precisamos falar sobre traição.

(para que as pessoas parem de se sentir diminuidas quando vivem isso).

As pessoas traem. Por uma série de motivos.

Poderia falar aqui de caráter, de valores, de predisposição ou de família. Poderia falar horas sobre como a traição é um ato egoísta ou de como somos responsáveis pelo outro quando estamos em um relacionamento – e que simplesmente nos deixamos levar por uma série de fatores que poderiam ser resolvidos a dois, mas, enfim, vou me ater ao óbvio: acontece.

Nas melhores famílias, com as mais tradicionais pessoas. Dói (acredite, para os dois lados), faz a gente perder a fé na humanidade. Mexe com a cabeça, com o bolso, com a lógica. Nos deixa sem chão até quando no fundo a gente já sabia.

Gostaria muito de fazer uma lista de indicativos que revelam quando seu marido/esposa/namorado (a) está enganando você, mas essa lista só existe com base na novela das 20h, porque na vida real não há razões exatas para uma traição, ainda que tenhamos essa tendência de justificar todas as coisas.

Queremos encontrar culpados. Nos culpamos, culpamos o outro, a outra, ficamos putos com o rumo das coisas. Nos vemos obrigados a perdoar e, no minuto seguinte a achar ultrajante qualquer ato misericordioso – a traição nem sempre acaba com o amor. Aliás, quase nunca.

Não, não é sinal de que um relacionamento vai mal, que o sexo está morno ou que a vida mudou com os filhos. Essas coisas fazem parte da vida, da nossa existência e se a gente não cultivar alguns pequenos rituais aqui e ali e estiver desatento ao que os nossos sentimentos se tornam – e que funcionam de forma diferente para cada casal – pode dar bosta. É isso.

Há pessoas que, simplesmente, não nasceram para ser monogâmicas, o que pode servir de consolo (e modo de vida) para muita, muita gente por aí. E há pessoas que cometeram deslizes. Que acabaram encantadas por uma vida que não era a que tinham “em casa”. Que fizeram das suas traições novos relacionamentos ou que se arrependeram profundamente do que fizeram.

Não há como julgar e sempre há muito a se perder, mas faz parte.

Já traí e já devo ter sido traída. Me questionei sobre todas essas coisas muitas vezes e a única conclusão que eu pude chegar é que as pessoas – e os relacionamentos – precisam ser sempre nutridos. Estimulados. Cuidados. Nada é definitivo e só se está com alguém porque se quer estar.

Que cada um valorize o que tem pelo tempo que tiver que durar, porque o poeta tem razão: sempre é eterno enquanto se vive.

 

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