sobre a internet e suas chatices.

Olha só, eu amo a internet. Passo horas lendo e produzindo conteúdo para os meus clientes, passo horas tentando entender melhor o que se passa na cabeça dos usuários – e como prever seus possíveis engajamentos e gostos – e  poderia ficar HORAS discutindo acerca do quanto a internet é maravilhosa (e dinâmica), se qualquer pessoa me questionasse sobre isso num ponto de ônibus, na fila do pão ou em um brainstorming na firma. Mas, olha só que coisa louca: estou profundamente de saco cheio da internet (e das pessoas que se acham profundamente conhecedoras sobre ela).

NÃO EXISTE, ao meu ver, profissional nenhum que saiba tudo. De nada, aliás. Se você se diz um mestre em ciências digitais, já está completamente fadado ao fracasso – visto que não se pode conhecer profundamente aquilo que é, e não é,  o tempo todo – ficou esquisito? Algo que muda tão rápido que não pode ser definido, ou analisado em sua totalidade, sei lá, absorvido por completo. O que hoje é hype, amanhã é brega (aliás, hype já se tornou uma palavra brega). O que era tendência semana passada, já passou, cansou, saturou. Já não se faz mais assim, já não é mais essa a fórmula para o sucesso. Aliás, o sucesso, gente, é extremamente relativo quando falamos de internet,de gente, quando falamos dos 8 bilhões de universos (para não dizer trilhões) que existem aqui dentro  da WWW – e a gente tem consciência de no MÁXIMO 10.

Acho ótima essa coisa de todo mundo ter acesso a tudo. Mas acho lástimável todo mundo achar que conhece de tudo. Porque não dá. Se fosse assim, dava pra ser meio médico, meio cientista político e chefe de cozinha nas horas vagas. Né? Num tem como não.

Veja bem, manjo NADA de métricas. Sei o básico. Sei aquilo que é preciso  para fazer uma estratégia simples, para analisar se o que eu faço está fazendo sentido para o público. Sou capaz de dar um retorno em relação ao investimento do cliente de forma superficial. E só. E tá tudo certo. Esse não é meu foco de vida, embora todo e qualquer  conhecimento não ocupe espaço, e sei que preciso profundamente dos caras que são mestres nesse setor. Isso não faz de mim uma profissional menor. Nem de ninguém melhor.

Ser comunicador é saber estar e fazer parte de um time, é ter um cara FERA em programação, outro em design, outro em análise profunda de dados, outro que saiba indexar sua marca maravilhosamente bem no Google, é COMPLEXO PRA DANAR. É humanamente impossível  tratar de Ciências Humanas em sua completude, por mais que todo o comunicador que se preze seja um profundo curioso em relação à tudo.

Nesse contexto, de forma bem resumida e nada teórica, ser blogueiro anda chato pra cacete.  É muito MI MI MI sobre as coisas. Muita gente ruim ganhando uma grana preta por um trabalho medíocre  – ou por um trabalho copiado, pior ainda. Muita empresa grande e confiável investindo nisso. Dá tristeza, dá pena, dá ranso de um setor que tem tudo pra ser magnífico, mas que acaba mal utilizado.

E é isso gente. Por isso não tenho blogado tanto como sempre, tanto como gostaria, tanto como deveria, talvez.

Enquanto eu observo a zueira que se tornou a internet – no sentido não bacana da coisa – continuo pensando em jeitos diferentes de reinventar quase tudo; e fazer as coisas de um modo mais original e interessante pra ver se a coisa engata, se as pessoas se inspiram, se a maré muda.

Por hora, melhor o silêncio. E os posts de desabafo que nos ajudam a recomeçar.

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5 Comments

  1. Também tenho sentido que a internet anda muito chata, e que as pessoas andam muito cheias das razões. Sei que é difícil, mas acho que relevar é uma boa solução, além de manter o seu blog, que é maravilhoso, atualizado pra aliviar todo esse mimimi :B

    Beijos, sua linda!

  2. Ericka, eu tenho cada vez mais visto por esse ângulo, tá foda. Mas penso como você: sigo fazendo a minha parte, já que meu objetivo é outro.
    E concordo com você sobre o fato de ser impossível a pessoa manjar tudo, sabe pq? Pq a internet é feita de pessoas, e elas mudam o tem-po-to-do. É uma loucura.

    Vamos seguindo, né? Mas postei outro dia que ando sentindo saudade de me fechar num mundinho só do blog (minha grande e eterna paixão) e distanciar um pouco das redes sociais pq tá foda.

    Um bj,
    Re

  3. Acho que as pessoas estão tão focadas nos seus 15 minutos de fama que esquecem o que realmente importa: criar conteúdo. Pode fazer o layout mais rico, pode ser dono de comunidade gigante, pode ser pseudo-famoso nas redes sociais. Mas qual o ponto de manter essa pose de “donos da internet / blogosfera” se na hora de olhar o que a pessoa tem produzido, não tem… nada?
    Sinceramente, sinto que os valores estão invertidos. Mas sigo postando sobre as besteiras do meu dia-a-dia, não por público, mas por mim mesma. Faz bem ter um espacinho para desabafar.

  4. Ericka sua linda!
    Acabei de chegar aqui e já estou me sentindo em casa, que blog maravilhoso, que conversa boa, franca, como eu demorei tanto pra descobrir você?! Estou me identificando com T-U-D-O.
    Parabéns menina, seu trabalho é incrível!

  5. tô amando teus textos, digamos, um pouco mais corporativos HAHAHAHA <3

    quanto tempo não dou uma "descansada" nesses blogs honestos como o teu. me perdoa? 🙂 beijo!

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