no rascunho de 2011.

Quando você me ligou eu estava no banho, eu lembro. Tinha acabado de depilar as pernas e de usar aquele shampoo incrível que deixa os cabelos cheirando 3 quarteirões. Quando você me ligou eu virei do avesso, por dentro assim, dei um pulo. Não sabia se colocava roupa de inverno ou de verão, na dúvida levei comigo um casaco. Estava com o coração quente, com os pés gelados, com a cabeça fresca.

Éramos tão jovens, eu lembro, tão inconsequentes. Eu queria terminar, queria começar, queria que fosse pra sempre. Queria beber vinho até perder a razão, até perder o sentido, até voltar a beber vodka com energético. Lembro que você me levou num barzinho aconchegante, que passava os dedos nas minhas pernas. Lembro que estávamos felizes por nada, por estarmos ali, apenas, juntos por coisa nenhuma. Você contou da sua chácara em Itu, comentou que sentia falta dos seus avós. Disse que só conseguia dormir com as luzes completamente apagadas, e suspirou quando lembrou que teria que viajar pra bem longe, na semana seguinte. Que começava no dia de amanhã.

Começamos, então, a fazer planos que sabíamos que nunca concluiríamos. Nos beijamos como se fosse a última vez, a última gota. O caminho de volta foi longo, foi triste. Eu lembro. E lembro que você, apesar de querer conhecer o mundo inteiro, tinha ele nas mãos e deixou cair no chão fazendo bastante barulho. Alto.

E nunca mais conseguiu juntar os pedaços que ficaram espalhados por aí.

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