sobre perder a linha.

Ontem, bem ontem, na véspera da sexta-feira santa, tirei o dia pra fazer tudo meio torto. Mas de início, não era a intenção. É incrível o que as decepções fazem com as pessoas.

Nunca fui muito da noite. Num sou dessas de beber muito, de pegar geral nas pistas, de desfilar com decote e sainha pra aumentar a auto-estima e causar furor pelas ruas santistas, embora tenha desejado inúmeras vezes ser. Os caras que eu já beijei, no auge dos meus 22 anos, eu consigo contar nos dedos. Lembro nome, sobrenome e falo com 90% deles quase todos os dias. Sou uma garota de namoros e romances, de uma estabilidade (ou não…) entediante. Eu já sou toda desandada dentro de mim, pelo menos andar na linha eu tinha que andar.

Ontem lembrei que essa coisa de ser xavecada no meio da balada é uma delícia. Essa coisa de dançar até o chão também. E beber um pouco mais da conta, perder um pouquinho a linha…Olha…Renovador. Mas é claro que eu tenho que colocar o amor no meio de tudo, é claro que eu tenho que analisar a noite (manhã de hoje) com olhos de gente velha, com romance e tudo mais. Tiazona calculista, foi nisso que o jornalismo precocemente me tornou.

Enfim…

Aos 17 anos temos MEIA malícia, o que é ótimo. Ainda não nos apaixonamos muito, não sofremos muito, não bebemos muito e não trepamos nada. Ou coisa pouca de tudo isso. Não temos muita noção de vida real, estamos entrando na faculdade e talz, época de muitas descobertas, muita gente filha da puta junta e muita gente bacana também.  Eu ainda num sei muitas coisas, mas fiquei me perguntando até que ponto é bom SABER sobre as pessoas. É tudo muito podre no mundo real.

A juventude anda com uns valores muito errados. É bonito ser perdido, bater o Audi do papai aos 17, bêbado, com 5 amigos. É bonito passar o rodo na mulecada, pegar geral e se envolver bem pouco. Envolver-se, aliás, em qualquer geração, é sempre doloroso. É bonito falar palavrão, dançar funk neurótico e perder a linha no batidão. Esse último item, é engraçado de ver.

Fiquei fazendo uma análise de como eu era, como eu sou e como eu nunca fui olhando toda aquela molecadinha junta, quantas dúvidas, quanta pose, quanta falta de personalidade. Com o tempo alguns valores mudam, outros não. Com o tempo alguns assuntos mudam, outros não. Com o tempo ou você evolui, ou não. E evoluir é sempre meio decepcionante, porque até chegar nesse nível muita cagada já foi feita.

Eu ri, eu me diverti, eu conheci muita gente interessante na noite de ontem. Talvez eu esteja precisando mesmo lembrar de como é bom não ter nenhuma (ou quase nenhuma) responsabilidade.

E quem quiser me ligar, já estou pronta pra outra.

Obrigada por tudo, Lê.

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2 Comments

  1. Isso aí, girl! Te entendo COMPLETAMENTE e, pelo jeito como você se descreveu, descreveu a mim também. E é importante fazer essas cagadas e quebrar a cara. Senão, como vamos amadurecer, né?
    Beijos!

  2. Aeee ! ahuahuahuau de volta as pista .. era isso q vc precisava, afinal n é nd legal ficar em casa relembrando do passado, enquanto o mundo gira… nao é dona ericka??? E que venham muuuuuuuuitos fds como esses !! ahahaha
    beijoooooookas ;D

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