sobre os últimos tempos.

Estou há um tempo recorde sem escrever. O que é muito, muito estranho. O que é anormal, eu diria. Logo eu que falo pelos cotovelos, vocês bem sabem, que sempre tive tantas considerações acerca das coisas todas, que sempre me vi pensando demais sobre o que vai acontecer com a minha, com a sua, com a nossa vida – e com a vida de gente que eu sequer chegarei a conhecer – perdi, nas reflexões, as tais palavras. E me mantive quietinha.

Entrei num estado de contemplação sobre coisa nenhuma e tudo, simultaneamente. Onde cada dia se é vivido em doses homeopáticas, saboreados como brigadeiro caseiro em aniversário infantil. Nada me cabe tão bem nesse inverno como um período de descanso da vida que sempre correu tão depressa bem à minha frente. Que sempre esteve tão distante do que se tem e do que se espera.

Não sinto mais aquela necessidade de fazer tudo até a última gota, como se fosse evaporar. Mas também não me permito deixar mais as pequenas – e sutis coisas – passarem despercebidas. Muita coisa acontece, afinal, enquanto a gente olha pra frente e não pra dentro.

Dos amigos me restaram poucos.

Do dinheiro, como de costume, também pouco.

Mas dos sonhos, esses, implacáveis, me sobram ainda muitos.

Que resolvi absorver e tentar – pacientemente e racionalmente – concretizá-los sem atravessos.

E às vezes é preciso calar, ainda que inconscientemente. Porque nesse texto, por exemplo, nada foi dito.

E tudo, ao mesmo tempo.

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2 Comments

  1. Ericka, às vezes o silêncio é só uma pequena ponte entre quem somos e quem estamos prestes a nos tornar :~) e você, mesmo quietinha, consegue fazer a gente se identificar com teu texto e sentir vontade de vir aqui deixar um alô 😉

    Beijocas!

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