O seu estilo de vida me incomoda (e eu não tenho nada a ver com isso).

Uma amiga veio me falar de outra amiga que tem um estilo de vida totalmente sem raízes. Viaja sem dinheiro nenhum, nunca pensou em comprar um apartamento e tudo o que ganha, gasta. Essa amiga não liga pra carro, não liga pra ter um lugar só dela, não liga se, amanhã, voltar e não tiver nada. Nadinha. Agora mesmo ela vive de seguro desemprego e está arrumando as malas para mais uma viagem de dar inveja aos olhos de quem vê as muitas fotos lindas espalhadas pelo Facebook. Confesso que morro de inveja desse estilo de vida despreocupado, mas, ao mesmo tempo, tenho palpitações em pensar em ter uma conduta 3% semelhante a dela.

Viver traz preocupações com as quais não sei lidar sem nenhum suporte – e, graças a Deus, não fui obrigada a aprender.

Essa minha amiga que contou dessa amiga estava cheia de questionamentos, e pormenores, e análises, e preconceitos. Como todo mundo. E enquanto falávamos sobre isso, percebemos que por mais que a vida dos outros não tenha nada a ver com a nossa e seja “desregrada”, “imoral” ou “bizarra”, com o perdão da palavra, foda-se. A gente nunca sabe onde o outro esteve, ou o que viveu. Não sabe por quais motivos essa pessoa se tornou o que é hoje e não sabe, definitivamente, como vai ser no dia de amanhã.

A vida do outro pode me incomodar à vontade, desde que eu a respeite. E isso se aplica para aquele seu amigo hippie, sua amiga trans, gay, o cara do inglês completamente bitolado religioso, o sujeitinho do Facebook que prega a pena de morte ou a eleição do Malafaia para presidente (ok, fui além, mas vocês entenderam meu ponto de vista).

A vida de cada um é pessoal, intransferível e não tem preço. Faça da sua o que desejar e alegre-se com àquilo que faz o outro feliz. Se você não consegue suportar um maremoto de emoções sem limite, muitos amores, sabores, dores, sexos, não faça. E aprenda com o exemplo alheio.

Ganhamos muito mais quando somos empáticos que críticos e essa é a grande magia desse mundão de meu Deus: as diferenças.

Que bom que tem gente que consegue realizar os sonhos sem se prender a nada. Incluindo aqui, a opinião do vizinho.

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2 Comments

  1. Ericka, sua linda! Eu entro todo o santo dia no seu blog pra ver se tem post novo, confesso que fico até ansiosa, mas a espera sempre vale a pena.
    Queria muito ser assim, espírito livre. Hoje em dia, devido a algumas perdas que sofri, eu me considero menos apegada às “seguranças” da vida, tento viver mais um dia de cada vez e dou menos importância ao que vai acontecer no futuro, não fico me torturando com a ideia de que preciso comprar um apartamento, viajar o mundo ou fazer um mestrado, sabe?
    A verdade é que se você se sente muito incomodado com o estilo de vida do outro é porque está insatisfeito com o seu. Caso contrário você estaria muito mais preocupado em viver a sua vida ( que pode ser incrível ) do que em ficar analisando a vida do outro (até porque isso leva tempo, recurso precioso nowadays!). Digo isso por experiência própria, todas as vezes que eu percebo que estou passando mais tempo pensando na vida do outro do que na minha já sei que tenho que trabalhar algumas coisas em mim mesma!
    Obrigada pelo lindo post!!!!! <3
    😉

  2. A gente já está tão condicionado com certos padrões sociais / culturais de felicidade que é difícil se libertar logo de cara ao se deparar com realidades diferentes. Mas aí entra a empatia e, aos poucos, a gente derruba essas barreiras invisíveis de pré-conceitos e fica apenas feliz pelo outro estar vivendo do jeito que mais lhe convêm =)

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