quando a gente deixa pra lá.

Alguém me disse, certa vez, que relacionamentos longos têm ligação direta com a desonestidade. Que quando você está há muito tempo com alguém começa a deixar de falar algumas verdades – e a ignorar aquilo que já não está tão bom assim.

Não se importa mais com o cabelo bagunçado, com a roupa amassada e deixa de apreciar, também, os tais dos detalhes tão pequenos de nós dois que são citados naquela famosa música. Tenho pra mim que é exatamente por esse relaxamento em relação ao amor que as coisas começam a desandar.

As pessoas, então, passam a estar juntas por pura inércia, como num barco; até dá pra pular, mas tudo vai ficar tão movimentado (e molhado) que é melhor continuar onde está. No marasmo rumo à nada, onde não se pode dar um próximo passo, nem se casa, nem se separa. Nem se renova, nem desiste. É triste. É chato. E acreditem: é muito mais comum ser infeliz no amor estando com alguém do que dizem as estatísticas de casais estáveis por aí.

Aliás, vamos falar de estabilidade. Não existe, ao meu ver, um relacionamento mais chato do que aquele que é estável. Daqueles nos quais você faz sempre as mesmas coisas porque sim. Porque habituou. O mesmo beijo, a mesma posição na hora do sexo, o mesmo restaurante, a mesma sobremesa, a mesma visita familiar de domingo, o cinema de quarta. Me dá preguiça só de escrever esse texto.

Odeio estabilidade – em todas as áreas da vida – da emocional à financeira, juro. Não há nada pior do que deixar pra lá aquela coisa de fazer surpresa, elogio, de marcar uma viagem, de sair com os amigos pra um rolê, porque… Huummm…Estabilizou. Não há coisa mais terrível que sofrer o carma de estar o resto da vida com alguém que nunca muda, que não se reinventa. Precisamos de um esforço danado pra nos mantermos sempre iguais.

Jovens, não façam isso, não. Jamais.

Se está chato com 26, imagina lá pros 50. Se tá um marasmo louco agora, no auge da vida loka cabulosa, imagina gente, imagina na Copa quando as coisas ficarem realmente zuadas. Sério.

Melhor que a morte seja rápida e indolor antes, né? Ou melhor escolher logo ser feliz.

Vai doer bem menos no final das contas. Eu acho.

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