Wednesday September 18, 2013 10:31

por que os homens devem parar de agir como macacos? (e as mulheres de gostar disso).

Posted by erickamr

Para quem não acompanha o blog desde o início, e não sabe muito sobre a minha vida, nasci e cresci em Santos, uma cidade de mais ou menos 500 mil habitantes no litoral sul de São Paulo. Como é muito comum em cidades de praia, homens, mulheres e crianças, ricas ou pobres, gordas ou magras, por simples imposição geográfica e climática, optam por usar roupas mais leves, curtas e são obrigadas a conviver com um calor que, em janeiro, pode chegar aos 40 graus.

Neste contexto, nos meus mais de 18 anos de história bem vividas por lá, era comum ver mulheres usando vestidos e saias justos, shortinhos jeans e saídas de praia completamente transparentes, regatas e decotes sem, no entanto, exibir mais do que o adequado para a tal convivência social que divide o bacana do vulgar – critérios dos quais eu nunca vou entender por completo.

Lembro-me bem que quando cheguei em São Paulo era janeiro, e  fazia uns 33 graus. Como já havia sido orientada pelas amigas paulistanas, vesti calça jeans e camiseta, derretendo no asfalto, e estranhei que num lugar onde tantas pessoas vivem aglomeradas – o tempo inteiro – as mulheres insistiam em nunca, jamais, colocar um vestido ou uma saia para ter um pouco mais de conforto no verão. Afinal, num país tropical, quem se submeteria a usar burca em situações nas quais essa não fosse uma exigência? Quem aceitaria viver cobrindo suas formas quando, definitivamente, não estaria exibindo nada além dos joelhos para ter um dia um pouco mais fresco? Em pouco tempo descobri: quem convive constantemente com o medo. E quem entende que não é a roupa curta, justa, decotada ou a calça jeans que impõe limites.

Em São Paulo conheci as mulheres mais incríveis, evoluídas e intelectuais da minha vida. Conheci gente de direita, de esquerda,  da periferia, da elite  e, talvez, devido às características da minha profissão, passei bastante tempo ouvindo histórias e aprendi muito com cada um dos personagens que, aos poucos, foram me fazendo ter vontade de escrever – e trazer à tona os relatos que, de tão diferentes, encontravam-se em algum ponto. Fui testemunha e protagonista de casos de assédio – leves e brutais – de cantadas de mal gosto, de olhares abusivos e de mais uma série de sutilezas que me fizeram pensar: por que, exatamente, aceitamos conviver em meio a tanta violência?

Há muito nos perdemos do aceitável. Há muito nos consideramos culpadas – e não vítimas – do atrito social que divide o sexo e os desejos da agressão verbal, física e moral. Há muito até passamos a gostar disso (salvo as devidas proporções) e, em alguns, casos a utilizar a sedução como ferramenta para conquistar as coisas que de nada tem a ver com o corpo. Nunca estivemos tão presas.

Só sei que alguma coisa se perdeu. A liberdade de como se comportar atingiu níveis incontroláveis – tudo é possível, tudo é permitido, tudo se torna aceitável.

Acho que esse deve ser mais um daqueles momentos em que a sociedade volta à barbárie, sabe? Pra eliminar o que está ruim. E não faço a menor ideia de como começar a combater isso.

Só sei que escrever, e apenas isso, não adianta. Ainda assim, me senti na obrigação de fazê-lo.

Homens e mulheres, pensem, mudem. Tem pouca gente por aí fazendo isso.

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Cansado do papo furado e irreal sobre relacionamentos? De ficar sonhando com o príncipe (ou a princesa) encantado, lamentando sua solteirice pelos quatro cantos do planeta? Cansado de não entender o que faz de errado? Cansado de achar que é o ÚNICO no mundo a ter todos esses problemas? Bem vindo ao Hipervitaminose! Um espaço com crônicas sobre a vida, depoimentos, histórias e análises sinceras - minhas e alheias - de quem já está cansado (e diabético) de tanto blá-blá-blá relacionamental sem eficiência. Fique à vontade!

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