desconhecidos.

Existe um fenômeno que acomete a minha vida diariamente e eu gostaria muito de saber se ele também acontece na vida de vocês. É o seguinte: eu tenho vontade de elogiar desconhecidos. O tempo inteiro. Geralmente enquanto estou no transporte público. A sandália, o cabelo, aquele brinco INCRÍVEL, o relógio que eu não consigo parar de olhar. Ocasionalmente, inclusive, eu acabo falando com algumas pessoas, perguntando qual o creme que dá esse volume todo no ~picumã~, o nome do esmalte, ou que perfume é esse cara? Essas coisas.

No geral, as pessoas são bem receptivas, sorriem e eu acabo fazendo algumas “amigas de  busão” aqui e ali (depois vou falar sobre isso em outro post), mas é IMPRESSIONANTE como outra parcela, principalmente a feminina que eu costumo abordar bem mais por motivos óbvios, não sabe lidar com um elogio. Fica desconcertada. Diz que a peça foi baratinha, está velha e que o perfume é Avon. Às vezes trava, faz um aceno com a cabeça, olha pro chão e nem sabe o que dizer.

As pessoas não suportam escutar o quanto são bonitas. O quanto estão arrumadas. O quanto é linda a beleza natural pela manhã, despretensiosa, com cara de sono, meio amassada. Não conseguem lidar com o próprio bom gosto, com as próprias escolhas e o modo que isso impacta na vida de outras pessoas. Às vezes, nem pensam nisso. Quem, afinal, não tem problemas com a auto imagem vez ou outra, não é mesmo? Tenho pensado bastante sobre aceitação. E acho que elogiar os desconhecidos por aí pode mudar, de verdade, o dia ruim de alguém.

Somos críticos e duros em relação a diferentes coisas da vida. Somos até maus, às vezes. Nossos julgamentos são ferozes e instantâneos, então resolvi, no final das contas, deixar que essa good vibe dos elogios descontrolados tomasse conta da minha vida. Quando a gente vê o lado bom dos outros, passa a ver também o lado bom na gente, o lado bom da vida. E a minha, a sua vida e a vida de quem nos cerca, fica muito, muito, mais leve. Mesmo.

Acho que vale a tentativa.

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quando descobrimos que querer não é poder.

Estudos comprovam que 96,5% das publicações textuais realizadas em blogs com o mesmo perfil do meu  te  incentivam a sonhar bem alto –  e sempre, sempre, sempre, colocar o máximo de amor em tudo o que se faz. Acho que a maior mentira – covarde – que te contam sobre a vida é que você pode tudo desde que comece já. Desde que tenha força, fé e foco. Desde que faça com o coração.

Reflita bem, respire fundo e raciocine. Pode ser que até seja esse o caminho. Pode ser que algumas pessoas precisem mesmo dessa dose de fé em si mesmas para começar e ir adiante, mas, nem sempre funciona assim.

É bom ter em mente, bem lá no íntimo, que não é só coração, fé e foco que fazem que as coisas funcionem – ao menos não da maneira que a gente espera que elas sejam.

Me chamem de realista incrédula. Me chamem de agouradora do sonho alheio. Mas olha, é só um ponto de vista diferente dos demais. É só pra fazer pensar.

Acho, aliás, que essa inverdade é uma das coisas que mais gera adultos depressivos e infelizes; esse sentimento de que estamos próximos e distantes, ao mesmo tempo, de todas as nossas maiores realizações (e que nosso sucesso e satisfação depende única e exclusivamente de nós). Que maravilhoso se assim fosse. Quantos negócios não dariam certo? Quantos não seriam os livros publicados? Quantas famílias felizes e plenamente satisfeitas não se formariam?

E os muitos acasos que nos acometem? E os diferentes universos que nos cercam e formam nossas realidades particulares? E a nossa sorte, estrela, e Deus, eu pergunto? Nada disso conta?

Eu mesma respondo que conta sim. Conta bastante. E faz parte do pacote todo. Não se sinta um perdedor(ora) se ainda não chegou lá. Se, mesmo working very hard, não deu certo ainda. Uma hora, dá.

Você pode muitas coisas, geralmente muito mais do que você imagina, inclusive. Deve e precisa batalhar por outras tantas, sempre, mas não é só trabalho duro e zero mi mi mi que faz com que você seja famosa, rica, linda, magra ou qualquer coisa que você desejar ser. Não sei afirmar exatamente o que é.

O trabalho duro vai te garantir sucesso e satisfação de alguma maneira, mas não exatamente da forma como você acredita que as coisas serão. A visualização de uma vida que não é a que se tem pode deixar qualquer ser humano batalhador e super dedicado se sentindo o mais fracassado dos mortais, mesmo estando longe disso.

Não chegar onde se almeja não significa que você falhou. Significa que talvez você esteja vendo de forma distorcida onde quer chegar. Ou que ainda não fez as coisas certas. Estou sendo clara na argumentação?

A felicidade e a satisfação pessoal podem vir de muitas forma pra gente – tantas, que às vezes temos de tudo, muito, e continuamos correndo atrás do que o outro tem e a gente também “merece” ter. Do que o outro é e a gente “precisa ser também”, porque, né, pessoal? Somos humanos. Comparar o nosso sucesso com o dos outros é natural. Uma pena que não vivamos as vida alheias, nem suas partes boas, nem suas partes ruins. Pensando melhor, ainda bem.

Acredito que a comparação, em pequenas doses, faz parte de um desenvolvimento psicológico e pessoal saudável. Nos estimula, norteia, nos dá ídolos para admirar. Mas é preciso parar com essa crença de que podemos tudo, tudo mesmo. Tudo é muita coisa. E se não chegarmos nunca aos nossos ideias, como fica? Sinal de que foi tudo culpa nossa? Que não batalhamos o suficiente? Que não temos talento, força ou garra? Como lidar, então, com essa decepção que nos acomete diante da possibilidade de sim, PODE-SE TER O MUNDO, basta querer? Vim aqui, então, para dizer o que ninguém acha bonito, ou poético: não, às vezes a gente não pode. Às vezes não dá. Às vezes vem a doença, o cansaço, os filhos, a grana que se precisa ganhar com a rotina – e os nossos super sonhos não se encaixam nesse balanço.

Temos que dar asas à imaginação e não basear toda uma vida de micro satisfações pessoais e realizações nela.

Desculpa chutar assim, sem nem me apresentar, seu castelinho de areia. A gente não pode ser a nova Gisele Bundchen, já existe uma nesse mundo. Não dá pra treinar duro e mentalizar positivo pra alcançar o Neymar – talvez ele mesmo quisesse é ser o Pelé, nunca saberemos. E mesmo que você malhe e vire uma obcecada da batata doce, treinando por 24 horas na academia, desculpa. Você nasceu com o corpinho mignon. Não vai ser Panicat, nem garota do Faustão. E não há mal nenhum nisso.

Encontre mais felicidade onde já se tem.

Que o que vier a mais, nesse cenário, é lucro.

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despretensão.

Um ex namorado me disse uma vez que as mulheres mais cativantes que ele já conheceu eram aquelas que não tinham pretensão de nada. De início, não entendi e fiquei passadíssima. Ser mulher e não ter pretensão de nada, na minha humilde opinião, é quase como não ser mulher. Estamos habituadas – e condicionadas – a ser tudo, ao mesmo tempo e, de preferência, já.

Mas daí  ele continuou. Disse que as mulheres mais interessantes não esperavam ter muitos amigos ou ser super aceitas, que não imaginavam estar sempre cercada de grandes paixões e que nunca, nunca acreditavam estar sendo interessantes – ou atraentes para alguém. Pensando melhor sobre isso hoje de manhã, acho que pessoas assim – homens ou mulheres – são leves, simples e, talvez por isso, memoráveis. Não se preocupam com a quantidade de palavrões proferidos – ou a falta deles – não ligam de gostar de samba ou de rock e não estão nem aí se estão bem ou mal vestidas, se irão causar uma impressão positiva ou negativa. Apenas estão lá, vivendo, sendo qualquer coisa que quiserem ser, sem a intenção de impressionar. E, assim, de-fe-can-do pra opinião alheia, são altamente atraentes por seu modo de encarar a vida.

Essas mulheres, disse esse meu ex, são raras. E estão a cada dia mais escassas. Têm um brilho no cabelo descabelado, uma graça na unha meio mal feita e, sei lá, um ziriguidum que não se trabalha; se nasce, se é. Imagino essa gente sensacional com o cabelo ressecado saindo da água do mar, sabe? Usando pijama de bichinho, pantufa pra ir na padaria, zero sensual na hora da foto? Então.  No meu clichê mental, as mulheres maravilhosas até são vaidosas, mas nunca, jamais, neuróticas. E como isso é difícil no mundo de hoje, não é? Somos praticamente movidas pela neurose de estar na moda, de estar mais magra, de estar sempre lindas. Talvez, todas nós nasçamos sensacionais e nem nos damos conta disso.

Ser uma mulher interessante virou sinônimo de ser um pouco paranoica – seja quanto à celulite, o cabelo, à maquiagem ou qualquer outra coisa que nos desassossegue. E ainda estou tentando entender por que (ou por quem) nos esforçamos tanto por estar impecáveis. Se não for única e exclusivamente por nós mesmas, não vale a pena.

Querida leitora, essa é minha dica: relaxa na bolacha. Se os seres humanos memoráveis são esses desencanadões aí, sejamos mais livres. Let it be para conseguir conquistar o mundo.

Quem sabe assim a gente recupera a tal da espontaneidade que cativa? E resgata alguma coisa que perdeu nesse processo de busca por si mesmo?

Seríamos bem mais felizes. Não tenho dúvidas.

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deixe para trás.

A verdade é que a gente escolhe ser feliz. E que a felicidade, sinto informar, é um pouco egoísta.

Não dá pra ser feliz e continuar a cultivar o que a gente não ama mais. Seja no trabalho, seja na família ou na vida a dois. Não dá para querer ser feliz e agradar os outros. Felicidade é única, pessoal e intransferível, que nem impressão digital. Que nem bunda. Você pode até admirar a da outra, mas tem que investir mesmo é na sua.

Ninguém pode tomar decisões difíceis pela gente, ninguém pode obrigar o outro a ficar ou a suportar essa ou aquela situação ruim no nosso lugar. Ninguém pode engolir os nossos sapos, nem saborear os nossos amargores, infelizmente. E ainda assim, sempre sobra um pouquinho de dor pro outro. Práquele que não tem relação direta com a nossa vida, mas que já está lá. Disposto. Sendo altamente influenciado por aquilo que a gente faz.

Quando se escolhe um determinado caminho é preciso abrir mão de toda uma cadeia de acontecimentos que se sucedem, bons ou ruins. Se um namoro acabou por falta de amor (ou excesso dele) temos a família alheia pra encarar. Às vezes pra aguentar, outras para ainda tentar impressionar; pra que àquela magia do que um dia foi – e hoje já não é mais – não se perca. Uma pena que não exista essa possibilidade. Quem agrada dois senhores não agrada nenhum. Ou pior: acaba por desagradar a si mesmo, o maior afetado da coisa toda. Quem, realmente, importa.

Sabe aquele lance de amar a si mesmo em primeiro lugar? Entra nessa hora. O quanto antes nos desfizermos das nossas amarras, libertarmos a nós mesmos (e os outros) dos nossos fantasmas do passado, melhor. Se é pra frente que se anda, não há sentido em olhar para trás. Não há, aliás, chance de sermos outra coisa quando ainda vivemos das sombras do que não nos faz satisfaz. Se você chama as coisas ruins, tem que estar disposto, também, a lidar com elas. Com as assombrações que você mesmo não tratou de exuzar.

Não dá para prosseguir sem desapegar. Não dá para evoluir sem sofrer.

Como tudo na vida, as coisas ruins também passam. E com as atitudes corretas, uma dose de paciência e muita fé no hoje, muito mais rápido.

Se é para viver um grande, novo e verdadeiro amor, que seja por completo. Porque pela metade já basta o que não nos cabe mais. E isso a gente doa, vende, troca, sejam as roupas, os objetos ou aquilo que a gente tem de mais frágil dentro da gente: os sentimentos. E esses, às vezes, se esgotam.

Cuidem bem de 2014. E que venham vidas inteiramente novas para vocês.

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domingo.

Que coisa chata é a companhia da gente. Nosso próprio tempero, nossos pensamentos, o som da nossa própria voz. Que coisa cansativa é não ter com quem compartilhar uma boa ideia, ser obrigada a guardar aquela frase incrível, de um livro mais sensacional ainda, para um outro dia, para nós mesmos, para coisíssima nenhuma.

Que perturbador é perceber-se sem ter o que fazer. Sem vontade nem de ver um filminho, de pijama o dia todo, contando os minutos para que um minuto se passe.

Que entediante é estar sozinho. Não solteiro, não sem namorado ou sem um grande amor, digo sozinho sem ninguém, sem contato humano, sem telefone celular, internet, sem a menor noção do que se passa lá fora.

Porque aqui dentro, sem dúvida, é puro tédio.

Que dureza é ter que ouvir nosso silêncio. Voltar-se para dentro sem poder fugir, sem ter ninguém para reclamar, chorar, comentar, sorrir. Que chatos somos nós mesmos quando precisamos nos encarar.

Que decepção é perceber que sabemos lidar com todo o tipo de gente.

Menos com quem a gente é.

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semana a semana.

Desisti de fazer planos à longo prazo. Sei que essa pode não ser exatamente a melhor maneira de viver para alguns, mas ficava tão frustrada por não conseguir fazer aquela viagem ou por não ter juntado dinheiro suficiente para a máquina de lavar que decidi fazer das minhas semanas, dia-a-dia, um pouquinho melhores.

Desisti de fazer planos à longo prazo porque não conseguia enxergar o que acontecia, à curto prazo, de bacana na minha vida. E acho que isso acontece com todo mundo, vez ou outra, quando estamos muito focados naquilo que queremos – e não naquilo que temos hoje.

Estou cansada de ouvir das pessoas ao meu redor que nada na vida delas dá certo. Isso é impossível. Podemos não estar plenamente satisfeitos com o trabalho, com o amor, com o tempo que temos para dormir ou com a nossa conta bancária e alguns fatores são realmente responsáveis por nos fazer miseráveis, eu sei – mas não para sempre. Você pode dizer que teve um dia de merda, uma semana de merda, mas não pode falar que a sua vida inteira, desde 200_ tem sido uma porcaria. Porque, sejamos honestos, não  tem sido. Você só está fortemente sugestionado a acreditar nisso.

Tente viver um dia de cada vez. Tente ter pequenos e bons momentos de alegria durante a sua semana, não fique torcendo pra que o tempo passe rapidamente só pra dormir até tarde no sábado. Não vale a pena. Sábados e domingos são sempre muito curtos pra gente ser feliz. E se por isso odiarmos as segundas, naturalmente, começaremos a sofrer pela vida que ainda nem começou.

Almoce num lugar bacana, dê boas risadas com as pessoas do trabalho. Tome uma cervejinha com os amigos em plena quinta-feira, saia para jantar com alguém especial na terça. Esteja disponível para livrar-se da rotina, vá a um mercado diferente, saia mais tarde e pegue carona, compre pão de chia, de grãos integrais, de semente de girassol. Compre algo que você nunca experimentou, prove e corra o risco de adorar.

Decida fazer academia, correr na esteira, comece uma dieta, fracasse, tente tudo de novo. As melhores coisas da vida não acontecem de uma vez, nem as piores se você quer saber mesmo a verdade. Então prefira colecionar aquilo que aconteceu de bom, perca o hábito de reclamar.

Acho que comparamos tanto a nossa vida com a alheia que nada, nunca, está realmente bom. Essa superexposição das viagens dos sonhos, do corpo, das compras do mês e de tantas outras coisas acaba com os nosso parâmetros, com aquilo que realmente importa.

E se a gente não tomar cuidado, se pega desejando uma vida que não é real. Nem pra quem a expõe.

Comecemos então, desde o final ensolarado dessa longa semana de trabalhos e dessabores, a sermos leves.

Tenho certeza que seremos capazes de flutuar.

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atração fatal.

Como diria o poeta: quer atrair alguém? Arrume um namorado.

Durante muito tempo achei esse pensamento a coisa mais ridícula de todos os tempos, admito. Não sei se é porque estou ficando velha ou descrente demais na melhoria dos seres humanos, mas de um tempo pra cá, isso tem feito um certo sentido. Entre mortos, feridos e magoados, uma coisa é certa: o número de cornos/traídos por metro quadrado está aumentando progressivamente.

A grama do vizinho é sempre mais verde. A mulher do outro, mais gostosa. A vida alheia, com menos problemas, mais divertida, e coisa e tal… Não é verdade? Essa máxima só não funciona para aqueles que se comparam com quem REALMENTE está na pior, o que é terrível. Se é pra nos compararmos, que seja com o que sabemos existir de melhor. Pra evoluir.

Vejo casais se separando com mais frequência agora que nos meus primeiros anos de blog e se rearranjando de formas estranhas. Mães com os namorados das filhas, amigos com ex-esposas de seus amigos, enfim, sabemos que no jogo do amor não é fácil encontrar um chinelo velho pra um pé cansado, mas o pessoal tá apelando pra segunda mão. Não que isso seja errado ou que não possa existir amor verdadeiro entre essas pessoas, não é isso que quero dizer. Mas sabe, não sei quanto a vocês, mas na minha cabeça sempre fica uma pulguinha atrás da orelha: esse amor todo que surgiu aconteceu antes ou depois da separação dos antigos casais? Desde quando existe o interesse entre essas pessoas?

Sei que não deveria, mas acho que tudo ficou mais problemático com a popularização da internet. O processo mental ocasionado pelas redes digitais afeta gregos, troianos, mães de família e solteirões à procura, pode crer. E parece que assim acontece também com aquele casal feliz e bem resolvido que você conhece. Se a propaganda é boa, “as mina pira” e aumenta a curiosidade em saber o que é que a baiana tem, se é que vocês me entendem.

Os demônios se despertam.

Quanto mais colocamos nossa vida em evidência nas redes, mais estamos atraindo coisas boas e ruins e precisamos saber lidar com isso. Não que a internet seja culpada, mas é uma das razões capazes de unir (e separar) pessoas bacanas.

Cuidado.

A felicidade silenciosa é sempre mais sincera e segura que a declarada. É preciso (MESMO) saber viver.

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é só questão de ser.

É preciso desencanar para ser feliz. Esquecer das contas que vão vencer no final do mês, dos quilos a mais e do chefe sem graça. Quem foi que disse que ser adulto é perder todos os prazeres da vida? Ria dos próprios tombos e pare de se preocupar em agradar os outros o tempo inteiro. O cliente não gostou? A gente refaz. O professor deu nota vermelha? Na próxima dá pra recuperar. O carro quebrou? Parcela e conserta. A chuva torrencial cai e seca. Pra tudo há solução.

Não entendo quem vive sempre com gravidade, como se estivéssemos perto do Apocalipse. Essa urgência por terminar o relatório, essa urgência pelos resultados, por dinheiro, pelo futuro. Não temos mesmo o pode de acelerar nada, porque insistir?

Desejo a você doses finitas de felicidade memorável, porque gente alegre o tempo inteiro é irritante. Poucos e bons amigos no bar e muitas horas de sono. Cheiro de chuva com pipoca, guaraná e um filme bacana pra assistir de pijama, jogado no sofá. Doce de leite. Chá gelado. Banho de cachoeira, risada de criança e alguma aventura inconsequente, pra apimentar.  Não seja sério o tempo todo, sensato o tempo todo, racional o tempo todo.

Cansa.

Não tente corrigir-se, programar-se, planear-se, prever, rever, reviver, deixar de viver. Mas também não perca a responsabilidade. Dá pra contrabalancear. Deixe a vida ir um pouco, sem crises, com cheiro de laranja lima. Maturidade exige mesmo suas crises e é por isso que tem gente por aí levando a vida com gosto de banana verde, falta um tempinho maior pra absorver aquela parte que aperta na língua e evoluir.

A felicidade é breve, já cansei de dizer. Mas ninguém disse que não pode ser constante.

Texto criado para a tag Seu texto no blog, do Garotas Dizem – http://www.garotasdizem.com/

 

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