montes se vendo uma vez por mês. Gente que é casada, com filho e que dorme em casas separadas porque, se ficar muito tempo junto, dá briga. E gente que morre de saudade se deixar de se ver por dois dias. E gente que sente falta de sair sozinho às vezes e precisa disso. E tudo bem.

Tem de tudo, cara, vocês nem imaginam o quanto. E é preciso aceitar as escolhas dos outros sem julgar.

Não entendo quem ama e não quer estar junto. Não entendo mesmo quem namora e não sofre com a possibilidade da ausência. Pra mim, por exemplo, namorar à distância seria mortal. Sou alimentada pela novidade, pelo cotidiano e por tudo na vida do outro que acontece dia após dia. Pelo diálogo, pela troca constante, pela risada de si mesmo. Acho que se muda muito em meio segundo. Que dirá em 6 meses.

Se é pra ter uma vida inteira sem a outra pessoa, que sejam amigos apenas, oras. Sem grandes intimidades e trocas. Ficantes, amantes ocasionais. É assim que funciona na minha cabeça. E mesmo que me digam o oposto – que a proximidade me levará ao tédio, que vou cansar da cara do outro, da vida do outro, do sexo do outro – caguei. Porque pelo menos vou ter aproveitado até secar.

Entenderam quando eu digo que só se absorve aquilo que tem relação com as nossas histórias pessoais? Que por mais que alguém queira dar pitaco na divisão da conta do restaurante, no rolo do outro, na briga da família, na traição, na falta de respeito ou no raio que o parta, só dá pra engolir quando a gente não tem convicção daquilo que sente? Quando há dúvida sobre o que deve ser feito?

Escrevo sobre regras porque elas não existem. Ou porque são infindáveis. Ou porque também busco tornar racionais as coisas que não cabem dentro de uma caixa.

Que chato seria uma vida toda num cubo.

Que seja disforme. Que seja errada. Que evapore; mas que seja. E que os outros também tentem ser.

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que assim seja.

Desejo que o seu amor não se preocupe com o tempo.

Com o trabalho que tem para amanhã, com a velocidade no qual os sentimentos correm. Voam. Flutuam

Que apenas seja leve. E livre.

Desejo que o seu amor seja doce, gentil, calmo. Que não se aborreça com coisas pequenas, que não se afete com o que já é sabido: não vale a pena.

Desejo também que seu amor não seja tímido. Que se revele nos pequenos gestos, na honestidade das palavras, no bom e sincero mal humor das segundas pela manhã.

Desejo que o amor que você encontre saiba também que encontrou um grande amor. E que se dedique a ele, que escreva poemas, canções, mande flores, se encha de todas as tolices de quem tem muito amor para mostrar e não sabe por onde.

Desejo que o seu amor divida contas, problemas e alegrias também.

Que não tenha medo.

Que não tenha anseio.

Que não seja feio.

Desejo que o seu amor reconheça o dia – se esse dia chegar – que o amor talvez tenha chegado ao fim.

Pois não há nada pior que um amor que um dia foi e que a gente insiste em fazê-lo ficar.

O amor de verdade não se prende.

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vadias s.a.

 

Desde já vai meu aviso: esse post é polêmico. Se você é muito conservador (a), esqueça. Talvez meus pensamentos te ofendam, talvez você nunca mais volte a ler esse blog novamente. Entretanto, se você está disposto, curioso e com a mente aberta… Fique à vontade. E claro, dê sua opinião. Se tudo o que eu escrevesse fosse certo… Minha vida seria perfeita, não é?

 

Toda mulher é uma vadia em potencial. Das mais castas, às mais soltinhas. Das mais novas, às mais velhas. Das magras, das gordas, das neuróticas às tranquilas; qualquer uma, sem exceção. Algumas enxergam isso e aceitam sua condição. Outras não. Toda a mulher já xingou, mesmo que mentalmente, pelo menos 5 mulheres por coisas que ela mesma já fez. Ou faria. Ou já viu a melhor amiga fazer e achou o máximo.

Toda mulher já chamou outra de gorda. Já achou o marido alheio gato. Todas elas. E isso não significa nada. Apenas que é preciso ponderar antes de sair por aí julgando quem a gente mal conhece. A vadia de hoje, é a sua irmã amanhã. A vadia de hoje, pode ser você. Será provavelmente.

As mulheres são, constantemente, hipócritas. E seus julgamentos tem ligação direta com suas relações pessoais. Se a prima fez, não é tão ruim. Se a atual do ex fez, é terrível, abominável. Como alguém pode ser assim tão desprezível, não é mesmo? Pensamos.

E somos cruéis. Não nos basta apenas pensar o mal, temos que agir contra esses “absurdos”. Temos sede de “justiça”. Queremos que a outra morra, que seus peitos caiam, que a bunda encha de celulite. E maldizemos a piranha até o infinito, não adianta negar. Aquela galinha, maldita, aquela vaca vesga, porca, suja. E por aí vai.

Com o passar dos anos, e conforme vou conhecendo as pessoas, passei a julgar mais e mais rapidamente. Não deixei de cometer meus julgamentos equivocados, muito pelo contrário. Me tornei mais ácida. Mas também predisposta a mudar de ideia se me provarem que não é bem por aí.

Na vida real, ao contrário das ciências exatas, onde conseguimos controlar os resultados, nada é preto no branco. Somos movidos, o tempo todo, pelos sentimentos, pelas circunstâncias e pela razão também, claro. Ou pela falta dela. Todo mundo está sujeito a uma cagadinha aqui ou ali. Todo mundo. E se é assim, porque somos tão pesados ao olhar para quem desconhecemos? Porque não olhamos as situações com a nossa dose de discernimento e filtros que aplicamos àqueles que nos importam?

Sejamos conscientes. Por favor.

E menos cagadores de regras.

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deixe para trás.

A verdade é que a gente escolhe ser feliz. E que a felicidade, sinto informar, é um pouco egoísta.

Não dá pra ser feliz e continuar a cultivar o que a gente não ama mais. Seja no trabalho, seja na família ou na vida a dois. Não dá para querer ser feliz e agradar os outros. Felicidade é única, pessoal e intransferível, que nem impressão digital. Que nem bunda. Você pode até admirar a da outra, mas tem que investir mesmo é na sua.

Ninguém pode tomar decisões difíceis pela gente, ninguém pode obrigar o outro a ficar ou a suportar essa ou aquela situação ruim no nosso lugar. Ninguém pode engolir os nossos sapos, nem saborear os nossos amargores, infelizmente. E ainda assim, sempre sobra um pouquinho de dor pro outro. Práquele que não tem relação direta com a nossa vida, mas que já está lá. Disposto. Sendo altamente influenciado por aquilo que a gente faz.

Quando se escolhe um determinado caminho é preciso abrir mão de toda uma cadeia de acontecimentos que se sucedem, bons ou ruins. Se um namoro acabou por falta de amor (ou excesso dele) temos a família alheia pra encarar. Às vezes pra aguentar, outras para ainda tentar impressionar; pra que àquela magia do que um dia foi – e hoje já não é mais – não se perca. Uma pena que não exista essa possibilidade. Quem agrada dois senhores não agrada nenhum. Ou pior: acaba por desagradar a si mesmo, o maior afetado da coisa toda. Quem, realmente, importa.

Sabe aquele lance de amar a si mesmo em primeiro lugar? Entra nessa hora. O quanto antes nos desfizermos das nossas amarras, libertarmos a nós mesmos (e os outros) dos nossos fantasmas do passado, melhor. Se é pra frente que se anda, não há sentido em olhar para trás. Não há, aliás, chance de sermos outra coisa quando ainda vivemos das sombras do que não nos faz satisfaz. Se você chama as coisas ruins, tem que estar disposto, também, a lidar com elas. Com as assombrações que você mesmo não tratou de exuzar.

Não dá para prosseguir sem desapegar. Não dá para evoluir sem sofrer.

Como tudo na vida, as coisas ruins também passam. E com as atitudes corretas, uma dose de paciência e muita fé no hoje, muito mais rápido.

Se é para viver um grande, novo e verdadeiro amor, que seja por completo. Porque pela metade já basta o que não nos cabe mais. E isso a gente doa, vende, troca, sejam as roupas, os objetos ou aquilo que a gente tem de mais frágil dentro da gente: os sentimentos. E esses, às vezes, se esgotam.

Cuidem bem de 2014. E que venham vidas inteiramente novas para vocês.

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mais favor.

Percebi recentemente que tenho um problema muito grave: não consigo romper vínculos.

Minha vida é um acúmulo de experiências amorosas bem e mal sucedidas. De amizades que se foram, que voltaram, que nunca, sequer, se firmaram, mas que continuam lá, registradas de alguma forma, prontas para serem reativadas quando for conveniente. Posso deixar de falar com você por 3 anos e ter assunto se nos encontrarmos na rua. Minha memória, que é uma porcaria pra tudo, sempre consegue buscar um universo comum, banal e confortável para a cordialidade, para àquilo que é preciso ser feito na hora que for solicitado, do jeito que aparecer. Tenho PHD em torta de climão. Mesmo. E isso é uma porcaria.

Queria odiar pessoas. Chutar o balde. Detestar. Queria ser justa com aqueles que foram injustos, queria conseguir pagar na mesma moeda.

Sou um grande caldeirão de emoções positivas e memórias distantes que se misturam em um sopão. Às vezes ele ferve e transborda – quando me magoo intensamente e fico sem chão – às vezes não. Só fica lá, sendo requentando entre uma colherada e outra. Entre um inverno e outro. Entre um desconforto e outro.

Tenho uma preguiça gigantesca de desgostar. De pegar raivinha. De guardar frustrações. Uma preguiça enorme.

Então eu continuo a ser quem eu sempre fui, a dizer as coisas que eu sempre disse e a viver – com mais ou menos carinho – de acordo com o que o outro merece. Como se eu colocasse o amor numa caixinha e ele nunca deixasse de pulsar por lá, como se ele nunca se esvaísse. Como se eu insistisse, afinal, na ideia de que todo mundo tem uma parcela de coisa boa que precisa ser reconhecida, reavivada, para que consigamos nos recompor depois de uma briga, por exemplo. Para que consigamos viver com tanta diferença.

E indiferentes a tantas coisas que nos fazem, realmente, mais amargurados. Mais favor, por amor.

No final, deve ser melhor ser assim.

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do começo ao fim.

Ontem eu terminei um namoro de 2 anos e 4 meses. Para escrever sobre amor é preciso também errar bastante. Acho que estou cumprindo bem minha cota.

Sei que expor a vida assim, pra que todo mundo veja e aponte o dedo na nossa cara, parece estranho. E é. Assim como terminar um namoro bacana de forma cordial e madura. Assim como gostar de alguém e achar melhor não continuar com essa pessoa. Portanto, segue meu aviso: se você acha que vai cometer o erro de cagar regras e apontar aquilo que eu devo fazer logo após ler esse texto, dizendo isso ou àquilo, pode parar por aqui.

Porque eu já fiz o que eu acredito que seja o certo.

Estive pensando muito (como sempre) sobre como nos habituamos às pessoas. Nunca fui infeliz no meu namoro nem por um minuto. Nunca nos desrespeitamos, nunca tivemos uma briga daquelas de envergonhar os vizinhos, nunca, sequer, descontamos nossas frustrações pessoais um no outro. Sempre conversamos sobre tudo, rimos de tudo e pude aprender muito sobre como eu sou uma pessoa difícil de lidar também. Como coisas simples, como os gostos pessoais, por exemplo, e as ideologias de vida, podem se tornar um problemão à longo prazo. E como é importante, acima de todas as coisas, ter os mesmos planos para que tudo dê certo. Para que funcione. Pra que não desgaste.

Resolvi escrever sobre isso porque há alguns dias comentei com uma amiga que colocar nossas ideias no papel ajuda a desabafar. Ajuda a controlar o não palpável, ajuda a aliviar. E claro, organiza a bagunça de sentimentos que fica dentro da gente. Por mais racional que eu seja, por mais correta que eu saiba que tenha sido essa decisão: dói. Pela ausência, principalmente. Pelo hábito. Pelos planos não realizados. E pelos sonhos que irão ter que ser reconstruídos de outro jeito a partir de agora.

Atenção mulheres: o homem mais legal do planeta está solteiro. Uma pena que eu não sirva pra ele.

Pela primeira vez na vida, resolvi aplicar todos os meus conselhos a mim mesma. Pensei, repensei e me perguntei: por que mesmo a gente tem que se separar odiando o outro? Por que mesmo a gente tem que deixar a rotina consumir, o tempo passar, a vida correr, pra ter coragem de fazer aquilo que está dentro da gente? Meu namoro nunca esteve ruim. Mas se demorássemos mais pra conversar sobre àquilo que incomodava, talvez, ficaria. Talvez eu não tivesse a clareza necessária para pensar sobre isso, talvez, acabássemos como desconhecidos, afinal. Como pessoas que não conseguem conversar sobre o que foram, sobre o que desejam, sobre o que se tornaram ao longo do tempo.

O tempo corre e a gente corre com ele. Conhecemos pessoas, perdemos pessoas. Terminamos uma faculdade, começamos um curso, planejamos uma viagem. Cada jantar, almoço, encontro, cinema, cada detalhe mexe um pouco com o amanhã, com o hoje, com o ano que vem. Às vezes a gente percebe que não tem mais tanto assim a ver com o outro, e ignora.  Engole. Às vezes algo incomoda, a gente releva. E, às vezes, a gente escolhe que não quer nem chegar perto de ser infeliz, de perder o rumo, a amizade, ou aquela pessoa que durante tanto tempo esteve lá, torcendo pelo nosso sucesso, pela nossa família, construindo coisas com a gente e coisa e tal.

E decide fechar a porta.

Pra poder continuar de peito aberto.

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a maior declaração de amor do mundo.

Amar alguém é supervalorizado.

Tendemos a achar que a prova máxima de que um relacionamento está saudável é declarar o nosso amor para essa pessoa, no Facebook, no Instagram, na p.q.p, pra todo mundo ver. Isso, na verdade, é o mínimo que se espera. É a pontinha do barco.

Bons relacionamentos elaboram, planejam e concretizam sonhos. O tempo todo. Juntos. Porque ambos sabem onde querem chegar, ambos andam e olham na mesma direção. Não há nada pior na vida do que construir todo um castelo enquanto o outro ainda nem comprou as janelas. Enquanto o outro, ainda, nem sabe se quer um terreno.

Casar não é coisa de mulherzinha. Não é o próximo passo. Não é a ordem natural das coisas. É aquilo que desejam todos aqueles que buscam, verdadeiramente, ter uma vida bacana com alguém. E aqui eu incluo o “casar” em todas as suas formas – seja juntando, dividindo as contas ou abrindo mão de algo muito valioso na vida pessoal em prol do outro. O casamento começa quando a gente acredita que consegue viver, pro resto da vida, suportando e convivendo com os defeitos de alguém.

E faz de tudo pra que isso seja verdade.

É, na verdade, uma fórmula bem simples. Que a gente tende a complicar.

Não tenho paciência pra quem está junto porque sim. Porque é preguiçoso demais para mover-se para outra direção, tem medo demais da solidão para tentar algo novo. Disse ontem, para o meu namorado que, via de regra, as mulheres amam mais que os homens dentro dos relacionamentos porque foram treinadas a sustentar o romance. E que esse tipo de relacionamento unilateral, para as mais conformistas, tende a dar certo já que eles, os machos alfa, tem uma preguiça infinita de discutir. De viajar nas expectativas femininas. Eles só permanecem lá, calados, cumprindo seu papel. Não está ruim, afinal. Nem bom de verdade.

Não sei o que acontece com alguns casais. Não sei o que pensam alguns homens que não se preocupam em não ter paixão. É como esperar ser levado, dia à dia, rumo ao inevitável destino: às tão temidas amarras do matrimônio. Porque a vida, huumm… Acho que a vida é assim mesmo.

Cara, nós não vivemos mais os anos 50. Nós podemos dar/trepar/pegar quem a gente quer, namorar quem a gente quer, a gente pode até ser gay, sabia? E feliz! Num é incrível? A gente pode até se apaixonar por uma roda gigante, por um portão de garagem, por uma baleia, pela nossa profissão, por nós mesmos. Ninguém é obrigado a ser infeliz. A não ser quem deseja ser.

Ninguém precisa largar a família, os amigos, tudo na vida é conciliável quando se quer. Mas é preciso querer mesmo, muito, de verdade. É preciso lutar pra que aconteça.

É preciso que tenha sentido.

E não que, simplesmente, tenha amor.

O amor é simples. Difícil é lidar com as expectativas da gente. Principalmente as que só a gente tem.

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