Recalcada.

Entre todas as maravilhosidades que o funk neurótico fez pelo mundo (não me olhem com essa cara), a melhor delas, sem dúvida, foi ter trazido a palavra RECALQUE pra boca do povo. O recalque, fui pesquisar, é tão complexo para a psicanálise, que não consegui nem colocar em palavras leigas o que Freud queria dizer. Não entendi porra nenhuma, pra falar bem a verdade.

De qualquer maneira, para a massa brasileira, recalque é a mais pura e verdadeira demonstração de inveja – se é que pureza e verdade podem ser utilizadas para expressar tal sentimento. É falar mal da outra (ou do outro) por um puro sentimento de desejo, de estar ocupando o lugar do indivíduo tal, enfim, vocês entenderam. Creio que não era exatamente isso que o pai da psicanálise, queria explicitar quando utilizou tal terminologia, mas enfim, cá estamos, dando novos sentidos pras coisas e deixando a nossa língua muito mais interessante, vamo que vamo.

Todo esse discurso bonito era só pra dizer que: estou recalcadíssima ultimamente, no maior sentido Vaslekiano mesmo. É nega que tá lindíssima com o triplo da minha idade, que casou recentemente numa cerimônia de 30 milhões de reais, nego que tá de bar em bar comendo coxinha sem engordar uma grama e postando foto de balada doida TO-DO-O-DI-A, olha, juro. Minha timeline é o jardim das delícias pras recalcadas. A sua também é? Tem sempre aquela galerinha ganhando fortunas nesse 2015 sinistro de crise, fazendo viagens e mais viagens enquanto eu me bronzeio na tela do notebook mesmo, amigos, escrevendo, desenhando e seguindo a canção. Tá foda.

E você, caro leitor (a) não venha se excluir da onda de recalque que assola a humanidade desde o começo do mundo. Não venha querer me convencer que está resolvidíssima aí, ganhando meio salário mínimo, contando as parcelas da Renner e comendo alface na janta, porque eu sei que não está. OK. Mas VAMOS ENXERGAR O LADO CHEIO DO COPO? Um pouquinho de recalque pode fazer coisas incríveis pela sua vida – se você souber canalizar essa energia para o bem, é lógico.

Para finalmente fechar a boca e perder aquelas dobrinhas que te deixam infeliz. Ou, para aceitá-las e ser melhor que isso. Para juntar dinheiro, planejar esse ou aquele sonho que já se adia há anos por sempre ter “prioridades”. Para mudar o que sempre teve preguiça, ou  lutar por aquilo que almeja. Valeska ensinou, Valeska subiu na vida e hoje samba nas recalcadas. Quer maior case de sucesso que ela?

No mais, keep calm e (desculpa, Valeskinha!) mantenha o recal(quinho), baby. Se está fazendo aquilo que precisa para chegar onde quer, ótimo.

Com certeza, por aí, tem alguém recalcado por você. Basta reinar. 😉


 

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2 Comments

  1. Nossos feeds só mostram a edição dos melhores momentos da vida né? Acho que por isso o Snapchat tem feito sucesso; é vida real, a cara remelenta de manhã, as calçadas esburacadas a caminho do trabalho… Enfim.
    O importante é usar o recalque de catapulta pra conseguir coisas melhores para nós mesmas. 🙂

  2. Grande post Ericka,
    incrível incrível, que é exatamente o que este post é.
    Basta esperar para que minhas mãos sobre a minha cópia e têm uma longa amando ler.
    Muito obrigado.

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