regra dos 30.

Foram mais ou menos 30 segundos – os mais longos do mundo – e suficientes para que ela soubesse que não valia mais a pena estar ali. Deu aquele estalo, aquele mal estar súbito e a vontade louca de ir embora  foi  se instalando pelo corpo inteiro, de cima a baixo, de lado a lado, do nada. Não queria mais que ele encostasse no seu cabelo, que ele a chamasse de linda, não queria mais ficar parada, sentada, naquela mesa de jantar. Tudo parecia forçado, fora de foco, brega, completamente inadequado.

Ela ficou imaginando situações extremas para se livrar daquele redondo que ocupava o peito. Poderia ter um terremoto, uma guerra, cair uma bomba naquele lugar, poderia começar um incêndio no rechaud, quem sabe? Queria sair correndo. Voando. Em 3, 2, 1.

Beliscou a comida, forçou um sorriso. Foi no banheiro 3 vezes, tomou vinho. E nada. Nada.

Iniciou uma conversa sobre música, sobre cinema, sobre o rodízio, sobre o clima e pronto. Era o fim da linha. Quando não se consegue sustentar, sequer, um diálogo de elevador, existe uma coisa muito errada entre duas pessoas.

Achou que seria imaturo simplesmente fugir pela porta de trás. Achou que seria indelicado forçar uma doença qualquer, um ênjoo, uma dor de cabeça. Fingir que viu uma barata, então, nem pensar. Não ia colar por muito tempo.

Aguentou a pressão. Ficou até o final. Nem o maravilhoso frango à milanesa salvou aquele encontro. Nem a batata frita. Deu um beijinho forçado e sem graça no rosto dele, prometeu que ligaria, correu para a portaria. Sumiu.

O tesão pode não salvar ninguém, definitivamente. Mas a ausência dele pode nos fazer viver situações terríveis.

Em menor e maior grau.

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