O Pão Nosso de Cada Dia*

Ser adulto é muito chato. Mais chato que ligar pra call center de domingo, pior que picada de inseto embaixo do dedinho do pé. Essa coisa de ter responsabilidade e conta pra pagar era tão mais nobre na teoria, quando a roupa não acumulava na área de serviço e não tinha nenhuma louça suja na pia… Ou quando dormíamos de 12 à 14 horas e ainda tínhamos a indecência de reclamar de sono.

A cada geração sinto que os jovens estão menos preparados para ser adultos, talvez porque viver para o futuro é algo que aprendemos a lidar eu ambiente ideal, no conforto da casa dos nossos pais. Nessa época, nossa maior preocupação é passar no vestibular, conquistar o paquera ou comprar uma calça jeans. Ninguém disse que ia ser tão difícil e cansativo trabalhar e estudar, e nada foi falado sobre perder os finais de semana tentando resolver o resto da vida pessoal.

Aliás, que vida pessoal, não é mesmo? Recorde quantas festas você ia lá pelos seus 15 anos e compare com a sua realidade hoje. Quantos não foram os vestidos, penteados, sandálias e maquiagens que você investiu achando que aqueles eventos eram o que havia de mais importante na vida? Tenho certeza que você sente vergonha de pelo menos 20% dos modelitos da época.

Pra quem é adolescente tudo é muito mais intenso. Não ir à festa é como morrer, brigar com os pais é suficiente pra fugir de casa e todo o relacionamento, sem exceção, é pra casar. Quando a gente tem 13 anos acha que é capaz de tudo, de virar engraxate ou de vender queijadinha no sinal, sem ter a menor noção do quanto custam de fato as coisas – e não só monetariamente falando. Quantas horas de estudo, de dedicação e de sorte serão necessárias para conquistar aquilo que deseja, para ser independente, livre e como cada ação influencia no nosso destino. E quem diria que esse tal de destino existia mesmo, hein? Aos 13 você achava que tudo depende única e exclusivamente das suas ações. Hoje, já percebeu que nem tudo, nem sempre, depende única e exclusivamente do nosso querer.

Sinto falta desse tempo em que tudo era mais leve, mas acho que não queria voltar atrás. Quanto maior o desafio, maior também são as alegrias. Não é?

Que seja, por favor.

* Nos idos de 2012, escrevia para um ilustre e delicioso blog chamado “Dona do Meu Nariz” – que, infelizmente, acabou acabando por falta de tempo das envolvidas. Resolvi republicar alguns textos escritos lá por aqui, afinal, recordar é preciso. =)

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1 Comment

  1. tô no fim da adolescência (18) ,há um pé de ser considerada adulta oficialmente, e já sinto um pouco de pressão. Só acho radical as pessoas esperarem que nos tornemos adultos do dia pro outro, sendo que sempre somos tratados como dependentes.
    É engraçado relembrar que um dia chegamos a chorar por rações bobas, por coisas inúteis, e de acharmos que nossa vida iria acabar pelo fato de ser rejeitada por algum carinha.
    Adorei o texto! Beijos

    http://sushibaiano.blogspot.com.br/

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