perdido nos rascunhos.

“Hoje me peguei querendo saber como você está. Do casamento, dos filhos, de coisas que, há muito, nem me vinham a mente. O tempo livre é o vilão das nossas boas (e más) memórias, é o vilão da saudades. Não que eu tenha saudades de você, ando mesmo é com saudades de mim. Quem aliás, num desses dias de chuva, não pensa sem parar nas aleatoriedades que viveu? Eu penso sempre. E ando um auê por dentro, sem saber se me encontrei ou se, definitivamente, me perdi. Como sempre.

Ouvi uma música que tenho certeza que você iria curtir. Era um misto de poesia, tinha jogos de palavras, bem no estilo que você me apresentaria aos domingos, quando perdíamos tempo indo e vindo sem rumo certo pela avenida Paulista. Hoje foi um daqueles dias difíceis no trabalho, em que certamente você me diria para não ser tão negativa assim, pra tentar algo novo. Falaria alguma coisa vaga sobre talento, que escrevo bem, que talvez devesse tentar publicar um livro ou virar apresentadora da MTV.

Sabe, comi o melhor pão de queijo do mundo, mas você não ia gostar. Era peguento, tinha um gosto absurdo de parmesão ralado vagabundo, daqueles que eu adoro, você lembra? Acho que não, não lembra.

Fui dormir mais uma vez com dor nos joelhos. Lembrei da almofada que você me deu e joguei fora, puxa, por que eu joguei fora aquela almofada? Das cartas que mandei pra reciclagem na última faxina e parei de pensar em você. Porque de todas as coisas boas que tínhamos, só sobrou mesmo esse texto.

E aquele brinco de estrelas perdido no porta jóias.”

Você também pode ler

1 Comment

  1. É, a vida é assim, sempre assim mesmo, um monte de dúvidas, saudades e incertezas. Trocando os lugares, era exatamente assim, um dos relacionamentos que embora eu não queira de volta, eu sinto muuuuuuuuuitas saudades, principalmente, de quem eu era com ele. Gostei do texto, me fez lembrar mais ainda de algumas coisas (pessoas, na verdade).

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *