Anos e amigos que passam.

Eu era popular na escola. Eu sempre estava rodeada de pessoas, gostava de saber sobre suas histórias e, dificilmente, me sentia deslocada em um ambiente social – qualquer que fosse. Eu não sei se hoje sou exatamente assim, acho que as coisas, de uns 15 anos pra cá, mudaram um bocado. Acontece que a vida, quando possui uma rotina, obriga que criemos laços. Estar no mesmo ambiente, compartilhando dos mesmos desafios e encarando praticamente as mesmas dúvidas e anseios faz com que as amizades surjam naturalmente, por diferença ou semelhança, como uma grande rede de apoio na qual reconhecemos que é possível viver sem ninguém – mas que é muito mais chato, doloroso e solitário, afinal.

A vida adulta é complexa, é cinza, é híbrida. As rotinas se dividem em mais núcleos dos quais podemos controlar, nossas cargas emocionais e nossas histórias já não estão fixas em uma única unidade, como a escola, por exemplo. Temos o trabalho, temos a academia, as reuniões de condomínio. Temos a família (ou as famílias, quando nos casamos ou namoramos) e ainda podemos ter ao nosso lado todas aquelas pessoas que, em algum momento, tiveram sentido na nossa vida, que aqui eu vou chamar de “referências sólidas”. E, essas referências, ao meu ver, sempre foram as mais importantes, porém, as mais difíceis de manter sempre próximas. De manter vivas. De manter, de fato, amigas para o resto da vida.

A amizade é algo que não pede, ela exige presença. Exige que nos esforcemos e que esse esforço seja recíproco. Que insistamos em compartilhar nossa rotina, por mais simples que ela seja, que comemoremos as vitórias e choremos as derrotas. Assim como todos os relacionamentos, a amizade vive nas sutilezas. No universo silencioso da confiança e no ruidoso ato de viajar 10 minutos ou 10 dias para estar junto, de compreender e acolher mesmo que não se entenda, de aconselhar e se opor mesmo que não seja recomendado, mas, principalmente, de saber a hora certa de fazer cada uma dessas coisas. De saber que existem maneiras e palavras, de reconhecer limites. A vida adulta, ao contrário da vida adolescente, tem vários deles. E a gente não tem mais a visão total de como o outro anda por dentro, qual é a dinâmica da sua antiga ou nova família, do drama do outro, das dores do outro. A gente começa a ter problemas de adulto, que adolescente também tem, mas pai e mãe às vezes disfarçam, fingem que não está lá ou ignoram, simplesmente. É síndrome do pânico pra cá, depressão pra lá, uma endometriose, talvez, uma doença daquelas que ninguém gosta de mencionar, algo de errado na cabeça da gente que só os muito chegados, muito próximos, só quem quer mesmo saber, sabe.

É possível viver de aparência na vida adolescente, mas na vida adulta amizades que são vapor não se sustentam. Amigo de bar e balada não vingam. Fazem companhia, são úteis quando estamos nos sentindo sós, mas no domingo a noite se esvaem na mesma velocidade que surgiram. Amizade precisa ser, tem que ser e é obrigatório que seja bem mais profunda que isso. Íntima. Complexa. E é muito difícil ter solidez em qualquer coisa quando envelhecemos, porque adulto responsável não tem tempo pra porra nenhuma. Não dá pra ir em todos os happy hours, aniversários, chás de bebê, velórios, não dá pra estar em todos os acontecimentos importantes de quem um dia consideramos importante e, sejamos francos – às vezes nem queremos isso. Às vezes amamos muito alguém, por um número incontável de fatores, mas não queremos mais estar com aquelas pessoas que um dia nos foram tão fundamentais. Sei lá. Às vezes, porque, simplesmente, não as reconhecemos mais. Não concordamos com o que pensam sobre política, religião, sobre gays, negros, gordas, pobres, putas, não queremos lidar com suas opiniões tão distintas, dolorosas e imutáveis sobre essas delicadezas transformadoras que se impõe dia a dia e precisam ser faladas. Temos dificuldade em ser contrariados, questionados ou achamos que tamanhas diferenças não serão conciliáveis e, assim sendo, não valem o desgaste. Melhor ficar com a boa parte que sempre tivemos que nos decepcionar com o que essas pessoas se tornaram – incluindo aí o que eu mesma me tornei. E, delas, extrair o que há de melhor.

Não, não me entendam mal. Amigos não precisam sempre concordar com tudo. Amigos não precisam sempre estar presentes, dispostos, não precisam fazer muito esforço para se manterem vivos. Mas há uma solidão pouco falada na vida adulta, uma ausência de vínculos não amorosos de profundidade que se agravam com o passar dos anos, que me preocupam, na verdade, como a solidão sempre me preocupou.

Cultive amigos. Não desista deles. E esteja aberto para ter a transparência e a vulnerabilidade inerentes às melhores e mais vitalícias relações. Elas edificam, transformam, confortam, se fazem necessárias.  E mais que isso: valem a pena.

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sobre as cartas – e suas vantagens.

Ninguém perguntou minha opinião, mas fod**-se, esse é meu blog e eu posso falar o que eu quiser (e você aí também).

Adoro escrever cartas. Carta mesmo, do próprio punho, saída de dentro da minha cabeça pra ponta da caneta BIC. Ou bilhetes, mini notas, qualquer coisa que esteja mais próxima da vida real que um e-mail. Que um comentário no feice. Que 150 caracteres de piadinha pronta no twipster.

Vocês também deveriam escrever mais pra quem importa.

Acho que as cartas te dão tempo para refletir sobre seus pensamentos, sobre o que sentimos. Se você escreve e posta, CATAPLOFT, já tá lá, feito, registrado, talvez não exatamente como deveria, como você queria. Quando você escreve no método analógico, old school, não. Você erra. Você passa a mão em cima da tinta fresca e caga todo o papel. Daí tem que fazer tudo de novo e vai mudando o que não estava tão bom. Você marca a folha com lágrima, com chocolate, você senta em cima da carta na cama e amassa todo o papel. Engordura a bordinha com manteiga e geléia. Na carta você pode espirrar perfume, pode escrever com mão de cândida porque estava dando um trato no quintal. Cartas são guardáveis, palpáveis, sólidas, armazenáveis.

Carta você pode rasgar quando tiver raiva, pode tentar colar de novo; nada no papel se perde pra sempre, de uma vez só.

Quando se escreve uma carta se dedica um tempo de vida, uma fração do que se é para o outro. Cartas são demonstrações de amor, gente. São memórias que às vezes nos traem quando nem nos reconhecemos ao ler àquilo tudo.

Na dúvida, escreva.

No mínimo, vai aliviar o que se sente.

 

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honestidade extrapolada.

Querida,

Gostaria de dizer que sinto muito a sua falta e sei que muitas outras pessoas – que te conheceram verdadeiramente – também sentem. Entretanto, precisava te falar algumas coisas que, tenho certeza, ninguém jamais terá coragem de dizer.  Sabemos que você é geniosa, cheia de orgulho e difícil de lidar. Sabemos que você é frágil mesmo se fazendo de forte. E sim, você vai berrar. Você vai retrucar. Você vai se vitimizar ainda mais e se sentir a mais injustiçada dos seres humanos viventes, mas gostaria que você tivesse a certeza, a mais plena de todas, que só dizemos certas coisas na cara de quem a gente ama de verdade. Porque quem não tem a menor importância a gente quer mais é que se f**a no lodo e fique por lá. Triste, mas real. Cruel, mas completamente válido. E é bem nesse clima que quero que você encare essa carta: de peito aberto e olhos e ouvidos bem atentos. Porque preciso que você comece a pensar diferente.

Felicidade não pode ser mensurada em feitos. Você não encontrará a alegria verdadeira em um salário no final do mês, você não encontrará o puro contentamento no reconhecimento profissional e, não, você não encontrará a tal felicidade nem em uma super viagem internacional cheia de compras bacanas e boas fotos pro Instagram. Felicidade é algo que está dentro de você, que depende única e exclusivamente da forma como você encara as coisas (boas e más) que se apresentam – e não da forma que elas, de fato, são (ou que você enxerga que elas sejam). Não é o mundo que conspira contra você, você não é tão importante assim para culpá-lo por tudo o que acontece de errado. É você quem traz, quem faz, quem acontece, quem permite, quem aceita e quem desfaz todas as coisas que te acometem – ou opta por deixá-las do jeitinho que se apresentam. Todas mesmo. Mesmo quando falamos de fatalidades.

Acontece com você, com o seu chefe, com a dona do mini mercado na esquina, com o caixa da padoca e até com o Abílio Diniz e com o Brad Pitt – todo mundo tem dias de merda até mesmo em vidas que não parecem de merda como você diz que a sua é.

Outra coisa importante é que quanto mais nos sentimos bem, desejamos e fazemos o bem e pensamos positivamente, mais coisas boas a gente atrai, como num ciclo. É cafona, é clichê, é auto ajuda barata, mas é verdade, pode reparar. E o contrário também se aplica. Ninguém gosta de saborear as amarguras alheias, ninguém gosta de tomar patada o tempo todo ou de ser mais um vilão que o destino colocou na vida pra ~ maltratar~ – quando você só reclama e maldiz é isso que quem está ao seu redor enxerga: uma grande nuvem cinza de coisa ruim prestes a chover na cabeça de quem quiser opinar.

A vida não dá errado porque você é gorda, feia, chata ou incompetente e você não é nada disso. Seus problemas familiares não precisam necessariamente ter a ver com seus relacionamentos mal sucedidos do passado (ou futuro), nem com a sua carreira indo por água abaixo; você precisa, urgentemente, trabalhar isso em você e parar de acreditar que tem sorte para o azar. As coisas não acontecem em um combo de merda pra que você chegue no fundo do poço, apenas levante-se, se limpe com um lencinho umedecido e saia de lá. Pegue uma escada, escale as paredes, peça pra te jogarem uma corda, mas sacuda a poeira do buraco e lute. Porque é pra isso que a gente acorda todos os dias; pra mais uma chance.

Destino não existe. A gente é quem faz das coisas ruins e boas pontes para outras situações, que também podem ser boas ou ruins, não sei, mas permita-se o acaso. Isso basta para se ter esperança.

Deixe que as pessoas se aproximem. Deixe que te ajudem. Aceite elogios, aceite que, é sim, boa em muitas coisas, acredite nisso e haja em coerência dessa fé em si mesma. Se você já começar a lutar derrotada, vai perder mais um braço. E as pernas. E a cabeça. Até ficar sem nada além do coração – cheio de dor e sozinho porque você mesma quis que assim fosse.

Desculpe-me se as palavras foram duras, mas foram honestas. E por favor, bola pra frente.

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vadias s.a.

 

Desde já vai meu aviso: esse post é polêmico. Se você é muito conservador (a), esqueça. Talvez meus pensamentos te ofendam, talvez você nunca mais volte a ler esse blog novamente. Entretanto, se você está disposto, curioso e com a mente aberta… Fique à vontade. E claro, dê sua opinião. Se tudo o que eu escrevesse fosse certo… Minha vida seria perfeita, não é?

 

Toda mulher é uma vadia em potencial. Das mais castas, às mais soltinhas. Das mais novas, às mais velhas. Das magras, das gordas, das neuróticas às tranquilas; qualquer uma, sem exceção. Algumas enxergam isso e aceitam sua condição. Outras não. Toda a mulher já xingou, mesmo que mentalmente, pelo menos 5 mulheres por coisas que ela mesma já fez. Ou faria. Ou já viu a melhor amiga fazer e achou o máximo.

Toda mulher já chamou outra de gorda. Já achou o marido alheio gato. Todas elas. E isso não significa nada. Apenas que é preciso ponderar antes de sair por aí julgando quem a gente mal conhece. A vadia de hoje, é a sua irmã amanhã. A vadia de hoje, pode ser você. Será provavelmente.

As mulheres são, constantemente, hipócritas. E seus julgamentos tem ligação direta com suas relações pessoais. Se a prima fez, não é tão ruim. Se a atual do ex fez, é terrível, abominável. Como alguém pode ser assim tão desprezível, não é mesmo? Pensamos.

E somos cruéis. Não nos basta apenas pensar o mal, temos que agir contra esses “absurdos”. Temos sede de “justiça”. Queremos que a outra morra, que seus peitos caiam, que a bunda encha de celulite. E maldizemos a piranha até o infinito, não adianta negar. Aquela galinha, maldita, aquela vaca vesga, porca, suja. E por aí vai.

Com o passar dos anos, e conforme vou conhecendo as pessoas, passei a julgar mais e mais rapidamente. Não deixei de cometer meus julgamentos equivocados, muito pelo contrário. Me tornei mais ácida. Mas também predisposta a mudar de ideia se me provarem que não é bem por aí.

Na vida real, ao contrário das ciências exatas, onde conseguimos controlar os resultados, nada é preto no branco. Somos movidos, o tempo todo, pelos sentimentos, pelas circunstâncias e pela razão também, claro. Ou pela falta dela. Todo mundo está sujeito a uma cagadinha aqui ou ali. Todo mundo. E se é assim, porque somos tão pesados ao olhar para quem desconhecemos? Porque não olhamos as situações com a nossa dose de discernimento e filtros que aplicamos àqueles que nos importam?

Sejamos conscientes. Por favor.

E menos cagadores de regras.

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mais favor.

Percebi recentemente que tenho um problema muito grave: não consigo romper vínculos.

Minha vida é um acúmulo de experiências amorosas bem e mal sucedidas. De amizades que se foram, que voltaram, que nunca, sequer, se firmaram, mas que continuam lá, registradas de alguma forma, prontas para serem reativadas quando for conveniente. Posso deixar de falar com você por 3 anos e ter assunto se nos encontrarmos na rua. Minha memória, que é uma porcaria pra tudo, sempre consegue buscar um universo comum, banal e confortável para a cordialidade, para àquilo que é preciso ser feito na hora que for solicitado, do jeito que aparecer. Tenho PHD em torta de climão. Mesmo. E isso é uma porcaria.

Queria odiar pessoas. Chutar o balde. Detestar. Queria ser justa com aqueles que foram injustos, queria conseguir pagar na mesma moeda.

Sou um grande caldeirão de emoções positivas e memórias distantes que se misturam em um sopão. Às vezes ele ferve e transborda – quando me magoo intensamente e fico sem chão – às vezes não. Só fica lá, sendo requentando entre uma colherada e outra. Entre um inverno e outro. Entre um desconforto e outro.

Tenho uma preguiça gigantesca de desgostar. De pegar raivinha. De guardar frustrações. Uma preguiça enorme.

Então eu continuo a ser quem eu sempre fui, a dizer as coisas que eu sempre disse e a viver – com mais ou menos carinho – de acordo com o que o outro merece. Como se eu colocasse o amor numa caixinha e ele nunca deixasse de pulsar por lá, como se ele nunca se esvaísse. Como se eu insistisse, afinal, na ideia de que todo mundo tem uma parcela de coisa boa que precisa ser reconhecida, reavivada, para que consigamos nos recompor depois de uma briga, por exemplo. Para que consigamos viver com tanta diferença.

E indiferentes a tantas coisas que nos fazem, realmente, mais amargurados. Mais favor, por amor.

No final, deve ser melhor ser assim.

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amizade ao contrário.

Tem pessoas que conhecemos desde sempre. Da escola, dos anos frequentando os mesmíssimos lugares, das viagens, memórias e de tudo aquilo que um dia fomos, mas que já não somos mais. Pessoas que foram embora e nos deixaram um buraco enorme. Que mesmo com a distância, com as diferenças e com tantas coisas que mudaram – por lá e por aqui – ainda nos pegamos pensando naquilo que vivemos juntos e em alguns momentos que fazem falta, é claro. Mas que já não têm mais tanto sentido assim.

Temos saudades daquilo que um dia fomos, do que um dia gostávamos e daquele universo de coisas que compartilhávamos. E mesmo com tantas coisas boas para recordar, não sabemos quando foi que nos tornamos íntimos de alguém tão distinto, tão avesso as nossas poucas certezas e verdades, tão ao contrário de tudo que acreditamos. Hoje parece impossível manter um diálogo cordial e aceitar essa ou aquela diferença ideológica, religiosa ou moral, hoje, simplesmente, não conseguimos aceitar as coisas tão facilmente.

Não sei se é assim com todo mundo, não sei se falta um esforço da minha parte de tentar retomar os relacionamentos de onde eles pararam. Só sei que o problema, nesse caso, não é aprender a aceitar o diferente: mas a aceitar o inaceitável. Aquelas coisas que fazemos por amor. E só. Porque nada mais é capaz de justificar.

Achei que não era possível ter ex-amigos, mas é, viu? E não porque houve desentendimento, mágoa, brigas ou rancor, mas simplesmente porque não existe mais sintonia. Não existe mais conexão. Não há mais nada que faça com que aquelas pessoas queiram estar sorrindo umas para as outras e aguentando a falta cabal de assunto.

É isso, simples, triste assim.

E eu ainda estou tentando aceitar…

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amiga-encosto.

Todo mundo tem uma amiga chata, muito chata. Que implica com quem não conhece, que reclama do que foi especialmente preparado para ela e que vive lamentando, pelos quatro cantos do planeta, o quanto ninguém a acha bonita, ou interessante, ou realmente legal.

Sem ter a menor percepção daquilo que faz em relação a si mesma.

Essa amiga acha que a sinceridade excessiva (a.k.a, falta de educação) é o melhor remédio para tudo. Fala que fulana está gorda, que beltrana fez um combinação ri-dí-cu-la, que o namorado de cicrana é um antipático mas fica PUTÍSSIMA se fazem o mesmo com ela.

PU-TÍS-SI-MA.

Essa amiga é grosseira, sem noção e isso a faz ser persona non grata em tudo quanto é lugar. Você quer levá-la em um bar, pra tentar salvar a espécie e os envolvidos sempre enfatizam “ai, desculpa, não leva aquela sua amiga não. Da última vez ela discutiu com o garçom, bateu boca com meu chefe, derramou bebida no bolo…”

Se ela vivesse em um filme seria aquele tipo de personagem que usa da ironia para se proteger de todas as coisas, quando, na verdade, só quer se aproximar dos outros, ser incluída nos programas e agir como uma pessoa normal. Mesmo sem ser normal. Só que a vantagem é que as coisas nos filmes sempre acabam bem. Mas com essa sua amiga…Eeerrr… Não.

Nem com ela, nem com você, que acaba carregando o encosto.

Essa sua amiga, que não liga pra moda e vive descabelada, que não consegue ser minimamente agradável nem com você, porque, exatamente, ela é sua amiga mesmo? Quando foi que você achou que seria uma boa ideia incluí-la na sua vida e passar os maiores “climões” dos últimos 356 anos?

Você pensa, repensa. E não sabe.

Talvez seja pelo fato de nos sermos pessoas terríveis e gostarmos de andar com gente que é pior que a gente. Talvez seja por essa mania que temos em querer salvar as pessoas delas mesmas. Talvez por, no fundo, sermos também um pouco desse jeito meio torto, meio chucro, meio mala vez ou outra.

Mas olha, paciência tem limite.

E nem sempre as pessoas querem melhorar. Aliás, quase nunca.

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quando julgamos bem.

Dificilmente me engano em relação as pessoas e, se o faço, é sempre para melhor. Pessoas de essência ruim não se escondem facilmente nas pequenas atitudes, nas sutilezas do dia-a-dia ou nas falhas de caráter, mas aquelas que não são de todo nocivas, conseguem, via de regra, me levar no paparico.

Ninguém tem a ver com a vida do outro, com o namoro do outro ou como fulano gasta seu tempo livre. Somos todos maiores, vacinados e fazemos cagadas frequentes, pode reparar. É normal, é natural, é super humano. Mas às vezes a coisa se estende à níveis alarmantes: numa sequência de atitudes positivas também habitam más intenções. Aliás, quando alguém tenta muito agradar, tenta muito parecer super confortável com alguma coisa, abra bem os olhos.  Quando estamos distraídos, envolvidos e totalmente imersos em uma determinada situação é que, “BANG!”, vem  a vida e dá aquela senhora rasteira. E pior: sem estarmos devidamente precavidos para levantar.

Não se deixe enganar pelas palavras de amor via Facebook, pela cisma constante em curtir um tempo à sós. Pela mania de se isolar numa bolha e insistir em que o problema não é ela/ele e sim os outros e suas sandices. Quem avisa, amigo é.

E um amor é mais fácil de encontrar por aí que um amigo que vai insistir em te alertar sobre aquilo que você não quer ouvir.

#ficadica.

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por amigos diferentes.

Tenho muita preguiça de gente cheia de dedos. Gosto de quem é escandaloso, excessivo, que ri alto, batendo na mesa e não tem a menor vergonha disso. Também não confio em gente que não bebe nada, nem um pró seco no Natal. Não sei… Beber faz parte da vida social, faz parte das comemorações, faz parte de alguns momentos de relaxamento da vida adulta e quando você não bebe nada… Eu desconfio. Cismo com pessoas que usam meias pretas, mas isso não tem um por que lógico. Apenas recomendo, amigos e amigas, que não usem, ok? Pela minha sanidade.

Gosto de quem não tem medo de falar o que pensa, de dizer do que gosta. Acho triste ser uma pessoa reprimida só para ser aceita, acho chato ter um monte de amigos iguaizinhos, que vão juntos aos shows de rock vestidinhos de preto aos sábados e tal… Um tédio. Me levem, pelo amor de Deus, num forró. Me levem para ouvir uma banda bem alternativa e undergorund. Me levem pra esquiar, fazer um esporte bizarro…Mais diferença, por favor! Diferença é amor e não o contrário. O que tem a acrescentar pessoas completamente iguais a mim?

Não gosto de quem  tem preguiça também. Assim, preguiça de coisas simples. “Vamos no cinema?”, preguiça. “Vamos tomar um café?”, preguiça. Sabe? A vida é curta demais para passarmos o tempo inteiro em casa e só sairmos para trabalhar. Um barzinho, um violão, um videokê, vamos lá! A coragem de sair para se cansar no tempo em que deveríamos perder descansando é o que dá graça aos nossos dias. Vamos ter bastante tempo para fazer nada quando formos idosos e, realmente, já não tivermos mais como nos locomover com rapidez, pegar metro, e curtir a vida adoidado. Você já deve ter pensado nisso.

A amizade é um relacionamento que não exige, mas que precisa ser levado à sério. É um relacionamento onde não há contratos ou títulos, mas que funciona com certos acordos. São pessoas que você escolheu e não que a vida impôs. E se assim é pra ser, que sejamos inteiros. Que não encontremos desculpas. Que não tenhamos medo de esquecer os filtros, pelo menos um pouco.

Porque amigos de verdade ficam, sempre. E adoram a liberdade comprometida de ter alguém pra contar.

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amigos com benefícios.

Em algum momento na vida, todo mundo, TODO MUNDO MESMO, pensa na possibilidade de unir o útil ao agradável e acabar tendo um “algo a mais” (por que não?) com um amigo do peito. Pensa em como seria perfeito ter um sexo bacana, uma boa conversa e um relacionamento altamente íntimo sem a parte burocrática da coisa, ou ao menos, sem a obrigação de ter que ligar no dia seguinte, dar satisfação no final de semana, etc e tal.

Envolver-se com um amigo, num primeiro momento, parece muito simples: o cara já conhece sua família, já sabe dos seus gostos, crises e defeitos, dá pra rolar uma honestidade sem medo e, afinal de contas, amigo também é pra essas coisas. Você acha que é possível separar os sentimentos da parte física e que depois de tantos anos de convivência o terreno que dividia a amizade do amor verdadeiro já ficou infértil e completamente insalubre. Apaixonar-se é pros fracos.

Entretanto, já sabemos que, na prática, a teoria é outra. O maior problema da amizade com benefícios não é o fato de se apaixonar, mas sim, o medo de perder o que nunca se teve. O que fazer quando o outro cansar de você? E se ele se apaixonar por alguém de verdade, quiser romper com esse status de “não namoro” para, finalmente, engatar um real namoro, com outra pessoa, aleatória, que você nem conhece? Temos maturidade suficiente para ser rejeitados, descartados, deixados pra lá?

Quem sabe viver uma realidade sem planejamento é uma pessoa realmente livre. Quem consegue controlar suas ansiedades, herói.

E no meu caso, por exemplo, isso nunca funcionaria.

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