bons drink.

De vez em quando, passeio pela Augusta. Sou daquelas paulistanas que tem a sorte de morar perto do centro e de todos os corpos e copos que por lá habitam. Entre um gole e outro, um novo casal de velhos amigos, jovens amantes, intelectuais de esquerda, direita e centro. Muitas histórias. Minhas e alheias. Mais minhas que alheias, aliás. Choros velados, batatinhas cheias de óleo reaproveitado e uma aura intensa de que tudo, em absoluto, pode ser vivido para sempre – da mais intensa dor ao mais delicioso caso de amor. Muitas são as proibições, as atitudes fora da lei, os erros cometidos de toda uma juventude influenciada – e influenciável – que vive até secar. Como se hoje fosse o último dia de todo o resto de uma vida inventada. Como, às vezes, é. Ou como se hoje fosse só o começo de uma fase nova e intensa de rebeldia, de descobertas e de muitos posteriores arrependimentos. Ou tudo ao contrário.

Toda a vez que subo ou desço pelos bares, galerias e pequenas ruas que por lá se instalaram naturalmente, me pergunto um pouco sobre quem eu sou, quem eu fui e quem um dia eu gostaria de ser. Poderíamos congelar uma vida inteira nos bons momentos, ficar por lá pra sempre. A Augusta é um pedaço da praia sem nenhuma relação com a original, mas com uma capacidade incrível de fazer sua mente girar e, perceber, que mesmo em meio ao caos da cidade grande, suas estranhezas e peculiaridades, alguns lugares a gente acaba aprendendo a chamar de lar. E a gostar de suas diferenças, daquilo que elas significam e de tantos outros sentimentos provocantes que nos acometem – para o bem ou para o mal.

Vamos tomar um choppinho?

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