a beleza das coisas.

Houve um tempo em que todos queriam namorar a Xuxa. Não sei se vocês, que tem menos de 20 anos, conseguem lembrar disso, mas a Xuxa era gata, era musa, era voluptuosa, mulherão, causava o rolê. Os pais só deixavam seus baixinhos verem aquela xaropada na televisão porque a loirona estaria lá, de maiô decotadíssimo, arrasando nas manhãs sem nenhuma censura, pulando com a molecada e mexendo com o emocional de muitos pais de família desse país.

Hoje a Xuxa não atrai mais suspiros e o mundo ficou tão chato – e politicamente correto – que as musas se tornaram muito mais discretas, acreditem. Mas não é sobre discrição que eu quero falar nesse post.

O que os anos 90 me ensinaram, é que a beleza, de fato, se esvai. E mais que isso: é completamente subjetiva. Ninguém mais lembra da Xuxa como um símbolo sexual. Novas e inúmeras musas surgiram e até naquele tempo outras mulheres eram muito mais interessantes – porém, bem menos nuas – que a rainha dos baixinhos. A Xuxa era musa porque era vista como um objeto de desejo inalcançável, fazia sucesso porque misturava duas realidades distintas e incoerentes – a inocência da infância e os desejos da puberdade. Assim como aquela nova funcionária gostosa no seu trabalho ou o cara gato que tem um escritório no prédio ao lado do seu e você, vira e mexe, encontra no elevador (e dá uma suspiradinha), somos atraídos pelo imaginário, pela casca. Pelas projeções que fazemos de uma determinada pessoa e não por quem essa pessoa, de fato, é.

Em um mês o que é lindo pode se tornar terrível com a convivência ou ainda mais encantador. Nossos relacionamentos são muito mais complexos que olhos verdes e peitos duros, muito mais pessoais que uma barriga tanquinho, e embora todos queiramos – ser e ter – Angelinas Jolies e Brad Pitts, podemos ser infinitamente mais felizes namorando Tiriricas. Como você explica aquelas mulheres maravilhosas com sujeitos feios e vice-versa? Garanto que não é só uma conta bancária recheada que torna tudo mais bonito, até porque, convenhamos, não é todo o feio ricasso – ou bem dotado – que faz sucesso por aí (pelo menos não com menos de 60 e pé na cova).

É natural seguirmos padrões. É natural nos sentirmos atraídos pelos lindos e lindas desse Brasil, mas é preciso ter  cuidado. Muito cuidado ao nos envolvermos apenas com belezas clichês. Nós somos os responsáveis pela nossa felicidade, pelos nossos relacionamentos e mais que isso, por aquilo que desejamos.

A beleza se esvai e o que fica é aquilo que temos de mais importante dentro da gente: nossa personalidade, referências, sonhos, planos, nossos próprios e gigantes fantasmas – que às vezes combinam com os fantasmas do outro e insistimos em ficar.

Quando você encontrar alguém feio, meio torto, mas que te faça sorrir com uma piada sem graça e conversar por horas a fio sobre nada – ou sobre coisas que pra você sempre foram importantes, mas que você nunca teve coragem de admitir – dê uma chance. Essa pessoa, certamente, vai te parecer, a cada dia, mais linda.

A beleza é fundamental, claro. Mas a aparência, sem dúvida, é só uma parte dela.

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2 Comments

  1. Oii! Seu blog é linduuu! Passa lá no meu? bjuxx! – HAHAHA –

    Ai, Ericka… Não gostava da Xuxa não, rs gostava mais da Angélica e da Eliana. haha 🙂
    E olha que vulgar que ela era e nós éramos crianças inocentes demais hehe

    Acho que sempre nos deixamos ser influenciados pela aparência, seja maior ou em menor intensidade. E até acho que a maioria de nós acaba julgando pela aparência. Mas como você falou para dar uma chance a alguém esteticamente fora dos padrões de beleza que a sociedade impõe, se a pessoa é legal, simpática… ela se tornará linda! 🙂

    beijos :*

  2. Oi, Duda!! Eu gostava mesmo era da Mara Maravilha, mas a Xuxa foi icônica, né? Achei que pra função de exemplo ela cabia bem…HAUAUHAUAUHAUHAUH!

    Já visitei seu blog algumas vezes, viu? Prometo que comentarei em todas as próximas! =D

    Um beijão!

    (e obrigada pelo elogio!!)

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