a intimidade que não nos cabe.

Não sei se vocês vivem no mesmo mundo que eu, mas ando um pouco constrangida com o meu mundo. Com o excesso de compartilhamento de informações sobre a intimidade alheia, e, pior que isso: um exagero total e absoluto sobre toda a sorte de temas que, na minha opinião, só dizem respeito a quem as vive. Sei bem que quando passamos por algo muito sensacional, precisamos dividir. Precisamos mesmo. Mas há limites. Para as mães e filhas, entre amigas, médicos, no trabalho e no salão de beleza – tudo nos é lícito, mas, nem tudo, nos convém.

As mulheres ficam emputecidas quando um homem descreve suas façanhas em uma mesa de bar. Quando contam vantagem sobre essa ou aquela gata, sobre posições, locais exóticos onde fizeram loucuras ou sobre qualquer coisa que exponha sua intimidade. Por que, então, nós mulheres decidimos fazer exatamente o mesmo? Só que com as nossas próprias aventuras? Vivemos uma fase de exposição tão grande quanto os homens, mas como tudo que nos cabe, para o bem ou para o mal, fazemos com louvor – com mais detalhes, mais empolgação, mais nomes envolvidos.

Isso precisa parar.

Talvez seja o feminismo, que domina o nosso tempo, e impõe certas liberdades, não sei muito bem quando começamos a nos sentir mais à vontade para falar sobre sexo. Se faz bem ou mal para os compartilhadores compulsivos, não sei.  Mas venho por meio desse dizer que, para algumas pessoas, incomoda. Principalmente quando estamos em um ambiente que não convém, ou quando acabamos por saber demais de quem não temos tanta intimidade assim…E nem queremos ter.  Aquela tia mais saidinha, o chefe, a mulher do caixa do supermercado… E a lista segue infinita.

Qual a necessidade disso, afinal? Porque a imaginação dos seres humanos não tem limites. Pra mim, a “picanha dos relacionamentos” deve ser dividida apenas para quem pode degustá-la. Ainda que pareça muito correto ensinar esse ou aquele truque “prázamiga”, ainda que seja muito tentador espalharmos pelos quatro cantos do mundo que já estivemos numa pior; mas que hoje, meu bem, AGUENTA CORAÇÃO, vamos tentar controlar a boca? O órgão mais vital para a nossa sobrevivência social?

Até porque, gritar a felicidade bem alto pode atrair do bom, do ruim, e do que menos se espera.

É possível ser incrível em silêncio, acreditem. E compartilhar só o que importa com quem realmente torce pra que tudo dê certo.

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5 Comments

  1. Cara, te falar que qualquer assunto relaciona a sexo mui me interessa e logo quero participar da conversa, mas nada que envolva a minha intimidade, sabe? Sei que parece estranho (ué, vamos falar de que então?), mas é um assunto vaaaasto e dá pra conversar sem nos expor tanto. Até pq sabe-se lá que intenções tem quem pega essas informações, né?

    Um beijo,
    Re

  2. Concordo, Rê! O problema num é conversar sobre isso (muito menos com quem é broder!) o problema é compartilhar DEMAIS com gente nada a ver, sabe? Não preciso saber certas particularidades de algumas pessoas que não tenho tanta intimidade assim…HAUAUHAUHAUHUAHU!!

    DESELEGANTE!

  3. Engraçado que um dia desses tava pensando sobre isso, sobre essa necessidade toda de mostrar pra todo mundo o quão foooodaaaaa sua vida é (¬¬). Isso me cansa, e tô até deixando de usar o facebook pessoal pra não pegar abuso das pessoas. Also, parece que sexo é sinônimo de status, e você vira um extraterrestre se ele não tiver relevância 10 na sua vida.

    “É possível ser incrível em silêncio, acreditem”. Li essa frase e senti vontade de compartilhar! Por um mundo menos efusivo! o/

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