sobre as cartas – e suas vantagens.

Ninguém perguntou minha opinião, mas fod**-se, esse é meu blog e eu posso falar o que eu quiser (e você aí também).

Adoro escrever cartas. Carta mesmo, do próprio punho, saída de dentro da minha cabeça pra ponta da caneta BIC. Ou bilhetes, mini notas, qualquer coisa que esteja mais próxima da vida real que um e-mail. Que um comentário no feice. Que 150 caracteres de piadinha pronta no twipster.

Vocês também deveriam escrever mais pra quem importa.

Acho que as cartas te dão tempo para refletir sobre seus pensamentos, sobre o que sentimos. Se você escreve e posta, CATAPLOFT, já tá lá, feito, registrado, talvez não exatamente como deveria, como você queria. Quando você escreve no método analógico, old school, não. Você erra. Você passa a mão em cima da tinta fresca e caga todo o papel. Daí tem que fazer tudo de novo e vai mudando o que não estava tão bom. Você marca a folha com lágrima, com chocolate, você senta em cima da carta na cama e amassa todo o papel. Engordura a bordinha com manteiga e geléia. Na carta você pode espirrar perfume, pode escrever com mão de cândida porque estava dando um trato no quintal. Cartas são guardáveis, palpáveis, sólidas, armazenáveis.

Carta você pode rasgar quando tiver raiva, pode tentar colar de novo; nada no papel se perde pra sempre, de uma vez só.

Quando se escreve uma carta se dedica um tempo de vida, uma fração do que se é para o outro. Cartas são demonstrações de amor, gente. São memórias que às vezes nos traem quando nem nos reconhecemos ao ler àquilo tudo.

Na dúvida, escreva.

No mínimo, vai aliviar o que se sente.

 

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5 Comments

  1. Ah, as cartas e bilhetinhos!!! <3
    Tbm gosto muito, mas confesso que prefiro minha agilidade no teclado… Deve ter quase uns 10 anos q não escrevo carta, mas sempre escrevo mini-bilhetinhos pros amigos e amores. Gostaria de receber alguns tbm… hehehehehe
    "Quando se escreve uma carta se dedica um tempo de vida, uma fração do que se é para o outro." – perfeito!
    Beijos!

  2. Faz tempo que não faço carta a mão. Mas sempre gostei bastante, fosse pros outros ou pra mim mesma. Tenho a sensação que algumas coisas só se tornam reais depois de escritas ali, num pedaço de papel que qualquer um pode ver e que enquanto as escrevemos o mundo gira um pouco mais devagar, sei lá. Também sempre guardei as que recebi, ainda tenho todas as que trocava com as amigas da escola lá pelos meus 14/15 anos. Além disso, era muito mais foda enviar pelo correio pra ter a emoção do ‘quando iria chegar’.
    =*

  3. Te confessar uma coisa: eu tenho uma pastinha que guardo quando em enviam bilhetinhos. Quando é só um presente, guardo um pedaço do envelope, da embalagem (geralmente a que tá o endereço da pessoa, pq quero fazer essa “troca” tbm). Uma espécie de inventário, rs.

    Adorei, e teu post me motivou a escrever mais!

    Um beijo,
    Re

  4. Que saudade da época das cartas! Hoje não tenho mais pra quem enviar ;~~ aliás, até tenho… mas quem vai gastar com selo quando pode mandar um recado no Face? Modernidades com lados bons e ruins.. :/ Mas quem quiser me enviar uma cartinha, cartão postal… to recebendo!! <3

    ps: adorei a foto do post, bem vintage.

  5. Menina, eu AMO muito escrever e receber cartinhas. Nesse mundão em que a única coisa que a gente recebe pelo correio é conta pra pagar e propaganda de mercantil (e agora, de eleição ¬¬), receber uma cartinha é ter sorriso garantido pro resto do dia. <3

    Confesso que não tenho a menor paciência pra essas redes sociais e pra esses imediatismos todos, e quando você fala com um amigo, dá a impressão de que ele tá mais longe que perto. Eu, hein. A cartinha tem a letra da pessoa, tem a pressão que ela colocou e os deslizes que cometeu, as vezes que ultrapassou as linhas e margens, a maneira como dobrou o papel… É mágico. <3

    *a cada post que leio por aqui, me identifico mais contigo :~

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