Dias de verão…

A avenida da praia parecia o deserto do Saara. Entre as ondas de calor vindas do asfalto on fire passavam pedestres, banhistas e motoqueiros alucinados por entre os carros.
A gritaria chamou minha atenção. No ponto de ônibus lotado uma mulher alucinada disparava barbaridades sem fim. Comecei a ouvir também. O motoqueiro olhava para os lados nervoso, obviamente procurando um buraco para o outro lado do planeta, bem longe daquele auê. A multidão foi ficando tão maior que até o balconista da padaria e o moço que consertava a fiação da TV à cabo pararam pra ver.
Ela gesticulava frenéticamente, jogou o capacete no chão, pegou o capacete, amassou alguns papéis, cuspiu na cara dele e nada. Ele continuava inerte, com o restinho da dignidade que ainda lhe restava.
Os motoristas, emparelhados, começaram a comentar. A mulher foi ficando vermelha, falou em gravidez, falou em traição, falou da mae, da sogra, falou da lua de mel em Ilhéus, do sonho da casa própria, da loira vadia de vinte e poucos anos, até da festa de formatura da faculdade ela falou.
Chegou a polícia, chegaram os bombeiros, chegaram os caras da CET. Ninguém teve coragem de fazer nada.
Ela falou em se matar, empurrou ele da moto. Ele caiu, mas não fraquejou. O sinal abriu, os carros emparelhados foram obrigados a circular e a minha curiosidade seguiu o fluxo. O circo armado continuou lá.

Com certeza, ela sofre até agora.

Continue Reading

Tédio e solteirice…

Não, eu não estou em depresão… Rs…
Estar solteira tem muitas vantagens, claro, mas também muitas desvantagens.
De repente você não tem mais ninguém pra dar boa noite, as mensagens recebidas no celular são só da operadora e os programas de índio ficam sem companhia fixa.
Falta um sabor na vida, o famoso frio na barriga. Chega a ser insuportável.
E mais insuportável ainda é pensar nos possíveis pretendentes (quando se tem pretendentes) e perceber que eles não dão a mínima pra você. Nos finais de semana eles vem cheios de graça, mas nos 15 dias seguintes nem lembram da sua existência.

Gostar de alguém é gradativo, é complicado, é cansativo e totalmente necessário. Acho excelente poder dividir pensamentos, medos, alegrias. Acho fundamental dividir.

E sinceramente ando carente de divisões, viver sozinha é entediante. Será que eles, assim como eu, pensam que viver comigo também deva ser… Sem graça?

Continue Reading

Emocionalmente míope

Não podemos evitar as expectativas. Quando a gente menos espera elas estão lá, insistindo dentro da gente para serem realizadas com uma urgência de enlouquecer até os mais preparados.

Depois de muito tempo sem ter vontade de escrever, minha criatividade continua zerada. Essa é uma das poucas vezes que não consigo crair um bom texto mesmo infeliz: as frustrações são um verdadeiro combustível para as palavras. Talvez, tenha passado tanto tempo chateda que não consigo dar a volta por cima, os últimos quatro anos realmente deixaram a desejar.

Uma vez me disseram que a alegria é uma coisa passageira. O que deve durar é o contentamento, esse é o estado de espírito. É quando mesmo diante de toda a adversidade conseguimos enxergar o lado bom e nos alegrarmos com ele. É entender que tudo tem um por que, mesmo quando está ruim.

Talvez eu precise  aumentar o grau dos meus óculos para começar a enxergar algumas coisas melhor.

Continue Reading

Desabafo comum

Gosto de dar conselhos, mas em relação a minha própria vida sou um poço de indecisão. Não sei se vou, se fico, se trabalho, se junto dinheiro e gasto, se viajo, se tiro minha carta de motorista em São Paulo, se tiro em Santos, se espero pra tirar quando arranjar um emprego, se como pizza ou lasanha, se vou no médico durante às férias, se respondo as mil trezentas e quarenta e três mensagens diárias que a minha mãe manda, se leio o TGI, se finjo que ele não existe até terça-feira que vem, se como batata recheada com requeijão apesar de não ter 20 reais sobrando para futilidades… UFA!

Acho que preciso de pessoas para conversar.

Continue Reading

Queimem as meias brancas!

Para ler ouvindo:

http://www.youtube.com/watch?v=jQ_ExkfcBao

Não sou nenhuma expert em moda, okay? Mas essa não pude deixar passar. Voltando para Santos, sentei ao lado de um carinha que, definitivamente, incomodou. Como o mundo está cheio de gente com um baixo teor de consciência fashion, o sujeito ia passar batido do meu registro mental de cafonices imperdoáveis, quando, de repente, um pecado terrivel: elas estavam lá. As meias esportivas brancas, caneladas, grossas, acompanhadas do bom, velho e clássico SAPATO DE COURO PRETO. Chorei.

POR QUE DEUS? POR QUE?

Poderia culpar o Michael Jackson e os malditos anos 80 por esse despautério, poderia dizer que a moda vai e vem, que cada um merece escolher o seu estilo, mas não era possível que este senhor não tivesse uma alma boa em casa para dizer como é feio e completamente proibido usar calça social + sapato de couro + meia esportiva. UÓ absoluto. Não deu, pessoal, não foi dessa vez. Precisei escrever este post manifestando minha indignação. Até mesmo o Michael abandonou essa modinha com o passar do tempo, de verdade, de coração, honestamente mesmo.

Anos 80 são cool. Meia branca com sapato social, jámaz.

 

Continue Reading

Mil caras

As ruas de Higienópolis sempre estão cheias na hora do almoço. O vaivém de carros, estudantes e profissionais torna o bairro mais animado no período de aulas e também muito interessante de analisar. Na rua larga, com uma banca de esquina, sempre ficam os jovens endinheirados rebeldes, fumando seus cigarros sabor hortelã e comentando sobre a mais nova (ou mais velha) tatuagem adquirida. Os estudantes de faculdade ora sobem, ora descem pela ladeira mais próxima rumo ao metrô: é preciso ser profissional para quebrar a maré e partir para a Maria Antônia onde o formigueiro realmente se instala. Ao meio dia, surgem camelôs bolivianos-chilenos-índios com bolsas e assessórios femininos super faturados de encher os olhos de lágrimas; esses sim sabem escolher belos produtos. Os funcionários das lojas de calçados, em bando, sempre se reúnem no carrinho do melhor yakissoba sujo de São Paulo e nessa hora até o elitizado Pão de Açúcar fica lotado: todo mundo quer comprar uma Coca 2 litros pra acompanhar.

No meu caminho de volta passo mais uma vez pela rua da banca dos rebeldes, só que do outro lado. Alguns pais esperam em suas Land Rovers blindadas seus comportados pupilos com cara de poucos amigos e pouco tempo, alheios ao cheiro de maconha evidente vindo da calçada ao lado. E são esses que não entendem o por que da juventude ser assim.

Em um prédio mais a frente reparo num velhinho que está na janela pela 5ª ou 6ª vez consecutiva na semana. Com os braços apoiados no parapeito olhava atentamente o movimento como se aquele fosse o mais perto que pudesse estar do mundo real. Pensei em cumprimentá-lo, mas me contive. Cumprimentar desconhecidos anda meio fora de moda e eu fiquei tímida, confesso. Uns metros à frente olhei para trás e ele ainda estava lá, absorvendo uma Higienópolis talvez muito diferente dos tempos em que ele circulava pelas ruas. Ou talvez, assustadoramente igual.

Continue Reading

Como chegar?

eu-e-martinha

Acabei de receber a ligação da minha melhor amiga dizendo que passou no processo seletivo que tanto desejava; dei pulos de alegria. Em primeiro lugar porque depois de quatro anos morando em cidades distintas voltaremos a nos encontrar com uma certa frequência e em segundo porque não existe nada melhor do que realizar sonhos. Essa amiga também ficou noiva recentemente, então 2008 não poderia ser um ano melhor para ela.

Quando o final de ano se aproxima eu me torno mais reflexiva. O espírito de Natal toma conta de mim, mas mais ainda o de ano novo. É até meio loucura achar que a partir da meia noite do dia 31 existe uma nova vida, cheia de oportunidades e tempo para as coisas não concretizadas nos anos passados… É bom ter esperança nas coisas, mesmo que um esperança falsa, efêmera. Quando a gente não sabe direito como caminhar para o emprego dos sonhos, para a viagem ao exterior, para a carta de motorista e tantos outros pequenos sonhos que no fundo, no fundo trazem uma realização do tamanho do mundo a gente se sente meio impotente, meio perdida. Nem lembro mais o gosto de boas expectativas, seria pessimismo da minha parte sentir um vazio-pré-formatura?

Continue Reading

Música pra pular brasileira

Vou dizer que as músicas sertanejas tem me inspirado. Não vale rir.

Nunca gostei muito de música ruim fora pagode e funk, que já compõem uma grande parte das coisas ruins que o Brasil produz.Talvez fosse melhor dizer que só não gostava de música sertaneja. Enfim…

Acho que porcaria também é cultura, indica uma tendência talvez, uma tendência que as pessoas tem de falar de coisas sérias numa linguagem simples, as dores de corno, os amores acabados, coisas que atingem os seres humanos ricos, pobres, preto, brancos… Uma raiz comum.

Quem nunca ouviu falar das mulheres fruta não tá vivendo nesse planeta. Quem não acha a música tema da Claudia Ohana na novela “A Favorita” o máximo tá demorando muito pra baixar…Sério! Pode não ser da melhor qualidade, mas tem o seu valor tanto social quanto comercial. Se vende é porque talvez não seja lá tão podre assim.

Mas agora eu te digo: é possível contar nos dedos quem conhece Mallu Magalhães, e a menina é ótima! Teríamos que, talvez, banalizar as coisas cult’s?

Controversamente necessário.

Check it out >>

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=p6MHROta8aQ]

Continue Reading

Abandono

O abandono acontece quando as horas vazias do dia tornam-se cheias de coisas inúteis, porém, importantes. Dá pra entender?

Ligar, pesquisar, editar, escrever, cortar… Um grande problema quando a gente não tem inspiração. Até para as tarefas mais simples da vida a gente precisa ter paixão, se não, sei lá, não sai. Os dias andam passando lentamente ainda mais agora, no desemprego.

Andei enviando meus textos para alguns lugares que eu gostaria de trabalhar, mas até esses, que deveriam ser um maaaaarr de emoções, não são. Aliás, os meus melhores textos nunca foram escritos.

Assim sendo, meu blog anda vazio, como a minha vida. As coisas boas só tem sentido se acontecem em paralelo com as ruins, se não, a gente não dá valor.

Talvez eu ande complicando demais, querendo demais, sonhando demais. Mas por que raios que ia querer menos?

Continue Reading

Escrava da 25

Toda a mulher tem uma síndrome de riqueza, uma fissura incontrolável por comprar nem que sejam coisas baratinhas na 25 de março. Uma loucura.

Estou vivendo o mês desocupado mais ocupado da história. Tenho mil coisas pra fazer mas prefiro não fazer nada e fingir que meu cartão de débito é ilimitado ou que eu vou ganhar uma BOLADA no final desse mês. gasto comendo, gasto me locomovendo, gasto vestindo, gasto com assessorios esdrúxulos qu eu sei que não vou ter oportunidade de usar e aquilo que eu quero comprar MESMO ( tipo um lenço desses de modinha!) eu não compro porque acho caro.

Pobre metido a rico é uma desgraça. Pobre metido a rico que acha que tá economizando quando gasta  50 reais na 25 de março (descontrole) é pior ainda.

Alguém segura meus bolsos? Tô aceitando doações.

Continue Reading