as desamarrações do amor.

Confesso que tenho uma imensa curiosidade em saber como funciona esse lance de trazer o amor de volta em sete dias (ou em três horas). Deve mesmo existir por aí um sem número de pessoas que, na hora do desespero, apela até pros deuses celtas, pros búzios e pro tarô, mergulha o Santo Antônio no leite morno, toma xixi, faz banho de arruda e dá início à reza mais forte que conseguir encontrar.

Uma pena que em vão.

Pode me chamar de cética, de descrente. Pode me chamar de mulher de pequena fé, mas além da morte e da vida, o amor é uma das coisas que menos temos o poder de controlar. Se perdemos tempo, se pisamos na bola, se negligenciarmos as coisas – ou fizermos tudo como manda o figurino – ainda assim, estamos sujeitos ao acaso. Ao acaso das desamarrações do amor.

Maior que o medo de perder um grande amor, sinceramente, é o de tentar prendê-lo a qualquer custo. Alguns nós, às vezes, são tão apertados que machucam. Melhor deixar a coisa desatar, se assim tiver que ser, que insistir pra que ela permaneça ali, sem opções de ir embora.

Sei também que é fácil falar assim, quando se está na zona de conforto. Não perdi meu grande amor, muito pelo contrário, ele está bem aqui, dentro do peito, quentinho, do outro lado da cama, onde deve mesmo estar. Quem sou eu, então, pra julgar àqueles que já não quiseram profundamente que as coisas voltassem a ter o sabor do começo, não é mesmo? Pensando no âmbito psicológico da coisa, creio que o esforço para retomar aquilo que um dia tivemos é uma das partes cruciais do desapego.

Sim, somos mesmo contraditórios pra dedéu.

Dos superpoderes que gostaria de ter, não queria, afinal, esse de amarrar os sentimentos alheios. Talvez o de voltar no tempo, talvez o de ser invisível, talvez o de apagar algumas memórias ruins – não sei, esses me parecem bons. E você, amante desesperado, apelão de mandingas, deveria começar a pensar assim.

Só se insiste nessa coisa de querer a todo custo o que já há muito se perdeu quem não consegue se moldar e conviver com o que muda, com o que vai e pode ser ainda melhor.

E estar vivo, meus jovens leitores, é mudar todos os dias. Mesmo que no começo (e talvez no meio), doa.

Desamarrar é mesmo difícil, mas depois alivia.

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5 Comments

  1. Esse ano tem sido disso, Ericka, de DESAPEGO pra mim. E esse seu texto veio num momento super oportuno 🙂
    Sempre dói se lançar no mundo em busca de novos amores, mas com certeza a gente fica menos amargo e mais esperto!
    Beijos!

  2. Ai, eu concordo plenamente com você. Também não consigo acreditar nessas ~magias~ pra conhecer a pessoa amada, acho que o ser humano é tão multifacetado que não é possível que exista uma receita pra uma coisa tão complexa quanto o amor, que é uma emoção humana né?

    Beijos!

  3. Nunca li tanta verdade junta! Esse negócio de “amarrar amor” deveria no mínimo assustar as pessoas, afinal, se eu amo alguém, a última coisa que quero que aconteça à essa pessoa é que ela sofra, e estar “amarrado” pode ser tudo, menos bom!
    Já dizia algum pensador: “deixe quem você ama voar, se o amor for recíproco, ele volta…” (ou algo assim hauahauha)

  4. Gente, AMEI seu texto. Você foi objetiva, simples, e ao mesmo tempo, “poética” em seus argumentos, e eu concordo totalmente. Você escreve muito bem!
    A única coisa que eu poderia acrescentar (pq de resto eu não tiro nem ponho), é tipo… li a parte de “deuses celtas”e sem querer querendo eu lembrei de como em religiões neo pagãs, ou magia branca (tipo wicca), esse tipo de ritual/feitiço é meio que proibido. Esse tipo de interferência simplesmente não condiz com a postura que uma bruxa(o) deve prezar.

  5. OLHA AI, Ingrid, num sabia disso não! HUAHUAHUAHUAHUAH!! Mas só tem parte boa nessas religiões? Porque sempre tem umas correntes sinistras dentro de tudo, né? Eu, hein? HUAHUAUAHUAHU! Muito bom saber, de qualquer forma, que isso talvez não faça sentido NENHUM!

    Obrigada por visitar e comentar aqui no Hiper! =)

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