o amor não é uma bosta.

O amor não é um fardo. Não é essa coisa ruim e depressiva que pregam por aí. É complicado, de vez em quando cansativo. Mas amar não é uma bosta. Não é coisa de mulherzinha. E digo mais: faz parte da gente.

Amar é estar em um constate gerenciamento de crise. Do outro, de ambos e principalmente, da imagem que temos de nós mesmos – nossos gostos, desgostos, limites e loucuras – que só aparecem quando já estamos lá, querendo muito, muito estar pra sempre com alguém.

Não existe amor que faça mal. Nada, aliás, que nos dá motivos para sonhar, suspirar, fazer planos e ter vontade de continuar vivendo nesse mundo cão pode ser considerado de todo ruim. O amor simplesmente não é essa coisa boa o tempo todo, como você vê no Facebook alheio. Nem essa coisa tão horrorosamente brutal que dizem por aí os mais desacreditados. Como tudo que é uma delícia também tem suas zicas. Deixa umas rugas aqui, ali, dá uma diabetes, um refluxo vez ou outra, e tal, que nem comer doce demais depois de sair da churrascaria.

Não dá para passar pela vida sem amar pelo menos um pouquinho. E não dá para suportar a morte sem ter amado demais.

Não há sofrimento que dure tanto a ponto de alguém querer desistir do amor, entendam de uma vez por todas. E parem de insistir nessa ideia. Mesmo os poetas mais depressivos que já passaram pela Terra sabiam que é impossível desvencilhar-se desse sentimento e, querem saber? Só se insiste em escrever sobre o tema quem já foi, definitivamente, apaixonado por amar.

Você pode achar que tem dedo podre e que não serve para ninguém. Que é complicado demais na sua solidão e que junto só gera conflito, desgaste e provocação. Pode ter também um total desprezo pelas coisas românticas, pelas cartas, declarações, clichês e tudo o que diz respeito a um mundo a dois, mas não pode evitar gostar de alguém – do seu modo, sem firulas, seja do jeito que for.

Afinal, o que é que nos move a gostar dos tipos mais errados e sem coerência possíveis se não uma imensa vontade de fazer com que tudo funcione em harmonia com o nosso mundo? Se não uma imensa vontade de fazer com que tudo tenha sentido?

Mais amor, favor, cor, sabor, dor.

Porque sem esse último jamais saberíamos identificar o quanto precisamos do primeiro.

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3 Comments

  1. É Ju, num é fácil mesmo! Mas quem acredita sempre alcança, né? HAUAUHAUHUAH…Tenho fé! Beijão nega!

    =D

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